Entrevistas


10 Jun 2021

"Tem muita gente em busca de holofotes", diz Coronel sobre CPI da Covid

O senador Angelo Coronel (PSD) afirmou que integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado estão em busca de holofotes. Para ele, a CPI está "muito em cima da cloroquina", e deveria focar mais no sentido de pressionar o governo federal para comprar mais vacinas contra o coronavírus.

"Ate então a CPI tem muita gente em busca de holofotes, muito em cima da cloroquina. Eu acho que o que se tem que fazer são pressões para que o governo compre mais imunizantes. Esse negócio de ficar debatendo em CPI cloroquina para mim não vai à frente, porque é coisa do passado. Nós temos que pensar no presente e no futuro", afirmou, em entrevista ao Alô Alô Bahia.

Questionado pela reportagem, citou o senador cearense Eduardo Girão (Podemos). "É candidato a governador do Ceará, aí sai atirando pra todo lado para aparecer", disse.

"Criminalizar alguém só depois do relatório final, que o Ministério Público vai ver as provas acostadas e vai abrir inquérito ou não. Temos que pensar em salvar vidas de hoje para a frente. Qual o papel da CPI? Ela investiga, encaminha para o Ministério Público e cabe ao Ministério Público abrir processo ou não. Se o Ministério Público ver que no relatório final não foram acostadas provas concretas, ele pode simplesmente arquivar toda a investigação", complementou.

Coronel ainda se posicionou contra a abertura do Senado neste momento. "Não adianta reabrir o Senado, que é uma Casa que é um mundo de gente todo dia. O Senado é um covidário, já morreram três senadores, assessores. Ninguém pode arriscar", finalizou.
 
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7 Jun 2021

Escritor baiano Flavio Fernandes conta como a escrita o ajuda a lidar com uma doença autoimune

O escritor e advogado soteropolitano Flavio Fernandes, que em 2018 teve um diagnóstico de policondrite recidivante – doença autoimune que provoca a inflamação das cartilagens, encontrou na escrita um meio para lidar com os desafios da doença e levou sua experiência para as páginas do livro Contos de Awnya: RAVEL. 

Em entrevista inédita, Flavio conta mais sobre a doença, o processo de tratamento e a escrita do livro, além de revelar detalhes exclusivos da obra e deixar uma mensagem inspiradora para os leitores.

Por que você decidiu, entre tantos gêneros, escrever uma fantasia? Teve algum escritor ou escritora como inspiração?

Flavio Fernandes: Fantasia, especificamente fantasia medieval, sempre foi meu gênero favorito. Desde pequeno me divertia com as histórias de “Willow na terra da magia”, Krull, entre outros. Na adolescência, através de jogos de RPG descobri Tolkien e foi amor à primeira vista. Então, por amar tanto esse gênero não teria como ser diferente. Grande parte de meu repertório de histórias são ambientadas em mundos fantásticos, especialmente no mundo de Awnya. Minhas grandes referências como escritor são JRR Tolkien e Andrzej Sapkowski.

Como surgiu sua paixão pelas histórias fantásticas?

Flavio Fernandes: Vem desde pequeno. Quando criança eu passava as tardes assistindo tokusatsus. Acredito que ali foi plantada a semente do fantástico em minha mente. Depois vieram os animes, os quadrinhos os jogos etc. A escrita foi um pouco mais tarde, surgiu quando e tinha 15 anos. Foi quando eu decidi escrever as primeiras histórias no mundo de Awnya, muito influenciado pela leitura de O senhor dos Anéis de Tolkien.

Na história, Ravel é um mago que tem alergia à sua própria magia. Quais desafios ele teve de enfrentar para chegar à autoaceitação? E na sua vivência pessoal, como isso ocorreu?

Flavio Fernandes: Alerta de Spoiler! Acredito muito que somos moldados pelo o que pensamos e acreditamos. Então, eu trouxe para o mundo de Awnya essa questão e fiz a metáfora com a magia. O mago precisa de uma mente afiada para conjurar feitiços. A partir do momento que essa mente adoece, sua habilidade também fica prejudicada. Então, os desafios que Ravel teve que passar, são aqueles que remeteram às suas próprias falhas. No meu caso, foi pura experimentação. A doença destaca os meus sentimentos e meu corpo. Percebi que a raiva, a ansiedade e o medo a potencializavam. E, agora, controlada, ela “belisca” meu corpo. Se estou ansioso, sinto o joelho fisgar, a cartilagem da orelha esquentar ou esterno doer, algo assim. Então, comigo foi um verdadeiro autoconhecimento. Compreendi como minha mente é capaz de me prejudicar. Assim, não foi difícil imaginar o contrário, como minha mente pode me ajudar.

De que forma a escrita te ajudou a superar o diagnóstico da policondrite recidivante? 

Flavio Fernandes: O ato de escrever, para mim, já serve de terapia, pois é algo que amo fazer. Então tudo que te proporciona prazer, já funciona como um remédio que acalma, descansa e desestressa. Porém, este livro em especial me ajudou porque eu precisei revisar em minha mente os fatos que antecederam o eclodir da doença. Com essa compreensão, estou conseguindo lidar melhor com ela. Consigo me antecipar a crises e a superar as que não consigo evitar.

Qual é a principal mensagem que "Contos de Awnya: RAVEL" traz aos leitores?

Flavio Fernandes: Nossa mente, nosso poder! Esse lema das escolas de magias do mundo Awnya é repetido várias vezes durante o livro e eu acredito que ele resume bem a lição da obra. Cuidado com o que pensa, com o que deseja, com o que almeja. Cuide de sua mente, semeie pensamentos positivos e faça o bem. Às vezes, temos um peso escondido em nosso subconsciente que carregamos com dor e nem percebemos. Contos de Awnya: RAVEL é um convite para a reflexão sobre o peso que levamos sem nos dar conta de suas implicações materiais.

Como se deu o processo de criação do protagonista? Quais são as semelhanças que ele tem com você?

Flavio Fernandes: Eu adoro magos! Em jogos de RPG eu sempre interpreto um mago. Então, já era um desejo antigo escrever um livro com um mago sendo protagonista. Quando me veio a ideia de usar a doença para ser retratada no livro, nada melhor que um mago para conduzir essa mensagem, afinal, qual herói usa tanto a sua mente como fonte de poder?  

Além desse lançamento, você pretende publicar outros livros ou uma continuação para a história?

Flavio Fernandes: Sim! As aventuras no mundo de Awnya estão só começando. No meu site flavioasfernandes.com.br tem uma aba de contos e um mapa do mundo. Ou seja, tem muitos lugares para serem explorados. A fantasia tem a grande vantagem de poder exagerar fenômenos do nosso dia a dia de forma que se tornem mais fáceis a sua compreensão.



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26 May 2021

Alô Alô Bahia entrevista Manfred Stoffl

Após cinco anos na direção do Goethe-Institut em Salvador, Manfred Stoffl deixa o cargo para assumir a direção do Departamento de Teatro e Dança do Goethe-Institut em Munique. Seu retorno para Alemanha será neste sábado (29).  Antes disso, ele conversou com o Alô Alô Bahia sobre a experiência na capital baiana e a emoção de receber o título de cidadão soteropolitano concedido pela Câmara de Vereadores.


Alô Alô Bahia - Sua gestão à frente do Goethe-Institut foi marcada por abrir portas para produções artísticas de grupos ligados à comunidade negra, LGBTQIA+ e da periferia. O que te motivou a trazer essa diversidade para o centro da sua atuação?

Manfred Stoffl - Antes de assumir a direção do Goethe-Institut em Salvador, eu administrava o Goethe-Institut em Montreal, no Canadá. Minha gestão por lá foi reconhecida pelas ações que abriram as portas da unidade para todas as pessoas. Em qualquer lugar do mundo, o Goethe-Institut se define como um espaço aberto, independentemente de classe social, gênero, orientação sexual, religião ou raça. Ninguém precisa falar alemão para vir até nós, as portas estão abertas. Em Salvador, no entanto, um episódio me abriu os olhos à necessidade de ações continuadas. Em 2016, quando estive à frente da implantação do Programa de Residência Artística Vila Sul, recebemos a ativista Grada Kilomba. Ela falou com mais de 200 mulheres, em sua maioria negras, em nosso pátio. Naquela ocasião, conversei com mulheres que relataram as impressões que tinham a respeito do Goethe-Institut. Para elas, era um lugar organizado e pensado para os brancos. Ali ficou evidente que algo precisava ser feito.

AAB – Como diretor da instituição, qual foi a sua reação diante desse episódio e quais foram os principais desafios nesse processo?

Manfred Stoffl - Minha reação foi ouvir, entender e, em seguida, buscar meios para tornar o Goethe-Institut esse espaço que hoje é, reconhecidamente, plural nas suas atividades. Essas mulheres me ajudaram a perceber que grupos sociais historicamente subalternizados sentem o não pertencimento em um local que fica no Corredor da Vitória em um imóvel com traços coloniais. Eu, pessoa branca da Europa, não sei a sensação de ter locais fechados para mim por causa da minha origem. Esse episódio me deixou absolutamente convencido de que a exclusão deve ser rompida. As fronteiras entre periferia e centro devem se tornar permeáveis. O maior desafio é que você não pode mudar algo assim da noite para o dia e que existem problemas estruturais que você não pode resolver sozinho. As mudanças precisam de muita força e persistência.

AAB – O que representa para você receber o título de cidadão soteropolitano e o que você acredita que levará de bagagem da sua experiência na Bahia para a sua atuação na Alemanha?

Manfred Stoffl - Antes de tudo, este título é uma grande honra. Nunca esperei receber algo com tamanha representatividade. Estou muito feliz com o reconhecimento do meu trabalho. Sei que nossos projetos nem sempre agradaram a todos e que chocamos algumas pessoas, mas essa conclusão me diz que, em geral, tudo deu certo. Eu não poderia ter imaginado uma despedida melhor. Espero levar a leveza e descontração da Bahia comigo para a Alemanha. Também quero permanecer vigilante e continuar a ouvir todos os grupos a fim de poder atender a muitas necessidades, se possível.

AAB – A partir do trabalho realizado e do legado deixado pela sua gestão, quais são os próximos passos e desafios do Goethe-Institut de Salvador?

Manfred Stoffl - Em tempo de pandemia, nosso maior desafio é manter o trabalho. Nós gerenciamos cursos da língua alemã, uma programação cultural e o Programa de Residência Artística Vila Sul. Nada disso deve parar. Seguimos nosso trabalho em formatos alternativos, como pode ser conferido em nossas redes sociais. O Goethe-Institut de Salvador possui uma equipe de trabalho engajada e atenta a esses desafios. 

AAB – Quais têm sido os principais desafios em atuar com cultura neste período de pandemia e qual você acredita que seja a perspectiva de futuro para este segmento?

Manfred Stoffl - A arte e a cultura prosperam nos encontros entre artistas e o público. Os festivais são o oposto de distância, significam condensação, contato, muitas vezes o contato físico. Nada disso é possível durante a pandemia. A mudança para o digital tem funcionado bem em alguns casos, mas também ameaça excluir pessoas sem possibilidades técnicas e dispositivos de acesso à internet. Espero que, em breve, retornemos aos eventos físicos, mas o digital permanecerá, mudará e será expandido. Um dos desafios é isso acontecer sem barreiras. Por exemplo, é preciso ter acessibilidade técnica às pessoas com deficiência visual. A sociedade, de modo amplo, precisa se comprometer com a cultura. A cultura não é um luxo que desperdiça dinheiro. A cultura é a força vital de uma sociedade com pessoas que precisam ter, pelo menos, renda suficiente para sustentar a si e os seus familiares.

AAB – Quais são as expectativas com os próximos desafios que você assumirá na direção do Departamento de Teatro e Dança do Goethe-Institut em Munique? Quais devem ser os próximos passos por lá?

Manfred Stoffl - Olha, confesso que meu primeiro passo é redescobrir a Alemanha. Estou há 15 anos longe do meu país de origem e preciso compreender os novos caminhos que se abrem por lá. O departamento que assumirei possui diversas demandas, uma delas é o apoio às turnês internacionais de grupos de dança e teatro. Quero, inicialmente, discutir com minha equipe se isso ainda é apropriado. A pandemia e a mudança climática nos mostram os limites das viagens e temos que nos perguntar se ainda é possível enviar companhias com muitos artistas para longas viagens ao redor do mundo. Talvez, no futuro, tenhamos que entregar peças a artistas locais, por exemplo. Além disso, os grandes teatros na Alemanha enfrentam uma grande mudança. As estruturas de poder dominadas pelos homens, em particular, estão sendo cada vez mais criticadas, e o apelo por diversidade e inclusão está se tornando cada vez mais alto. O teatro e a dança devem permitir a participação de todos os grupos. Esse é um cenário que Brasil e Alemanha têm em comum.



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24 May 2021

Alô Alô Bahia entrevista André Luzbel

A BP Investimentos atingiu, recentemente, a marca de R$ 3 bilhões sob assessoria e já se prepara para continuar crescendo em 2021. Em conversa com o Alô Alô Bahia, André Luzbel, sócio da empresa, destaca que, mesmo no cenário de crise econômica provocada pela pandemia da covid-19, houve um aumento no número de pessoas que buscaram o mercado financeiro. 

Alô Alô Bahia: O que você acredita que contribuiu para que a BP tivesse esse crescimento expressivo neste período de crise causada pela pandemia?

André Luzbel: A sensação que a gente tinha ali no meio do furacão é que seria um ano perdido, um ano que a gente iria sofrer bastante. Mas o que nós percebemos é que a postura do investidor mudou bastante. Antes, em momento de pânico, as pessoas fugiam do mercado financeiro. Mas o que nós percebemos ali em 2020 foi que o movimento foi contrário. Várias pessoas resolveram começar a investir fora dos grandes bancos. Então, você estava buscando ali melhores oportunidades ou melhores aplicações, investimentos que se adequassem de forma melhor ao objetivo de cada um. Dito isso, nós praticamente dobramos de tamanho no ano passado, foi muito trabalhoso, intenso. 

Alô Alô Bahia: Qual você acredita que seja o principal diferencial para que este resultado tenha sido alcançado?

André Luzbel: Nosso trabalho é pegar na mão do investidor, mostrar o mercado e tentar capacitá-lo para que em algum momento ele possa andar com as próprias pernas, mas sempre sob o nosso olhar. Então a gente nunca vai abandonar o investidor, mas vamos sempre educá-lo e acompanhá-lo nessa jornada.

Nós sempre acreditávamos que bolsa no Brasil ainda é pouco explorada, ela deveria fazer parte de forma maior da vida dos investidores. A gente tem hoje menos de 5% da população investindo na bolsa. Nos EUA, isso é 75%, 80%. Mas entendemos que é um processo de aprendizagem e que leva tempo para a gente chegar a um patamar maior. O que ajuda muito hoje é a facilidade de acesso a informação.


Alô Alô Bahia: Quais você acredita que sejam os desafios daqui pra frente?

André Luzbel: Mesmo com os problemas, a gente tem percebido que o brasileiro está aos poucos mudando sua cultura e isso tem nos beneficiado no sentido de que a gente está captando novos recursos, conseguindo atrair novos clientes, conseguindo manter o nosso índice de qualidade que é medido pelo NPS. Então, apesar do momento ainda ser muito nebuloso, e ano que vem deve mudar porque teremos eleição, a gente tem conseguido passar, de certa forma, bem pela crise. E fazendo jus ao ditado de que é na crise que surgem várias oportunidades.


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24 Apr 2021

Em Salvador, presidente nacional do PDT é entrevistado pelo Alô Alô Bahia

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, desembarcou nessa sexta-feira em Salvador para discutir as costuras do partido em torno da sucessão estadual de 2022. Na cidade, após almoçar no apartamento do deputado Félix Mendonça Júnior (que comanda a sigla na Bahia), no Corredor da Vitória, conversou com o Alô Alô Bahia para uma entrevista exclusiva. Participaram do almoço o prefeito Bruno Reis (Democratas), a vice-prefeita Ana Paula Matos e o secretário da Saúde, Leo Prates, ambos integrantes do PDT. Lupi avaliou a chegada de João Santana à comunicação do partido e destacou o sentimento de desgaste da aliança com o PT na Bahia. “Não deu a consideração e a valorização que a gente merecia”, afirmou. Ele classificou Santana como o “mais importante, brilhante homem de marketing no país” e disse que o publicitário baiano já estuda “algumas reformulações na marca do PDT, do diálogo com rede social”. Carlos é uma figura importante no jogo político e tem rapidez de raciocínio e astúcia.

 
A aproximação do PDT com o grupo comandado pelo ex-prefeito ACM Neto está cada vez mais consolidada, certo?
- Apoiamos Bruno (Reis) na candidatura a prefeito. Ele foi candidato eleito principalmente pela força eleitoral que o próprio Neto representava, e a nossa intenção, pelo menos a minha, eu estou trabalhando nesse sentido, é convencer o partido ao apoio a Neto como candidato a governador 2022.
 
Vão pleitear espaço na chapa?
-Nossa intenção é compor a chapa majoritária, ou com vice ou Senado, aí vai depender da costura, das alianças, dos nomes que vão se colocar. A nossa intenção é essa, pelo menos a minha. Eu costumo dizer que isso não é um processo de imposição, mas de conquista. A gente tem que conquistar, tentar convencer os companheiros dessa opção.
 
Há uma queixa de que o PDT não é muito valorizado na base do PT. É seu sentimento?
-Apoiamos o PT em quatro eleições. Eles nos apoiaram na eleição para o Senado de João Durval, que era uma figura forte, ex-governador da Bahia, mas depois o partido não nos deu mais espaço nenhum. Então o PT não nos valorizou, não deu à gente, na minha opinião, a consideração e a valorização que a gente merecia. Por isso mesmo estamos buscando caminhos que nos valorizem, que nos fortaleçam.
 
Como o senhor avalia essa chegada de João Santana à comunicação do partido?
- O João Santana, na minha opinião, é o mais importante, brilhante homem de marketing que existe hoje no Brasil. Quando ele faz essa opção de nos ajudar, e foi uma opção dele, isso é claro faz a gente ter nova perspectiva de construir caminhos mais sólidos no campo de marketing, propaganda. Ele está estudando algumas reformulações na marca do PDT, do diálogo com rede social. É um homem muito preparado.
 
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21 Apr 2021

Conheça a trajetória de Rojane Fradique: a modelo baiana que hoje influencia outras mulheres

Quem viveu a moda baiana há cerca de 18 anos sabe o nome e o sobrenome dela. Rojane Fradique surgiu como um furacão e conquistou suas asas, mesmo com todo o preconceito que sofreu por ser uma mulher preta em uma sociedade preconceituosa. Hoje, aos 34 anos, se tornou um mulherão, em todos os sentidos. Morando atualmente no Rio de Janeiro, a modelo atua ainda como influenciadora digital e produtora. Viciada em artes marciais, também se considera uma atleta.

Depois de uma pausa de nove anos das passarelas e editoriais, Rojane retornou à moda em 2019 através do amigo Abidon Kaifatch e começou a se tornar referência entre mulheres que se identificaram com sua trajetória.  “Recebi inúmeras mensagens de seguidores felizes com o meu retorno e isso me fortaleceu”, diz a influencer, que teve que superar muitas adversidades. “Hoje, tudo que aparece na minha frente como obstáculo sendo mulher preta não me para, porque uma coisa que eu não aceito na minha vida é retroceder”, reforça.

Um dos motivos do seu retorno foi a morte da mãe, que desenvolveu câncer de mama. “Ela sempre me disse que eu precisava voltar. Que eu não era Rojane Fradique, uma modelo, era o orgulho, esperança e força de muitas mulheres pretas que buscam ter o seu espaço reconhecido na sociedade. Decidi então retornar, mas de uma forma diferente”.

Hoje, a baiana ajuda mulheres através do projeto 7 Pilares do Empoderamento Feminino, no qual fala sobre autoaceitação, educação financeira, mindset, atividade física, alimentação e saúde, além de dicas para se tornar influenciador digital.

Rojane integra o time da Squid, agência focada em influenciadores digitais, onde participa do Clube da Influência. “Tenho um canal exclusivo para compartilhar minha história, minhas dicas, mas não quero perder a essência de uma carreira que construí na base de muita luta, que é como modelo”, afirma.
A carreira na moda é administrada pelo booker Alex Oitaven, na Mix Models. “Tive esse maravilhoso convite de retornar a moda sendo agenciada por ele e por uma grande equipe que hoje tenho muito orgulho, carinho e gratidão por respeitarem minha trajetória, não somente como mais uma modelo, mas sim pela representatividade”.

Aos inúmeros papeis que exerce, soma-se ainda o de mãe de um garoto chamado Zion. “Ser mãe de um menino é perfeito, até se fosse menina também! Tenho a total obrigação de contar-lhe os meus erros e meus acertos para que o futuro dele seja diferente. Não temos como prevê, essa e a mais cruel realidade, mas temos como instruir com sabedoria”.
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8 Apr 2021

No Dia Mundial de Combate ao Câncer, Alô Alô Bahia entrevista a médica Clarissa Mathias, referência em oncologia

O 8 de abril marca o Dia Mundial de Combate ao Câncer, data instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para incentivar as pessoas em todo o mundo a promoverem a prevenção da doença, a segunda que mais mata no mundo.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, no Brasil, em 2021 ocorrerão 625 mil casos novos da doença (450 mil, excluindo os casos de câncer de pele não melanoma). O câncer de pele não melanoma será o mais incidente (177 mil), seguido pelos cânceres de mama e próstata (66 mil cada), cólon e reto (41 mil), pulmão (30 mil) e estômago (21 mil). O câncer de pele não melanoma representará 27,1% de todos os casos de câncer em homens e 29,5% em mulheres.

Para falar sobre o tema, conversamos com Clarissa Mathias, médica há 20 anos do NOB/Oncoclinicas/Hospital Santa Izabel, diretora da Associação Internacional para o Estudo do Câncer de Pulmão e presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e do Comitê de assuntos internacionais da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO). Formada pela Universidade Federal da Bahia em 1991, a especialista fez residência na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e é referência na área.

Alô Alô Bahia: Estamos falando de uma especialidade que além de razoavelmente nova dentro da medicina. O quanto ainda temos a descobrir sobre o câncer?

Clarissa Mathias: As grandes conquistas em relação ao tratamento do câncer passam pelo entendimento da gênese da doença, tais como fatores genéticos e moleculares, além de fatores ambientais. Através destas descobertas, novos tratamentos como terapias alvo dirigidos e imunoterapia tornaram-se possíveis.

 Estamos perto da tão sonhada cura?

A cura do câncer inicial acontece em muitos tipos da doença, até mesmo agressivos como pulmão e pâncreas, caso o mesmo seja descoberto inicialmente e seja passível a procedimentos cirúrgicos, seguidos, quando necessário, por quimioterapia e, eventualmente, radioterapia. A cura do câncer avançado e, mais ainda, o controle a longo prazo da doença, é uma realidade para muitos pacientes portadores de tipos agressivos através da utilização de terapias alvo e imunoterapia.

 Segundo a OMS, até 2025 o câncer deve assumir a liderança no ranking de doenças que mais matam em todo o mundo. Qual é o maior desafio que vem se impondo mais recentemente, já que o aumento da longevidade implica no aumento de doenças crônicas, entre elas o câncer?

O maior desafio no controle do câncer é adoção de medidas de prevenção e o diagnóstico precoce dos pacientes com a incorporação rotineira e abrangente de exames de rastreamento, tais como tomografias de tórax para fumantes para o rastreamento do câncer de pulmão, mamografias, colonoscopias e exames ginecológicos.

 O câncer pode ainda não ter uma cura definitiva, mas já se sabe que um terço das mortes se devem a questões comportamentais e alimentares, como o alto índice de massa corporal, baixo consumo de frutas e vegetais, falta de atividade física e uso de álcool e tabaco. Sendo assim, qual a importância de se educar desde cedo as pessoas para tenham uma vida mais saudável e consciente?

Cerca de 30% dos casos de câncer podem ser evitados através de mudanças comportamentais, como controle de peso, consumo de refrigerantes e embutidos e uso de cigarro. Estes hábitos saudáveis devem ser aprendidos na infância porque, inclusive, existem estudos mostrando que a obesidade na infância é um fator de risco importante para o desenvolvimento do câncer. O uso do álcool também está relacionado à vários tipos de câncer, inclusive é sabidamente um dos principais fatores de risco para câncer de mama.

 Estatísticas provam que mulheres cuidam mais da saúde do que os homens. O que é possível fazer para que haja um equilíbrio nesse aspecto?

Precisamos aumentar a conscientização dos homens em relação à importância dos exames de prevenção e da detecção precoce. Campanhas como o Novembro Azul trazem a discussão deste tema anualmente e devemos carregá-los para todos os meses.

 Quanto a genética influencia no desenvolvimento de um câncer?

Sabemos que fatores genéticos são responsáveis por cerca de 10% dos casos de câncer, ou seja, apenas 10% dos casos de câncer podem ser atribuídos a estes fatores. Atualmente, vários genes podem ser identificados, tais como BRACA 1 e 2, PALB e outros e a descoberta destes genes pode mudar a história de muitas famílias. A avaliação deve ser realizada por um Oncogeneticista que, após observar a história pessoal e familiar do paciente, pode solicitar o estudo genético.

 Houve uma redução significativa no rastreamento da doença, tratamento e cirurgias para combater o câncer com a pandemia do coronavírus. Já é possível prever o tamanho do dano?

Ainda não conseguimos prever o tamanho do dano mas acredito que o mesmo é bastante preocupante e, infelizmente, depois de um ano de pandemia, já estamos recebendo pacientes com doenças em estágios avançados que ignoraram sintomas e sinais desenvolvidos no período.

 Pesquisas de diversas entidades e sociedades médicas, inclusive a SBOC, indicaram que houve uma queda preocupante durante a pandemia na busca por exames periódicos de controle, essencial para o diagnóstico precoce do câncer. De que forma isso irá impactar a curto e médio os índices de controle dos tumores?

Este é um ponto extrema de importância e preocupação porque o número de exames de rastreamento caiu drasticamente e o impacto a longo e médio prazo, com certeza, será o aumento exponencial, que já está sendo sentido nos consultórios e hospitais, um ano depois da pandemia, de casos avançados e incuráveis. Ainda não conseguimos dimensionar, em termos numéricos, qual a extensão deste número.

 Você é bastante ativa nas redes sociais, participa de lives e vídeos no Youtube sempre levando informação ao público, como estamos fazendo aqui agora. Como essa estratégia tem ajudado na prevenção e combate ao câncer?

Acredito muito no poder da educação e do conhecimento como forma de melhoria no cuidado pessoal, na realização de exames de rastreamento, no reconhecimento de sintomas, na atenção ao próprio corpo, por isso, sempre me disponibilizo a ser veículo nestas ações.

 Você é uma defensora dos tratamentos multidisciplinares e, também, do exercício humanizado da Medicina. Fale um pouco sobre isso.

Acredito muito no Cuidado Integral do paciente por uma Equipe Multidisciplinar, envolvendo médicos, enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, porque cada um consegue agregar uma visão humanizada e plena. O paciente e a família precisam se sentir acolhidos em um momento tão difícil da sua vida, carregado por medos e incertezas. O exercício humanizado da Medicina é dever de todos os médicos porque o paciente precisa ser tratado com carinho, competência, com um olhar diferenciado e cuidadoso.

 

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31 Mar 2021

Roberto Frank rebate críticas à segurança da urna eletrônica: "pensamento que deve ser superado"

Recém-eleito presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), o desembargador Roberto Maynard Frank comentou, em entrevista exclusiva ao Alô Alô Bahia, a polêmica em torno do voto impresso, que é defendido por alguns grupos que criticam a urna eletrônica. "Questionar a segurança da urna eletrônica é um pensamento que deve ser superado e combatido com a informação acerca da segurança do sistema de votação eletrônica", disse ele.
 
Na entrevista, o desembargador ainda revelou quais serão suas prioridades à frente da Corte e comentou sobre as fake news no processo eleitoral. "O mal causado pela desinformação pode ser contido com investimento constante em informação e educação digital". Ele ainda disse que as redes sociais "são uma ferramenta importantíssima para a disseminação de conteúdo"
 
Confira abaixo a entrevista na íntegra.
 
1 - Quais são suas prioridades na presidência da Corte Eleitoral?
 

Roberto Frank: Aproximar o cidadão da Justiça, com a desburocratização dos serviços prestados, com a facilitação da comunicação interna e externa, com o investimento na adesão à revolução digital, ao planejamento cibernético e à inteligência artificial são prioridades na minha gestão.
 
Se, por um prisma, decidir muito nem sempre significa decidir bem, sob outro viés, protrair no tempo a entrega da prestação jurisdicional assemelha-se à sua não entrega. Já dizia o grande Rui: “Justiça tardia é injustiça qualificada”.

Outrossim, o atendimento ao eleitor também receberá aporte tecnológico, sem prejuízo da adoção de todos os cuidados de biossegurança para as demandas presenciais.
 
2 - Para o próximo ano, devemos ter mudanças nas regras eleitorais, com a possibilidade de se adotar o distritão. Como a Corte está se preparando para as possíveis mudanças?
 
Roberto Frank: Toda e qualquer mudança no processo eleitoral deve respeitar o que nós, no Direito Eleitoral, chamamos de princípio da anualidade. Isso significa que em 03 de outubro de 2021, eventuais mudanças já deverão estar aprovadas, para que venham a ser implementadas nas Eleições de 2022. O Regional baiano tem toda a condição de acolher o quer que venha a ser votado pelo Legislativo e, posteriormente, avalizado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
 
3 - As fake news ainda são um problema em períodos eleitorais. Ainda que estejamos observando diversas iniciativas no sentido de combatê-las, elas ainda fazem estragos. Como o senhor analisa esse cenário e se há algum debate que consiga conter de forma mais enérgica a disseminação delas?
 
Roberto Frank: O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia já conta com uma comissão de Enfrentamento à Desinformação. Trata-se de uma vertente de trabalho voltada para a produção de conteúdo relacionado à democracia e à segurança do processo eleitoral. Queremos levar o nosso material para os eleitores de hoje e, também, para o eleitor do futuro.
 
O mal causado pela desinformação pode ser contido com investimento constante em informação e educação digital. Independente disso, na via judicial, o arcabouço normativo brasileiro já confere a possibilidade de punir a prática de crimes como calúnia, injúria e difamação, bem como conceder direito de resposta àquele que, eventualmente, for prejudicado pela disseminação de informações falsas.
 
4 - É sabido que as redes sociais mudaram muito a forma de se fazer política, principalmente durante as eleições, alguns dizem que para melhor, outros para pior. Qual seu avaliação sobre o impacto das redes sociais nas eleições? Acha que elas mais ajudam ou atrapalham?
 
Roberto Frank: As redes sociais são uma ferramenta importantíssima para a disseminação de conteúdo, de forma rápida e com largo alcance, de sorte que, em sendo bem utilizadas, podem e devem ser de enorme valia para o processo eleitoral. A democratização da informação é, portanto, um caminho de mão única, irreversível. 
 
5 - Nos últimos anos, tem crescido o debate em torno do voto impresso, com recorrente ataque ao sistema eleitoral brasileiro vindos de determinados grupos. Qual sua avaliação sobre esse assunto? O que pensa sobre o voto impresso?
 
Roberto Frank: Questionar a segurança da urna eletrônica é um pensamento que deve ser superado e combatido com a informação acerca da segurança do sistema de votação eletrônica.
 
A implementação do voto impresso perpassa por questões que impactam diretamente no tempo de duração da votação, agregando um custo desnecessário ao processo eleitoral brasileiro, cuja segurança já é mundialmente reconhecida.

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29 Mar 2021

Alô Alô Bahia entrevista o novo presidente da União dos Municípios da Bahia

Novo presidente da União dos Municípios da Bahia, o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), já iniciou sua gestão com uma pauta bastante desafiadora: a redução da alíquota do Instituto Nacional do Seguro Social para os municípios. A pauta prioritária, ele diz, é a vacina, mas em seguida vem a previdenciária. 

Nesta entrevista ao Alô Alô Bahia, Zé Cocá explica que, hoje, os municípios pagam alíquota de 22,5% ao INSS, mas que o ideal seria 10%. "Não é justo um time de futebol pagar 5% e o município pagar 22,5%", argumenta. Com a pandemia, as dificuldades das cidades para recolher o INSS aumentaram e muitos estão inadimplentes. 

Ele diz ainda que sua eleição foi um consenso e diz que a união será sua principal marca na gestão da UPB. Ele ainda fala como fará para conciliar a gestão em Jequié, que se iniciou em janeiro, com a presidência do órgão que representa as cidades baianas. Veja abaixo a entrevista completa. 


1. Quais serão suas prioridades na UPB? 

Zé Cocá - Nossa prioridade é unificar os municípios, criar pautas urgentes que são específicas e trabalhar em cima disso junto ao governo federal, junto ao governo do estado e junto às entidades fortes. Nossa prioridade número um é a vacina, que já estamos discutindo com o governo do estado, com o governo federal. Então, isso será uma urgência nossa. O governador Rui Costa tem sido muito correto com a gente, tem debatido muito fortemente com a UPB e já sinalizou a compra de 9,7 milhões de doses, o que  vai  gerar um avanço. E o governo federal, agora, também sinalizou outra pauta importante, então será a nossa principal prioridade.

Em seguida, a pauta do INSS, que vem assolando os municípios. Se não resolver esse problema urgente com parcelamento de 240 meses e houver uma discussão do governo federal para diminuição da alíquota de 22,5% para pelo menos 10% do patronal, irá inviabilizar os municípios. Não é justo um time de futebol pagar 5% e o município pagar 22,5%. É um verdadeiro absurdo, precisamos debater isso fortemente. Precisamos que o governo federal se sensibilize do 1% de setembro (repasse extra aos municípios), que é uma pauta, uma cobrança, dos municípios e iremos intensificar isso, com certeza. 


2. Nacionalmente, quais pautas o senhor considera prioritárias para o movimento municipalista? O pacto federativo é uma delas? 

Zé Cocá - Com certeza, o pacto federativo é a pauta mais importante dos municípios. E, infelizmente, essa é uma luta de anos e anos que não tem sido pauta do Congresso Nacional, não tem sido pauta junto ao governo federal e é necessário. Não é justo os municípios, que já chegaram a receber 25% da receita total do bolo tributário da União, receberem menos de 15%. Os municípios foram ficando sem receita, as receitas se concentraram quase na sua totalidade no governo federal e isso, de fato, tem deixado os municípios, a cada dia que se passa, mais fragilizados. 


3. Normalmente os prefeitos se candidatam à presidência da UPB em seus segundos mandatos, mas o senhor foi logo no primeiro. Como pretende conciliar a gestão em Jequié com a UPB, especialmente nestes tempos de pandemia? 

Zé Cocá - Com certeza são momentos difíceis, até para os prefeitos que estão em segundo mandato, porque a responsabilidade da pandemia pegou todo mundo de surpresa, não é uma coisa normal. Por exemplo, as ações de segundo mandato, o gestor geralmente equilibra o município, equaliza todas as áreas e já sabe o que vai fazer. Porém, na pandemia, ninguém tem 100% de certeza do que está fazendo, então há dúvida sempre. Nosso nome acabou sendo um consenso entre os prefeitos da Bahia. Então, fomos convocados. Eu sempre fui municipalista. 


4. Por falar em pandemia, os municípios seguem sofrendo as consequências do coronavírus, tanto na saúde quanto na economia. Como o senhor avalia a situação dos municípios na Bahia? 

Zé Cocá - A situação é muito difícil. Teremos um dos tempos mais difíceis da história. Primeiro, por conta da economia, que desacelerou. A população economicamente ativa diminuiu. Então, as receitas infelizmente começaram a cair. Aí você pergunta o que é 100% certo nos municípios fora da vacina? Ninguém sabe. Tanto que você vê o governo federal quebrando a cabeça, indo contra tudo que a ciência diz. O INSS inviabilizou grande parte dos municípios da Bahia por estar descontando débitos atrasados e o do mês. É momento de ter cautela para que não haja colapso no segundo ano (de governo). 


5. O presidente Eures fez uma gestão na UPB buscando alguma independência, e inclusive fez por vezes críticas ao governo do estado devido a pendências com os municípios. Neste sentido, qual a linha que o senhor pretende adotar? 

Zé Cocá - Nossa linha é o município em primeiro lugar. Eu aprendi uma coisa na minha vida: temos que fazer diálogo. Sempre fui homem de dialogar, sempre tive relação muito boa em todos os ambientes que participo e claro que iremos priorizar os municípios, mas o diálogo é a melhor forma. Temos que unificar os municípios, debater com o governo do estado as nossas demandas e o governador é sensível em relação a isso. 


6. Qual o legado que o senhor pretende deixar na UPB, algo que as pessoas digam 'olha, aquilo ali foi o presidente Zé Cocá que fez'?

Zé Cocá - União. Nosso legado será esse. Eures fez a parte dele, outros fizeram. Todo mundo fez um pouco. A UPB tem uma história vitoriosa. Eu acredito nisso, mas nossa maior bandeira será a diminuição da alíquota do INSS, a vacina é nossa principal pauta, conseguir ainda neste semestre vacinar 40% da nossa população. É injusto o município pagar 22,5% patronal, está inviabilizando os municípios. Que o governo federal tenha a sabedoria de reunir os municípios, diminuir para 10% que seria o ideal, já direto na fonte. Com certeza a União iria receber mais e os municípios teriam condição de pagar.


 

2 Mar 2021

"Teremos o março mais triste de nossas vidas", aponta pneumologista da Fiocruz

Em pior momento da pandemia, 17 estados brasileiros registram ocupação em hospitais acima de 80%, outros oito apresentam taxa acima de 90% e no Rio Grande do Sul este número já chegou a 100%, por favor. Em entrevista a BBC News Brasil, a pneumologista Margareth Dalcomo, professora e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, analisa o atual estágio da pandemia e o que precisa ser feito a partir de agora.

BBC News Brasil - Nos últimos dias, acompanhamos notícias de diversas cidades com lotação em hospitais e colapso dos sistemas de saúde. Como classifica o atual estágio da pandemia de Covid-19 no Brasil?

Margareth Dalcolmo -
Nós estamos num momento muito grave da pandemia no Brasil, com um recrudescimento já materializado daquilo que consideramos uma segunda onda. Isso não nos surpreende, uma vez que as medidas de controle sanitário não foram só controversas, mas também ineficientes por um longo tempo. Nós sabemos também que a única solução possível para controlar a pandemia será a vacinação, e a campanha está apenas no início, numa velocidade muito aquém do desejável.

Para completar, não temos observado um comportamento de solidariedade, não só de todos os cidadãos, mas também de nossas autoridades políticas. Não vemos aumentar uma consciência cívica do que é preciso fazer neste momento, apesar do cansaço de um ano de pandemia. Seria necessário todos nós mantermos comportamentos individuais e coletivos de muito cuidado, com uso de máscara e distanciamento social. Já manifestei de que precisamos de medidas mais drásticas, com o fechamento de muitos serviços, para diminuir a circulação de pessoas e reduzir a transmissão viral.

A nossa grande preocupação hoje está no fato de que a transmissão viral é o grande mecanismo propiciador do aparecimento de novas variantes. E, considerando que já estamos enfrentando as primeiras mutações, precisamos responder a isso com estudos, com vigilância genômica. Precisamos entender se as vacinas utilizadas agora são capazes de nos proteger contra essas variantes. E, sobretudo, precisamos colaborar enquanto sociedade para não criar um cenário que propicie o aparecimento de novas versões do coronavírus.

BBC News Brasil - Desde novembro de 2020, acompanhamos uma série de eventos que provocaram grandes aglomerações. Foi o caso das eleições municipais, das festas do final de ano, do Enem e agora do Carnaval. Algum desses episódios foi decisivo para chegarmos a crise de agora? Ou foi uma conjunção de fatores?

Dalcolmo - Foi realmente essa conjunção de fatores provocada por uma falta de entendimento do discurso dos cientistas, dos médicos e dos pesquisadores, que sempre estimularam uma consciência cívica coletiva, de solidariedade. A Covid-19 mudou de lugar no Brasil e começou a entrar em nossas casas. Nós vemos agora pessoas que ficaram um ano em isolamento pegando a doença. Como isso é possível? Os jovens daquela família estão indo para as ruas e trazendo o vírus de volta.

As festas de final de ano foram trágicas. Eu mesma me manifestei diversas vezes dizendo que o Brasil teria o mais triste janeiro de sua história. E realmente tivemos, inclusive com o aparecimento da variante brasileira, identificada na família que viajou ao Japão vinda do Amazonas.

E agora eu não tenho dúvida de que teremos o mais triste março de nossas vidas. Isso é resultado do Carnaval e do descompasso entre o que nós, cientistas, dizemos, e o que as autoridades afirmam. Nos últimos dias, ouvimos que não é pra usar máscaras. Não há dúvidas, está demonstrado que a máscara é uma barreira mecânica que protege quem usa e todo mundo ao redor.

Todos esses fatores, somados ao cansaço de uma pandemia tão longa, geram um comportamento que tem se mostrado desastroso. O que vemos agora então é uma pressão enorme sobre o sistema de saúde, que sofre com uma taxa de ocupação de leitos acima de qualquer nível desejado em hospitais públicos e privados.

Junto a isso, há outro fator muito grave: a Covid-19 se rejuvenesce no Brasil. Hoje vemos muitos jovens internados, que desenvolvem casos graves. Esses indivíduos têm uma força de transmissão enorme, porque eles se aglomeram, cantam, falam alto e repetem todos aqueles comportamentos que sabemos serem decisivos para transmitir uma doença viral respiratória.

BBC News Brasil - Esse colapso poderia ser evitado com medidas que restringissem a circulação de pessoas e as aglomerações. Mas agora que essa oportunidade já passou, tem alguma coisa que podemos fazer para aliviar a situação?

Dalcolmo -
Eu acredito que sim. A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, da qual sou presidente eleita, publicou um documento assinado por outras 70 sociedades médicas que contesta esse discurso contra as máscaras que ouvimos recentemente. Nosso manifesto mostra como esses equipamentos são ferramentas de proteção individual e coletiva.

Esse discurso contraditório entre a ciência e a política tem causado muitos males à sociedade brasileira. Só pra dar um exemplo, hoje de manhã eu estava num voo para voltar ao Rio de Janeiro, após resolver questões familiares, e sentei ao lado de dois jovens, que eram irmãos. Eles entraram no avião e tiraram as máscaras. Eu imediatamente chamei a comissária e disse, ainda antes do pouso: se eles não colocarem a máscara adequadamente, nós chamaremos o comandante, não haverá decolagem e os dois serão retirados imediatamente. Eu fui aplaudida pelo resto dos passageiros.

Não estou falando aqui de dois jovens pobres. Eles estavam viajando de avião, ora. E, quando já estávamos decolando, de novo os dois resolveram abaixar a máscara. Ah, aí eu fiquei zangada. Conversei de novo com a comissária e disse que, se ela não tomasse providências, eu mesma iria conversar com o comandante. No meio disso tudo, algumas pessoas me reconheceram, tinham me visto na televisão, gritaram para eles colocarem as máscaras.

Eu percebo então que existe um sentimento, ao menos naqueles indivíduos que têm um pouquinho mais de consciência, de que um comportamento como o desses dois irmãos é execrável e faz mal para o coletivo.

Quantas vezes nós falamos que aglomerações não poderiam acontecer? Eu entendo que as pessoas estejam cansadas. Mas nós também estamos. Estamos cansados sobretudo de ter que contar mortos todos os dias. Chega disso. Eu quero que a sociedade, o governo, as autoridades e todos nós passemos a nos comportar de maneira mais civilizada.

BBC News Brasil - Ainda no campo das medidas restritivas, governadores e prefeitos têm anunciado toques de restrição e fechamento de comércios à noite e durante a madrugada. Estratégias como essa fazem algum sentido?

Dalcolmo -
Na forma como elas estão sendo propostas, não vão resolver nada. Por que fazer o fechamento e impedir a circulação entre meia noite e cinco da manhã? Nesse horário já não há gente na rua. E quem foi festejar, se aglomerar, beber e fazer tudo de errado, já fez. Essa é uma medida pouco eficaz.

Estou totalmente de acordo com o professor Miguel Nicolelis, que em entrevistas recentes disse que o Brasil precisaria de um lockdown de duas semanas bastante rígido para interceptar as cadeias de transmissão do coronavírus.

O Brasil nunca fez um lockdown adequado. Nunca conseguimos alcançar a taxa de 60% da população em casa, que seria um número desejável. Quem mais chegou perto disso foi São Paulo, com 58% de distanciamento social por momentos muito breves. Aqui no Rio de Janeiro não conseguimos.

E agora há esse descompasso entre o que a ciência diz e o cansaço generalizado de uma pandemia longa, com a economia tão machucada. Mas as pessoas precisam entender que não tem jeito. Se não tomarmos cuidado por algum tempo e não começarmos uma vacinação em massa, a situação só vai piorar.

Precisamos vacinar 70% de nossa população até o meio do ano. Não é pra setembro. É para junho. Caso contrário, vamos propiciar as condições para o aparecimento de outras variantes. Também precisamos de um investimento pesado em vigilância genômica, para que possamos ter certeza que as vacinas produzidas pelos dois institutos públicos brasileiros, o Butantan e a Fiocruz, são realmente efetivas contra as novas variantes.

BBC News Brasil - Nós já temos duas vacinas em uso no país, a CoronaVac (Sinovac/Instituto Butantan) e a CoviShield (AstraZeneca/Universidade de Oxford/FioCruz). Além delas, vemos conversas sobre os imunizantes de Pfizer/BioNTech, Johnson & Johnson, a Sputnik V… É hora de diversificar nosso portfólio?

Dalcolmo - Nós estamos atrasados nisso. Poderíamos ter negociado com Pfizer e Johnson & Johnson desde que eles iniciaram os estudos de fase 3 aqui no Brasil, no segundo semestre de 2020. A Sputnik V parece ser boa, mas ainda carece de registro na Anvisa, que é nossa agência reguladora.

Mas quando alguém me pergunta qual vacina eu tomaria, eu sempre respondo: qualquer uma, desde que tenha registro na Anvisa. O que eu nunca tomaria é uma vacina que não passou por esse crivo de grande qualidade técnica que temos em nosso país. A verdade é que nós perdemos um tempo precioso e já podíamos ter a vacina da Pfizer por aqui. Hoje estamos implorando para negociar alguns poucos milhões que estão disponíveis.

Vale lembrar que não tem vacina para todo mundo. Se pensarmos que dez países já compraram 75% da produção mundial de vacina deste ano, isso de novo nos revela a enorme desigualdade em que vivemos. Só o Canadá garantiu cinco doses para cada habitante. E isso não é bom nem ruim, não estou julgando. Pelo menos eles farão uma coisa correta, que é doar o excedente para os países que não tem condições por meio do mecanismo da Covax Facility.

BBC News Brasil - Diante de todo o cenário que a senhora descreveu e analisou, quais são as mais importantes recomendações que todos nós devemos seguir pelas próximas semanas?

Dalcolmo -
As pessoas têm que entender que tudo isso já era esperado, por mais que não desejássemos que acontecesse. Quantas vezes eu disse coisas nessa pandemia e gostaria de estar errada… Parece que estamos numa crônica de morte anunciada, como aquelas escritas por Gabriel García Márquez em seus livros.

Mais uma vez, faço um apelo para que todo mundo entenda que estamos num momento muito grave, muito mais sério do que o primeiro pico. Esse número de mortes é absolutamente intolerável. 

O que temos de fazer é proteger a nós mesmos, nossas famílias, nossos colegas de trabalho. Sei que estamos cansados da pandemia. Mas elas são assim mesmo e levam tempo. Essa é a primeira pandemia de uma geração mais jovem, mas nós já vivemos outras no passado. Quando enfrentamos a H1N1 em 2009, por exemplo, estávamos mais preparados. O Brasil tinha 70 milhões de doses de vacina compradas, estocadas, com seringa, agulha, tudo. Não é o que está acontecendo agora.

É hora de todos colaborarem, fazerem sua parte e terem consciência cívica. Não adianta ser anárquico e desafiar uma ordem biológica que não é favorável a nós. Ou nos comportamos agora ou colaboraremos com a piora dessas estatísticas terríveis, que mais parecem filmes de terror.


 

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