Entrevistas


24 Apr 2021

Em Salvador, presidente nacional do PDT é entrevistado pelo Alô Alô Bahia

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, desembarcou nessa sexta-feira em Salvador para discutir as costuras do partido em torno da sucessão estadual de 2022. Na cidade, após almoçar no apartamento do deputado Félix Mendonça Júnior (que comanda a sigla na Bahia), no Corredor da Vitória, conversou com o Alô Alô Bahia para uma entrevista exclusiva. Participaram do almoço o prefeito Bruno Reis (Democratas), a vice-prefeita Ana Paula Matos e o secretário da Saúde, Leo Prates, ambos integrantes do PDT. Lupi avaliou a chegada de João Santana à comunicação do partido e destacou o sentimento de desgaste da aliança com o PT na Bahia. “Não deu a consideração e a valorização que a gente merecia”, afirmou. Ele classificou Santana como o “mais importante, brilhante homem de marketing no país” e disse que o publicitário baiano já estuda “algumas reformulações na marca do PDT, do diálogo com rede social”. Carlos é uma figura importante no jogo político e tem rapidez de raciocínio e astúcia.

 
A aproximação do PDT com o grupo comandado pelo ex-prefeito ACM Neto está cada vez mais consolidada, certo?
- Apoiamos Bruno (Reis) na candidatura a prefeito. Ele foi candidato eleito principalmente pela força eleitoral que o próprio Neto representava, e a nossa intenção, pelo menos a minha, eu estou trabalhando nesse sentido, é convencer o partido ao apoio a Neto como candidato a governador 2022.
 
Vão pleitear espaço na chapa?
-Nossa intenção é compor a chapa majoritária, ou com vice ou Senado, aí vai depender da costura, das alianças, dos nomes que vão se colocar. A nossa intenção é essa, pelo menos a minha. Eu costumo dizer que isso não é um processo de imposição, mas de conquista. A gente tem que conquistar, tentar convencer os companheiros dessa opção.
 
Há uma queixa de que o PDT não é muito valorizado na base do PT. É seu sentimento?
-Apoiamos o PT em quatro eleições. Eles nos apoiaram na eleição para o Senado de João Durval, que era uma figura forte, ex-governador da Bahia, mas depois o partido não nos deu mais espaço nenhum. Então o PT não nos valorizou, não deu à gente, na minha opinião, a consideração e a valorização que a gente merecia. Por isso mesmo estamos buscando caminhos que nos valorizem, que nos fortaleçam.
 
Como o senhor avalia essa chegada de João Santana à comunicação do partido?
- O João Santana, na minha opinião, é o mais importante, brilhante homem de marketing que existe hoje no Brasil. Quando ele faz essa opção de nos ajudar, e foi uma opção dele, isso é claro faz a gente ter nova perspectiva de construir caminhos mais sólidos no campo de marketing, propaganda. Ele está estudando algumas reformulações na marca do PDT, do diálogo com rede social. É um homem muito preparado.
 
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21 Apr 2021

Conheça a trajetória de Rojane Fradique: a modelo baiana que hoje influencia outras mulheres

Quem viveu a moda baiana há cerca de 18 anos sabe o nome e o sobrenome dela. Rojane Fradique surgiu como um furacão e conquistou suas asas, mesmo com todo o preconceito que sofreu por ser uma mulher preta em uma sociedade preconceituosa. Hoje, aos 34 anos, se tornou um mulherão, em todos os sentidos. Morando atualmente no Rio de Janeiro, a modelo atua ainda como influenciadora digital e produtora. Viciada em artes marciais, também se considera uma atleta.

Depois de uma pausa de nove anos das passarelas e editoriais, Rojane retornou à moda em 2019 através do amigo Abidon Kaifatch e começou a se tornar referência entre mulheres que se identificaram com sua trajetória.  “Recebi inúmeras mensagens de seguidores felizes com o meu retorno e isso me fortaleceu”, diz a influencer, que teve que superar muitas adversidades. “Hoje, tudo que aparece na minha frente como obstáculo sendo mulher preta não me para, porque uma coisa que eu não aceito na minha vida é retroceder”, reforça.

Um dos motivos do seu retorno foi a morte da mãe, que desenvolveu câncer de mama. “Ela sempre me disse que eu precisava voltar. Que eu não era Rojane Fradique, uma modelo, era o orgulho, esperança e força de muitas mulheres pretas que buscam ter o seu espaço reconhecido na sociedade. Decidi então retornar, mas de uma forma diferente”.

Hoje, a baiana ajuda mulheres através do projeto 7 Pilares do Empoderamento Feminino, no qual fala sobre autoaceitação, educação financeira, mindset, atividade física, alimentação e saúde, além de dicas para se tornar influenciador digital.

Rojane integra o time da Squid, agência focada em influenciadores digitais, onde participa do Clube da Influência. “Tenho um canal exclusivo para compartilhar minha história, minhas dicas, mas não quero perder a essência de uma carreira que construí na base de muita luta, que é como modelo”, afirma.
A carreira na moda é administrada pelo booker Alex Oitaven, na Mix Models. “Tive esse maravilhoso convite de retornar a moda sendo agenciada por ele e por uma grande equipe que hoje tenho muito orgulho, carinho e gratidão por respeitarem minha trajetória, não somente como mais uma modelo, mas sim pela representatividade”.

Aos inúmeros papeis que exerce, soma-se ainda o de mãe de um garoto chamado Zion. “Ser mãe de um menino é perfeito, até se fosse menina também! Tenho a total obrigação de contar-lhe os meus erros e meus acertos para que o futuro dele seja diferente. Não temos como prevê, essa e a mais cruel realidade, mas temos como instruir com sabedoria”.
monique
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8 Apr 2021

No Dia Mundial de Combate ao Câncer, Alô Alô Bahia entrevista a médica Clarissa Mathias, referência em oncologia

O 8 de abril marca o Dia Mundial de Combate ao Câncer, data instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para incentivar as pessoas em todo o mundo a promoverem a prevenção da doença, a segunda que mais mata no mundo.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, no Brasil, em 2021 ocorrerão 625 mil casos novos da doença (450 mil, excluindo os casos de câncer de pele não melanoma). O câncer de pele não melanoma será o mais incidente (177 mil), seguido pelos cânceres de mama e próstata (66 mil cada), cólon e reto (41 mil), pulmão (30 mil) e estômago (21 mil). O câncer de pele não melanoma representará 27,1% de todos os casos de câncer em homens e 29,5% em mulheres.

Para falar sobre o tema, conversamos com Clarissa Mathias, médica há 20 anos do NOB/Oncoclinicas/Hospital Santa Izabel, diretora da Associação Internacional para o Estudo do Câncer de Pulmão e presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e do Comitê de assuntos internacionais da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO). Formada pela Universidade Federal da Bahia em 1991, a especialista fez residência na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e é referência na área.

Alô Alô Bahia: Estamos falando de uma especialidade que além de razoavelmente nova dentro da medicina. O quanto ainda temos a descobrir sobre o câncer?

Clarissa Mathias: As grandes conquistas em relação ao tratamento do câncer passam pelo entendimento da gênese da doença, tais como fatores genéticos e moleculares, além de fatores ambientais. Através destas descobertas, novos tratamentos como terapias alvo dirigidos e imunoterapia tornaram-se possíveis.

 Estamos perto da tão sonhada cura?

A cura do câncer inicial acontece em muitos tipos da doença, até mesmo agressivos como pulmão e pâncreas, caso o mesmo seja descoberto inicialmente e seja passível a procedimentos cirúrgicos, seguidos, quando necessário, por quimioterapia e, eventualmente, radioterapia. A cura do câncer avançado e, mais ainda, o controle a longo prazo da doença, é uma realidade para muitos pacientes portadores de tipos agressivos através da utilização de terapias alvo e imunoterapia.

 Segundo a OMS, até 2025 o câncer deve assumir a liderança no ranking de doenças que mais matam em todo o mundo. Qual é o maior desafio que vem se impondo mais recentemente, já que o aumento da longevidade implica no aumento de doenças crônicas, entre elas o câncer?

O maior desafio no controle do câncer é adoção de medidas de prevenção e o diagnóstico precoce dos pacientes com a incorporação rotineira e abrangente de exames de rastreamento, tais como tomografias de tórax para fumantes para o rastreamento do câncer de pulmão, mamografias, colonoscopias e exames ginecológicos.

 O câncer pode ainda não ter uma cura definitiva, mas já se sabe que um terço das mortes se devem a questões comportamentais e alimentares, como o alto índice de massa corporal, baixo consumo de frutas e vegetais, falta de atividade física e uso de álcool e tabaco. Sendo assim, qual a importância de se educar desde cedo as pessoas para tenham uma vida mais saudável e consciente?

Cerca de 30% dos casos de câncer podem ser evitados através de mudanças comportamentais, como controle de peso, consumo de refrigerantes e embutidos e uso de cigarro. Estes hábitos saudáveis devem ser aprendidos na infância porque, inclusive, existem estudos mostrando que a obesidade na infância é um fator de risco importante para o desenvolvimento do câncer. O uso do álcool também está relacionado à vários tipos de câncer, inclusive é sabidamente um dos principais fatores de risco para câncer de mama.

 Estatísticas provam que mulheres cuidam mais da saúde do que os homens. O que é possível fazer para que haja um equilíbrio nesse aspecto?

Precisamos aumentar a conscientização dos homens em relação à importância dos exames de prevenção e da detecção precoce. Campanhas como o Novembro Azul trazem a discussão deste tema anualmente e devemos carregá-los para todos os meses.

 Quanto a genética influencia no desenvolvimento de um câncer?

Sabemos que fatores genéticos são responsáveis por cerca de 10% dos casos de câncer, ou seja, apenas 10% dos casos de câncer podem ser atribuídos a estes fatores. Atualmente, vários genes podem ser identificados, tais como BRACA 1 e 2, PALB e outros e a descoberta destes genes pode mudar a história de muitas famílias. A avaliação deve ser realizada por um Oncogeneticista que, após observar a história pessoal e familiar do paciente, pode solicitar o estudo genético.

 Houve uma redução significativa no rastreamento da doença, tratamento e cirurgias para combater o câncer com a pandemia do coronavírus. Já é possível prever o tamanho do dano?

Ainda não conseguimos prever o tamanho do dano mas acredito que o mesmo é bastante preocupante e, infelizmente, depois de um ano de pandemia, já estamos recebendo pacientes com doenças em estágios avançados que ignoraram sintomas e sinais desenvolvidos no período.

 Pesquisas de diversas entidades e sociedades médicas, inclusive a SBOC, indicaram que houve uma queda preocupante durante a pandemia na busca por exames periódicos de controle, essencial para o diagnóstico precoce do câncer. De que forma isso irá impactar a curto e médio os índices de controle dos tumores?

Este é um ponto extrema de importância e preocupação porque o número de exames de rastreamento caiu drasticamente e o impacto a longo e médio prazo, com certeza, será o aumento exponencial, que já está sendo sentido nos consultórios e hospitais, um ano depois da pandemia, de casos avançados e incuráveis. Ainda não conseguimos dimensionar, em termos numéricos, qual a extensão deste número.

 Você é bastante ativa nas redes sociais, participa de lives e vídeos no Youtube sempre levando informação ao público, como estamos fazendo aqui agora. Como essa estratégia tem ajudado na prevenção e combate ao câncer?

Acredito muito no poder da educação e do conhecimento como forma de melhoria no cuidado pessoal, na realização de exames de rastreamento, no reconhecimento de sintomas, na atenção ao próprio corpo, por isso, sempre me disponibilizo a ser veículo nestas ações.

 Você é uma defensora dos tratamentos multidisciplinares e, também, do exercício humanizado da Medicina. Fale um pouco sobre isso.

Acredito muito no Cuidado Integral do paciente por uma Equipe Multidisciplinar, envolvendo médicos, enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, porque cada um consegue agregar uma visão humanizada e plena. O paciente e a família precisam se sentir acolhidos em um momento tão difícil da sua vida, carregado por medos e incertezas. O exercício humanizado da Medicina é dever de todos os médicos porque o paciente precisa ser tratado com carinho, competência, com um olhar diferenciado e cuidadoso.

 

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31 Mar 2021

Roberto Frank rebate críticas à segurança da urna eletrônica: "pensamento que deve ser superado"

Recém-eleito presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), o desembargador Roberto Maynard Frank comentou, em entrevista exclusiva ao Alô Alô Bahia, a polêmica em torno do voto impresso, que é defendido por alguns grupos que criticam a urna eletrônica. "Questionar a segurança da urna eletrônica é um pensamento que deve ser superado e combatido com a informação acerca da segurança do sistema de votação eletrônica", disse ele.
 
Na entrevista, o desembargador ainda revelou quais serão suas prioridades à frente da Corte e comentou sobre as fake news no processo eleitoral. "O mal causado pela desinformação pode ser contido com investimento constante em informação e educação digital". Ele ainda disse que as redes sociais "são uma ferramenta importantíssima para a disseminação de conteúdo"
 
Confira abaixo a entrevista na íntegra.
 
1 - Quais são suas prioridades na presidência da Corte Eleitoral?
 

Roberto Frank: Aproximar o cidadão da Justiça, com a desburocratização dos serviços prestados, com a facilitação da comunicação interna e externa, com o investimento na adesão à revolução digital, ao planejamento cibernético e à inteligência artificial são prioridades na minha gestão.
 
Se, por um prisma, decidir muito nem sempre significa decidir bem, sob outro viés, protrair no tempo a entrega da prestação jurisdicional assemelha-se à sua não entrega. Já dizia o grande Rui: “Justiça tardia é injustiça qualificada”.

Outrossim, o atendimento ao eleitor também receberá aporte tecnológico, sem prejuízo da adoção de todos os cuidados de biossegurança para as demandas presenciais.
 
2 - Para o próximo ano, devemos ter mudanças nas regras eleitorais, com a possibilidade de se adotar o distritão. Como a Corte está se preparando para as possíveis mudanças?
 
Roberto Frank: Toda e qualquer mudança no processo eleitoral deve respeitar o que nós, no Direito Eleitoral, chamamos de princípio da anualidade. Isso significa que em 03 de outubro de 2021, eventuais mudanças já deverão estar aprovadas, para que venham a ser implementadas nas Eleições de 2022. O Regional baiano tem toda a condição de acolher o quer que venha a ser votado pelo Legislativo e, posteriormente, avalizado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
 
3 - As fake news ainda são um problema em períodos eleitorais. Ainda que estejamos observando diversas iniciativas no sentido de combatê-las, elas ainda fazem estragos. Como o senhor analisa esse cenário e se há algum debate que consiga conter de forma mais enérgica a disseminação delas?
 
Roberto Frank: O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia já conta com uma comissão de Enfrentamento à Desinformação. Trata-se de uma vertente de trabalho voltada para a produção de conteúdo relacionado à democracia e à segurança do processo eleitoral. Queremos levar o nosso material para os eleitores de hoje e, também, para o eleitor do futuro.
 
O mal causado pela desinformação pode ser contido com investimento constante em informação e educação digital. Independente disso, na via judicial, o arcabouço normativo brasileiro já confere a possibilidade de punir a prática de crimes como calúnia, injúria e difamação, bem como conceder direito de resposta àquele que, eventualmente, for prejudicado pela disseminação de informações falsas.
 
4 - É sabido que as redes sociais mudaram muito a forma de se fazer política, principalmente durante as eleições, alguns dizem que para melhor, outros para pior. Qual seu avaliação sobre o impacto das redes sociais nas eleições? Acha que elas mais ajudam ou atrapalham?
 
Roberto Frank: As redes sociais são uma ferramenta importantíssima para a disseminação de conteúdo, de forma rápida e com largo alcance, de sorte que, em sendo bem utilizadas, podem e devem ser de enorme valia para o processo eleitoral. A democratização da informação é, portanto, um caminho de mão única, irreversível. 
 
5 - Nos últimos anos, tem crescido o debate em torno do voto impresso, com recorrente ataque ao sistema eleitoral brasileiro vindos de determinados grupos. Qual sua avaliação sobre esse assunto? O que pensa sobre o voto impresso?
 
Roberto Frank: Questionar a segurança da urna eletrônica é um pensamento que deve ser superado e combatido com a informação acerca da segurança do sistema de votação eletrônica.
 
A implementação do voto impresso perpassa por questões que impactam diretamente no tempo de duração da votação, agregando um custo desnecessário ao processo eleitoral brasileiro, cuja segurança já é mundialmente reconhecida.

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29 Mar 2021

Alô Alô Bahia entrevista o novo presidente da União dos Municípios da Bahia

Novo presidente da União dos Municípios da Bahia, o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), já iniciou sua gestão com uma pauta bastante desafiadora: a redução da alíquota do Instituto Nacional do Seguro Social para os municípios. A pauta prioritária, ele diz, é a vacina, mas em seguida vem a previdenciária. 

Nesta entrevista ao Alô Alô Bahia, Zé Cocá explica que, hoje, os municípios pagam alíquota de 22,5% ao INSS, mas que o ideal seria 10%. "Não é justo um time de futebol pagar 5% e o município pagar 22,5%", argumenta. Com a pandemia, as dificuldades das cidades para recolher o INSS aumentaram e muitos estão inadimplentes. 

Ele diz ainda que sua eleição foi um consenso e diz que a união será sua principal marca na gestão da UPB. Ele ainda fala como fará para conciliar a gestão em Jequié, que se iniciou em janeiro, com a presidência do órgão que representa as cidades baianas. Veja abaixo a entrevista completa. 


1. Quais serão suas prioridades na UPB? 

Zé Cocá - Nossa prioridade é unificar os municípios, criar pautas urgentes que são específicas e trabalhar em cima disso junto ao governo federal, junto ao governo do estado e junto às entidades fortes. Nossa prioridade número um é a vacina, que já estamos discutindo com o governo do estado, com o governo federal. Então, isso será uma urgência nossa. O governador Rui Costa tem sido muito correto com a gente, tem debatido muito fortemente com a UPB e já sinalizou a compra de 9,7 milhões de doses, o que  vai  gerar um avanço. E o governo federal, agora, também sinalizou outra pauta importante, então será a nossa principal prioridade.

Em seguida, a pauta do INSS, que vem assolando os municípios. Se não resolver esse problema urgente com parcelamento de 240 meses e houver uma discussão do governo federal para diminuição da alíquota de 22,5% para pelo menos 10% do patronal, irá inviabilizar os municípios. Não é justo um time de futebol pagar 5% e o município pagar 22,5%. É um verdadeiro absurdo, precisamos debater isso fortemente. Precisamos que o governo federal se sensibilize do 1% de setembro (repasse extra aos municípios), que é uma pauta, uma cobrança, dos municípios e iremos intensificar isso, com certeza. 


2. Nacionalmente, quais pautas o senhor considera prioritárias para o movimento municipalista? O pacto federativo é uma delas? 

Zé Cocá - Com certeza, o pacto federativo é a pauta mais importante dos municípios. E, infelizmente, essa é uma luta de anos e anos que não tem sido pauta do Congresso Nacional, não tem sido pauta junto ao governo federal e é necessário. Não é justo os municípios, que já chegaram a receber 25% da receita total do bolo tributário da União, receberem menos de 15%. Os municípios foram ficando sem receita, as receitas se concentraram quase na sua totalidade no governo federal e isso, de fato, tem deixado os municípios, a cada dia que se passa, mais fragilizados. 


3. Normalmente os prefeitos se candidatam à presidência da UPB em seus segundos mandatos, mas o senhor foi logo no primeiro. Como pretende conciliar a gestão em Jequié com a UPB, especialmente nestes tempos de pandemia? 

Zé Cocá - Com certeza são momentos difíceis, até para os prefeitos que estão em segundo mandato, porque a responsabilidade da pandemia pegou todo mundo de surpresa, não é uma coisa normal. Por exemplo, as ações de segundo mandato, o gestor geralmente equilibra o município, equaliza todas as áreas e já sabe o que vai fazer. Porém, na pandemia, ninguém tem 100% de certeza do que está fazendo, então há dúvida sempre. Nosso nome acabou sendo um consenso entre os prefeitos da Bahia. Então, fomos convocados. Eu sempre fui municipalista. 


4. Por falar em pandemia, os municípios seguem sofrendo as consequências do coronavírus, tanto na saúde quanto na economia. Como o senhor avalia a situação dos municípios na Bahia? 

Zé Cocá - A situação é muito difícil. Teremos um dos tempos mais difíceis da história. Primeiro, por conta da economia, que desacelerou. A população economicamente ativa diminuiu. Então, as receitas infelizmente começaram a cair. Aí você pergunta o que é 100% certo nos municípios fora da vacina? Ninguém sabe. Tanto que você vê o governo federal quebrando a cabeça, indo contra tudo que a ciência diz. O INSS inviabilizou grande parte dos municípios da Bahia por estar descontando débitos atrasados e o do mês. É momento de ter cautela para que não haja colapso no segundo ano (de governo). 


5. O presidente Eures fez uma gestão na UPB buscando alguma independência, e inclusive fez por vezes críticas ao governo do estado devido a pendências com os municípios. Neste sentido, qual a linha que o senhor pretende adotar? 

Zé Cocá - Nossa linha é o município em primeiro lugar. Eu aprendi uma coisa na minha vida: temos que fazer diálogo. Sempre fui homem de dialogar, sempre tive relação muito boa em todos os ambientes que participo e claro que iremos priorizar os municípios, mas o diálogo é a melhor forma. Temos que unificar os municípios, debater com o governo do estado as nossas demandas e o governador é sensível em relação a isso. 


6. Qual o legado que o senhor pretende deixar na UPB, algo que as pessoas digam 'olha, aquilo ali foi o presidente Zé Cocá que fez'?

Zé Cocá - União. Nosso legado será esse. Eures fez a parte dele, outros fizeram. Todo mundo fez um pouco. A UPB tem uma história vitoriosa. Eu acredito nisso, mas nossa maior bandeira será a diminuição da alíquota do INSS, a vacina é nossa principal pauta, conseguir ainda neste semestre vacinar 40% da nossa população. É injusto o município pagar 22,5% patronal, está inviabilizando os municípios. Que o governo federal tenha a sabedoria de reunir os municípios, diminuir para 10% que seria o ideal, já direto na fonte. Com certeza a União iria receber mais e os municípios teriam condição de pagar.


 

2 Mar 2021

"Teremos o março mais triste de nossas vidas", aponta pneumologista da Fiocruz

Em pior momento da pandemia, 17 estados brasileiros registram ocupação em hospitais acima de 80%, outros oito apresentam taxa acima de 90% e no Rio Grande do Sul este número já chegou a 100%, por favor. Em entrevista a BBC News Brasil, a pneumologista Margareth Dalcomo, professora e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, analisa o atual estágio da pandemia e o que precisa ser feito a partir de agora.

BBC News Brasil - Nos últimos dias, acompanhamos notícias de diversas cidades com lotação em hospitais e colapso dos sistemas de saúde. Como classifica o atual estágio da pandemia de Covid-19 no Brasil?

Margareth Dalcolmo -
Nós estamos num momento muito grave da pandemia no Brasil, com um recrudescimento já materializado daquilo que consideramos uma segunda onda. Isso não nos surpreende, uma vez que as medidas de controle sanitário não foram só controversas, mas também ineficientes por um longo tempo. Nós sabemos também que a única solução possível para controlar a pandemia será a vacinação, e a campanha está apenas no início, numa velocidade muito aquém do desejável.

Para completar, não temos observado um comportamento de solidariedade, não só de todos os cidadãos, mas também de nossas autoridades políticas. Não vemos aumentar uma consciência cívica do que é preciso fazer neste momento, apesar do cansaço de um ano de pandemia. Seria necessário todos nós mantermos comportamentos individuais e coletivos de muito cuidado, com uso de máscara e distanciamento social. Já manifestei de que precisamos de medidas mais drásticas, com o fechamento de muitos serviços, para diminuir a circulação de pessoas e reduzir a transmissão viral.

A nossa grande preocupação hoje está no fato de que a transmissão viral é o grande mecanismo propiciador do aparecimento de novas variantes. E, considerando que já estamos enfrentando as primeiras mutações, precisamos responder a isso com estudos, com vigilância genômica. Precisamos entender se as vacinas utilizadas agora são capazes de nos proteger contra essas variantes. E, sobretudo, precisamos colaborar enquanto sociedade para não criar um cenário que propicie o aparecimento de novas versões do coronavírus.

BBC News Brasil - Desde novembro de 2020, acompanhamos uma série de eventos que provocaram grandes aglomerações. Foi o caso das eleições municipais, das festas do final de ano, do Enem e agora do Carnaval. Algum desses episódios foi decisivo para chegarmos a crise de agora? Ou foi uma conjunção de fatores?

Dalcolmo - Foi realmente essa conjunção de fatores provocada por uma falta de entendimento do discurso dos cientistas, dos médicos e dos pesquisadores, que sempre estimularam uma consciência cívica coletiva, de solidariedade. A Covid-19 mudou de lugar no Brasil e começou a entrar em nossas casas. Nós vemos agora pessoas que ficaram um ano em isolamento pegando a doença. Como isso é possível? Os jovens daquela família estão indo para as ruas e trazendo o vírus de volta.

As festas de final de ano foram trágicas. Eu mesma me manifestei diversas vezes dizendo que o Brasil teria o mais triste janeiro de sua história. E realmente tivemos, inclusive com o aparecimento da variante brasileira, identificada na família que viajou ao Japão vinda do Amazonas.

E agora eu não tenho dúvida de que teremos o mais triste março de nossas vidas. Isso é resultado do Carnaval e do descompasso entre o que nós, cientistas, dizemos, e o que as autoridades afirmam. Nos últimos dias, ouvimos que não é pra usar máscaras. Não há dúvidas, está demonstrado que a máscara é uma barreira mecânica que protege quem usa e todo mundo ao redor.

Todos esses fatores, somados ao cansaço de uma pandemia tão longa, geram um comportamento que tem se mostrado desastroso. O que vemos agora então é uma pressão enorme sobre o sistema de saúde, que sofre com uma taxa de ocupação de leitos acima de qualquer nível desejado em hospitais públicos e privados.

Junto a isso, há outro fator muito grave: a Covid-19 se rejuvenesce no Brasil. Hoje vemos muitos jovens internados, que desenvolvem casos graves. Esses indivíduos têm uma força de transmissão enorme, porque eles se aglomeram, cantam, falam alto e repetem todos aqueles comportamentos que sabemos serem decisivos para transmitir uma doença viral respiratória.

BBC News Brasil - Esse colapso poderia ser evitado com medidas que restringissem a circulação de pessoas e as aglomerações. Mas agora que essa oportunidade já passou, tem alguma coisa que podemos fazer para aliviar a situação?

Dalcolmo -
Eu acredito que sim. A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, da qual sou presidente eleita, publicou um documento assinado por outras 70 sociedades médicas que contesta esse discurso contra as máscaras que ouvimos recentemente. Nosso manifesto mostra como esses equipamentos são ferramentas de proteção individual e coletiva.

Esse discurso contraditório entre a ciência e a política tem causado muitos males à sociedade brasileira. Só pra dar um exemplo, hoje de manhã eu estava num voo para voltar ao Rio de Janeiro, após resolver questões familiares, e sentei ao lado de dois jovens, que eram irmãos. Eles entraram no avião e tiraram as máscaras. Eu imediatamente chamei a comissária e disse, ainda antes do pouso: se eles não colocarem a máscara adequadamente, nós chamaremos o comandante, não haverá decolagem e os dois serão retirados imediatamente. Eu fui aplaudida pelo resto dos passageiros.

Não estou falando aqui de dois jovens pobres. Eles estavam viajando de avião, ora. E, quando já estávamos decolando, de novo os dois resolveram abaixar a máscara. Ah, aí eu fiquei zangada. Conversei de novo com a comissária e disse que, se ela não tomasse providências, eu mesma iria conversar com o comandante. No meio disso tudo, algumas pessoas me reconheceram, tinham me visto na televisão, gritaram para eles colocarem as máscaras.

Eu percebo então que existe um sentimento, ao menos naqueles indivíduos que têm um pouquinho mais de consciência, de que um comportamento como o desses dois irmãos é execrável e faz mal para o coletivo.

Quantas vezes nós falamos que aglomerações não poderiam acontecer? Eu entendo que as pessoas estejam cansadas. Mas nós também estamos. Estamos cansados sobretudo de ter que contar mortos todos os dias. Chega disso. Eu quero que a sociedade, o governo, as autoridades e todos nós passemos a nos comportar de maneira mais civilizada.

BBC News Brasil - Ainda no campo das medidas restritivas, governadores e prefeitos têm anunciado toques de restrição e fechamento de comércios à noite e durante a madrugada. Estratégias como essa fazem algum sentido?

Dalcolmo -
Na forma como elas estão sendo propostas, não vão resolver nada. Por que fazer o fechamento e impedir a circulação entre meia noite e cinco da manhã? Nesse horário já não há gente na rua. E quem foi festejar, se aglomerar, beber e fazer tudo de errado, já fez. Essa é uma medida pouco eficaz.

Estou totalmente de acordo com o professor Miguel Nicolelis, que em entrevistas recentes disse que o Brasil precisaria de um lockdown de duas semanas bastante rígido para interceptar as cadeias de transmissão do coronavírus.

O Brasil nunca fez um lockdown adequado. Nunca conseguimos alcançar a taxa de 60% da população em casa, que seria um número desejável. Quem mais chegou perto disso foi São Paulo, com 58% de distanciamento social por momentos muito breves. Aqui no Rio de Janeiro não conseguimos.

E agora há esse descompasso entre o que a ciência diz e o cansaço generalizado de uma pandemia longa, com a economia tão machucada. Mas as pessoas precisam entender que não tem jeito. Se não tomarmos cuidado por algum tempo e não começarmos uma vacinação em massa, a situação só vai piorar.

Precisamos vacinar 70% de nossa população até o meio do ano. Não é pra setembro. É para junho. Caso contrário, vamos propiciar as condições para o aparecimento de outras variantes. Também precisamos de um investimento pesado em vigilância genômica, para que possamos ter certeza que as vacinas produzidas pelos dois institutos públicos brasileiros, o Butantan e a Fiocruz, são realmente efetivas contra as novas variantes.

BBC News Brasil - Nós já temos duas vacinas em uso no país, a CoronaVac (Sinovac/Instituto Butantan) e a CoviShield (AstraZeneca/Universidade de Oxford/FioCruz). Além delas, vemos conversas sobre os imunizantes de Pfizer/BioNTech, Johnson & Johnson, a Sputnik V… É hora de diversificar nosso portfólio?

Dalcolmo - Nós estamos atrasados nisso. Poderíamos ter negociado com Pfizer e Johnson & Johnson desde que eles iniciaram os estudos de fase 3 aqui no Brasil, no segundo semestre de 2020. A Sputnik V parece ser boa, mas ainda carece de registro na Anvisa, que é nossa agência reguladora.

Mas quando alguém me pergunta qual vacina eu tomaria, eu sempre respondo: qualquer uma, desde que tenha registro na Anvisa. O que eu nunca tomaria é uma vacina que não passou por esse crivo de grande qualidade técnica que temos em nosso país. A verdade é que nós perdemos um tempo precioso e já podíamos ter a vacina da Pfizer por aqui. Hoje estamos implorando para negociar alguns poucos milhões que estão disponíveis.

Vale lembrar que não tem vacina para todo mundo. Se pensarmos que dez países já compraram 75% da produção mundial de vacina deste ano, isso de novo nos revela a enorme desigualdade em que vivemos. Só o Canadá garantiu cinco doses para cada habitante. E isso não é bom nem ruim, não estou julgando. Pelo menos eles farão uma coisa correta, que é doar o excedente para os países que não tem condições por meio do mecanismo da Covax Facility.

BBC News Brasil - Diante de todo o cenário que a senhora descreveu e analisou, quais são as mais importantes recomendações que todos nós devemos seguir pelas próximas semanas?

Dalcolmo -
As pessoas têm que entender que tudo isso já era esperado, por mais que não desejássemos que acontecesse. Quantas vezes eu disse coisas nessa pandemia e gostaria de estar errada… Parece que estamos numa crônica de morte anunciada, como aquelas escritas por Gabriel García Márquez em seus livros.

Mais uma vez, faço um apelo para que todo mundo entenda que estamos num momento muito grave, muito mais sério do que o primeiro pico. Esse número de mortes é absolutamente intolerável. 

O que temos de fazer é proteger a nós mesmos, nossas famílias, nossos colegas de trabalho. Sei que estamos cansados da pandemia. Mas elas são assim mesmo e levam tempo. Essa é a primeira pandemia de uma geração mais jovem, mas nós já vivemos outras no passado. Quando enfrentamos a H1N1 em 2009, por exemplo, estávamos mais preparados. O Brasil tinha 70 milhões de doses de vacina compradas, estocadas, com seringa, agulha, tudo. Não é o que está acontecendo agora.

É hora de todos colaborarem, fazerem sua parte e terem consciência cívica. Não adianta ser anárquico e desafiar uma ordem biológica que não é favorável a nós. Ou nos comportamos agora ou colaboraremos com a piora dessas estatísticas terríveis, que mais parecem filmes de terror.


 

28 Jan 2021

Empresário abre empório e bistrot em Salvador e foca na venda de vinhos com preço justo

Sob o comando do empresário André Garin, o Le Vin Empório e Bistrot, localizado no bairro da Pituba, em Salvador, traz aos clientes o melhor da culinária contemporânea, tendo à disposição um portfólio com mais de 500 rótulos de vinho a preço de loja para fazer a harmonização ideal. Em conversa com o Alô Alô, Garin falou sobre as novidades que estão sendo preparadas para 2021, incluindo o cardápio, além de dar sugestões para não errar na hora de combinar o vinho com a refeição. Confira:
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Alô Alô Bahia: O Le Vin tem como proposta que os clientes possam aproveitar a culinária contemporânea e tenha à disposição uma variedade de mais de 500 rótulos de vinho a preço de loja. Quais são as principais características e diferenciais que vocês buscam trazer ao cardápio?
 
André Garin: A nossa proposta e a relação variedade x qualidade, com preço justo e serviço de excelência. O diferencial é a escolha de bons fornecedores, matéria prima de qualidade e diversidade para ter um cardápio completo e agradar o gosto dos consumidores/clientes dentro da nossa proposta, em que a grande aposta para 2021 são as carnes e diversidade de cortes.
 
Eu diria que outro diferencial é pensar sempre no consumidor. Não abrimos mão da qualidade do nosso produto final e serviços, então pensamos sempre na experiência dos nossos clientes. Isso é o nosso tripé de missão, visão e valores, a nossa essência.
 
Outro ponto positivo é que investimos pesado em tecnologia, para melhorar nosso serviço e facilitar o processo de decisão de compra dos nossos clientes, apostando em mecanismos disrruptivos mesmo diante desse cenário tão incerto. Essas são novidades para 2021, que guardaremos para um próximo encontro com o Alô Alô.
 
Alô Alô Bahia: Quais principais dicas você daria para que o cliente acerte na hora de harmonizar o vinho com o prato?
 
André Garin: Essa é fácil. Temos um sócio com grande conhecimento e que aprecia muito a harmonização. Além de vasta experiência, ele adora atender e servir nossos clientes pessoalmente, fazendo-os se sentirem em casa.
Mas a dica principal para aprender a harmonizar é, além de pesquisar, participar dos nossos jantares harmonizados, cursos de vinhos, experiências de menu degustação e outras ações que estamos organizando. Infelizmente ainda não será nesse momento por conta da pandemia, mas logo mais poderemos promover esses encontros com segurança.
 
 
Alô Alô Bahia: Como desfrutar um bom vinho em uma estação quente como o verão?
 
André Garin: Sem dúvidas, curtir a experiência em nossa Varanda, pois é um ambiente arborizado, arejado e fresco, na esquina da rua Minas Gerais com a rua Maranhão, uma excelente localização na Pituba.
 
Recomendamos um bom vinho branco (a preço de loja, claro). Para acompanhar, ostras gratinadas ou cruas, ou sashimis de atum com peixe branco, todos gostam muito.
 
Alô Alô Bahia: A pandemia trouxe diversos desafios já bastante conhecidos. Como vocês buscaram se reinventar?
 
André Garin: No nosso caso, começamos a operação junto com os rumores da chegada do vírus, então a pandemia de Covid 19 já fazia parte do nosso dia-a-dia antes da inauguração.
 
Foi uma loucura grande. Lembro que as tomadas de decisões eram diárias, pois não sabíamos como agir diante de algo inesperado.
 
Não tínhamos menor noção do que estava por vir, então migramos nossa operação, que foi montada para o serviço e consumo local do vinho no nosso Wine Bar e restaurante, para os formatos Delivery, Drive Thru e To Go. Buscamos atender bem, com agilidade e oferecer sempre a melhor qualidade com melhor custo de pratos e vinhos. Fizemos muitas promoções e demos descontos de até 30% no nosso restaurante para o Formato To Go, com embalagens trazidas pelos clientes. Depois lançamos o almoço executivo, que incluía pratos completos com preços especiais para quem não tem tempo de cozinhar em casa ou mora sozinho. Assim, cumprimos nossos compromissos mensais com fornecedores e funcionários.
 
Foram momentos bem difíceis, porém de grande aprendizado e união.
 
 
Alô Alô Bahia: Quais são as principais novidades que estão sendo preparadas para 2021?
 
André Garin: Para o ano de 2021, estamos reforçando o conceito que é a nossa essência, de consumo do vinho no nosso restaurante pelo mesmo preço do nosso empório. Investiremos ainda mais no mix de alimentos e bebidas nacionais e importados, com opções de carnes de diversos tipos de cortes, massas, molhos, azeites, conservas, chocolates, doces, etc.
 
Paralelo a isso, a novidade também é a nossa Varanda com Sushi Bar, um espaço para que nossos clientes possam desfrutar de um bom vinho aliando a gastronomia japonesa em um ambiente arejado, cercado por um lindo jardim na esquina mais desejada da Pituba.
 
Futuramente, após ter certeza da imunização da população em relação à pandemia de Covid 19 e em um cenário seguro para todos, pretendemos retomar eventos, como jantares harmonizados, confrarias, cursos de vinhos e muito mais.
 
Esse é nosso desejo e nossa esperança para o ano de 2021 e os próximos. Esperamos converter esses investimentos em clientes e consumidores cada vez mais satisfeitos e fidelizados com nossos serviços e produtos.
 
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Fotos: Lucas Assis / Divulgação. Siga o insta @sitealoalobahia.
 
 

20 Jan 2021

“Não conseguiu me derrubar”, diz Roberto Badaró sobre Covid; confira a entrevista

O infectologista Roberto Badaró testou positivo para a Covid na terça-feira, 05 de janeiro. Ao receber o diagnóstico, entrou em isolamento em sua casa, em Salvador, onde está sendo acompanhado pelo pneumologista Sergio Jezler. Nesta quarta-feira (20), Badaró anunciou que está curado e concedeu essa entrevista exclusiva, em que fala sobre sua recuperação e projetos futuros.
 
Alô Alô - O senhor esteve na linha de frente por tanto tempo e viu muitos casos. Mas como tem sido conviver estando com a doença?
 
Roberto Badaró – Tem sido difícil. Conviver com a doença é muito difícil porque o paciente tem muitas recomendações a seguir, para se recuperar totalmente. Fazer fisioterapia, tomar os remédios, fazer repouso...
 
Alô Alô - Qual tem sido os sintomas que tem sentido? Muita gente ainda compara a covid com uma gripe. É possível fazer essa comparação mesmo?
 
Roberto Badaró – Depende das pessoas – algumas tem sintomas mais leves, outras não. No meu caso que foi severo, com comprometimento pulmonar grave, os sintomas são falta de ar, dificuldade ao respirar e, evidentemente, uma fraqueza imensa. Não tem nada de gripe. Mas o segredo é seguir a orientação dos médicos e fisioterapeutas.
 
 
Alô Alô - Quais os planos para quando o senhor se recuperar plenamente? Vai voltar para a linha de frente?
 
Roberto Badaró – Ele (o coronavírus) não conseguiu me derrubar. Vou voltar para derrubar ele.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 


Foto: Alô Alô Bahia. Siga o insta @sitealoalobahia.
 

11 Jan 2021

Criadora da Materni Essence, Marina Besnosik explica vantagens da aromaterapia

Criadora da Materni Essence, a empresária baiana Marina Besnosik explicou, em entrevista ao Alô Alô Bahia, as vantagens da aromaterapia. A Materni Essence é representada por Marina, especialista em óleos essenciais com certificação internacional, consultora de bem-estar e consultora materna.
 
Por meio da Materni, é prestado um serviço de consultoria e venda de óleos essenciais e Blends próprios para quem quiser utilizar a aromaterapia de forma segura e correta. "Óleos essenciais podem ser usados para ajudar na disposição para atividades físicas, para ajudar na ansiedade, podem auxiliar para regular noites de sono (inclusive foi uma procura muito grande na pandemia, junto com óleos essenciais que podem ajudar na queda de cabelo), óleos para ajudar na respiração livre, para alergias respiratórias, para auxiliar na imunidade... inúmeros benefícios", afirmou ela.
 
Confira abaixo a entrevista com Marina Besnosik:
 
Quais as vantagens da aromaterapia?
Através da aromaterapia é possível promover o equilíbrio físico, mental e espiritual. Ao inspirar um aroma, ele vai diretamente para o nosso sistema límbico, onde ficam nossas emoções e memórias. Equilibrar e administrar as nossas emoções ajuda a proporcionar harmonia, trazendo bem-estar para todos em seu convívio.
 
Para quem ou quais sintomas ela é mais indicada?
A aromaterapia pode ser utilizada por todas as idades, desde que respeitadas as indicações de idade, dosagem e formas de uso. Os óleos essenciais podem ser utilizados para auxiliar em inúmeras questões, tanto emocionais, quanto físicas, por isso a importância de um profissional para ajudar com orientações pertinentes para cada situação.
 
Como surgiu o projeto?
Através de um estudo pessoal, para proporcionar à minha família mais qualidade de vida, equilíbrio e bem-estar. Os benefícios foram inúmeros que não poderia guardar somente para nós! A procura foi de forma muito espontânea e, a partir disso, virou um projeto profissional.

@materniessence
Foto: Divulgação. Siga o insta @sitealoalobahia.

29 Dec 2020

Diretora-executiva do CORREIO faz balanço sobre os rumos dos negócios de jornalismo e planos para 2021

 No último Segundou do ano, o publicitário Joca Guanaes recebeu nesta segunda-feira (28) a empresária Renata de Magalhães Correia, diretora-executiva do CORREIO, para entender como a pandemia mudou os rumos dos negócios de jornalismo e quais são os projetos para o veículo em 2021. A gestora contou ainda sobre sua experiência e trajetória pessoal à frente deste jornal líder em audiência digital não só na Bahia, mas também no Norte e Nordeste do país. 

Joca Guanaes: Você é mulher, tem uma diretora comercial mulher, que é Luciana Gomes, uma diretora de redação, Linda Bezerra, e uma diretora de marketing, Marta Souza, todas mulheres. Ou seja, você traz em sua administração um exemplo de empoderamento feminino. O que vejo, na maioria dos jornais, é um Clube do Bolinha. Uma característica do Correio é a marca feminina e é um sucesso de audiência.

Renata Correia: Sem dúvida nenhuma, as mulheres fazem parte do Correio. Hoje, nossa gestão tem a presença feminina de forma muito contundente. Não foi algo planejado, surgiu pela capacidade e pelo desempenho que essas mulheres foram apresentando ao longo da minha gestão. Sem elas, não estaríamos hoje aqui e não teríamos alcançado esses resultados, seja na nossa audiência, seja em projetos inovadores. O Correio é muito plural, não só em relação à presença feminina, nós somos multi-raciais, multi religiosos. Porque a Bahia é isso. Se o Correio é a Bahia, tem que estar traduzindo isso. Acho que a gente consegue, de fato, que quem se relaciona com o Correio, seja nossos leitores, parceiros comerciais, nossos colaboradores, tenha esse sentimento de que é um jornal plural, que dialoga com vários públicos e que consegue traduzir a miscigenação da Bahia. Eu acredito que é a mistura que faz com que dê certo: homens, mulheres, brancos, negros, católicos, protestantes, do candomblé. 

Joca: É comum a gente ver isso no discurso, mas não vê na prática. Muita gente fala de empoderamento, de movimento racial, de religiões. 

RC: O que eu digo à minha equipe é que não adianta a gente ficar no discurso. A gente precisa entregar atitudes. É mais importante entregar um projeto como o Afro Fashion Day do que apenas discutir a inclusão do negro. De forma enfática, a gente precisa valorizar o que nossa cultura tem de forte, do que fazem de belíssimo, do que eles têm de talento e muito mais do que só escrever. A verdade se apresenta quando ela acontece e só acontece com fatos.

Então, digo sempre à minha equipe para que tenham esse papel pleno de multiplicidade racial, política, religiosa, mas que isso se concretize na atitude do dia a dia. Se isso for concretizado, todos perceberão: os parceiros, os leitores, os colaboradores. Há 15 dias, fazendo um balanço do ano, falei que um dos nossos objetivos para 2021 é, cada vez mais, traduzir a pluralidade do Correio. Não apenas levantar uma bandeira. Muitos levantam, mas defender uma causa, ser transparente com ela e mostrar que se é, de fato, plural é uma atitude do dia a dia.

JG: Você leva a comunicação e o empreendedorismo no sangue. É neta do falecido político baiano Antônio Carlos Magalhães, que foi ministro das Comunicações do Brasil, e filha de ACM Júnior, que é presidente do conselho de administração do conglomerado de empresas de comunicação intitulado Rede Bahia, e sua mãe, Dona Rosário, faz um trabalho social de empreendedorismo na periferia. Você tem o DNA paterno e o materno. Quando você percebeu que essa era sua vocação?

RC: Minhas referências familiares são muito importantes na minha formação, em quem eu sou hoje, nas minhas escolhas pessoais e profissionais. Meu avô deixou um legado de amor à Bahia, foi um comunicador nato, um exemplo de inspiração. Eu acabei optando por seguir a carreira de meu pai, sou administradora de empresas de formação. Quando fui escolher minha profissão, eu tinha dito que queria ser publicitária, e meu pai me disse que eu poderia trabalhar com comunicação sem ser publicitária e que a administração me daria uma visão maior, mais ampla, e me proporcionaria mais caminhos a seguir. Eu optei por seguir os passos dele.

Comecei com agência de publicidade aos 18 anos, ainda estudante, e trabalhei desde cedo, experimentei desde cedo. Comunicação é envolvente, encantadora e vai lhe puxando para esse universo. Eu experimentei outras áreas, trabalhei em outros lugares, como Odebrecht, Vivo, mas acabei voltando e vim ser o braço direito do meu pai. Minha mãe me deu um exemplo de força de mulher, importante para conduzir e tomar atitudes corretas, e também o meu irmão, que é um exemplo de gestão para a cidade e mostrou sua competência com aprovação lá em cima no fim do mandato. Então, eu me orgulho da família que tenho, das minhas origens.

Hoje, além de ser diretora do jornal, faço parte do conselho de administração da Rede Bahia, com meu pai, e a gente olha para a comunicação com paixão e projetando o futuro porque é um setor que está com efervescente transformação com a digitalização. Todos os meios de comunicação estão tendo transformações significativas e, para isso, a gente tem que estar se preparando para o futuro para que a gente possa acompanhar e sempre estar à frente. Sempre fomos vanguardistas como exemplo de ser diferente, de ser inovador na comunicação, então continuamos com esse projeto de seguir com as transformações. 

JG: Você nasceu de uma família de líderes políticos e você é extremamente low profile, discreta. Você está com 40 anos e na sua gestão manteve o jornal líder não apenas na Bahia, mas também no Norte e Nordeste num ano de pandemia, em que o mundo quebrou e que o mundo digital transformou todos os negócios. Qual o desafio de conduzir um jornal líder em audiência?

RC:
Desde que eu assumi o jornal, eu trouxe um time para perto de mim. Sozinho você não alcança resultado nenhum. O time de gestores do jornal são meus braços direitos. A gente tenta antecipar e acompanhar as transformações. O meio impresso vem passando por uma transformação muito grande por causa do digital, da sustentabilidade que a mídia impressa tem dificuldade de alcançar por diversos fatores. A gente tenta trazer inovações no digital e por isso a gente é líder no impresso. Com muito esforço, porque a gente entrega o que o leitor quer ler. A gente consegue traduzir a linguagem moderna, que combate a fake news, que dá um leque de oportunidades para tirar suas próprias conclusões.

Esse tem sido nosso papel na linha editorial do jornal. Nossa liderança é contundente porque a gente consegue se atualizar, temos redes sociais atuantes, trabalhamos com grupos de WhatsApp, conseguimos fazer projetos que, mesmo com essa pandemia, conseguiram, com uma velocidade grande, se adaptar ao mundo digital. O Agenda Bahia é um projeto nosso consolidado, junto com o Afro Fashion Day e uma série de projetos. Somos uma referência para leitores, parceiros e anunciantes. Eles sabem da nossa qualidade no conteúdo. O que a gente sabe fazer é informação e é por isso que a gente tem essa audiência. 

Joca: A administração é uma área ainda monopolizada por homens. Você é administradora e, além disso, é administradora de um jornal. Como é isso numa família que sempre foi muito comandada por homens? Você sofreu preconceito?

RC:
Eu 'sofri' estímulo, um estímulo muito grande de meu pai. Sempre me apoiou e me deu desafios porque reconhecia que eu podia entregar. Considero que sou o braço direito dele na administração das empresas, já que meu irmão fez uma escolha diferente, e foi para a política. Num ambiente empresarial, ainda é predominante o sexo masculino. Na maioria das reuniões, dos conselhos que participo, há uma predominância masculina, mas já vejo [mudança] nos jornais.

No Paraná, a RBS é muito liderada por mulheres. É um movimento que acontece também no Ceará, com a Luciana, no Correio do Povo, a Ana Amélia no Paraná, a gente tem uma força feminina mais ativa e presente. Eu nunca tive na minha experiência algo que causou uma situação constrangedora. A gente tem que ter autoconfiança e acreditar que é capaz. Se a gente está ali é porque é capaz de estar e entregar. Não temos que nos preocupar com o que acham da gente. Se acho que sou capaz e que estou ali por merecimento, não tem por que se preocupar e se contaminar com opiniões e preconceitos por faixa etária, por ser mulher, por orientação sexual, política, enfim. Com a sua confiança, e se você está ali por merecimento, certamente você vai ser respeitado.

JG: Sua mãe, Dona Rosário, tem um trabalho significativo como presidente de honra do Parque Social. Qual a influência da sua mãe na sua vida? 

RC: Há oito anos, quando ACM Neto assumiu, minha mãe disse que não queria assumir um papel de ser assistencialista, queria transformar vidas e transformar vidas é mostrar para as comunidades como elas podem se desenvolver. O empreendedorismo é o que você não dá o pão, e, sim, o que ensina a fazer. O trabalho dela foi pioneiro em Salvador em levar isso para as comunidades. O jovem precisa estar inserido nesse mercado porque ele é o futuro, é o agente transformador da comunidade. Eles precisam encontrar a forma de fazer. Minha mãe é inquieta e quer ver essa transformação chegar de forma estrutural. Isso passou para mim. Ela é um exemplo de força e trabalho, nunca a vi não trabalhar. 

JG: Estamos vivendo a maior crise na história do mundo, milhares de pessoas morreram, e tem uma transformação na comunicação acontecendo, que está impactando televisão, jornal, rádio. Como foi direcionar a empresa na pandemia e que ganhos como empresária e administradora você teve esse ano?

RC:
Em março, se você me perguntasse o que íamos fazer, honestamente eu ia te dizer: "Não sei". Quando a gente foi surpreendido, que tudo ia ter que fechar e ter que transformar a forma de trabalhar, foi algo que assustou bastante e criou uma instabilidade grande, para a gente não foi diferente. Com calma e paciência, você chega onde precisa. A gente teve que transformar o conteúdo e projetos. Deixamos de ter os conteúdos tradicionais fortes, a pandemia tomou o noticiário, teve que partir mais para o digital porque os assinantes se sentiam inseguros de manusear o impresso, então tivemos o cuidado de ensacar os jornais. Tivemos que transformar nossos projetos que aconteceriam de forma presencial, apoiamos a cultura, a gente fez lives de forró para apoiar a um setor que foi mais afetado, a gente teve que partir para novos formatos antes não experimentados. O Agenda Bahia virou virtual através de lives.

Logicamente, tivemos que ser austeros internamente, com reduções de jornadas, nas despesas porque não ia ter o mesmo patamar de receita. O Segundou também é um dos resultados que veio da necessidade de outros conteúdos porque a gente já não aguentava mais só ouvir sobre pandemia. Fomos vitoriosos, dentro do que poderia ser. A gente tem que agradecer por estar com saúde e conseguindo manter os empregos porque é uma responsabilidade do empresário com as famílias que a gente tem que dar suporte. Fico feliz de ter chegado ao fim de 2020 tendo superado as dificuldades. 

JG: As marcas e jornais têm papel fundamental contra as fake news. Como o jornal trabalha para manter a confiança do leitor?

RC: A gente busca mostrar os fatos da forma como acontecem. Nossa audiência tem esse patamar justamente pela nossa credibilidade. Temos profissionais qualificados e renomados no nosso time. A gente tem um trabalho de checagem de notícias falsas. Então, nosso leitor reconhece isso. Nossa audiência é resultado da nossa credibilidade e do combate à fake news. O papel do jornalista hoje é importante no mundo porque na internet você tem acesso a todo tipo de informação, então tem o papel relevante de criar uma sociedade justa e igualitária e que possa não ser contaminada por informações falsas que são um desfavor à sociedade.

JG: Como é conduzir um jornal que pertence a uma família de políticos mantendo a isenção necessária para que o jornal tenha credibilidade?

RC: Esse modelo de que famílias com políticos tinham vínculo com os meios de comunicação foi uma política de um momento passado na história do Brasil. Hoje, nenhum leitor aceita e nenhum político vai conseguir ter sua credibilidade utilizando-se de veículos de informação. São ambientes separados. (com informações do CORREIO)