Entrevistas


23 Sep 2022

Boticário e Vitória Rodrigues contam histórias de mulheres nordestinas em cordéis; veja entrevista com a artista

Conteúdo sob medida Alô Alô Bahia.

Para fortalecer a influência feminina no Nordeste, berço de grandes nomes da história brasileira, o Boticário e a apresentadora, cantora e poetisa alagoana Vitória Rodrigues vão contar, sob o mote “O brilho que carrego comigo”, histórias de mulheres da sua comunidade nordestina em cordéis. A ação faz parte da campanha da fragrância Liz Sublime, do Boticário, que conta com uma assinatura exclusiva - a base de Laire Íris Nobre - e com uma fórmula secreta de óleo que une a sofisticada Íris Absoluta Francesa com a força do Vetiver de Madagascar.

O projeto, que será veiculado nas redes sociais da marca, contará histórias de mulheres que, de alguma maneira, inspiraram outras mulheres. O objetivo é levar essa mensagem e motivação a muitas outras. A artista conversou com o Alô Alô Bahia sobre o novo projeto; confira:
szAKkx.md.jpg
  1. Como é, para você, a experiência de estar em uma campanha que celebra a cultura nordestina e as mulheres nordestinas?
Me sinto muito feliz e lisonjeada. É tão representativo e importante pra mim poder fazer parte disso. A cultura nordestina é imensa, potente e pra mim é a raiz do meu trabalho, é a inspiração que alicerça minhas criações. Sendo uma mulher preta, que vem do interior de Alagoas, onde fui criada por mulheres nordestinas fortes, sensíveis e inteligentes poder celebrar essa cultura exaltando a força feminina, contando suas histórias através da literatura de cordel é revigorante. Essa experiência está sendo linda e feita com muito amor, afeto e delicadeza. Tenho certeza que esse projeto, mais do que exaltar a força feminina do Nordeste, será inspiração para todas as mulheres desse Brasil.
  1. Qual a sua relação com o Boticário? Como foi receber esse convite da marca?
Foi emocionante porque o Boticário está na minha memória afetiva desde a infância. Cresci sentindo o cheirinho de minha família pelas fragrâncias do Boticário. Minha mãe usa Floratta, meu pai Uomini e meu irmão ama Malbec. Eu sou apaixonada por perfumes, já passei por diversas fragrâncias, inclusive desde que senti Liz Sublime ele não sai do meu cangote… rs.

Então esse não é apenas um trabalho da Vitoria atriz e poetisa, mas é uma troca linda que me faz relembrar aquela Vitória do passado que cresceu sentindo Boticário nas pessoas que mais amo. É uma sensação que, em palavras, não consigo explicar. 
  1. Seguindo o mote da campanha “O brilho que carrego comigo”, quais aspectos das histórias dessas mulheres você espera que seus cordéis evidenciem? O que você espera inspirar?
Lendo as histórias dessas mulheres, em diversos momentos, me emocionei pela identificação, porque nós mulheres nordestinas, em especial, temos dentro de nós uma força e uma sensibilidade que mobiliza nossos sonhos, não importa o tamanho do obstáculo. Foi um desafio muito grande sintetizar em cordéis essas histórias de muita luta, superação e principalmente histórias de mulheres com muito amor no coração. São histórias que dariam livros de muitas páginas! Elas transmitem amor pelos seus e pelo que acreditam. Um amor que não permitiu que nenhuma delas desistisse, mas sim que resistisse e cada uma, a seu modo, venceu e se tornou inspiração para os que as cercam. Agora se tornarão também para todos que ouvirem essas histórias que, junto com Boticário, terei a honra de contar.
  1. As redes sociais foram muito importantes para a sua projeção nacional, certo? Como avalia esse canal também como meio de visibilidade para a literatura de cordel?
Sim. Foi a partir das redes sociais que minha poesia começou a chegar a mais pessoas e foi também através delas que tive a oportunidade de levar o cordel para TV através do meu programa ‘Cordel da Gente’ no GNT, no qual escrevi e contei histórias de muitos nordestinos e nordestinas inspiradores do nosso país. A literatura de cordel é extremamente importante e, infelizmente, ainda muito pouco explorada e invisibilizada em nosso país. Poder com minhas poesias ser voz da cultura popular do meu Nordeste e levá-la para o máximo de pessoas possível é uma honra e uma responsabilidade imensa. Acho necessário e urgente a valorização dos cordelistas do nosso país, principalmente do nordeste, pois a literatura de cordel, bem como a arte popular, carrega um estereótipo simplório, que precisa ser desconstruído, pois quem lê um folheto de Cordel não imagina a complexidade das métricas que preenchem de riqueza cada verso. Eu tenho muito o que aprender, porque quanto mais você investiga mais percebe que a arte popular é linda e gigante em sua sutileza e simplicidade, mas nem por isso ela é simplória.
  1. Qual a sua relação com a Bahia? E com mulheres baianas?
Fui à Bahia algumas vezes, me sinto sempre muito acolhida por lá. A Bahia é um berço cultural lindo de grandes referências musicais, da literatura, da dança, enfim, pra quem faz arte a Bahia é uma referência. Foi inclusive através de uma baiana que minhas poesias tiveram uma visibilidade maior. Falo de Margareth Menezes que foi uma das primeiras artistas a compartilhar em suas redes minha poesia ‘Plantando Paz’. Esse ano, a encontrei por acaso no festival de inverno de Garanhuns e, na ocasião, tive a honra de recitar meu cordel ‘Muito Prazer Eu Sou Mulher’ que foi minha primeira música lançada e tive a honra de ter Margareth no clipe. Além disso, tenho grandes amigas baianas que são imensamente inspiradoras, aprendo muito com elas.
  1. Tem cordelistas baianas como referência para você? Se sim, quais?
No meu programa ‘Cordel da Gente’, que foi transmitido pelo GNT no início desse ano, tive a oportunidade de contar a história de Bule Bule, um grande mestre baiano que é uma referência da literatura de cordel no Brasil inteiro. Tem também Anastácia, natural de Senhor do Bonfim, que tem um trabalho lindo e criou um blog chamado A Vida em Cordel. Não a conheço pessoalmente, mas admiro muito. Já Júlia Juazeira, uma jovem cordelista de Juazeiro, é uma grande amiga que pude conhecer no Rio de Janeiro e que admiro demais. Pela grandeza da Bahia, acredito que haja várias mulheres cordelistas, não conheço tantas quanto gostaria.
  1. Tem perspectiva de vir à Bahia?
Eu amo a Bahia, já fui algumas vezes para Salvador e Feira de Santana. Sou apaixonada pela energia e alegria que pulsa desse estado. Acho que Salvador seria uma cidade que amaria morar, porque quando chego aí parece que estou em casa. Faz tempo que não vou lá, quero voltar logo, estou morrendo de saudade!

Leia mais notícias na aba Notas
 
Fotos: Vitoria Rodrigues. Siga o insta @sitealoalobahia.

 

7 Sep 2022

'Salvador é um dos lugares mais fascinantes do mundo': Vik Muniz fala de sua relação com a cidade

Cidadão do mundo, o artista plástico paulista Vik Muniz tem um lugar para chamar de seu na Bahia, mais precisamente uma casa em Salvador, no Santo Antônio Além do Carmo, para onde retorna sempre que arruma um espaço em sua agenda, dividida entre Nova York, Europa, África, Índia e tantos outros cantos do planeta.

De passagem pela cidade na companhia da mulher, a produtora Malu Barretto, para ficar “uma semaninha só, matar as saudades, ver como estão as coisas, dar uma volta de barco, encontrar os amigos e botar as coisas um pouco em dia”, Vik concedeu a entrevista a seguir com exclusividade para o portal Alô Alô Bahia, na qual falou de sua relação de amor por Salvador e de projetos que estão para acontecer. Confira.

6vr2Lv.jpg  
Alô Alô Bahia: Você tem uma relação muito estreita com a Bahia. Desde quando?

Vik Muniz:
 Essa relação já vem desde 1999. Eu tava vivendo muitos anos fora [do país], passei a maior parte da minha vida nos Estados Unidos, inclusive eu sou americano também. Saí do país como um menino pobre, fiz uma carreira lá fora e quando eu chegava no lado um pouco mais glamuroso na coisa do mundo da arte, não compatibilizava com aquela pessoa que eu tinha deixado aqui. E eu fui descobrindo aos poucos uma maneira de me reintegrar com a minha cultura. É sempre muito importante fazer as pazes com o seu passado. E foi um convite do Cesare de la Rocca, com o Projeto Axé, que deu início à essa história minha com o Brasil. Ele é extremamente responsável por isso. Vim trazido por ele para participar de uma exposição no Solar do Unhão, que chamava O Silêncio da Terra (Quiet of the Land), com artistas internacionais e brasileiros. E eu vim como internacional, na verdade. A coisa era para trabalhar com crianças de rua, realizando um projeto a ser exposto no ano seguinte. Essa temporada em Salvador mudou a minha vida.
 
AAB: Como foi esse primeiro contato com Salvador?

VM:
 Eu vim pra ficar três semanas e fiquei quatro meses, me apaixonei pela cidade e eu encontrei aqui um Brasil que era o que eu queria. Era o Brasil de verdade. Era o Brasil multifacetado, diverso, preto, branco e pobre também. Mas era uma coisa de pobres sofisticados. Uma cidade que tem uma ideia de pertencimento cultural inigualável. Não conheço nenhum outro lugar no planeta em que as pessoas são tão donas da própria cultura. A gente não vê isso em São Paulo, e eu sou de São Paulo, ou mesmo no Rio de Janeiro.
6vgG0N.md.webp 
AAB: Você criou laços nessas vivências?

VM:
 Comecei a ter relações de amizade aqui que são muito longevas. Foi durando, durando, durando... venho quase que anualmente para Salvador desde então. E sempre tinha uma vontade muito grande de ter uma casa no Carmo. Isso já há vinte anos, essa vontade. Nunca aconteceu por uma razão ou outra, até eu começar a vir com mais frequência com Malu [Barretto], minha mulher, que é outra apaixonada pela cidade. Então a gente decidiu comprar essa casinha. Foi no caminho do aeroporto que a gente comprou. Fomos visitar um amigo nosso, Pedro Tourinho, e tinha uma casa vendendo ao lado da gente. Fomos ver e pensamos: ‘Ah, cara! A gente vai ser vizinho do Pedro Tourinho e do Paulo [Vaz], que é o dono do Cafelier. Perfeito!’. Na sequência, fomos nos envolvendo: eu trouxe o barco que eu fiz na pandemia, fiz um projeto na Feira de São Joaquim, que é também uma maneira de ter mais desculpas pra vir mais pra cá e é muito divertido, muito legal. Eu fiz não pensando nesse contexto de arte internacional, mas em arte no lugar que tem que estar. Fiz para as pessoas que vão ali, muita gente em Salvador vai até ali. 
6vgWJt.md.jpg 
AAB: E que entrou, de fato, na vida da Feira. Eu vou em São Joaquim com frequência e um dia eu cheguei lá e perguntei: “Fica onde?”. “Ah! É de Vik? Fica ali...”. Eles sabem o que é. 

VM:
 Sabem e ainda me cobram: 'E aí? Quando será a próxima exposição?'. A história mais legal que escutei foi a de um rapaz que conheci lá, um historiador da Feira. A gente trocou telefones e um dia ele me ligou: ‘Vik, você não vai acreditar! Eu tava aqui, agora, e chegou uma senhora, acho que está hospedada no Fera [Palace Hotel]. Ela veio com duas filhas e estava um pouco assustada, veio de São Paulo. Meio acanhada, perguntou para um senhor que estava com duas facas enormes, bebendo cerveja na frente da galeria: 'Aqui que é o projeto de arte do Vik?' E o moço falou pra ela: 'o projeto é do Vik Muniz, mas o artista é o Ernesto Neto, que é um carioca, e essa obra aqui é sobre a causa indígena. Todos os materiais que a senhora está vendo aí são daqui da feira mesmo, mas, de acordo com a ideia do artista, se tornou uma obra de arte’. Isso é um cara da Feira falando para uma mulher de São Paulo. É lindo! O cara é um peixeiro explicando para uma senhora da cidade o que é arte contemporânea. Isso é maravilhoso. É impagável. Essa ligação. Pensei: 'vale a pena continuar fazendo', porque é isso o que a gente quer fazer, sabe?
6vgMgI.md.jpg
AAB: Você tem outros projetos em mente? Tem pensado em outras coisas relacionadas a Salvador? 

VM:
 Eu estou arrumando ‘sarna pra me coçar’ aqui (risos). E a gente tem muitas amizades, então estamos sempre bolando coisas. Tenho amizade com Ubiratan Marques, da Orquestra Afrosinfônica. A gente está fazendo um projeto juntos, que ainda não tem muita forma, mas está começando. Tem um parceiro de vinte anos, que é o [artista plástico] Alberto Pitta, e a gente está sempre aprontando alguma coisa. 
 
AAB: O livro dele está fantástico! 

VM: 
O livro dele [Alberto Pitta], fui eu quem mexeu com o Pedro Corrêa do Lago para a gente produzir... Tem um livro muito legal também, que é do [antiquário] Itamar Musse, que está saindo, sobre a Florinda [Anna do Nascimento] e a Joias de Crioula, com uma perspectiva um pouco mais multifacetada, mais abrangente, muito lindo, sabe? 
 
AAB: Você tem esse outro lado de realizar também, né?  

VM:
 Eu gosto de me meter em coisas. Eu faço arte com todo tipo de material, né? Lixo, diamante, coisa grande, coisa pequena, mas eu acredito que o material de verdade é a experiência. Você tem que se jogar. A gente só vive uma vez, né? Então, quanto mais tipos de vida diferentes você tenha, melhor. E eu acho que quando você é artista, você tem o privilégio de poder viver várias vidas. Num dia, você está em Salvador, no outro em Madri, no outro em Tóquio vivendo experiências distintas. Eu acho que a intensidade dessas experiências, a maneira como você se engaja faz a diferença. Eu estava conversando com uma amiga aqui, agora, e falei: ‘Pô, eu vou em qualquer lugar. Eu faço de um limão, uma limonada mesmo. Se a festa estiver chata, eu faço ficar legal. Eu acho que a gente tem se entregar para as coisas e fazer o melhor possível. 
 
AAB: E aqui em Salvador, você é um realizador?

VM:
 Eu acho incrível como você não tem muito a adicionar em Salvador. Aqui eu me sinto um grande passageiro de um trem que já está andando. E é muito legal que seja assim. Porque, dentro do calendário da cidade, em janeiro, por exemplo, o melhor lugar do mundo para se passar, para mim, é em Salvador. Quando os amigos vêm para aqui antes do Carnaval, têm uma expectativa, uma coisa linda. Tem a festa da Beleza Negra do Ilê. Tem tanta coisa legal acontecendo! E é um mundo de verdade, sabe? Principalmente, assim, quando a gente tem essas pautas que vem à tona, como a da diversidade sexual, de gênero, do racismo. Salvador é uma cidade muito rica em experiência. Você vive dentro de uma confusão em que todos esses contextos de argumentos estão muito presentes, são relevantes porque você conhece essas coisas no cotidiano. 
6vgX5X.md.jpg 
AAB: Isso traz alguma coisa para a sua arte?

VM: 
Eu acho que inspira muito.  A gente tem que entender que o mundo é pobre. Eu viajo muito. Vou para a África, Bangladesh. O mundo não é o bolso de afluência sócio-econômica-cultural vendido nas revistas e sites. Nem é o que as pessoas estão vendendo nos seus perfis de Instagram. Tudo é pobre. O mundo é deficiente de diversas maneiras. E é diverso, cheio de injustiças e belezas ao mesmo tempo.
 
AAB: Enquanto artista, isso te inspira de alguma forma? 

VM: 
Eu falo sempre que a criatividade é a energia resultante da fricção entre necessidade e possibilidade. Se você não tem necessidade, todo processo criativo será falho, de uma certa forma. Precisa de precisar. Aquele estereótipo do artista pobre, acho que aquilo la boème, o artista que está sofrendo, tem um sentido interessante, porque você vê muita coisa nascendo onde ela tem que nascer, onde há uma necessidade de aquilo acontecer. E sempre falo: Salvador é um lugar que tem todos esses defeitos socioeconômicos, mas tem todas as melhores soluções pra esses defeitos. E tem a gente mais orgulhosa da sua cultura. Eu acho um lugar lindo! É um dos poucos lugares onde você vai a uma festa cívica (o Dois de Julho, por exemplo) e as pessoas adoram ver uma fanfarra. É lindo! Tem até um orgulho. Aqui em Salvador, o dia da Independência [da Bahia] é um dia que você tem orgulho, se sente patriota. Uma independência verdadeira. Não é o cara que parou pra fazer cocô na beira do rio Ipiranga e levantou uma espada. Vai ver se era uma espada ou se era um galho, ninguém sabe. Aqui não! Aqui foi lutado, os caras tiveram que brigar, têm histórias boas a respeito, são miscigenadas, ricas, grossas. Eu adoro Salvador. Acho que é um dos lugares mais fascinantes do mundo do ponto de vista social também. As pessoas são interessantes. Adoro estar aqui! 
 
AAB: Por que você está em Salvador agora?

VM: 
A gente está desde sexta-feira e vai embora na quarta (7). Viemos para matar as saudades, ver como estão as coisas, dar uma volta de barco, ver os amigos e botar as coisas um pouco em dia. Voltaremos em outubro para abrir a exposição da [artista plástica] Maria Nepomuceno na [Galeria] Lugar Comum. Já estamos combinando de fazer o jantar, até, com a [chef do Di Janela] Nara [Amaral].

Foto: Elias Dantas, Alô Alô Bahia e Xico Diniz (ambiente da casa). Também estamos no Instagram (@sitealoalobahia), Twitter (@Aloalo_Bahia) e Google Notícias.

3 Sep 2022

'É difícil ser ético, mas é necessário e possível', diz Karnal antes de vir a Salvador; leia a entrevista

Na próxima sexta-feira (9), cerca de 150 convidados do Alô Alô Bahia, entre empresários e executivos de grandes companhias, estarão reunidos no Fera Palace Hotel para assistir à palestra de um dos principais intelectuais do país. Leandro Karnal virá a Salvador exclusivamente para o talk, que terá como tema ‘valores, ética e estratégia no mercado empresarial’.

Historiador e doutor em História Social pela USP, membro da Academia Paulista de Letras e professor da Unicamp por mais de 20 anos, Leandro Karnal é autor de best sellers, como 'O Inferno Somos Nós' e 'O Dilema do Porco Espinho’, tem seu próprio canal no YouTube, o 'Prazer, Karnal', é âncora do programa 'Universo Karnal' na CNN Brasil e assina coluna fixa no jornal O Estado de S. Paulo. Em todas estas mídias, se destaca pelo caráter analítico e opinativo.

Como aquecimento para o aguardado encontro em Salvador, o historiador concedeu uma entrevista exclusiva ao portal Alô Alô Bahia, na qual fala sobre ética e valores no mundo corporativo. Em sua opinião, “é muito difícil ser ético em qualquer campo, mas é necessário e possível”.  Confira:
6qbhlV.md.jpg
Alô Alô Bahia: Muito se discute sobre ética e outros valores nas empresas. Estes são conceitos globais ou cada região ou estado tem características culturais ou hábitos que podem interferir? Se sim, o que uma empresa que quer operar de uma forma macro pode fazer para se adaptar? 

Leandro Karnal: Valores são históricos, logo, dependem de concepções que podem mudar no tempo e no espaço. A globalização econômica fez crescer valores compartilhados por muitas sociedades. Responsabilidade ambiental, combates ao preconceito, respeito à diversidade e ética nos negócios estão ficando cada vez mais universais. Uma empresa precisa se adaptar e oferecer cursos, regras claras para os colaboradores e incentivos ao aperfeiçoamento destes valores. O processo é permanente.

AAB: Você percebeu uma mudança nos valores individuais nos anos da pandemia? Você acha que isso reflete nos 6,467 milhões de pedidos de demissão nos 12 meses no Brasil - um recorde? 

LK: Houve muitas mudanças. O espaço da casa e da família foram ressignificados. Ostentação nas redes passou a ser atacada como exibicionismo. A presença do risco de vida com a pandemia trouxe à tona o tema da felicidade e da realização. Sim, houve muitos pedidos de demissão. Nos EUA, tem-se usado o conceito de “The Great Resignation” (algo como "A Grande Renúncia”), um movimento de demissão em massa de trabalhadores em busca de mais flexibilidade. A pandemia fez funcionários repensarem o lugar que o trabalho deveria ter em suas vidas. Todavia, seria bom pensar que há um número ainda maior de pessoas que lutam para entrar no mercado de trabalho. A felicidade de alguns é um trabalho diferente e a de outros é qualquer trabalho.
 
AAB: Quais os principais valores, na sua opinião, que as empresas precisam ter atualmente? Você acha que os empresários entenderam que consolidar valores e ser ético também faz parte da estratégia de negócio? 

LK: Toda ação de uma empresa deve estar impregnada por questões de conservação ambiental, luta contra o preconceito e estímulo ao engajamento social. Este tripé é base da imagem da empresa. Uma empresa que seja vista como destruidora destes valores tende a perder mercado. No mercado hoje, o destaque são os critérios ESG ( Environmental, Social e Governance - Meio ambiente, Social e Governança). As práticas - queiram os gestores ou não - devem rumar nesse caminho sob o risco de a empresa perder sua relevância.

AAB: É fácil ter ética no mundo empresarial? 

LK: É muito difícil ser ético em qualquer campo, mas é necessário e possível. Associar lucro a ações predatórias, concorrência desleal e esmagamento da autoestima dos colaboradores é uma visão ultrapassada e perigosa. Nosso mundo tem sintomas de doenças sociais e psíquicas. Não é fácil manter equilíbrio emocional neles, mas é necessário. A ética é o caminho da saúde mental.

O talk empresarial com Leandro Karnal é um projeto do portal Alô Alô Bahia com o apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador; patrocínio da Moura Dubeux, Suzano, Sebrae Bahia, Shopping da Bahia, Guebor Veículos, Seven Investor ( BTG Pactual), Escola Concept, Ivan Jóias, Bontempo Salvador e Clínica Horaios e apoio da Zum Brazil Eventos, Hiperideal, AMAVI Assessoria, TD Design, Tudo São Flores, Uranus, Hike Agência, chef Flavia Sampaio e Fera Palace Hotel.  
6qmd57.md.jpg
Leia mais notícias na aba Notas

 Fotos: Caio Gandra/Divulgação. Siga o insta @sitealoalobahia
 

31 Aug 2022

Sucesso nos palcos, Nattan avalia carreira e revela planos futuros

Verdade seja dita, você pode até não gostar de forró ou lambada, mas já deve ter ouvido o hit "Tem Cabaré Essa Noite", que traz um feat entre Nattan e o cantor baiano Nivaldo Marques.

A música, lançada em junho, ocupa as principais posições nas plataformas de streaming e já atingiu mais de 50 milhões de vizualizações no clipe oficial, no Youtube. 

Prestes a desembarcar em Salvador para comandar o evento Villa Garden,  Extra Party do Camarote Villa que acontece no dia 11 de setembro, na Chácara Baluarte, o cantor cearense bateu um papo com o Alô Alô Bahia e falou sobre carreira, projetos e novas parcerias musicias. Vem ver! 


Alô Alô Bahia: Sua carreira despontou em meio à pandemia, em um momento no qual os artistas estão cada vez mais conectados com os meios digitais. Como você avalia esse movimento?
 
Nattan: Realmente tudo comigo aconteceu durante a pandemia, foi um momento muito importante na minha vida, hoje eu sinto já estou vivendo um sonho, ajudando minha família, participando de programas que sempre assisti, espero que seja apenas o início da minha carreira na música. 
 
AAB: O forró e o piseiro vem ganhando cada vez mais espaço  em eventos de várias naturezas. Qual a sua avaliação sobre isso?
 
N: Ah. eu fico feliz de ver a música do meu nordeste tocando em todo o país, a gente lutou muito para conquistar esse espaço. 
 
AAB:  Quais são os artistas que te inspiram musicalmente?
 
N:Tenho como inspiração muita gente da minha geração mesmo, principalmente meus conterrâneos Zé Cantor, Avine Vinny, Raí do Saia Rodada, e, claro que não posso deixar de lembrar do Xand Avião. 
 
AAB: Qual a sua relação com Salvador?
 
N: Eu tenho uma admiração enorme por essa cidade, ela é cheia de vida, de cultura, exala música, sou encantado por Salvador.
 
AAB: Existe alguma expectativa de você se apresentar no carnaval de Salvador?
 
N: Com certeza, se acontecer de eu me apresentar no carnaval de Salvador ficarei feliz demais, admiro muito a festa de vocês, seria uma honra e um momento incrível, estou na torcida. 
 
AAB: Quais são os planos futuros para a carreira?
 
N: Quero gravar um DVD, a gente pretende ter uma label futuramente, lançar novas músicas, as nossas reuniões não param, estamos a todo momento colocando ideias no papel e logo logo em prática se Deus quiser, não quero parar um minuto! 
 
AAB:  Você  já acumula parcerias com varios artistas como Zé Vaqueiro, Nivaldo Marques, Mari Fernandes..  Com qual artista deseja um feat?
 
N: Sim, eu ainda tenho vontade de gravar com muitos artistas e amigos que a música me presenteou, quero fazer um projeto bem bacana com o Xand, Gusttavo Lima, tem Wesley que também é um artista que eu gosto muito, eita, são muitos nomes ainda, rs. 
 
AAB: "Tem Cabaré essa Noite" segue em destaque nas plataformas de streaming, qual seu sentimento? Imaginou que a musica faria tanto sucesso?
 
N: É o sentimento de que vivo um sonho, são muitas coisas boas acontecendo ao mesmo tempo graças a Deus! Quando eu ouvi a versão do Nivaldo já gostei muito da música, sabia que daria bom se nos juntássemos.

Play no Clipe Oficial


Foto: Divulgação. ​Também estamos no Instagram (@sitealoalobahia), Twitter (@aloalo_bahia) e Google Notícias.

18 Aug 2022

Estreando musical, Carlinhos Brown fala sobre relação com o meio ambiente e expectativas para o Carnaval

O projeto infantil Paxuá e Paramim, criado pelo músico Carlinhos Brown em parceria com Andrea Mota, estreia musical no próximo dia 20 de agosto, às 15h, no Teatro Liberdade, em São Paulo. "Paxuá e Paramim e o Novo Planeta Azulzinho", que celebra os 10 anos do projeto, conta com canções de autoria de Brown e da cantora Milla Franco, direção artística de  Gringo Cardia, roteiro de Stella Miranda e direção de André Gress. Em curta temporada, a montagem fica em cartaz até o próximo dia 28 de agosto. Em conversa com o Alô Alô Bahia, o o cantor, compositor e multi-instrumentista falou sobre o que o público pode esperar do novo projeto, a importância da educação ambiental para a formação das crianças e expectativas para o Carnaval. 


Alô Alô Bahia – Qual balanço você faz sobre esses 10 anos do projeto Paxuá e Paramim?

Carlinhos Brown -
Como indivíduo, sempre dei importância para a questão do cuidado ambiental, faz parte do meu viver. Como cidadão, eu tento fazer a minha parte. Desde o nascimento do projeto, o propósito foi o de trazer felicidade e apresentar o conceito de educação ambiental para as crianças, para que elas cresçam aprendendo a cuidar do nosso planeta e da nossa terra. O que Paxuá e Paramim nos ensinam é que, se rios pedem passagem é porque os caminhos sempre foram deles. A natureza é sábia e o pensamento que precisamos ter é o de convivência. Hoje chegamos no musical, que é voltado para toda a família, também com esse propósito de educação.
 

AAB - Quais são os principais aprendizados que essa experiência de trabalhar com o público infantil te traz?

CB -
Trabalho desenvolvendo criações e possibilidades no campo da música, da cultura e da arte-educação com crianças há mais de quarenta anos.  A criança transborda sinceridade.  Na criança que encontro a brincadeira, o espontâneo. É extremamente gratificante.
 

AAB – Qual mensagem o musical “Paxuá e Paramim e o novo Planeta Azulzinho” busca transmitir ao público?

CB -
‘Paramim’ na história é um índio que vem de outro planeta porque o planeta Terra estava fazendo mal a ele. Todos nós somos filhos do mesmo feito. Se faz mal para o índio, fará mal para cada um de nós. O tema em evidência no musical é o da preservação ambiental. O Planeta Azulzinho vem com a ideia de recuperar o que estamos perdendo, ressignificar.
 

AAB – Quais são as suas expectativas com a estreia do musical no dia 20 de agosto, em São Paulo?

CB -
O musical foi criado com muito carinho por mim, em parceria com um grande time que tornou possível essa realização. Espero que essa mensagem de cuidado com o meio ambiente chegue ao maior número de pessoas e que esse tema passe a ser discutido em família durante o almoço, para que as novas gerações enxerguem a preservação ambiental como uma emergência, como prioridade. A história do espetáculo é feita para valorizar a vida, as pessoas e a natureza como um renascimento educativo. 
 

AAB – Quais são as expectativas para o Carnaval 2023?

CB -
Agora no final do mês eu estou indo para a Europa, a Londres, onde vou participar com o meu bloco ‘Brasil Gueto Square’ do Carnaval de Nothing Hill, no dia 29 de agosto. Logo, o Carnaval para mim já começou. Estamos buscando a transição do trio elétrico para o carro 100% elétrico. É a realização de um sonho coletivo, um sonho que nasceu com Dodô e Osmar.

 
 

16 Aug 2022

Com exposição em São Paulo e livro no forno, Alberto Pitta fala sobre arte e legado


gqD5js.md.jpg
​Aos 61 anos, Alberto Pitta exerce um papel fundamental na cultura brasileira. Artista plástico, carnavalesco à frente do Cortejo Afro, designer e serígrafo, há 4 décadas desenvolve trabalhos de pesquisa e criações que fazem dele um mestre e um executor vibrante e inquieto.

Um dos pioneiros da arte de estampas afrobaianas, o criativo se prepara para participar da SP Arte - que terá como tema Rotas Brasileiras e será realizada dos dias 24 a 28, na Arca, através da Carmo Johnson, galeria que o representa em São Paulo. Além disso, fará, em novembro, o lançamento do livro "Histórias contadas em tecido - O carnaval negro baiano", no MAM-BA, obra que conta, de maneira diferente, as histórias dos blocos através dos panos.

Nesta entrevista exclusiva ao portal Alô Alô Bahia, Alberto Pitta fala sobre o plano de lançar um disco do Cortejo Afro, da relação criativa com o DJ e produtor musical Ubunto, e da importância de ocupar espaços com sua arte. Confira:
 
Alô Alô Bahia: Ao longo de 40 anos você vem atuando como artista plástico, carnavalesco, designer e serígrafo. Quando e como você se percebeu pronto para atuar em cada uma dessas funções?
Alberto Pitta: Quando surgiu o Ilê Aiyê, eu despertei para a importância de todo aquele movimento. Antes do Ilê era atraído pela estética dos blocos de índios: Apaches,  Commanches, Cacique do Garcia, Tupys, Guaranys, Xavantes  dentre outros.
 
AAB: Quem te inspirou e te ajudou a se entender em sua jornada?
AP: Fui inspirado, principalmente por minha mãe Santinha de Oyá. Ela era bordadeira, educadora, fazia teatro e falava francês na mocidade.
 
AAB: Você ilustrou o livro “Gil – Todas as letras”, de Gilberto Gil. Como foi para você receber este convite?
AP: Recebi o convite da Flora Gil e do letrista Carlos Rennó para ilustrar o livro “Todas as Letras Gilberto Gil 80 anos”. Pra mim, um presente dos deuses.
 
AAB: O DJ e produtor musical Ubunto disse que vocês chegaram a conversar sobre um possível disco do Cortejo Afro. Como está essa ideia?
AP: Tenho planos de fazer um disco para o Cortejo Afro utilizando as novas batidas eletrônicas de Ubunto.
 
AAB: Aliás, foi Ubunto quem sonorizou sua exposição "Eternidade Soterrada", na Carmo Johnson Projects, em São Paulo.
AP: Sim, convidei Ubunto, pois vejo nele um dos maiores talentos dessa nova geração.
 
AAB: Você é um dos pioneiros na criação de estampas afrobaianas. Como você percebe esse reconhecimento artístico e como você pretende deixar este legado?
AP: O legado está concluído. Eu e J. Cunha somos autores dessa chamada estética baiana.
 
AAB: Você assina o livro "Histórias contadas em tecido - O carnaval negro baiano", que chegará ao público pelo Instituto Oyá Produções. Fale sobre a importância desse registro.
AP: O livro “Histórias Contadas em Tecidos” será lançado em novembro, no MAM-BA, e conta, de maneira diferente, as histórias dos blocos através dos panos.
 
AAB: Hoje, você está com duas exposições em cartaz: “Histórias em Tecidos – Ancestralidade e Pertencimento”, na Casa do Benin, em Salvador, e "Eternidade Soterrada", na Carmo Johnson Projects, em São Paulo, para além da presença na coletiva Encruzilhada no MAM-BA, que encerrou ontem. Fale sobre a importância de ocupar estes espaços.
AP: “Eternidade Soterrada” é minha primeira grande exposição em São Paulo, com curadoria de Renato Menezes, que hoje integra a equipe de curadoria da Pinacoteca de São Paulo. Estarei também participando da SP Arte pela Carmo Johnson, que hoje está representando o meu trabalho em São Paulo, ao mesmo tempo em que acontece a exposição na Casa do Benin, em Salvador. Para mim é muito importante ocupar esse espaço que sempre foi meu e da minha arte.
 
 
AAB: Você criou o Cortejo Afro há 23 anos e hoje, mais que um bloco de carnaval, ele é um misto de encontros criativos, vivências e espetáculo cênico. Você ansiava por isso no início, ou foi uma coisa que se moldou com os anos?
AP: Quando deixei o Olodum foi justamente para fazer um bloco em que as artes plásticas, os figurinos, tivessem vez, portanto o Cortejo Afro é exatamente isso.
 
AAB: Quais seus planos? O que podemos esperar de Alberto Pitta para os próximos meses?
AP: Meu plano é viver e fazer um Cortejo Afro diferente do que foi até aqui.  Espero.
 
AAB: O Cortejo Afro voltará a desfilar no próximo Carnaval? Você pode nos adiantar algo?
AP: Para o próximo Carnaval, segredo!

Foto: Divulgação. Também estamos no Instagram (@sitealoalobahia), Twitter (@Aloalo_Bahia) e Google Notícias.
 

11 Jul 2022

Ginecologista baiana fala sobre problema de Anitta e desconhecimento do corpo feminino

Além de levar a música brasileira para todo o mundo, Anitta se tornou um símbolo de mulher forte e independente que não vê problema algum em falar sobre certos tabus sociais que envolvem os corpos e a sexualidade feminina.

 

Recentemente ela divulgou em suas redes sociais um problema de saúde, endometriose, que levou anos para ser diagnosticado da forma correta pelo simples fato de que a saúde da mulher e os incômodas que elas possam sentir durante as relações sexuais não são levados à sério, inclusive por muitos profissionais de saúde.

 

Em entrevista exclusiva à repórter Paloma Guedes, a ginecologista baiana Ludmila Andrade, falou sobre a gravidade de não se falar abertamente sobre o corpo feminino.
 

Recentemente a cantora Anitta falou abertamente sobre sérios problemas com diagnósticos errados que ela sofreu até que sua endometriose, que precisará de cirurgia, fosse finalmente diagnosticada. Você acredita que ainda hoje, com a evolução da medicina e até mesmo do feminismo, a saúde íntima feminina é subjugada? As dores das mulheres são vistas como “normais”?

 

Me espanta absurdamente perceber que apesar do acesso aos serviços de saúde ainda há um subdiagnóstico de endometriose nessas pacientes. Eu já percebi mulheres que na consulta não sabiam que a dor que elas sentiam durante o período menstrual era algo patológico e que precisava ser tratado, que o incômodo que elas tinham na relação sexual era algo patológico e que precisava ser tratado. As próprias mulheres por falta de orientação e por conta dessa sociedade que leva uma sobrecarga tão absurda às mulheres faz com que elas simplesmente ignorem o próprio corpo. Um segundo ponto que é extremamente importante também é que os profissionais de saúde não estão adequadamente preparados para orientar e escutar essas mulheres. Na área de saúde a escuta é algo muito importante, então quando um paciente chega no consultório com uma demanda, a gente precisa acolher aquela demanda, escutar e valorizar o que está sendo dito. 
 

 

Porque as mulheres têm tanta vergonha de seus corpos?

 

Eu acho que a resposta para essa pergunta é bem complexa e multifatorial, mas que na verdade termina em um único ponto: a cobrança absurda sobre os corpos femininos para agradar a um padrão de beleza estabelecido e determinado pela mente masculina. Esse nível absurdo de exigência sobre os corpos foi fazendo com que as mulheres tivessem vergonha dos seus corpos por comparação. E a gente se compara o tempo inteiro. E se a gente não encontra uma representatividade de belo no nosso formato de ser a gente sempre vai achar que nosso formato é ruim e vai achar que o outro é melhor.

 

Como saber o que é normal ou não em termos de saúde e higiene íntima das mulheres? Supondo que, infelizmente no Brasil, muitas meninas não encontram em casa esse tipo de educação que não é apenas sexual, porque suas mães também não tiveram acesso a isso. Onde achar essa informação?

 

Educação sexual não quer dizer ensinar a pessoa a fazer sexo. Educação sexual significa orientar as pessoas a tudo o que diz respeito à sua saúde sexual. As pessoas têm o hábito de achar que a genitália é uma coisa suja, que é algo que não pode ser tocado por si próprio, ser manipulado, e isso gera uma ignorância muito grande sobre o próprio corpo. As mulheres anulam a existência do órgão genital como se aquilo ali fosse proibido e isso gera muito desconhecimento. Saúde e educação sexual, se fosse oferecido de qualidade nas escolas desde a educação infantil, particularizando, obviamente como qualquer conteúdo escolar para a idade de cada um, tenho certeza que teríamos uma redução muito grande dos problemas sexuais e dos problemas de saúde já que as pessoas teriam um acesso fácil a essas informações.

 

Você consegue perceber mudanças na forma dos parceiros tratarem as mulheres que vão até seu consultório, com um respeito ou pelo menos uma tentativa maior de entendimento sobre a explosão hormonal e física pela qual passamos todos os meses?

 

Com a internet, o acesso à informação permitiu que ocorresse uma mudança na forma das pessoas se enxergarem, pro bem e pro mal. E os jovens, os meninos por volta dos 20, 30 anos de idade tiveram um acesso maior à informações que permitam a eles compreenderem melhor as alterações hormonais e comportamentais das mulheres. Já na população com um pouco mais de idade isso é mais difícil: com 50 anos, 45, os homens não têm uma visão tão aberta quanto os jovens adultos de hoje.

 

Quais são as disfunções sexuais mais comum que as mulheres tomam para si e que não necessariamente dependem apenas delas e sim da relação com o parceiro?

Essa é uma questão difícil de responder porque depende de uma conjuntura de fatores que dependem do ambiente do individual e da parceria. Normalmente as disfunções sexuais estão atreladas à falta de conhecimento do próprio corpo e uma associação de fatores como cansaço, tripla jornada de trabalho, desgaste, falta de diálogo… por exemplo, relações muito longas às vezes colocam o sexo apenas como uma situação mecânica de obrigação e isso faz com que o desejo sexual seja minado.

Confira a entrevista que Anitta deu ao "Fantástico", no último domingo (10/07): 
 

Foto: Divulgação. Também estamos no Instagram (@sitealoalobahia), Twitter (@Aloalo_Bahia) e Google Notícias.


28 Jun 2022

Prestes a se dividir entre Bahia e São Paulo, maestro Carlos Prazeres fala sobre projetos e da relação com Salvador

Após mais de 10 anos morando em Salvador, onde assumiu, em 2011, o cargo de Diretor Artístico Regente Titular da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), o maestro Carlos Prazeres passará a se dividir entre a Bahia e São Paulo, ainda em 2022. Ele assumirá também a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, depois de transformar, em termos de técnica e repertório, o trabalho da OSBA, aproximando a música de concerto do público popular.
 
Carismático, Carlos segue lotando os espaços por onde passa com a orquestra, e não são só com os projetos como CineConcerto (com trilhas de filmes), Baile Concerto (clássicos da Axé Music) e São João Sinfônico (forró). Os clássicos Bach, Mahler, Stravinsky, Villa-Lobos e Beethoven também emocionam o público que, em sua grande maioria, achava que a música instrumental e clássica executadas neste formato era “coisa de elite”.
 
Durante as apresentações, o maestro interage com o público, explica didaticamente o que está por vir ou o que acabou de ser mostrado, conta histórias, usa fantasias em apresentações específicas, conta piadas colocando para fora seu lado comediante e sabe muito bem como se promover nas redes sociais, estimulando o “público crush” a criar uma relação de carinho com a pessoa física além do profissional.
 
jqlv6B.md.jpg
Em entrevista exclusiva à repórter Paloma Guedes, ele fala ao Alô Alô Bahia sobre a decisão de se dividir entre os dois estados e, claro, sobre o seu amor pela Bahia e pelos baianos.
 
Após mais de 10 anos de casamento com a Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), esse ano você decidiu assumir também a posição de Diretor Artístico e Maestro na Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas. Ficou entediado com uma orquestra só? Quais foram suas motivações para aceitar o trabalho?
 
Muito pelo contrário. Na verdade, foi justamente o fogo desse casamento e o acolhimento da sociedade baiana pelo nosso trabalho que me incentivaram a aceitar o convite de Campinas. A Bahia me deu régua e compasso para buscar estabelecer lindas conexões com o público campineiro e estender esse amor sinfônico ao Sudeste.
 
Como é possível conciliar e se dedicar, com a dedicação que o bom trabalho pede, às duas orquestras?
 
Essa é uma praxe muito comum na minha profissão. Veja o caso do canadense Yannick Nézet-Séguin, diretor do Metropolitan Ópera de Nova Iorque, da Orquestra da Philadelphia (ambas entre as Top 5 nos Estados Unidos) e da Orquestra Metropolitan no Canadá, só para citar um entre tantos exemplos. Um maestro não deveria reger mais do que 50% da temporada de sua orquestra oficial, uma vez que o mesmo é um intérprete e a orquestra também precisa trabalhar com outras interpretações, o que a torna mais rica artisticamente. Além disso, muito além de reger, o cargo de diretor artístico pressupõe que o maestro dirija artisticamente a instituição, apontando seus caminhos, buscando conexões com seu público e desenhando sua temporada. Me conectar com Campinas também será parte do meu ofício a partir de agora.
 
Você pretende usar experiências vividas com a OSBA em Campinas ou são duas orquestras totalmente diferentes, com propostas diferentes?
 
Eu pretendo utilizar a experiência que vivo aqui na Bahia e sei que dá certo, mas respeitando as idiossincrasias entre duas cidades tão distintas. Por exemplo, o OSBA TAGS, nosso programa de inserção de vídeo antes das peças mais solenes da temporada oficial, é algo que criei e quero muito utilizar por lá com outro nome, pois sei que dá certo. Já o CineConcerto, com todos fantasiados, não tem a cara da sinfônica de Campinas. Em compensação, já busquei me informar da enorme importância da cena de hip hop de lá. Já pensou uma junção pontual de uma orquestra com esse gênero? Com o skate, com a arte de rua, tão características do estado de São Paulo? Eu fico aqui viajando e já querendo colocar em prática todas essas ideias por lá.
 
jqlS3P.md.jpg
O maestro deixa sua marca no estilo das orquestras por onde passa?
 
Sim, essa é uma função primordial de um bom diretor. Se ele não deixa sua marca, no meu entender, ele não conseguiu êxito na sua função.
 
Eu sei que você é sempre cheio de projetos, como por exemplo a live “Música na Sala”, vídeos para inicialização musical de crianças nas escolas, entre outros. Existem outros projetos guardados na manga que você possa contar?
 
Eu penso no Sarau Solidário. É um programa meu, independente das orquestras. Penso que podemos levar arte para as praças da cidade em troca de comida e roupas para as pessoas em situação de rua. Nesse sarau vamos levar música, poesia, dança, teatro, literatura, circo e tudo aquilo que nos eleva artisticamente. Através da arte, estimular a consciência social de cada um, buscando que as pessoas enxerguem uma população invisível ao invés de fugirem da mesma.
 
Você vem de uma família portuguesa de músicos e fez parte dos seus estudos na Alemanha. A música de concerto permite uma mistura de influências sonoras de lugares e culturas diferentes? Você acha que toda essa vivência, inclusive da sua cidade Natal, Rio de Janeiro, e de Salvador colaboram para que seu estilo de reger seja único?
 
Eu acredito que sim. Nasci no Rio e vivi décadas por lá, mas já morei em Berlim, hoje vivo em Salvador e agora vou morar também em Campinas. Todas as experiências que vivi nestes lugares, além das minhas viagens, contribuem muito para o meu estilo de reger e, principalmente, o meu estilo de conduzir artisticamente uma orquestra.
 
Sobre a Bahia… você já virou soteropolitano. O que você mais gosta e menos suporta no dia a dia de viver em Salvador?
 
Eu amo o soteropolitano com seu jeito doce, acolhedor, carinhoso. Amo sua forma de sentir, sua espontaneidade única. Acho lindo sentir isso nos concertos, é uma energia diferente do mundo todo! De negativo, acho Salvador quente demais pro meu gosto. Eu curto um friozinho…
 
Me conte um pouco da sua relação, não apenas profissional, com a Bahia e as pessoas do estado.
 
A Bahia mudou muito meu jeito de enxergar o mundo. Cheguei aqui um "playboy carioca” e minhas experiências, meus relacionamentos, meus amores e minhas amizades me tornaram uma pessoa melhor. Hoje tenho mais consciência social, tenho plena noção dos meus privilégios e agradeço todos os dias por isso.
 
Você é uma figura pública e usa suas redes sociais não somente para falar de trabalho. Já chegou a ter algum tipo de incômodo ou mesmo arrependimento por mostrar sua rotina pessoal de viagens, exercícios físicos, saídas com amigos e fortes opiniões sobre política e questões sociais?
 
Já passei por situações constrangedoras por isso, mas este sou eu, não me arrependo, não. Sempre fui um livro aberto. Sou muito feliz e gosto de compartilhar essa felicidade com as pessoas. Se a gente planta amor, acaba colhendo amor.
 
O título de “Maestro Crush” te envaidece?
 
E tem como não me envaidecer? Eu amo esse “público crush" e nossa "orquestra crush”.
 
Fotos: Gabrielle Guido. Também estamos no Instagram (@sitealoalobahia), Twitter (@Aloalo_Bahia) e Google Notícias

23 May 2022

Céu e Junior Rocha, da Meninos Rei, revelam detalhes do desfile do SPFW; confira a entrevista

Em 2 de junho, a marca de moda baiana Meninos Rei vai participar pela terceira vez do São Paulo Fashion Week, principal semana de moda da América Latina. Será a oportunidade dos irmãos e estilistas Céu Rocha, de 40 anos, e Junior Rocha, 42, mostrarem um desfile completo, com cerca 30 looks, para uma plateia composta por formadores de opinião, compradores e imprensa especializada. E com um detalhe: cheia de famosos desfilando uma estampa exclusiva, entre eles a cantora Mariene de Castro.
 
Próximo de completar 8 anos, a Meninos Rei ganhou o público nacional com seu vibrante patchwork de estampas africana usado para construir sofisticados looks únicos, exclusivos, elaborados em alfaiataria precisa. A marca vestiu nada menos que dez convidados do Baile da Vogue, realizado no mês passado, incluindo a atriz Deborah Secco. A produção – aclamada pela mídia - consumiu muitas horas e quase 60 metros de tecido.   
 
A seguir, os irmãos antecipam algumas novidades sobre o desfile do SPFW e compartilham algumas curiosidades sobre a marca na entrevista exclusiva para o portal Alô Alô Bahia.
 
Como a moda entrou na vida de vocês?
De forma muito natural. Nosso pai é formado em desenho técnico, temos uma tia-avó que sempre trabalhou com arte, minha avó, mãe de minha mãe, foi costureira. Então a moda sempre esteve muito presente em nossas vidas. Eu lembro que saiamos com nossa mãe época de São João para comprar os tecidos e fazer as roupas. A gente pegava as camisas, colocava aqueles remendos pra deixar com uma cara mais moderna, mais diferente, sempre muito voltado pra isso. Fomos crescendo e a pessoas comentando que as roupas eram diferentes, daí tivemos a ideia da marca. Eu e Céu trabalhamos em loja de shopping. Na que eu trabalhava, saia com a dona pra comprar as coleções, comecei a fazer vitrine. Foi a mesma coisa com Céu. Nossa escola foi shopping mesmo. Aí construímos a marca e as pessoas começaram a gostar, um foi falando pra o outro fomos conquistando nosso espaço no mercado sempre com o nosso DNA.
 
Como se dá a criação de uma coleção?
O nosso processo criativo começa de uma forma muito natural, assim como a gente costuma conduzir a história da marca. Os temas acontecem de atos muito simples, as vezes de uma conversa que nos temos, de uma leitura, de uma viagem, as vezes de simplesmente você ir à rua e ver uma cena do cotidiano, tudo isso inspira. Pegamos essa essência, esse fio condutor, e começa. A pesquisa vai acontecendo até chegarmos ao tema, ao que a gente quer realmente comunicar, o que realmente a gente quer falar. A nossa moda é inclusiva, a gente esta sempre ligado as causas importantes da sociedade, a gente tem essa responsabilidade também de firmar nosso nome, nosso compromisso, nossos ideais de vida e traduzir isso para a marca.
 
Qual o papel de cada um na marca?
Céu Rocha é o estilista da marca, é ele quem desenha. Eu, Junior Rocha, sou o diretor criativo. Mas a gente palpita um no trabalho do outro. Tem meu outro irmão, Eduardo, que cuida da parte digital da marca e fez nosso e-commerce. Temos ainda uma irmã, Luciana, que não trabalha nessa área.
 
Quem foi o primeiro famoso a vestir a Meninos Rei? 
Eu trabalhei com Margareth Menezes por 21 anos. Entrei como stylist e depois fiquei como produtor, viajando. Começamos a Meninos Rei só com camisas e ela usou uma das peças. Era com estampa de cachorro, lembro até hoje. Depois veio Mariene de Castro. Na época eu fazia o stylist dela e ia trabalhar com minhas produções. Começaram a elogiar e eu acabei fazendo um look para ela. Depois fiz pra banda toda. Com essa facilidade andando com artista, eu ia pros shows e as pessoas sempre comentavam. Gilberto Gil teve acesso ao nosso trabalho e começou a usar. Outro padrinho nosso é Carlinhos Brown. Ele foi um fio condutor muito importante pro nosso trabalho.
 
Por que?
Quando teve aquele show dos Tribalistas aqui na Concha Acústica, Brown me ligou e falou: “Junior, pega as roupas todas e trás aqui. Eu fui com Céu, montamos tudo no camarim. Assim que terminou a passagem de som, ele chamou Marisa Monte e Arnaldo Antunes e falou: “aqui, Meninos Rei, que vai vestir a banda”. A maioria dos programas da Rede Globo que a Timbalada ia participar, eu fazia o figurino. Lulu Santos conheceu o trabalho porque ele apresentou. A gente deve muito isso a ele. Fizemos alguns desfiles no Candeal in Tall, que é um projeto dele, fizemos na rua do Candeal também. MV Bill conheceu meu trabalho por conta de Carlinhos Brown...
 
Que outros artistas já vestiram Meninos Rei?
Paula Lima, Larissa Luz, os cantores do É o Tchan, que eu faço o stylist, começaram a usar muito e a marca foi crescendo. Cynthia Sangalo nos convidou pra fazer um figurino para o Música Boa a pedido da própria Ivete. No Baile da Vogue, que teve como tema Brasilidade Fantástica, vestimos Deborah Secco, um dos trabalhos históricos pra marca. O ator Ícaro Silva, Jess, que saiu recentemente do Big Brother, também usaram looks nossos. O artista sempre busca algo ousado, diferente. Carlinhos Brown deixa as decisões de figurino com a gente. Entregamos no dia e ele adora. Isso é uma responsabilidade a mais e a gente fica muito feliz.
 
 
Como se deu a entrada de vocês no São Paulo Fashion Week?
Carlos Cruz, modelo e amigo com quem temos uma relação de anos, falou pra gente que tinha uma notícia muito boa, que tinha feito contatos e sugerido o nosso nome pra Rafael Silvério, que é um dos idealizadores do Projeto Sankofa, que seleciona marcas de afro-empreendedores para desfilar no SPFW. Ficamos super felizes porque entendemos que quando o nosso trabalho chegasse nesse lugar, despertaria um novo olhar para as pessoas que produzem moda na Bahia e no Nordeste. A marca baiana como a nossa que é fiel com a as nossas crenças, a nossa fé, a nossa religião que é o Candomblé, que levou Exu pras passarelas do São Paulo Fashion Week, e que esse ano mais uma vez se reiterou através dos movimentos, dos desfiles das Escolas de Samba. Então a gente sabe que o nosso dever é ser fiel a tudo que a gente acredita.
  
Vocês já participaram de quantas temporadas?
Teve a primeira, que foi em junho do ano passado, digital, quando lançamos o fashion filme Loju Exu, que significa Aos Olhos de Exu. E foi assim uma das cenas mais fortes da marca. Foi um filme de quase três minutos. Uma história tão linda, muito verdadeira, a gente levar e falar de Exu, da nossa religião, do que a gente acredita, do que a gente tem fé. Na segunda temporada, que foi o desfile físico em novembro, quando lançamos uma Coleção Salve o Povo de Rua, nos homenageamos todas essas entidades que são marginalizadas, falamos de exu, falamos de Tranca Rua, falamos das Pombas giras, e foi um desfile assim, muito marcante pra gente. A terceira temporada acontece em 2 de junho.
 
Como será o desfile desse ano?
Vão ser mais ou menos de 25 a 30 looks na passarela e teremos muitos famosos. Vou dar um spoiler aqui: Mariene de Castro vai estar com a gente, isso é exclusivo, aqui só pra você, o resto eu não vou falar. Nosso protagonismo é o povo preto, é falar da nossa raça, do que a gente acredita. Então somos reis e rainhas e precisamos festejar, comemorar, homenagear sempre essas pessoas. Preparem-se para esse desfile porque a gente está vindo com uma história muito forte. 
 
Eu soube que vai ter estampa exclusiva na passarela.
Vamos sim ter nossa própria estampa, que é a Ori, criada pelo Estúdio H, de Salvador, que tem um trabalho incrível. O designer sentou com a gente, conversou, falamos de toda a história da marca e aí desenvolveu junto comigo e com Céu uma estampa que ficou incrível. Então, nessa São Paulo Fashion Week, vai ter a estampa da Meninos Rei.
 
Vocês sempre trabalham com modelos baianos e afro-empreendedores no SPFW. Será novamente assim?
Praticamente 80% do nosso casting é daqui de Salvador. A gente precisa divulgar, a gente precisa falar dos nossos. Convidamos Vinicius Assie, que é um afro-empreendedor com um trabalho incrível. Pra esse SPFW tem um designer de Aracaju, que tem a marca Tsuru, Lucas Lemos. Ele desenvolveu todas as sandálias do desfile. Na parte dos acessórios tem Luana Rodrigues, que assinou todos os acessórios, os brincos, os anéis, e tem Kelba Varjão que está com os colares. Os balangandãs serão da Casa de Ilê de Odé, que fica na Feira de São Joaquim.
 
Qual o principal desafio para o jovem empreendedor preto no Brasil?
São inúmeros. Viola Davis recentemente deu um depoimento muito importante: “nossos sonhos precisam se tornar físicos”. Infelizmente temos poucas referências. Acho que está na hora das grandes empresas, daqueles que regem o poder público das suas cidades começarem a dar uma atenção especial para quem desenvolve moda e entenderem que ela muda a vida das pessoas, através dela você se manifesta, faz seus atos políticos, fala do acredita e as pessoas precisam entender que isso é algo que precisa ter mais atenção. Temos muitas vontades de desdobrar nosso trabalho em workshops e palestras para o público de projetos sociais, com crianças e jovens na periferia, onde trabalharemos a autoestima desses jovens negros que não se veem representados em lugar algum.
 
Como o público chega aos produtos da Meninos Rei?
Nós temos um site, www.meninosrei.com e um ateliê, que fica em Itapuã. É só ligar, agendar uma visita e conhecer nosso trabalho pessoalmente. Hoje fazemos muita coisa pelo Instagram @meminosrei, que é uma plataforma que coloca o seu trabalho em muitos lugares, mas a gente sabe da importância de ter uma loja.
 
Vocês estão envolvidos em algum projeto social?
 Sempre tivemos como foco instaurar o social em nossa empresa. A gente entende que é micro em nossa estrutura, mas somos grandes nas técnicas, na criatividade, no que a gente está oferecendo para as pessoas, então, dentro dessa limitação, trabalhamos com três ou quatro costureiras. Todo resíduo têxtil, todo tecido que seria jogado no meio ambiente, destinamos para três famílias aqui do bairro. Eles são ressignificados, transformados em acessórios, em bijuterias, pano de prato, descanso pra porta e panela, uma oportunidade de complementarem a renda no final do mês. Crescemos vendo nossos pais fazerem o bem para os outros e temos isso como compromisso de vida.

Foto: Reprodução.Também estamos no Instagram (@sitealoalobahia), Twitter (@Aloalo_Bahia) e Google Notícias.

23 May 2022

Pré-candidato ao Senado, Cacá Leão fala sobre os desafios da Bahia, planos caso seja eleito e projetos futuros

O deputado federal Cacá Leão (PP) assumiu recentemente o lugar do pai, o vice-governador João Leão (PP), na chapa de ACM Neto como pré-candidato ao Senado. Aos 42 anos de idade, é um dos mais influentes parlamentares do Congresso e já foi também deputado estadual. Nesta entrevista, ele fala sobre a disputa pelo Senado e diz estar "muito entusiasmado de agora poder fazer política pela Bahia ao lado de ACM Neto". Ainda revelou o sonho de, quem sabe um dia, ser governador e presidente da República.
 
O senhor assumiu o lugar de seu pai, o vice-governador João Leão, como pré-candidato ao Senado. Como tem sido esse início de caminhada?

Cacá Leão:
A receptividade tem sido muito boa nas nossas andanças pela Bahia. Tenho recebido diversos apoios, tenho sido abraçado pelos amigos do nosso partido e de outros partidos também. Estou muito animado.
 
Pelo que vemos nas redes sociais, o senhor já passou no teste do piseiro, né?

Cacá Leão: A campanha tem sido bastante movimentada. Acho que virou uma marca registrada da nossa caminhada esse ‘piseiro’. A alegria, a música, a felicidade, enfim. João Leão saiu do páreo por conta de um piseiro que ele não conseguiu dançar tudo, né? Então, a gente chega com essa missão, também, de dançar o piseiro.
 
O senhor acredita que, por também ser jovem, assim como ACM Neto, a mensagem de renovação fica ainda mais forte?

Cacá Leão: Estou nessa missão substituindo João Leão pelo destino. Não estava nos meus planos agora ser pré-candidato ao Senado, mas acabou acontecendo e, como falei, estou muito animado na caminhada. Com certeza, acho que nossa faixa etária acaba facilitando para levar essa mensagem, levar para a população essa condição de juventude, de expectativa, de muita vontade ainda de realizar. Tanto Neto como eu. Ele não quer ser só governador da Bahia, eu também não quero parar no Senado Federal; Então, com certeza, acho que agrega, e muito, na caminhada.
 
O senhor, mesmo ainda muito jovem, conquistou protagonismo no Congresso, sendo eleito destaque parlamentar, além de já ter relatado o Orçamento da União. Acredita que este histórico facilitou sua escolha como pré-candidato ao Senado?
 
Cacá Leão: Desde que cheguei a Brasília, procurei me dedicar ao máximo. Na verdade, tudo o que eu pego para fazer na minha vida procuro fazer da melhor forma possível. Não foi diferente na minha atuação parlamentar. Fui deputado estadual por quatro anos, onde construí muitos amigos, onde construí um relacionamento muito bom dentro da Alba. Depois, fui deputado federal, agora fui reeleito. Sou ainda o único parlamentar de primeiro mandato que chegou à relatoria do orçamento, que é a relatoria mais importante do Congresso Nacional. Depois fui líder da minha bancada. Durante esses anos todos participei da lista dos parlamentares mais influentes do Brasil e no último ano fui escolhido o parlamentar mais bem avaliado de todo o estado da Bahia. Então, tudo o que eu procuro fazer, faço bem feito. E assim tem sido a minha atuação desde que cheguei à Câmara dos Deputados. Essa mesma caminhada quero levar para o Senado Federal caso consiga ser eleito senador da República.
 
O seu partido, o PP, acabou deixando a base do governo e se juntando ao grupo de ACM Neto recentemente. O que o senhor acha que o PP agregou a Neto?
 
Cacá Leão: Nosso partido é um partido com uma capilaridade política muito grande na Bahia. Nós temos mais de 100 prefeitos no estado e diversos vereadores, além de grandes bancadas na Alba e na Câmara dos Deputados. Então, a gente agrega essa capilaridade, além da experiência do vice-governador João Leão, que conhece essa Bahia como poucas pessoas na política atualmente.
 
As campanhas proporcionais e majoritárias têm características muito diferentes. Como o senhor vê esse desafio pela frente de concorrer ao Senado?
 
Cacá Leão: Eu troquei uma reeleição onde todo mundo dizia que eu seria um dos deputados federais mais votados da Bahia justamente por acreditar no projeto do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Por acreditar que a Bahia pode mais. É com esse sentimento que tenho caminhado pelos quatro cantos do nosso estado. Me apresentando, muitas vezes. Quando a gente é deputado, faz campanha voltada para uma parte do estado. A campanha para senador é mais ampla. Então, tenho procurado me apresentar em diversas regiões da Bahia em que eu não era votado como deputado. Terei a oportunidade agora, como pré-candidato a senador, de mostrar a nossa atuação parlamentar, que é uma atuação de resultado, com benefícios reais para a Bahia, mudando a vida do nosso povo.



Quais são os maiores problemas que o senhor observa hoje na Bahia?

Cacá Leão: Hoje, o estado é campeão dos índices de violência no Brasil. É inadmissível que a gente tenha a segurança pública desta forma que está colocada no nosso estado. Como também é o último lugar nos números do IDEB, nos números da educação pública no Brasil. A gente não pode permitir que os baianos continuem sofrendo com a insegurança e com a falta de educação de qualidade. Todos os dias recebo telefonema de pessoas que estão há dias ou meses, tem gente que está há anos na fila de regulação buscando atendimento médico. Isso é inadmissível. Como também na última semana, a Bahia recebeu mais um título ingrato, que foi a de campeã do desemprego do Brasil. Então a gente chega com vontade de mudar esses índices, de melhorar a vida do nosso povo. Essa é a nossa maior missão, nosso maior desafio.
 
Os adversários de ACM Neto têm buscado uma nacionalização da eleição. Como o senhor vê essa questão?
 
Cacá Leão: Os adversários tentam escalar nas suas muletas nacionais. O nosso pré-candidato ACM Neto tem procurado se abraçar com o povo da Bahia. É isso que ele tem dito e é isso que ele tem feito nas nossas caminhadas pelo interior. Até porque, a partir de 1º de janeiro, quem vai sentar na cadeira de governador e quem vai ter que resolver os problemas do nosso estado não é o presidente A ou o presidente B. É por isso que ele tem se agarrado no povo da Bahia, que é quem tem sofrido com os problemas no nosso estado.
 
Uma pauta que ACM Neto tem falado muito é sobre o desenvolvimento regional, aproveitando as potencialidades das regiões da Bahia, e sobre a industrialização no interior. Qual sua opinião sobre essa pauta?
 
Cacá Leão: Acho que a industrialização é o segredo. Levar essa industrialização para o interior da Bahia. Tem muitos municípios em que o principal empregador, às vezes até o único, é a própria prefeitura. Precisamos elevar essa condição de gerar emprego, gerar renda e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Para o interior da Bahia essa é uma pauta muito importante. ACM Neto tem abraçado essa pauta, tem dito isso nos seus discursos e tem ouvido muito esse pleito no interior. E, se eu chegar ao Senado Federal, com ele no Governo da Bahia, com certeza vamos fazer uma parceria muito grande para resolver de fato esse problema. Industrializar o interior da Bahia, gerar emprego para os baianos que moram no interior para que não precisem sair das suas cidades em busca disso.
 
Hoje o senhor caminha com ACM Neto, mas mesmo quando o PP estava no grupo governista todos sabemos que havia uma boa relação entre o senhor e Neto...
 
Cacá Leão: A gente nunca escondeu de ninguém a nossa amizade, apesar de estarmos em grupos políticos opostos no nosso estado. Mas, para mim, tem sido muito gratificante. Eu nunca escondi de ninguém a admiração que tenho pela pessoa e também pelo político ACM Neto. Sem sombra de dúvidas, um dos políticos mais brilhantes da minha geração. Tenho certeza absoluta que ele tem capacidade muito grande de resolver os problemas do nosso estado. Acabou acontecendo, ninguém esperava ou queria o rompimento, mas ele acabou vindo. E o que posso dizer é que estou muito feliz nessa caminhada, muito animado, muito entusiasmado de agora poder fazer política pela Bahia ao lado de ACM Neto.
 
Quais pautas o senhor pretende abraçar na disputa pelo Senado?
 
Cacá Leão: Primeiro, quero ser a voz da Bahia no Senado Federal. Trabalhar para melhorar a vida do nosso povo. Eu lembro muito bem, com bastante saudosismo, da atuação do ex-senador Antônio Carlos Magalhães no Senado. Quando era preciso, ele parava o Congresso para defender os interesses da Bahia. Os baianos têm sentido falta desse dinamismo. É com essa mesma vontade que quero chegar ao Senado Federal, buscar recursos para melhorar a vida do nosso povo, fazer obras estruturantes e ajudar o governador da Bahia a resolver os problemas.
 
O senhor falou sobre desejos pra sua vida política, que não iria querer parar no Senado. Quais são seus sonhos para o futuro?
 

Cacá Leão: Eu acho que um dia, quem sabe, quero ser governador da Bahia, ser até presidente da República. Mas meu foco nesse momento é ajudar os baianos e as baianas no Senado Federal.