Entrevistas


25 Nov 2022

Karol Conká fala sobre show no AFROPUNK e desejo de estar no Carnaval de Salvador 2023: ‘eu iria amar’

Dona de uma voz forte e um estilo próprio, a rapper Karol Conká extrapola os seus limites como artista. Desde sua participação polêmica no Big Brother Brasil, em 2021, a curitibana – que já escreveu, atuou, cantou, criou, produziu e modelou - saiu do “paredawn” e já lançou singles e o seu terceiro álbum, intitulado como Urucum, além de ter apresentado o programa Prazer Feminino, no canal GNT. E não para por aí: em entrevista para o Alô Alô Bahia, a cantora revelou que pretende entrar em estúdio para gravar um novo disco nos próximos meses e o desejo de se apresentar no Carnaval de Salvador em 2023: “eu iria amar”, declarou.
 
Karol Conká está na capital baiana desde o início da semana. Entre seus compromissos na cidade estão os ensaios para o show que irá fazer no Festival AFROPUNK, no domingo (27). A artista vai se apresentar ao lado do grupo baiano Àttooxxá. A rapper contou detalhes sobre sua apresentação, além da sua relação com o evento e a música produzida na Bahia. Confira:
 
Alô Alô Bahia – O que público pode esperar da sua apresentação com o grupo baiano Àttooxxá no Festival AFROPUNK?
 
Karol Conká - Estamos preparando um show de muita potência e entrega musical, com um repertório muito intenso. A ideia é a galera dançar do início ao fim, como é de praxe no Attoxa em Salvador.
 
AAB - RDD produziu seu último disco, o Urucum, mas acredito que essa seja sua primeira apresentação com todo grupo Àttooxxá. Como surgiu essa ideia de fazer um show juntos?
 
KC - A parceria com o RDD é algo muito especial na minha carreira e sou muito grata por ter a contribuição desse grande produtor na minha música. Eu tive o prazer de dividir o palco com o Àttooxxá numa participação junto com o mestre Carlinhos Brown, mas essa será a primeira vez que realizaremos um show inteiro juntos, o que é ainda mais empolgante por ser AFROPUNK Bahia.
 
AAB - Já conhecia o festival AFROPUNK, seja no Brasil ou nos EUA? O que acha do evento e qual sua expectativa para sua primeira apresentação?
 
KC - Eu já me apresentei no AFROPUNK em Paris, em 2016, e São Paulo, em 2019. Também já fui prestigiar o Festival em Nova York e Atlanta. Espero ter uma troca genuína e energizante com a galera. Estou muito feliz de reencontrar o público de Salvador.
 
AAB - O que tem feito nesta sua estadia em Salvador e o que gosta de fazer na cidade?
 
KC - Estou amando essa estadia em Salvador, a energia da cidade é contagiante e todo mundo é lindo demais. Conheci a Gamboa, praia que já queria vir há muito tempo.  Aproveitei para tomar um solzinho e uma cervejinha com os amigos.
 
AAB –  Admira algum artista baiano?
 
KC - A cena musical atual da cidade vem nos presenteando com artistas maravilhosas, como Luedji Luna, a qual eu tenho grande admiração e que é uma das artistas de maior importância na cena musical brasileira. 
 
AAB - Teremos Karol Conká de novo no Verão de Salvador?
 
KC - Espero muito que sim. Eu adoraria voltar no verão e também, quem sabe, fazer um show nesse carnaval, eu iria amar!
 
AAB - Há previsão de lançamentos ou alguma novidade para um futuro breve?
 
KC - Pretendo entrar em estúdio nos próximos meses, mas ainda sem datas definidas para próximos lançamentos. 

Fotos: Divulgação. Também estamos no Instagram (@sitealoalobahia), Twitter (@Aloalo_Bahia) e Google Notícias.

9 Nov 2022

Em papo aberto, Thelma Assis fala sobre adoção, preconceito, BBB e beleza

Durante entrevista para o podcast Sala de Espera, disponível no Youtube, a médica e dançarina Thelma Assis abordou assuntos como adoção, participação no ‘Big Brother Brasil, preconceitos na sociedade hoje em dia e beleza. Confira como foi o bate-papo da campeã do BBB 20 com o dermatologista Daniel Dziabas e o personal stylist Yan Acioli:


Adoção

Mulher forte, guerreira e cheia de histórias de vida, Thelminha nasceu no bairro do Limão, em São Paulo, onde foi adotada por seus pais com apenas 3 dias de vida. A médica, que descobriu que havia sido adotada com 15 anos de idade através de um telefonema anônimo, conta como foi essa descoberta para ela: “A certeza veio desta forma bem dolorosa, mas ao mesmo tempo que foi dolorosa, foi bem resolvida rapidamente. Eu fiquei uns dois dias totalmente fora do ar, depois eu parei para pensar que eu não seria quem eu era, se eu não tivesse tido o amor daquela família. E foi em um momento supersensível, - a gente tinha perdido a minha avó materna -, então acho que foi uma pessoa que não gostava da minha família. E aí eu falei: ‘Eu não vou piorar a situação, eu vou abraçar esses pais que me amaram’, e a gente seguiu. Eu virei essa página, eu não fui atrás da outra família, eu entendo que a minha família é a que me deu amor e que me criou.”, disse.


Big Brother Brasil

Uma das participantes e vencedora da edição de 2020 do reality show ‘Big Brother Brasil’, a apresentadora considera sua participação no programa como um desfecho para a fase de vida que estava passando: “Ali no BBB acho que foi um grande resumo de muitas coisas que eu já tinha passado na vida. Essa questão da rejeição, das pessoas muitas vezes duvidarem de você. Na minha edição, eu fui a última a ganhar seguidor, a última a ser verificada pelo insta. Acho que o BBB foi o desfecho para essa fase da minha vida, que eu estava vindo de muita luta, muita dor acumulada. Então eu já tinha tido uma grande realização pessoal, que tinha sido entrar para medicina e me formar como médica, foi uma luta. E aí depois veio o BBB para arrematar tudo isso.”, comentou.

Preconceito

Thelminha faz parte da primeira geração de pessoas da sua família que chegaram até a universidade. Ela, que se formou em medicina pela PUC de Campinas em meio às dificuldades de ser uma mulher preta e de origem humilde, conta como vê o preconceito no Brasil hoje: “Aqui no Brasil parece que quando a gente ocupa um lugar de destaque, as pessoas querem bater de frente querendo te tirar dali. A mulher preta eles colocam em algumas caixinhas, ou é a preta raivosa ou é a preta que é um objeto sexual. Eu transito por todas essas caixinhas, porque uma hora eu vou e mostro meu corpo no Carnaval, mas eu estou ali como uma mulher sambista que admira aquilo e que posso me vestir do jeito que eu quiser. O fato de eu ser sensual não diminui minha credibilidade de ir como médica diplomada que eu tenho, sentar no Bem-Estar e falar com propriedade o que eu estou falando.”, ressaltou.


Beleza

Ainda durante o bate-papo, a influenciadora comentou como é sua relação com a beleza e o processo de transição capilar: “Eu comecei minha transição capilar em 2015 e eu lembro de ter muita dificuldade de encontrar uma variedade de produtos para cabelos crespos e cacheados. A transição capilar ela não é só estética, ela é um momento em que a mulher não só se reconhece como negra, mas que a mulher se fortalece, se empodera como negra. A transição para mim foi isso.”, disse.

 
 

8 Nov 2022

Em processo de expansão, LOC investe no licenciamento da plataforma e chega a 15 novas cidades da Bahia

A mudança de mentalidade e dos hábitos do consumidor fizeram com que a indústria têxtil colocasse em pauta a moda circular, um conceito que tem como objetivo a criação de produtos a partir de um ciclo de vida mais sustentável, oferecendo possibilidade de agregar valor às marcas, contribuindo para mudanças significativas no setor.

Assim nasceu o LOC, plataforma de moda compartilhada que reúne uma infinidade de peças, entre roupas e acessórios, tornando acessível ao usuário a possibilidade de variar as produções sem fazer grandes investimentos.

Em expansão, o modelo de negócio, já presente em várias capitais do Nordeste, chega a 15 cidades baianas ainda este ano através de um plano de franquias.

O Alô Alô Bahia bateu um papo com Amanda Cunha e Felipe Tambon, sócios da marca, para entender como funciona o empreendimento. Vem ver.

ALÔ ALÔ BAHIA: O que é o Loc?
LOC: O LOC é o Airbnb da moda. Em vez de apartamentos, roupas e acessórios são alugados. Quem nunca abriu o armário e se viu cansada das mesmas peças? Para aquele jantar especial, algo novo seria perfeito, mas será que vale a pena comprar com apenas uma ocasião pontual em mente? Com a alta nos preços e a vontade de sempre ter novidades, variar o guarda-roupa pode ser algo difícil. Conseguimos, através de uma plataforma, alinhar uma dor com uma oportunidade de investimento.

AAB: Como surgiu o negócio?
LOC: Surgiu a partir dessa necessidade de consumir de uma forma mais inteligente o que já temos no armário. Se por um lado vivemos a cultura instagramável e do consumo, do outro queremos ter experiências novas em detrimento de possuir. O LOC é um aplicativo de aluguel de artigos de moda de pessoa para pessoa. Falamos que ele é um Airbnb da moda, porque a pessoa que tem o bem (uma peça) entra no aplicativo (disponível para Android e iOS), cadastra a peça informando suas características e valor de aluguel e quem quer alugar ou comprar acessa a plataforma, vê todos os itens disponibilizados em sua região e consegue fazer todo o procedimento por lá. Foi criado a fim de atender às necessidades de seu principal público, mulheres (95% dos usuários), de 18 a 35 anos, pessoas adeptas à economia circular.  Esse é um modelo de negócio em expansão.

AAB: Em quais cidades o LOC está presente?
LOC: A empresa está presente em Salvador, Natal, Teresina, São Luís, Campina Grande, Recife, Juazeiro e Petrolina, mas segue em busca de novas regiões. O LOC é a única solução de moda circular focada no aluguel de itens de pessoa para pessoa, nicho que cresce mais de 50% ao ano no país. Com mais de R$ 34 milhões em peças cadastradas, a meta é chegar a 15 cidades até o fim do ano. Estamos procurando por pessoas em cidades do interior da Bahia, como Feira de Santana, Ilhéus, Itabuna, Luís Eduardo Magalhães, Santo Antônio de Jesus, Camaçari e, também, nas capitais dos outros estados nordestinos: Fortaleza, João Pessoa, Aracaju e Maceió. ​
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AAB: Como é feita a curadoria das peças que entram no LOC?
LOC: Nós temos um time interno de concierge que faz a avaliação dos itens, dá feedbacks para as usuárias aumentarem visibilidade das peças e exclui aqueles que fogem aos termos de uso da plataforma. É possível encontrar desde vestidos arrumados para festas, casamentos e bolsas (o que é o óbvio para aluguel), mas também, mala de viagem, acessórios como brincos, até babyliss. É interessante ver como as loclovers (como chamamos nossas usuárias) se tornam adeptas à economia circular e ao uso inteligente de bens, não só roupas. Nosso foco está nas nossas usuárias e licenciadas. Escutamos pontos que elas sinalizam e trazemos melhorias em cima desses pontos. Nós também premiamos as heavy users (usuárias que são muito engajadas no aplicativo) com experiências memoráveis em que elas possam usar looks LOC, desde festas exclusivas a editoriais fotográficos. Nossos números não negam: tivemos 92% de transações a partir de usuárias recorrentes no aplicativo. 

AAB:  Quero oferecer uma roupa ao LOC, como devo proceder?
LOC: É uma plataforma de pessoa para pessoa, então não existe necessidade de enviar a peça para lugar nenhum. O LOC não é uma loja de aluguel de roupas. Ele não detém os bens das usuárias. A peça da usuária, que é um bem de sua propriedade, continua sendo dela, que pode continuar usando, caso a disponibilize para aluguel somente. Por ser de pessoa para pessoa (P2P), não existe uma empresa “no meio” que detém o bem do usuário e isso dá uma liberdade tamanha para as nossas loclovers. Elas detém o bem, usam quando querem, mas ganham dinheiro com ele também.

AAB: Como será a expansão do LOC, quando sentiu que havia chegado o momento de ampliar o negócio?
LOC: A empresa triplicou seu faturamento em comparação ao ano passado, apesar de não ter entrado em nenhuma nova cidade nesse tempo. Então, percebemos que o momento mais favorável para levá-la para mais cidades é agora. Para isso é fundamental ter um responsável local, que mora e se relaciona com pessoas da sua região, entendendo as suas demandas e cultura local. Em 2019, começamos a expansão pelo sistema muito parecido com franquia: o formato de licenciamento de software e marca. A empresa busca empreendedoras interessadas em levar a operação do LOC para suas cidades, atuando como uma executiva de conta local, criando vínculo direto com as loclovers.]

AAB: Como é o modelo de negócio do LOC?
LOC: As usuárias não pagam nada para anunciar suas peças, nenhuma taxa mensal, e ganham em um percentual das transações (alugueis e vendas) realizadas pelo aplicativo. Uma comissão da transação vai para a licenciada. Essa forma atrai donas de peças, que antes não teriam um lugar para anunciá-las e gerenciar toda a transação, e licenciadas, que têm um grande potencial de escalar a solução para as mulheres de sua cidade. É desse relacionamento entre a licenciada e usuárias toplocs (donas das peças) que a empresa depende para crescer. Nós implantamos a licença em 90 dias e como a estrutura é enxuta, a licenciada não tem custo fixo nem necessidade de um local para atuar.

AAB: O que uma licenciada faz?
LOC: A empresa fica responsável pelo treinamento, parte do suporte, desenvolvimento e criação de campanhas de marketing. A licenciada é responsável pelo relacionamento com toplocs e toplocs em potencial, fazendo com que elas cadastrem suas peças no app, estreitando relações para essa parceria ser duradoura, além de ser a responsável por entender demandas sazonais da sua cidade e fazer parcerias locais.

AAB: Quais os planos e metas para o futuro?
LOC: A meta do LOC é estar em todas as cidades do Brasil e oferecer a melhor solução online para quem quer alugar, comprar ou se inspirar nos looks. O serviço só depende da internet para funcionar e o licenciamento permite um crescimento mais rápido e horizontal. O investimento para se tornar licenciada varia de acordo com o tamanho da cidade e número de habitantes e vai de R$10 mil a R$60 mil. Interessadas podem acessar a página para terem mais informações.

DEPOIMENTO DE FRANQUEADAS 
“Conheci o LOC em uma reportagem de revista de avião. Assim que aterrissamos, eu baixei o app e já entrei em contato com o time. Em menos de um mês, a licença já estava instalada. A licença foi lançada em setembro de 2019, e nesse tempo, em São Luís, já são mais de 10 mil usuárias, 24 mil peças cadastradas, com média de 200 pedidos mensais", conta Liciane Silva, franqueada em São Luís do Maranhão.

​Outro exemplo são as empreendedoras Monique Marinho e Luana Ribeiro, que acabaram de fechar a licença de Juazeiro e Petrolina. Monique já era usuária de Salvador, mas viu a oportunidade de ter o LOC na região da Bahia onde a maioria de suas amigas mora. “Estava pensando em abrir uma franquia, algo com moda, já usava o LOC em Salvador desde do início do aplicativo e quando vi que estavam em busca de licenciadas, procurei fechar Juazeiro e Petrolina, que já frequento e é onde uma de minhas melhores amigas, Luana, mora. Conversei com ela sobre a licença e ela topou, acredito muito no crescimento e estou animada com esse projeto”, diz. No momento, elas estão em onboarding, com lançamento previsto para final de novembro deste ano.yC2KwN.md.jpg 
Da esquerda para a direita: Daniela Alencar, Junia Penna, Silvia Jaqueira e Letícia Mandias 

 

12 Oct 2022

Exclusiva da Louis Vuitton, modelo baiana Samile Bermannelli fala sobre sua trajetória na moda

Uma das modelos baianas mais bem-sucedidas de sua geração, Samile Bermannelli tem apenas 24 anos e um currículo poderoso. Há seis anos na profissão, se divide entre Nova York, onde mora, e as principais metrópoles do mundo, onde desfila e estrela campanhas.

Seu portfólio traz capas para as principais revistas de moda do mundo, como a Vogueamericana, francesa e japonesa, participação no Victoria's Secret Fashion Show e trabalhos para Louis Vuitton, Diesel, Balmain, Off White, Jacquemus, Miu Miu, Salvatore Ferragamo, Etro, Alberta Ferretti, Kenzo, Prabal Gurang, Elie Saab, Schiaparelli, Mugler, Marc Jacobs, Valentino, Lemaire, Emilio Pucci, Ralph Lauren, Tommy Hilfiger e Dolce & Gabbana, entre outras grifes poderosas.
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Sua conquista mais recente foi fechar o desfile da Louis Vuitton na mais recente temporada de moda em Paris. Samile também assinou um contrato de exclusividade e deve participar de outros projetos com a maison nos próximos meses. 

Em entrevista exclusiva ao portal Alô Alô Bahia, a modelo fala sobre o momento que está vivendo, diversidade na moda, sua relação com Salvador e planos para o futuro. Confira:
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Alô Alô Bahia: Quais as principais conquistas de sua carreira?
SB: O desfile da Victoria's Secret pra mim foi a primeira conquista. Antes de entrar na moda, eu era apaixonada, assistia aos desfiles pela internet, sonhava em desfilar para a marca um dia e, no primeiro ano que eu me mudei pra Nova York, após 6 meses, aconteceu. Foi incrível demais!
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O segundo momento muito importante pra mim foi a campanha La Bomba para Jacquemus. Foi uma video campaign, gravada na Espanha, numa casa maravilhosa, com uma vista linda, teve dançarinos, eu até pude adicionar uns passos de dança no meu momento de câmera. O Simon [Porte Jacquemus, criador da marca] adorou, foi uma experiência maravilhosa.

E, por último, mas não menos importante, o desfile exclusivo para a Louis Vuitton: que presente, eu nunca imaginei ser exclusiva de uma marca um dia e, que dirá, fechar o desfile de uma maison gigante como essa.
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AAB: Além do desfile, você vai fazer outros trabalhos com a maison. Quais?
SB: Quero continuar fazendo os shows e chamar muita campanha. A minha exclusividade dura alguns meses, então vamos ver o que vai rolar.
 
AAB: Qual o seu sentimento no que diz respeito a ser um exemplo para outras modelos em início de carreira?
SB: Eu fico feliz quando leio ou penso nisso. Espero que elas se sintam bem representadas comigo e com as próximas que virão. Quero que elas saibam que é possível acreditar e sonhar também.
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AAB: Como foi para você fechar o desfile da Louis Vuitton, sendo exclusiva da marca na temporada?
SB: Fechar o desfile e ser exclusiva significa muito pra mim. Eu achava que isso era uma coisa tão distante pra mim e ter sido escolhida com meus locks foi lindo, estou feliz demais. Nós sabemos o quanto a sociedade tem preconceito com os locks. Então, pra mim, foi lindo demais ver isso acontecendo. ZC3rj2.md.jpg   
AAB: Sua trajetória sempre pareceu ser uma construção muito sólida e você sempre passou uma imagem de profissional muito séria. Quais os principais desafios que você teve e quais fatores fizeram a diferença nessa trajetória?
SB: Ser modelo nunca foi uma profissão fácil. Existem vários perrengues e não é só o glamour que todos imaginam!  Deixar minha cidade, mainha, minha família, morar sozinha em cidades tão grandes e, a princípio, sem falar inglês foram desafios que eu tive que enfrentar e que não foram fáceis. Um dos fatores que fizeram toda a diferença e que sempre me manteve de pé, sem nunca desistir, foi ter esse feeling, no fundo do coração, de que tudo daria certo. Ter persistência, força e amadurecimento pessoal também me ajudaram demais a manter o controle. Esse acreditar em mim e acreditar nos meus locks foram o que me motivaram a continuar. E está sendo especial demais ver tudo que o está acontecendo agora. É só mais uma confirmação pra mim de que antes de todo mundo, EU tenho que acreditar em mim primeiro, confiar nas minhas intuições e vambora!
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AAB: Como você lida com a saudade da família?
SB: É sempre difícil estar distante da família. É chato não ter o seu porto seguro por perto, eu sinto muita falta. Nos últimos anos, tenho priorizado estar com eles cada vez mais. Se sinto que preciso voltar pra casa e estar com os meus, eu não penso duas vezes, eu só vou! A vida de modelo é muito solitária, fico feliz que, ao longo dos anos, fui criando meu safe place com amigues maravilhosas e isso ajuda muito a não se sentir tão só.
 
AAB: Qual sua relação com Salvador? Com que frequência você vem à cidade e o que mais sente falta?
SB: Minha relação com Salvador é muito forte. Eu sou completamente apaixonada pela minha cidade. Ir pra Salvador é como me reconectar comigo, com a minha essência e as minhas raízes. Estar lá é lembrar de não me perder de mim, não esquecer de onde eu vim, e isso é muito importante pra mim. No início da minha carreira, eu ia muito pouco a Salvador por conta dos trabalhos, mas nos últimos anos eu tenho ido bastante, me faz um bem gigante e não tem lugar nenhum no mundo que me traga a paz, a felicidade e o axé que Salvador me traz. O que mais sinto falta, depois da família, é a comida, praia e os sambas de roda - como nós chamamos as rodas de samba em Salvador. Minha família ama um ‘partido’, praia, comer água, aquela coisa gostosa de Salvador.
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AAB: Temos visto cada vez mais diversidade na moda. Você percebe isso?
SB: Eu ainda não vejo tanta diversidade na moda não. Acho que ainda temos um trabalho gigante em relação a isso. O que eu vejo hoje em dia são marcas se aproveitando de causas para vender. Como, por exemplo, durante o mês LGBTQIA+: vc só vê as marcas se posicionando ou trabalhando com modelos que são LGBTQIA+ nessa época.
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AAB: Existe alguma meta profissional ou pessoal que você quer alcançar?
SB: Minha meta profissional é me tornar atriz. Há 2 anos venho estudando e me preparando nos meus tempos livres. Tenho muita vontade de fazer cinema e mal posso esperar para me conectar mais ainda com o mundo do acting.
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*Com produção de João Victor Moraes.
 
 

23 Sep 2022

Boticário e Vitória Rodrigues contam histórias de mulheres nordestinas em cordéis; veja entrevista com a artista

Conteúdo sob medida Alô Alô Bahia.

Para fortalecer a influência feminina no Nordeste, berço de grandes nomes da história brasileira, o Boticário e a apresentadora, cantora e poetisa alagoana Vitória Rodrigues vão contar, sob o mote “O brilho que carrego comigo”, histórias de mulheres da sua comunidade nordestina em cordéis. A ação faz parte da campanha da fragrância Liz Sublime, do Boticário, que conta com uma assinatura exclusiva - a base de Laire Íris Nobre - e com uma fórmula secreta de óleo que une a sofisticada Íris Absoluta Francesa com a força do Vetiver de Madagascar.

O projeto, que será veiculado nas redes sociais da marca, contará histórias de mulheres que, de alguma maneira, inspiraram outras mulheres. O objetivo é levar essa mensagem e motivação a muitas outras. A artista conversou com o Alô Alô Bahia sobre o novo projeto; confira:
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  1. Como é, para você, a experiência de estar em uma campanha que celebra a cultura nordestina e as mulheres nordestinas?
Me sinto muito feliz e lisonjeada. É tão representativo e importante pra mim poder fazer parte disso. A cultura nordestina é imensa, potente e pra mim é a raiz do meu trabalho, é a inspiração que alicerça minhas criações. Sendo uma mulher preta, que vem do interior de Alagoas, onde fui criada por mulheres nordestinas fortes, sensíveis e inteligentes poder celebrar essa cultura exaltando a força feminina, contando suas histórias através da literatura de cordel é revigorante. Essa experiência está sendo linda e feita com muito amor, afeto e delicadeza. Tenho certeza que esse projeto, mais do que exaltar a força feminina do Nordeste, será inspiração para todas as mulheres desse Brasil.
  1. Qual a sua relação com o Boticário? Como foi receber esse convite da marca?
Foi emocionante porque o Boticário está na minha memória afetiva desde a infância. Cresci sentindo o cheirinho de minha família pelas fragrâncias do Boticário. Minha mãe usa Floratta, meu pai Uomini e meu irmão ama Malbec. Eu sou apaixonada por perfumes, já passei por diversas fragrâncias, inclusive desde que senti Liz Sublime ele não sai do meu cangote… rs.

Então esse não é apenas um trabalho da Vitoria atriz e poetisa, mas é uma troca linda que me faz relembrar aquela Vitória do passado que cresceu sentindo Boticário nas pessoas que mais amo. É uma sensação que, em palavras, não consigo explicar. 
  1. Seguindo o mote da campanha “O brilho que carrego comigo”, quais aspectos das histórias dessas mulheres você espera que seus cordéis evidenciem? O que você espera inspirar?
Lendo as histórias dessas mulheres, em diversos momentos, me emocionei pela identificação, porque nós mulheres nordestinas, em especial, temos dentro de nós uma força e uma sensibilidade que mobiliza nossos sonhos, não importa o tamanho do obstáculo. Foi um desafio muito grande sintetizar em cordéis essas histórias de muita luta, superação e principalmente histórias de mulheres com muito amor no coração. São histórias que dariam livros de muitas páginas! Elas transmitem amor pelos seus e pelo que acreditam. Um amor que não permitiu que nenhuma delas desistisse, mas sim que resistisse e cada uma, a seu modo, venceu e se tornou inspiração para os que as cercam. Agora se tornarão também para todos que ouvirem essas histórias que, junto com Boticário, terei a honra de contar.
  1. As redes sociais foram muito importantes para a sua projeção nacional, certo? Como avalia esse canal também como meio de visibilidade para a literatura de cordel?
Sim. Foi a partir das redes sociais que minha poesia começou a chegar a mais pessoas e foi também através delas que tive a oportunidade de levar o cordel para TV através do meu programa ‘Cordel da Gente’ no GNT, no qual escrevi e contei histórias de muitos nordestinos e nordestinas inspiradores do nosso país. A literatura de cordel é extremamente importante e, infelizmente, ainda muito pouco explorada e invisibilizada em nosso país. Poder com minhas poesias ser voz da cultura popular do meu Nordeste e levá-la para o máximo de pessoas possível é uma honra e uma responsabilidade imensa. Acho necessário e urgente a valorização dos cordelistas do nosso país, principalmente do nordeste, pois a literatura de cordel, bem como a arte popular, carrega um estereótipo simplório, que precisa ser desconstruído, pois quem lê um folheto de Cordel não imagina a complexidade das métricas que preenchem de riqueza cada verso. Eu tenho muito o que aprender, porque quanto mais você investiga mais percebe que a arte popular é linda e gigante em sua sutileza e simplicidade, mas nem por isso ela é simplória.
  1. Qual a sua relação com a Bahia? E com mulheres baianas?
Fui à Bahia algumas vezes, me sinto sempre muito acolhida por lá. A Bahia é um berço cultural lindo de grandes referências musicais, da literatura, da dança, enfim, pra quem faz arte a Bahia é uma referência. Foi inclusive através de uma baiana que minhas poesias tiveram uma visibilidade maior. Falo de Margareth Menezes que foi uma das primeiras artistas a compartilhar em suas redes minha poesia ‘Plantando Paz’. Esse ano, a encontrei por acaso no festival de inverno de Garanhuns e, na ocasião, tive a honra de recitar meu cordel ‘Muito Prazer Eu Sou Mulher’ que foi minha primeira música lançada e tive a honra de ter Margareth no clipe. Além disso, tenho grandes amigas baianas que são imensamente inspiradoras, aprendo muito com elas.
  1. Tem cordelistas baianas como referência para você? Se sim, quais?
No meu programa ‘Cordel da Gente’, que foi transmitido pelo GNT no início desse ano, tive a oportunidade de contar a história de Bule Bule, um grande mestre baiano que é uma referência da literatura de cordel no Brasil inteiro. Tem também Anastácia, natural de Senhor do Bonfim, que tem um trabalho lindo e criou um blog chamado A Vida em Cordel. Não a conheço pessoalmente, mas admiro muito. Já Júlia Juazeira, uma jovem cordelista de Juazeiro, é uma grande amiga que pude conhecer no Rio de Janeiro e que admiro demais. Pela grandeza da Bahia, acredito que haja várias mulheres cordelistas, não conheço tantas quanto gostaria.
  1. Tem perspectiva de vir à Bahia?
Eu amo a Bahia, já fui algumas vezes para Salvador e Feira de Santana. Sou apaixonada pela energia e alegria que pulsa desse estado. Acho que Salvador seria uma cidade que amaria morar, porque quando chego aí parece que estou em casa. Faz tempo que não vou lá, quero voltar logo, estou morrendo de saudade!

Leia mais notícias na aba Notas
 
Fotos: Vitoria Rodrigues. Siga o insta @sitealoalobahia.

 

7 Sep 2022

'Salvador é um dos lugares mais fascinantes do mundo': Vik Muniz fala de sua relação com a cidade

Cidadão do mundo, o artista plástico paulista Vik Muniz tem um lugar para chamar de seu na Bahia, mais precisamente uma casa em Salvador, no Santo Antônio Além do Carmo, para onde retorna sempre que arruma um espaço em sua agenda, dividida entre Nova York, Europa, África, Índia e tantos outros cantos do planeta.

De passagem pela cidade na companhia da mulher, a produtora Malu Barretto, para ficar “uma semaninha só, matar as saudades, ver como estão as coisas, dar uma volta de barco, encontrar os amigos e botar as coisas um pouco em dia”, Vik concedeu a entrevista a seguir com exclusividade para o portal Alô Alô Bahia, na qual falou de sua relação de amor por Salvador e de projetos que estão para acontecer. Confira.

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Alô Alô Bahia: Você tem uma relação muito estreita com a Bahia. Desde quando?

Vik Muniz:
 Essa relação já vem desde 1999. Eu tava vivendo muitos anos fora [do país], passei a maior parte da minha vida nos Estados Unidos, inclusive eu sou americano também. Saí do país como um menino pobre, fiz uma carreira lá fora e quando eu chegava no lado um pouco mais glamuroso na coisa do mundo da arte, não compatibilizava com aquela pessoa que eu tinha deixado aqui. E eu fui descobrindo aos poucos uma maneira de me reintegrar com a minha cultura. É sempre muito importante fazer as pazes com o seu passado. E foi um convite do Cesare de la Rocca, com o Projeto Axé, que deu início à essa história minha com o Brasil. Ele é extremamente responsável por isso. Vim trazido por ele para participar de uma exposição no Solar do Unhão, que chamava O Silêncio da Terra (Quiet of the Land), com artistas internacionais e brasileiros. E eu vim como internacional, na verdade. A coisa era para trabalhar com crianças de rua, realizando um projeto a ser exposto no ano seguinte. Essa temporada em Salvador mudou a minha vida.
 
AAB: Como foi esse primeiro contato com Salvador?

VM:
 Eu vim pra ficar três semanas e fiquei quatro meses, me apaixonei pela cidade e eu encontrei aqui um Brasil que era o que eu queria. Era o Brasil de verdade. Era o Brasil multifacetado, diverso, preto, branco e pobre também. Mas era uma coisa de pobres sofisticados. Uma cidade que tem uma ideia de pertencimento cultural inigualável. Não conheço nenhum outro lugar no planeta em que as pessoas são tão donas da própria cultura. A gente não vê isso em São Paulo, e eu sou de São Paulo, ou mesmo no Rio de Janeiro.
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AAB: Você criou laços nessas vivências?

VM:
 Comecei a ter relações de amizade aqui que são muito longevas. Foi durando, durando, durando... venho quase que anualmente para Salvador desde então. E sempre tinha uma vontade muito grande de ter uma casa no Carmo. Isso já há vinte anos, essa vontade. Nunca aconteceu por uma razão ou outra, até eu começar a vir com mais frequência com Malu [Barretto], minha mulher, que é outra apaixonada pela cidade. Então a gente decidiu comprar essa casinha. Foi no caminho do aeroporto que a gente comprou. Fomos visitar um amigo nosso, Pedro Tourinho, e tinha uma casa vendendo ao lado da gente. Fomos ver e pensamos: ‘Ah, cara! A gente vai ser vizinho do Pedro Tourinho e do Paulo [Vaz], que é o dono do Cafelier. Perfeito!’. Na sequência, fomos nos envolvendo: eu trouxe o barco que eu fiz na pandemia, fiz um projeto na Feira de São Joaquim, que é também uma maneira de ter mais desculpas pra vir mais pra cá e é muito divertido, muito legal. Eu fiz não pensando nesse contexto de arte internacional, mas em arte no lugar que tem que estar. Fiz para as pessoas que vão ali, muita gente em Salvador vai até ali. 
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AAB: E que entrou, de fato, na vida da Feira. Eu vou em São Joaquim com frequência e um dia eu cheguei lá e perguntei: “Fica onde?”. “Ah! É de Vik? Fica ali...”. Eles sabem o que é. 

VM:
 Sabem e ainda me cobram: 'E aí? Quando será a próxima exposição?'. A história mais legal que escutei foi a de um rapaz que conheci lá, um historiador da Feira. A gente trocou telefones e um dia ele me ligou: ‘Vik, você não vai acreditar! Eu tava aqui, agora, e chegou uma senhora, acho que está hospedada no Fera [Palace Hotel]. Ela veio com duas filhas e estava um pouco assustada, veio de São Paulo. Meio acanhada, perguntou para um senhor que estava com duas facas enormes, bebendo cerveja na frente da galeria: 'Aqui que é o projeto de arte do Vik?' E o moço falou pra ela: 'o projeto é do Vik Muniz, mas o artista é o Ernesto Neto, que é um carioca, e essa obra aqui é sobre a causa indígena. Todos os materiais que a senhora está vendo aí são daqui da feira mesmo, mas, de acordo com a ideia do artista, se tornou uma obra de arte’. Isso é um cara da Feira falando para uma mulher de São Paulo. É lindo! O cara é um peixeiro explicando para uma senhora da cidade o que é arte contemporânea. Isso é maravilhoso. É impagável. Essa ligação. Pensei: 'vale a pena continuar fazendo', porque é isso o que a gente quer fazer, sabe?
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AAB: Você tem outros projetos em mente? Tem pensado em outras coisas relacionadas a Salvador? 

VM:
 Eu estou arrumando ‘sarna pra me coçar’ aqui (risos). E a gente tem muitas amizades, então estamos sempre bolando coisas. Tenho amizade com Ubiratan Marques, da Orquestra Afrosinfônica. A gente está fazendo um projeto juntos, que ainda não tem muita forma, mas está começando. Tem um parceiro de vinte anos, que é o [artista plástico] Alberto Pitta, e a gente está sempre aprontando alguma coisa. 
 
AAB: O livro dele está fantástico! 

VM: 
O livro dele [Alberto Pitta], fui eu quem mexeu com o Pedro Corrêa do Lago para a gente produzir... Tem um livro muito legal também, que é do [antiquário] Itamar Musse, que está saindo, sobre a Florinda [Anna do Nascimento] e a Joias de Crioula, com uma perspectiva um pouco mais multifacetada, mais abrangente, muito lindo, sabe? 
 
AAB: Você tem esse outro lado de realizar também, né?  

VM:
 Eu gosto de me meter em coisas. Eu faço arte com todo tipo de material, né? Lixo, diamante, coisa grande, coisa pequena, mas eu acredito que o material de verdade é a experiência. Você tem que se jogar. A gente só vive uma vez, né? Então, quanto mais tipos de vida diferentes você tenha, melhor. E eu acho que quando você é artista, você tem o privilégio de poder viver várias vidas. Num dia, você está em Salvador, no outro em Madri, no outro em Tóquio vivendo experiências distintas. Eu acho que a intensidade dessas experiências, a maneira como você se engaja faz a diferença. Eu estava conversando com uma amiga aqui, agora, e falei: ‘Pô, eu vou em qualquer lugar. Eu faço de um limão, uma limonada mesmo. Se a festa estiver chata, eu faço ficar legal. Eu acho que a gente tem se entregar para as coisas e fazer o melhor possível. 
 
AAB: E aqui em Salvador, você é um realizador?

VM:
 Eu acho incrível como você não tem muito a adicionar em Salvador. Aqui eu me sinto um grande passageiro de um trem que já está andando. E é muito legal que seja assim. Porque, dentro do calendário da cidade, em janeiro, por exemplo, o melhor lugar do mundo para se passar, para mim, é em Salvador. Quando os amigos vêm para aqui antes do Carnaval, têm uma expectativa, uma coisa linda. Tem a festa da Beleza Negra do Ilê. Tem tanta coisa legal acontecendo! E é um mundo de verdade, sabe? Principalmente, assim, quando a gente tem essas pautas que vem à tona, como a da diversidade sexual, de gênero, do racismo. Salvador é uma cidade muito rica em experiência. Você vive dentro de uma confusão em que todos esses contextos de argumentos estão muito presentes, são relevantes porque você conhece essas coisas no cotidiano. 
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AAB: Isso traz alguma coisa para a sua arte?

VM: 
Eu acho que inspira muito.  A gente tem que entender que o mundo é pobre. Eu viajo muito. Vou para a África, Bangladesh. O mundo não é o bolso de afluência sócio-econômica-cultural vendido nas revistas e sites. Nem é o que as pessoas estão vendendo nos seus perfis de Instagram. Tudo é pobre. O mundo é deficiente de diversas maneiras. E é diverso, cheio de injustiças e belezas ao mesmo tempo.
 
AAB: Enquanto artista, isso te inspira de alguma forma? 

VM: 
Eu falo sempre que a criatividade é a energia resultante da fricção entre necessidade e possibilidade. Se você não tem necessidade, todo processo criativo será falho, de uma certa forma. Precisa de precisar. Aquele estereótipo do artista pobre, acho que aquilo la boème, o artista que está sofrendo, tem um sentido interessante, porque você vê muita coisa nascendo onde ela tem que nascer, onde há uma necessidade de aquilo acontecer. E sempre falo: Salvador é um lugar que tem todos esses defeitos socioeconômicos, mas tem todas as melhores soluções pra esses defeitos. E tem a gente mais orgulhosa da sua cultura. Eu acho um lugar lindo! É um dos poucos lugares onde você vai a uma festa cívica (o Dois de Julho, por exemplo) e as pessoas adoram ver uma fanfarra. É lindo! Tem até um orgulho. Aqui em Salvador, o dia da Independência [da Bahia] é um dia que você tem orgulho, se sente patriota. Uma independência verdadeira. Não é o cara que parou pra fazer cocô na beira do rio Ipiranga e levantou uma espada. Vai ver se era uma espada ou se era um galho, ninguém sabe. Aqui não! Aqui foi lutado, os caras tiveram que brigar, têm histórias boas a respeito, são miscigenadas, ricas, grossas. Eu adoro Salvador. Acho que é um dos lugares mais fascinantes do mundo do ponto de vista social também. As pessoas são interessantes. Adoro estar aqui! 
 
AAB: Por que você está em Salvador agora?

VM: 
A gente está desde sexta-feira e vai embora na quarta (7). Viemos para matar as saudades, ver como estão as coisas, dar uma volta de barco, ver os amigos e botar as coisas um pouco em dia. Voltaremos em outubro para abrir a exposição da [artista plástica] Maria Nepomuceno na [Galeria] Lugar Comum. Já estamos combinando de fazer o jantar, até, com a [chef do Di Janela] Nara [Amaral].

Foto: Elias Dantas, Alô Alô Bahia e Xico Diniz (ambiente da casa). Também estamos no Instagram (@sitealoalobahia), Twitter (@Aloalo_Bahia) e Google Notícias.

3 Sep 2022

'É difícil ser ético, mas é necessário e possível', diz Karnal antes de vir a Salvador; leia a entrevista

Na próxima sexta-feira (9), cerca de 150 convidados do Alô Alô Bahia, entre empresários e executivos de grandes companhias, estarão reunidos no Fera Palace Hotel para assistir à palestra de um dos principais intelectuais do país. Leandro Karnal virá a Salvador exclusivamente para o talk, que terá como tema ‘valores, ética e estratégia no mercado empresarial’.

Historiador e doutor em História Social pela USP, membro da Academia Paulista de Letras e professor da Unicamp por mais de 20 anos, Leandro Karnal é autor de best sellers, como 'O Inferno Somos Nós' e 'O Dilema do Porco Espinho’, tem seu próprio canal no YouTube, o 'Prazer, Karnal', é âncora do programa 'Universo Karnal' na CNN Brasil e assina coluna fixa no jornal O Estado de S. Paulo. Em todas estas mídias, se destaca pelo caráter analítico e opinativo.

Como aquecimento para o aguardado encontro em Salvador, o historiador concedeu uma entrevista exclusiva ao portal Alô Alô Bahia, na qual fala sobre ética e valores no mundo corporativo. Em sua opinião, “é muito difícil ser ético em qualquer campo, mas é necessário e possível”.  Confira:
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Alô Alô Bahia: Muito se discute sobre ética e outros valores nas empresas. Estes são conceitos globais ou cada região ou estado tem características culturais ou hábitos que podem interferir? Se sim, o que uma empresa que quer operar de uma forma macro pode fazer para se adaptar? 

Leandro Karnal: Valores são históricos, logo, dependem de concepções que podem mudar no tempo e no espaço. A globalização econômica fez crescer valores compartilhados por muitas sociedades. Responsabilidade ambiental, combates ao preconceito, respeito à diversidade e ética nos negócios estão ficando cada vez mais universais. Uma empresa precisa se adaptar e oferecer cursos, regras claras para os colaboradores e incentivos ao aperfeiçoamento destes valores. O processo é permanente.

AAB: Você percebeu uma mudança nos valores individuais nos anos da pandemia? Você acha que isso reflete nos 6,467 milhões de pedidos de demissão nos 12 meses no Brasil - um recorde? 

LK: Houve muitas mudanças. O espaço da casa e da família foram ressignificados. Ostentação nas redes passou a ser atacada como exibicionismo. A presença do risco de vida com a pandemia trouxe à tona o tema da felicidade e da realização. Sim, houve muitos pedidos de demissão. Nos EUA, tem-se usado o conceito de “The Great Resignation” (algo como "A Grande Renúncia”), um movimento de demissão em massa de trabalhadores em busca de mais flexibilidade. A pandemia fez funcionários repensarem o lugar que o trabalho deveria ter em suas vidas. Todavia, seria bom pensar que há um número ainda maior de pessoas que lutam para entrar no mercado de trabalho. A felicidade de alguns é um trabalho diferente e a de outros é qualquer trabalho.
 
AAB: Quais os principais valores, na sua opinião, que as empresas precisam ter atualmente? Você acha que os empresários entenderam que consolidar valores e ser ético também faz parte da estratégia de negócio? 

LK: Toda ação de uma empresa deve estar impregnada por questões de conservação ambiental, luta contra o preconceito e estímulo ao engajamento social. Este tripé é base da imagem da empresa. Uma empresa que seja vista como destruidora destes valores tende a perder mercado. No mercado hoje, o destaque são os critérios ESG ( Environmental, Social e Governance - Meio ambiente, Social e Governança). As práticas - queiram os gestores ou não - devem rumar nesse caminho sob o risco de a empresa perder sua relevância.

AAB: É fácil ter ética no mundo empresarial? 

LK: É muito difícil ser ético em qualquer campo, mas é necessário e possível. Associar lucro a ações predatórias, concorrência desleal e esmagamento da autoestima dos colaboradores é uma visão ultrapassada e perigosa. Nosso mundo tem sintomas de doenças sociais e psíquicas. Não é fácil manter equilíbrio emocional neles, mas é necessário. A ética é o caminho da saúde mental.

O talk empresarial com Leandro Karnal é um projeto do portal Alô Alô Bahia com o apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador; patrocínio da Moura Dubeux, Suzano, Sebrae Bahia, Shopping da Bahia, Guebor Veículos, Seven Investor ( BTG Pactual), Escola Concept, Ivan Jóias, Bontempo Salvador e Clínica Horaios e apoio da Zum Brazil Eventos, Hiperideal, AMAVI Assessoria, TD Design, Tudo São Flores, Uranus, Hike Agência, chef Flavia Sampaio e Fera Palace Hotel.  
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 Fotos: Caio Gandra/Divulgação. Siga o insta @sitealoalobahia
 

31 Aug 2022

Sucesso nos palcos, Nattan avalia carreira e revela planos futuros

Verdade seja dita, você pode até não gostar de forró ou lambada, mas já deve ter ouvido o hit "Tem Cabaré Essa Noite", que traz um feat entre Nattan e o cantor baiano Nivaldo Marques.

A música, lançada em junho, ocupa as principais posições nas plataformas de streaming e já atingiu mais de 50 milhões de vizualizações no clipe oficial, no Youtube. 

Prestes a desembarcar em Salvador para comandar o evento Villa Garden,  Extra Party do Camarote Villa que acontece no dia 11 de setembro, na Chácara Baluarte, o cantor cearense bateu um papo com o Alô Alô Bahia e falou sobre carreira, projetos e novas parcerias musicias. Vem ver! 


Alô Alô Bahia: Sua carreira despontou em meio à pandemia, em um momento no qual os artistas estão cada vez mais conectados com os meios digitais. Como você avalia esse movimento?
 
Nattan: Realmente tudo comigo aconteceu durante a pandemia, foi um momento muito importante na minha vida, hoje eu sinto já estou vivendo um sonho, ajudando minha família, participando de programas que sempre assisti, espero que seja apenas o início da minha carreira na música. 
 
AAB: O forró e o piseiro vem ganhando cada vez mais espaço  em eventos de várias naturezas. Qual a sua avaliação sobre isso?
 
N: Ah. eu fico feliz de ver a música do meu nordeste tocando em todo o país, a gente lutou muito para conquistar esse espaço. 
 
AAB:  Quais são os artistas que te inspiram musicalmente?
 
N:Tenho como inspiração muita gente da minha geração mesmo, principalmente meus conterrâneos Zé Cantor, Avine Vinny, Raí do Saia Rodada, e, claro que não posso deixar de lembrar do Xand Avião. 
 
AAB: Qual a sua relação com Salvador?
 
N: Eu tenho uma admiração enorme por essa cidade, ela é cheia de vida, de cultura, exala música, sou encantado por Salvador.
 
AAB: Existe alguma expectativa de você se apresentar no carnaval de Salvador?
 
N: Com certeza, se acontecer de eu me apresentar no carnaval de Salvador ficarei feliz demais, admiro muito a festa de vocês, seria uma honra e um momento incrível, estou na torcida. 
 
AAB: Quais são os planos futuros para a carreira?
 
N: Quero gravar um DVD, a gente pretende ter uma label futuramente, lançar novas músicas, as nossas reuniões não param, estamos a todo momento colocando ideias no papel e logo logo em prática se Deus quiser, não quero parar um minuto! 
 
AAB:  Você  já acumula parcerias com varios artistas como Zé Vaqueiro, Nivaldo Marques, Mari Fernandes..  Com qual artista deseja um feat?
 
N: Sim, eu ainda tenho vontade de gravar com muitos artistas e amigos que a música me presenteou, quero fazer um projeto bem bacana com o Xand, Gusttavo Lima, tem Wesley que também é um artista que eu gosto muito, eita, são muitos nomes ainda, rs. 
 
AAB: "Tem Cabaré essa Noite" segue em destaque nas plataformas de streaming, qual seu sentimento? Imaginou que a musica faria tanto sucesso?
 
N: É o sentimento de que vivo um sonho, são muitas coisas boas acontecendo ao mesmo tempo graças a Deus! Quando eu ouvi a versão do Nivaldo já gostei muito da música, sabia que daria bom se nos juntássemos.

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Foto: Divulgação. ​Também estamos no Instagram (@sitealoalobahia), Twitter (@aloalo_bahia) e Google Notícias.

18 Aug 2022

Estreando musical, Carlinhos Brown fala sobre relação com o meio ambiente e expectativas para o Carnaval

O projeto infantil Paxuá e Paramim, criado pelo músico Carlinhos Brown em parceria com Andrea Mota, estreia musical no próximo dia 20 de agosto, às 15h, no Teatro Liberdade, em São Paulo. "Paxuá e Paramim e o Novo Planeta Azulzinho", que celebra os 10 anos do projeto, conta com canções de autoria de Brown e da cantora Milla Franco, direção artística de  Gringo Cardia, roteiro de Stella Miranda e direção de André Gress. Em curta temporada, a montagem fica em cartaz até o próximo dia 28 de agosto. Em conversa com o Alô Alô Bahia, o o cantor, compositor e multi-instrumentista falou sobre o que o público pode esperar do novo projeto, a importância da educação ambiental para a formação das crianças e expectativas para o Carnaval. 


Alô Alô Bahia – Qual balanço você faz sobre esses 10 anos do projeto Paxuá e Paramim?

Carlinhos Brown -
Como indivíduo, sempre dei importância para a questão do cuidado ambiental, faz parte do meu viver. Como cidadão, eu tento fazer a minha parte. Desde o nascimento do projeto, o propósito foi o de trazer felicidade e apresentar o conceito de educação ambiental para as crianças, para que elas cresçam aprendendo a cuidar do nosso planeta e da nossa terra. O que Paxuá e Paramim nos ensinam é que, se rios pedem passagem é porque os caminhos sempre foram deles. A natureza é sábia e o pensamento que precisamos ter é o de convivência. Hoje chegamos no musical, que é voltado para toda a família, também com esse propósito de educação.
 

AAB - Quais são os principais aprendizados que essa experiência de trabalhar com o público infantil te traz?

CB -
Trabalho desenvolvendo criações e possibilidades no campo da música, da cultura e da arte-educação com crianças há mais de quarenta anos.  A criança transborda sinceridade.  Na criança que encontro a brincadeira, o espontâneo. É extremamente gratificante.
 

AAB – Qual mensagem o musical “Paxuá e Paramim e o novo Planeta Azulzinho” busca transmitir ao público?

CB -
‘Paramim’ na história é um índio que vem de outro planeta porque o planeta Terra estava fazendo mal a ele. Todos nós somos filhos do mesmo feito. Se faz mal para o índio, fará mal para cada um de nós. O tema em evidência no musical é o da preservação ambiental. O Planeta Azulzinho vem com a ideia de recuperar o que estamos perdendo, ressignificar.
 

AAB – Quais são as suas expectativas com a estreia do musical no dia 20 de agosto, em São Paulo?

CB -
O musical foi criado com muito carinho por mim, em parceria com um grande time que tornou possível essa realização. Espero que essa mensagem de cuidado com o meio ambiente chegue ao maior número de pessoas e que esse tema passe a ser discutido em família durante o almoço, para que as novas gerações enxerguem a preservação ambiental como uma emergência, como prioridade. A história do espetáculo é feita para valorizar a vida, as pessoas e a natureza como um renascimento educativo. 
 

AAB – Quais são as expectativas para o Carnaval 2023?

CB -
Agora no final do mês eu estou indo para a Europa, a Londres, onde vou participar com o meu bloco ‘Brasil Gueto Square’ do Carnaval de Nothing Hill, no dia 29 de agosto. Logo, o Carnaval para mim já começou. Estamos buscando a transição do trio elétrico para o carro 100% elétrico. É a realização de um sonho coletivo, um sonho que nasceu com Dodô e Osmar.

 
 

16 Aug 2022

Com exposição em São Paulo e livro no forno, Alberto Pitta fala sobre arte e legado


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​Aos 61 anos, Alberto Pitta exerce um papel fundamental na cultura brasileira. Artista plástico, carnavalesco à frente do Cortejo Afro, designer e serígrafo, há 4 décadas desenvolve trabalhos de pesquisa e criações que fazem dele um mestre e um executor vibrante e inquieto.

Um dos pioneiros da arte de estampas afrobaianas, o criativo se prepara para participar da SP Arte - que terá como tema Rotas Brasileiras e será realizada dos dias 24 a 28, na Arca, através da Carmo Johnson, galeria que o representa em São Paulo. Além disso, fará, em novembro, o lançamento do livro "Histórias contadas em tecido - O carnaval negro baiano", no MAM-BA, obra que conta, de maneira diferente, as histórias dos blocos através dos panos.

Nesta entrevista exclusiva ao portal Alô Alô Bahia, Alberto Pitta fala sobre o plano de lançar um disco do Cortejo Afro, da relação criativa com o DJ e produtor musical Ubunto, e da importância de ocupar espaços com sua arte. Confira:
 
Alô Alô Bahia: Ao longo de 40 anos você vem atuando como artista plástico, carnavalesco, designer e serígrafo. Quando e como você se percebeu pronto para atuar em cada uma dessas funções?
Alberto Pitta: Quando surgiu o Ilê Aiyê, eu despertei para a importância de todo aquele movimento. Antes do Ilê era atraído pela estética dos blocos de índios: Apaches,  Commanches, Cacique do Garcia, Tupys, Guaranys, Xavantes  dentre outros.
 
AAB: Quem te inspirou e te ajudou a se entender em sua jornada?
AP: Fui inspirado, principalmente por minha mãe Santinha de Oyá. Ela era bordadeira, educadora, fazia teatro e falava francês na mocidade.
 
AAB: Você ilustrou o livro “Gil – Todas as letras”, de Gilberto Gil. Como foi para você receber este convite?
AP: Recebi o convite da Flora Gil e do letrista Carlos Rennó para ilustrar o livro “Todas as Letras Gilberto Gil 80 anos”. Pra mim, um presente dos deuses.
 
AAB: O DJ e produtor musical Ubunto disse que vocês chegaram a conversar sobre um possível disco do Cortejo Afro. Como está essa ideia?
AP: Tenho planos de fazer um disco para o Cortejo Afro utilizando as novas batidas eletrônicas de Ubunto.
 
AAB: Aliás, foi Ubunto quem sonorizou sua exposição "Eternidade Soterrada", na Carmo Johnson Projects, em São Paulo.
AP: Sim, convidei Ubunto, pois vejo nele um dos maiores talentos dessa nova geração.
 
AAB: Você é um dos pioneiros na criação de estampas afrobaianas. Como você percebe esse reconhecimento artístico e como você pretende deixar este legado?
AP: O legado está concluído. Eu e J. Cunha somos autores dessa chamada estética baiana.
 
AAB: Você assina o livro "Histórias contadas em tecido - O carnaval negro baiano", que chegará ao público pelo Instituto Oyá Produções. Fale sobre a importância desse registro.
AP: O livro “Histórias Contadas em Tecidos” será lançado em novembro, no MAM-BA, e conta, de maneira diferente, as histórias dos blocos através dos panos.
 
AAB: Hoje, você está com duas exposições em cartaz: “Histórias em Tecidos – Ancestralidade e Pertencimento”, na Casa do Benin, em Salvador, e "Eternidade Soterrada", na Carmo Johnson Projects, em São Paulo, para além da presença na coletiva Encruzilhada no MAM-BA, que encerrou ontem. Fale sobre a importância de ocupar estes espaços.
AP: “Eternidade Soterrada” é minha primeira grande exposição em São Paulo, com curadoria de Renato Menezes, que hoje integra a equipe de curadoria da Pinacoteca de São Paulo. Estarei também participando da SP Arte pela Carmo Johnson, que hoje está representando o meu trabalho em São Paulo, ao mesmo tempo em que acontece a exposição na Casa do Benin, em Salvador. Para mim é muito importante ocupar esse espaço que sempre foi meu e da minha arte.
 
 
AAB: Você criou o Cortejo Afro há 23 anos e hoje, mais que um bloco de carnaval, ele é um misto de encontros criativos, vivências e espetáculo cênico. Você ansiava por isso no início, ou foi uma coisa que se moldou com os anos?
AP: Quando deixei o Olodum foi justamente para fazer um bloco em que as artes plásticas, os figurinos, tivessem vez, portanto o Cortejo Afro é exatamente isso.
 
AAB: Quais seus planos? O que podemos esperar de Alberto Pitta para os próximos meses?
AP: Meu plano é viver e fazer um Cortejo Afro diferente do que foi até aqui.  Espero.
 
AAB: O Cortejo Afro voltará a desfilar no próximo Carnaval? Você pode nos adiantar algo?
AP: Para o próximo Carnaval, segredo!

Foto: Divulgação. Também estamos no Instagram (@sitealoalobahia), Twitter (@Aloalo_Bahia) e Google Notícias.
 

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