Alô Alô Política


11 Nov 2022

Primeira-dama no TCM, Geraldo Jr. de olho em espaços do PSD, a disputa pela UPB e a manobra milionária de Rui

Enfermeira no TCM?
A épica frase do ex-governador Octávio Mangabeira "pense num absurdo, na Bahia tem precedente" resume bem a situação da possível indicação da primeira-dama Aline Peixoto para a vaga no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). No meio político, o nome da esposa do governador Rui Costa (PT) já é tratado publicamente, inclusive com uma declaração da deputada Ivana Bastos (PSD) de que Aline tem perfil para a vaga. Mas tem mesmo? Enfermeira, Aline não tem qualificação técnica para o cargo? O TCM é o órgão responsável pela fiscalização da gestão dos recursos municipais e, por isso, o mínimo que se espera dos conselheiros é conhecimento sobre o assunto.

Ela não
Mas se depender dos deputados, em especial da própria base petista, o desejo do governador de indicar a esposa para o tribunal não vai prosperar. Fontes da coluna dizem que a tendência é que a vaga fique mesmo com algum parlamentar ou ex-deputado. Contam também que Aline, assim como o governador, não tinha a simpatia da classe política baiana. Acreditam ainda que uma indicação da primeira-dama pode gerar questionamentos, inclusive judiciais, pela falta de qualificação técnica.

Impondo Limites
Segue quente o clima de disputa por cargos no governo do estado. Pelo que se comenta nos bastidores, o vice-governador eleito, Geraldo Júnior (MDB), queria a Secretaria de Segurança Pública, mas o PT vetou. A ordem é impor limites a GJ. Foi oferecida a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), pasta que integra no atual governo a cota do PSD. Contudo, caciques petistas já avisaram a Geraldo que, caso ele vá mesmo para a pasta, não terá a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder), que é um dos órgãos mais cobiçados da estrutura estadual.  

Calma lá
Quem tem visto com descrença a movimentação é a cúpula do PSD na Bahia, que já avisou que não pretende perder espaços no novo governo. Ao contrário, quer ampliar. Um parlamentar do partido confidenciou à coluna que o PSD, por ter bancadas robustas na Assembleia e na Câmara dos Deputados, não vai aceitar perder espaços para o MDB, que elegeu apenas dois deputados estaduais e um federal.

Cheque para 30 dias
É grande a lista de contratos que o governo Rui Costa passou a publicar após o segundo turno das eleições. Os atos se referem a eventos feitos ao longo da campanha eleitoral em cidades administradas por aliados e financiados com recursos da Bahiatursa, cujo orçamento anual de R$ 23 milhões previsto em lei mais que quintuplicou de janeiro outubro deste ano. Somente os contratos publicados na última sexta passam da faixa de R$ 1,6 milhão. A manobra do governo em dar transparência aos valores mais de um mês depois de ter empenhado os recursos tem sido chamada nos bastidores de “cheque eleitoral para 30 dias”.

Corrida acirrada
Mal terminou a eleição e uma nova disputa já tem se intensificado no meio político da Bahia: o comando da União dos Municípios da Bahia (UPB). Sem a concorrência do atual presidente e prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), que já tinha dito não ter interesse na reeleição, a corrida já tem pelo menos seis nomes: Quinho (PSD), de Belo Campo; Moreirinha (PSD), de Itapicuru; Wilson Cardoso (PSB), de Andaraí; Julio Pinheiro (PT), de Amargosa; Cacá (PT), de Miguel Calmon; e Adriano Lima (PP), de Serrinha. Todos já estão em franca campanha e tentam angariar apoios para a eleição, que ocorre no final de janeiro.

Queda de braço
A disputa promete acirrar os ânimos na base governista. Caciques argumentam que a presidência da UPB não pode ficar com o PSD, uma vez que o partido continuará no comando da Assembleia Legislativa (Alba). Lideranças petistas dizem que a legenda não comanda a entidade que representa os municípios há mais de dez anos e defendem a união em torno de um nome da sigla - o favorito é Julio Pinheiro. O MDB já manifestou que não tem interesse, enquanto o PSB avisou que pretende ficar com a vaga. Por outro lado, integrantes do PSD dizem que o partido é, hoje, o maior da Bahia em número de prefeituras e, por isso, tem legitimidade para pleitear o comando da UPB. Por enquanto, não há fumaça branca.  

Imobilidade
O governador Rui Costa reenviou à Assembleia Legislativa um projeto de lei para arrematar um empréstimo de R$ 100 milhões a fim de bancar os custos do sistema viário da nova Rodoviária na região de Águas Claras. Na primeira tentativa, o projeto foi escanteado pela Casa e acabou perdendo validade porque venceram os prazos regimentais. Mesmo assim, Rui ordenou a execução da obra, que, em valores atualizados, já está em torno de R$ 130 milhões. O governo não informou, porém, de onde virá o excedente para fechar a conta no azul.

Nova chance
Interlocutores do legislativo baiano discutem internamente se cabe ou não uma espécie de “quarentena” ao futuro governo de Jerônimo Rodrigues. Uma parte diz que, apesar de novo, o governador que assumirá a partir de 1º de janeiro representa uma gestão de continuidade de 16 anos e não poderá requerer tempo para adaptação. Outra fatia prega que é preciso dar alguns dias de respiro ao petista eleito antes de fazer ponderações. Os dois grupos convergem, contudo, que a nova gestão será rigorosamente cobrada para reverter indicadores crônicos de áreas essenciais como saúde, segurança pública, desemprego e educação - de cuja pasta Jerônimo não deu conta como secretário.

4 Nov 2022

O recado para 2024, as dívidas do governo e o calcanhar de Aquiles de Rui

2024 é logo ali
Passadas as eleições estadual e nacional, os olhos da cena política se voltam agora para as disputas municipais. E, embora o PT tenha conseguido manter o comando do governo do estado, nas grandes cidades da Bahia o recado dado ao grupo petista foi bem diferente. Nos 20 maiores municípios do estado, ACM Neto (União Brasil) venceu em 17, sendo que em cinco deles os prefeitos integram a base governista. A mais emblemática das votações foi em Lauro de Freitas, governada pela petista Moema Gramacho (PT), onde a vitória de Neto foi por 58,98%. Para observadores da política baiana, além da força demonstrada pelo ex-prefeito de Salvador nestes grandes centros, seus apoiadores também mostraram vigor político e devem chegar com bom capital eleitoral para 2024.

Capital
Em Salvador, ACM Neto recebeu mais de um milhão de votos, maior desempenho já conquistado na capital. Observadores dizem que esse foi, também, um recado para 2024. Por um lado, o prefeito Bruno Reis (União Brasil) e sua base demonstraram força política ao ampliarem a mobilização pró-Neto no segundo turno e, por outro, o ex-prefeito provou que mantém sua popularidade e aprovação da população. A expressiva votação de ACM Neto em Salvador foi também uma derrota para Geraldo Júnior (MDB), que não poupou esforços para avançar na capital baiana no segundo turno.

Mesa de negociação
Foi dada a largada para as disputas por espaços dentro do governo do estado. Deputados eleitos, derrotados, presidentes de partido e caciques já se movimentam para conquistar cargos e indicar nomes para as pastas, o que tem gerado conflitos. Quem tem se movimentado bastante é o vice-governador eleito Geraldo Júnior (MDB), que, segundo parlamentares da base aliada, já tem feito articulações à parte e diz que terá algumas secretarias sob o seu controle, sem qualquer ingerência do governador eleito Jerônimo Rodrigues (PT). Geraldo, inclusive, já diz a Deus e o mundo que a vitória petista só veio graças ao seu trabalho. Alguns caciques veem a movimentação do emedebista como precipitada.

Hora da fatura I
Quem já avisou que pretende ampliar os espaços no governo é o PSD. Caciques do partido consideram que a vitória de Jerônimo teve contribuição determinante do partido, em especial por causa da capilaridade no interior. Por isso, querem pelo menos mais secretarias sob o seu controle. Hoje, o partido já comanda as duas pastas mais cobiçadas: Sedur e Seinfra.

Hora da fatura II
Prefeitos que ficaram encantados com as promessas do governo no período eleitoral também já começam a ficar inquietos para cobrar a fatura. Alguns já começaram a procurar deputados para agilizar o pagamento.

Nome rejeitado
A possibilidade de o vereador de Salvador Henrique Carballal (PDT) ocupar uma secretaria no governo de Jerônimo tem sido vista com apreensão por integrantes da base. Para eles, Carballal não tem know-how nem cacife político para comandar uma pasta, ainda mais a da Educação, como tem sido especulado. Argumentam que na própria base tem nomes mais qualificados e com mais força política, inclusive parlamentares que não conseguiram a reeleição.

Piada pronta
Enquanto isso, dois deputados da base governista conversavam em um restaurante nesta semana sobre a movimentação dos aliados por espaços no Executivo. Ao falarem sobre quem estava brigando pelo que, um deles não aguentou e brincou: "Se for pra acolher todo mundo, Jerônimo vai ter que criar mais umas dez secretarias. E ainda assim pode não dar".

Medo do holofote I
Pessoas próximas ao governador Rui Costa (PT) estão receosas com uma eventual nomeação do petista para um ministério no governo de Lula (PT). O temor é que, caso a indicação venha a se concretizar, Rui pode ser bombardeado pela imprensa nacional com escândalos da sua gestão, em especial do caso dos respiradores, que inclusive já vem sendo tratado pela mídia. O caso provocou um rombo de quase R$ 50 milhões aos cofres públicos e segue sem explicação. Rui é um dos principais alvos das investigações por ser, na época, presidente do Consórcio do Nordeste e, portanto, ordenador de despesas da instituição.

Medo do holofote II
Fontes que acompanham as investigações, que estão em segredo de justiça no STJ, confidenciam que as delações do caso são devastadoras para o governo baiano e atinge em cheio o governador Rui Costa. Principalmente, contam à coluna, a delação da empresária Cristiana Prestes, dona da Hempcare, empresa especializada em produtos de maconha contratada para providenciar os respiradores. "É uma verdadeira bomba", diz a fonte.

O meu primeiro
Caciques da base governista na Assembleia Legislativa não estão nada satisfeitos com a articulação do deputado Adolfo Menezes (PSD), que, a menos de uma semana após o segundo turno, já tem os apoios necessários para se manter no comando da Casa. Nem mesmo no Palácio de Ondina a movimentação tem sido bem vista, uma vez que as principais lideranças partidárias esperavam construir um nome de consenso na base, o que ainda não há hoje. Pelo que se comenta, Adolfo nem era o favorito da base para assumir o comando da Alba. Outros nomes, como os deputados Ivana Bastos (PSD), mais votada no pleito, e Rosemberg Pinto (PT) também estavam de olho na presidência do Legislativo baiano.

Apoio antecipado
Fato é que o apoio da oposição foi um elemento que, neste momento, encaminhou o favoritismo de Adolfo para a recondução. Se especula que, com o apoio, a bancada oposicionista deve conquistar mais espaços na Casa, inclusive nas comissões mais importantes.

28 Oct 2022

Imagens comprovam execução de policial que colaborava com segurança de ACM Neto

Na mira da PF
Uma bomba está prestes a explodir nos próximos dias. Imagens de vídeo comprovam a execução do policial militar que colaborava com a segurança do candidato a governador ACM Neto (União Brasil) em uma ação desastrosa da Polícia Militar em Itajuípe, no Sul da Bahia. Quem viu o material, captado por câmeras de segurança na pousada onde estavam os profissionais, disse que as imagens são conclusivas e que se trata mesmo de uma execução e não uma troca de tiros, conforme declarou o governador Rui Costa (PT) na época. A ação resultou na morte do subtenente Alves e deixou ferido o sargento D'Almeida, que sobreviveu e relatou que os disparos ocorreram enquanto eles dormiam no quarto. A Polícia Federal e o Ministério Público já estão dentro do caso, que vai se avolumar nos próximos dias.    

Obstrução da Justiça
A Justiça determinou a apreensão dos celulares de todos os envolvidos na operação que resultou na morte do subtenente. Entretanto, o governo tem evitado cumprir a determinação e empurra com a barriga a entrega dos aparelhos. Pessoas que acompanham o caso dizem que o objetivo é postergar a entrega dos celulares para depois das eleições. Conversas em grupos de WhatsApp divulgadas à época revelaram que a segurança de ACM Neto estava sendo monitorada pelo governo e os profissionais que colaboravam na equipe do candidato a governador foram colocados no sistema de acompanhamento como traficantes para justificar a vigilância.  

Consequência da falta
No meio político, caciques são unânimes ao afirmar que a ausência de Jerônimo em todos os debates do segundo turno, em especial no último na TV Bahia, pode ser decisiva para a eleição. Com uma audiência girando em torno dos 4 milhões de pessoas, o embate virou entrevista de 30 minutos com ACM Neto. Memes sobre a fuga de Jerônimo explodiram na internet. Ainda hoje, as redes sociais do candidato petista foram invadidas por críticas a ausência no debate. Foram tantos comentários, que a equipe de Jerônimo desistiu de responder aos questionamentos.  

Redução de danos
Na base petista, o comentário é que Jerônimo faltou por acreditar que as perdas seriam menores do que se tivesse ido ao debate da TV Bahia. Embora publicamente caciques tenham defendido a presença do ex-secretário da Educação, nos bastidores eles diziam temer que Jerônimo encarasse o debate com ACM Neto por um fator essencial: a dificuldade que o petista demonstrou ao longo da campanha construir argumentos e para responder às perguntas sobre os problemas do estado.    

Farinha pouca...
Já chegou à cúpula do PT nacional a postura da campanha de Jerônimo em relação ao ex-presidente Lula (PT). Na Bahia, o partido decidiu priorizar a eleição estadual e tem adotado um tom agressivo contra o voto "LulaNeto", o que, na avaliação de observadores da política local, pode afetar a votação do ex-presidente no estado, que é o quarto maior colégio eleitoral do país. Sem contar que o PT baiano consentiu o voto em Bolsonaro do PSC, cujo presidente, Heber Santana, faz campanha aberta para Jerônimo e pela reeleição do presidente. Ao que parece, o PT baiano está mais preocupado em se manter no poder do que com a eleição de Lula.  

Futuro nebuloso
Entre os aliados mais próximos do governador Rui Costa, o clima é de preocupação com o futuro político do líder petista após deixar a gestão estadual, em janeiro próximo. O principal motivo para a aflição é que o caso dos respiradores, cujo resultado foi um rombo de quase R$ 50 milhões aos cofres públicos, voltou à tona e pode atingir em cheio o governador, que é alvo de um inquérito sigiloso no STJ. A imprensa nacional já vem noticiando o caso, que tem tido desdobramentos e, de acordo com fontes que acompanham as investigações, já muitos indícios que envolvem a participação de Rui no esquema. Um dos principais seria o depoimento de uma das sócias da Hempcare.  

Recalque
Causou uma verdadeira ira na cúpula governista a declaração de apoio do cantor Oh Polêmico a ACM Neto. Autor do principal jingle de Jerônimo, o artista não só fez questão de anunciar seu apoio a Neto como lançou o "Samba da Virada", uma adaptação ao hit "Samba do Polly". Foi o bastante para deixar irritados os caciques do grupo petista, que mobilizou a militância para covardemente atacar o artista. Como bem disse um observador da política baiana: puro recalque!  

Valorização
A ele se juntaram outros artistas que têm origem no gueto, como A Dama e O Kannalha, que também lançaram jingles para ACM Neto. A Dama, inclusive, fez questão de declarar seu voto em Neto e exaltar os feitos do ex-prefeito da capital pelo povo da favela.  

Rui no lombo do servidor
Quem trabalha no serviço público da Bahia acordou nesta sexta-feira (28) sem muitas razões para comemorar o Dia do Servidor Público. Depois de 16 anos de governos do PT, ficaram mais questões a lamentar do que celebrar, sobretudo diante das medidas acentuadas no governo Rui Costa. Entre elas, a que mais indigna a classe trabalhadora é o esvaziamento da parcela que o governo passava para custeio do plano de saúde, o Planserv. De 2015 para cá, Rui reduziu gradativamente de 5% para 2% a contribuição sobre a base de cálculo para financiar a assistência médica do funcionalismo. Resultado: em 2021, por exemplo, a fatia dos servidores passou de R$ 1,3 milhão, enquanto o Executivo aportou pouco mais de R$ 300 mil, segundo relatório do Funserv (Fundo de Custeio do Plano de Saúde dos Servidores.  

Manobra, mas não resolve
Outro ponto que desperta preocupação, inclusive do Tribunal de Contas do Estado, é a aposentadoria dos servidores. No último relatório, os auditores detectaram “um crescente e elevado comprometimento do orçamento público com as despesas previdenciárias”. A Corte também condenou a manobra orçamentária do governo de usar o dinheiro do Baprev (fundo previdenciário de quem ingressou no serviço público a partir de 1º de janeiro de 2008) para pagar a aposentadoria dos mais antigos, que estão alocados no Funprev (antigo regime de previdência do Estado). O TCE afirmou que a prática da gestão de Rui Costa vem “comprometendo o equilíbrio atuarial dos Fundos”.  

Gestão ineficaz
Assim, o montante de recursos remanejados entre os fundos, no período de 2016 a 2021, foi de R$ 3,7 bilhões. Rui Costa também foi advertido de que as ações adotadas pelo Estado nos últimos anos “não vêm se mostrando suficientes para equacionar o deficit” nem tão pouco para regularizar o fluxo de recursos do Baprev “em cumprimento às obrigações previdenciárias e legais específicas de cada um dos planos previdenciários”. O improviso que se arrasta pelos governos do PT coloca em risco a aposentadoria que milhares de servidores projetam ter no futuro.  

Recordar é viver
O ex-deputado Targino Machado andava sumido da cena política, mas decidiu voltar para aprontar mais uma das suas pérolas. Agora cabo eleitoral de Jerônimo Rodrigues, Targino tem chamado políticos para apostar na vitória do candidato petista. Mas o ex-deputado se esquece que, nas eleições de 2020 em Feira de Santana, onde apoiou o candidato derrotado Zé Neto (PT), ele convidou o ex-prefeito Zé Ronaldo para apostar R$ 1 milhão na vitória do seu aliado, que perdeu a disputa no segundo turno para Colbert Martins (MDB). A aposta não rolou, mas Targino virou piada na cidade e em toda a região. Em 2020 se livrou de perder R$ 1 milhão. Parece que não aprendeu a lição...

Um dia após o outro
Não custa lembrar também que o ex-deputado, hoje aliado do grupo do PT, era um dos mais críticos e agressivos nos ataques aos governos petistas. Chegava a chamar o partido de organização criminosa chefiada pelo senador Jaques Wagner e pelo governador Rui Costa, além de não poupar críticas ao ex-secretário da Segurança Pública Maurício Barbosa. Foi por tudo isso que Targino foi perseguido e acabou com o mandato cassado. Hoje, é aliado. A política tem cada uma, viu?!

21 Oct 2022

Rui volta à cena nacional com escândalo dos respiradores, os insatisfeitos com Jerônimo e a bola fora de Otto

Esquema revelado
O governador Rui Costa (PT) voltou à cena nacional, agora com escândalo dos respiradores, no qual ele é apontado como um dos principais responsáveis pela fraude que custou quase R$ 50 milhões aos cofres públicos. Após comprar um apartamento de alto luxo no bairro da Graça por valor muito abaixo do mercado, Rui tem agora sua participação no esquema exposta em reportagem de dez páginas da revista Veja. Na matéria, a dona da empresa Hempcare, Cristiana Prestes Taddeo, conta que transferiu R$ 3 milhões para um intermediário que se dizia amigo de Rui, o "consultor" Cleber Isaac, que afirmou à revista conhecer o governador "há uns dez anos". O petista e seu ex-secretário da Casa Civil Bruno Dauster foram indiciados pela CPI que investigou o caso conduzida pela Assembleia do Rio Grande do Norte, um dos estados lesados pela fraude. 
 
Conivência
A matéria da Veja diz ainda que os investigadores encontraram indícios que apontam conivência do Consórcio Nordeste, que na época era presidido por Rui, com a fraude milionária. A nota de liquidação de empenho, que equivale a uma nota fiscal para a compra dos respiradores, confirma o pagamento dos R$ 48 milhões à Hempcare e diz que os equipamentos, que nem sequer haviam sido comprados, já tinham sido entregues aos governadores do Nordeste e "aceitos em perfeitas condições". A reportagem cita também que o dinheiro foi liberado sem que houvesse um contrato formal entre as partes. Só para lembrar: a Hempcare é empresa especializada em produtos de maconha e foi contratada pelo consórcio para a compra de respiradores. Detalhe: em depoimento, Rui disse que não sabe falar inglês, não se tocou que “hemp” é maconha e acabou fechando o negócio.
 
SOS universidades
Além disso, Jerônimo tem provocado a insatisfação de setores que tradicionalmente votam com a esquerda. Um deles é a categoria dos professores e alunos das universidades estaduais, que estão funcionando em situação precária. Nesta semana, um grupo de estudantes da Uneb denunciou a falta de professores. Segundo eles, a contratação de novos docentes depende do governador Rui Costa (PT), que não tem dado sinais de que irá contratar profissionais. Além disso, professores se queixam da falta de estrutura e da desvalorização salarial, além dos cortes feitos no orçamento das instituições. Em 2019, por exemplo, no primeiro ano de Jerônimo à frente da Secretaria da Educação, o corte foi de R$ 127 milhões. 
 
Massa de manobra
Outra categoria que anda insatisfeita com o grupo de Jerônimo são os agentes comunitários de saúde e endemias de Salvador. Em grupos de WhatsApp, chovem críticas de que estão sendo "usados" politicamente pelo grupo petista e já dizem que "viraram o voto" para ACM Neto. Um grupo de profissionais acusou nesta semana sindicalistas de "interesses eleitoreiros" e vaiaram representantes da categoria durante uma assembleia. De acordo com este grupo, os sindicalistas estão fazendo manobras para evitar que a proposta de reajuste salarial feita pela prefeitura seja votada, atendendo assim aos interesses do time de Jerônimo e prejudicando, consequentemente, os profissionais da área.  
 
De volta
Após provocar muita confusão na base governista ao longo do primeiro turno, o vereador Geraldo Júnior (MDB) voltou a aprontar e, dessa vez, pode causar uma verdadeira rebelião entre os aliados do PT no estado. A questão é que o candidato a vice de Jerônimo quer emplacar o seu filho, Matheus (MDB), eleito deputado estadual, na presidência da Assembleia Legislativa. Embora considerem o movimento de Geraldo uma “grande piada”, líderes governistas estão muito insatisfeitos com a articulação do vereador da capital baiana. De forma unânime, caciques da base reprovam a jogada. 
 
P da vida
Um dos mais indignados é o deputado Adolfo Menezes (PSD), atual presidente do Legislativo, que tem se movimentado para buscar a reeleição. Adolfo tem dito a pessoas próximas que consideram desleal a movimentação de Geraldo e já avisou que vai buscar retaliação a quem aderir à articulação do candidato a vice. 
 
Bola fora
O senador Otto Alencar (PSD) mirou nos apoios conquistados por ACM Neto nestas eleições, mas acabou acertando em cheio a própria base governista. Em entrevista na rádio Metrópoles, o senador criticou os ex-aliados do PT que “pulam a cerca” por conveniência e pela expectativa de poder. “Isso é falta de caráter ao extremo”, disse. Na base governista, contudo, a declaração de Otto foi encarada também como uma crítica aos que estavam no grupo de ACM Neto e foram para a base governista, como o vereador de Salvador Joceval Rodrigues (Cidadania) e os ex-deputados David Rios (União Brasil) e Heber Santana (PSC). 
 
Medo do povo
Por falar em Joceval e Heber, ambos desativaram os comentários em suas redes sociais devido à enxurrada de críticas que têm recebido após mudarem para o grupo do PT. Nos últimos dias, desde que anunciaram a mudança, os dois, que saíram derrotados das eleições, foram duramente criticados por seus eleitores, tanto que lideranças que atuavam junto com eles já decidiram abandonar o barco. A melhor solução foi barrar quem quer comentar nas redes sociais deles. 
 
Estranho no ninho
O caso de Heber, que é cristão e conservador, é ainda mais grave. Além de ser duramente criticado internamente no partido e pela igreja por se aliar ao PT, ele tem também causado um forte mal-estar na base governista. Isso porque Heber diz que vota em Jerônimo, mas não esconde de ninguém que segue pedindo voto para o presidente Jair Bolsonaro (PL), o que tem sido considerado uma afronta entre parlamentares da base governista, em especial de PT e PCdoB. 
 
Dias tensos
Integrantes da base governista admitem que os últimos dias foram os piores para a campanha de Jerônimo Rodrigues, no segundo turno, em função dos desgastes provocados pela ausência nos debates e pelas críticas a algumas alianças feitas pelo petista. Comentam que a "fuga" do petista já caiu na boca do povo e que o desempenho do ex-secretário da Educação nas entrevistas e sabatinas não tem ajudado. Justamente por isso, já há quem defenda, inclusive publicamente, como o deputado federal Jorge Solla (PT), que Jerônimo participe de debates com ACM Neto para conter as críticas.

7 Oct 2022

A preocupação de caciques do PT com o 2º turno, a empolgação de aliados de ACM Neto e a gastança do governo

Quanto mais alto é o voo…
Alguns caciques do grupo governista no estado estão preocupados com o segundo turno. Segundo apurou a coluna, o senador Jaques Wagner (PT) manifestou certo temor com a ida da disputa para a segunda etapa e, inclusive, preferiu não celebrar com a cúpula da campanha de Jerônimo no último domingo (2). “Era para a gente ter vencido no primeiro turno”, teria dito o senador petista. A preocupação é uma só: a cúpula petista sabe que o segundo turno é uma nova eleição. Ponderam ainda que, nas últimas quatro eleições vencidas pelo PT no estado, a disputa terminou no primeiro turno. 
 
Lobo solitário
O presidente do PSC no estado, Heber Santana, mudou para o grupo do PT e tem sido bombardeado. No partido, o que se fala é que ele foi sozinho. Publicamente, integrantes da legenda, como o deputado federal Abílio Santana, já se posicionaram contra a mudança e não pouparam críticas a Heber, que até bloqueou os comentários em seu Instagram para evitar os ataques que tem recebido. Lembram eles que o PSC é um partido de base evangélica, cuja maioria do eleitorado não vota no PT. 
 
Otimismo renovado
No grupo de ACM Neto, as lideranças políticas estão empolgadas com o segundo turno. Acreditam que o eleitorado que apoiou João Roma (PL) deve seguir com ACM Neto e veem ainda muito espaço para crescimento, principalmente em regiões consideradas bolsonaristas. Além disso, pontua que Neto já conquistou um bom percentual do eleitorado de Lula, o que indica possibilidade de convencer ainda mais este eleitor ao longo da campanha. 
 
Força política
Nesta quinta-feira (6), Neto reuniu milhares de deputados, prefeitos e lideranças no Centro de Convenções e deu uma grande demonstração de força política. Pessoas vieram de todas as regiões do estado para participar do encontro e reforçar o apoio a Neto, inclusive candidatos bolsonaristas. 
 
Abuso de poder
Ao longo do primeiro turno chamou a atenção o volume desenfreado de licitações abertas pelo governo da Bahia às vésperas das eleições, o que escancara o uso indevido de recursos públicos para fins eleitorais. Só a Seinfra iniciou 162 processos licitatórios desde o início oficial da campanha, sendo 35 tomadas de preço e 127 abertura de concorrência. Em alguns casos a promessa de obras foi formalizada a dois dias da votação. O governo também manteve o ritmo eleitoreiro na Conder, que abriu 46 licitações presenciais durante a campanha eleitoral para atender prefeitos e lideranças que declararam apoio ao candidato do PT.
 
Sem pudor
Por falar em Conder, depois da farra de convênios que foi amplamente divulgada na imprensa e denunciada ao Tribunal de Contas do Estado, a gestão do PT engatou, sem nenhum pudor, uma série de contratos para favorecer aliados políticos no período mais importante da campanha. Segundo o Portal Transparência, entre 5 de setembro e 5 de outubro, foram assinados 169 contratos que juntos somam R$ 741 milhões.
 
Sem prioridades
Desde que chegou à cadeira de governador, Rui Costa passou, contraditoriamente, a desidratar o quadro de servidores de duas secretarias que apresentam os resultados mais críticos de sua gestão: Educação e Segurança Pública. Em 2015, eram 37 mil trabalhadores ativos na Educação, com a previsão de contratar seis mil via Reda e concurso. Agora, a proposta orçamentária do governo para 2023 projeta apenas 24 mil ativos, uma expectativa de contratar quatro mil via regime temporário e abrir concurso para dois mil. Na Segurança Pública, o efetivo também caiu de 40 mil para 38 mil, prevendo contratar apenas quatro mil. 
 
Em tempo, a Bahia está entre os estados com os piores índices de Educação do Brasil e tem as maiores taxas de homicídios.
 
Golpe de Rui no Planserv
Tal como nas secretarias, Rui também reduziu a rede de proteção à saúde dos servidores públicos. Primeiro baixou de 5% para 2% a fatia de contribuição do estado para manter o Plano de Saúde dos trabalhadores, o Planserv, depois enxugou os serviços disponíveis na rede e agora veio o golpe final com o descredenciamento de hospitais que prestavam atendimento, como o Hospital Aeroporto - praticamente o único que atende Lauro de Freitas e região. Assim, aumentou a carga sobre o contracheque do servidor e ainda tirou benefícios.
 
Mudança de rumo
O segundo turno da disputa ao governo da Bahia entrou de vez na agenda bolsonarista e a pauta anti PT já começou a mexer na dinâmica do jogo. Por tabela, ACM Neto passa a receber apoio, praticamente gravitacional, de eleitores que votaram em João Roma na primeira etapa. A soma dos votos que ambos receberam traduz numericamente a perspectiva de mudança pela maioria da população. A mobilização começa a agregar pessoas, setores e segmentos da sociedade que até então não haviam se posicionado em bloco. Nas redes, bolsonaristas já dão o tom da ofensiva sobre o drama da insegurança: “Sai de casa pra votar em Jerônimo e depois fica preso em casa por causa da bandidagem”.

30 Sep 2022

A bomba relógio do monitoramento ilegal do governo, as ordens de Rui e a insatisfação da tropa da PM

Governador enquadrado
O governador Rui Costa (PT) já foi avisado pela cúpula da Segurança Pública de que o assassinato do subtenente Alves pode gerar uma crise sem precedentes no grupo governista, tanto antes quanto após as eleições. Pessoas próximas ao governador o alertaram de que não faltam provas de que houve monitoramento dos carros onde estavam os policiais, que colaboravam também na equipe de segurança da campanha de ACM Neto. O alerta é que, se o caso de fato for investigado pela Polícia Federal, mais cedo ou mais tarde chegará numa conclusão, que deve atingir em cheio a cúpula da SSP e do governo, inclusive o próprio Rui. 

Alerta ligado
Em conversas reservadas, fontes do governo garantem que Rui não só sabia do monitoramento como também ordenava que fosse realizado. Tanto é que, além do acompanhamento destes dois veículos em que estavam os policiais perseguidos, outros carros da campanha de ACM Neto foram alvos de abordagem da polícia nos últimos dias. O caso, dizem analistas das eleições, pode ser facilmente enquadrado como crime eleitoral. 

Boca grande
Não custa lembrar que o próprio Rui Costa já admitiu publicamente, ainda que sem querer, que tem monitorado os eventos de ACM Neto em cidades do interior da Bahia. Em abril, numa entrevista à Rádio Metrópole, sem saber que o microfone estava ligado, o governador confessou: “A gente tem foto de todos os eventos de campanha. Todos”. E ainda disse que fazia isso há pelo menos um ano, ou seja, desde o começo de 2021.

Tropa irritada
O assassinato do subtenente Alves deixou a tropa da Polícia Militar da Bahia ainda mais irritada com o governo do estado. O sentimento na corporação é de que as ordens do Comando-Geral levaram os policiais a cometerem um erro gravíssimo, resultando na morte de um ‘irmão de farda’. A reação de policiais militares em conversas reservadas não deixa dúvidas: a tropa se sentiu usada para fins políticos do governo do PT. 

A punição
A insatisfação da tropa aumentou ainda mais após uma providência tomada pelo governo do estado. O Comando-Geral convocou todos os policiais militares no dia da eleição, supostamente para trabalhar na segurança. Na prática, os policiais encaram a medida como um “aquartelamento maquiado”. A tropa encara a determinação como uma forma de impedir que os policiais votem, já que a cúpula do PT sabe que a grande maioria dos PMs não vota na esquerda, ainda mais após anos de desgaste e falta de investimentos do governo petista.

A hora H
O desespero bateu de vez no grupo governista às vésperas da eleição. A animação da semana anterior com pesquisas que apontaram o crescimento de Jerônimo Rodrigues (PT) deram lugar ao abatimento nos últimos dias. Integrantes da cúpula governista, em conversas reservadas, já admitem que Jerônimo empacou na reta final e que a vitória deve mesmo ir para ACM Neto. Argumentam que, nas grandes cidades da Bahia, a distância de Neto para Jerônimo é considerável e, até mesmo em regiões estratégicas para o grupo, o ex-prefeito de Salvador tem surpreendido e aparecido na frente do petista em várias cidades. 

Tensão
O desânimo é observado também por parlamentares do grupo nos eventos pelo interior do estado nos últimos dias de campanha. Segundo relato de um deles, o governador Rui Costa tem andado cada dia mais cabisbaixo e irritado, inclusive soltando palavrões até mesmo contra pessoas de seu grupo. “Quem vê os últimos discursos de Rui se assusta com as agressões e o baixo nível das palavras”, relata um deles. 

Estelionato eleitoral
Na reta final da campanha o PT baiano passou a usar o expediente do fake news, do qual tanto reclama nacionalmente. Na tentativa de enganar o eleitor, a campanha de Jerônimo Rodrigues tem usado imagens de atos em outras regiões do Brasil como se fossem no interior da Bahia. A estratégia da mentira tenta contornar a baixa adesão e o esvaziamento visto em diversas mobilizações. Em outra ponta, atos em apoio a ACM Neto lotam cidades, mesmo quando ele não está presente, tal como Itapetinga na última quarta.

Descaminhos da Bahiatursa I
A Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia (Bahiatursa) intensificou o volume de convênios e contratos para realização de eventos desde que o seu diretor responsável, Diogo Medrado, trocou o trabalho técnico da pasta pela coordenação da campanha de Jerônimo (PT) ao governo do Estado. Em pouco mais de um mês (26 de agosto a 29 de setembro), a Bahiatursa torrou R$ 23 milhões, o que equivale ao orçamento disponível para o ano inteiro. A verba foi aplicada majoritariamente nas cidades onde Jerônimo fez ato político eleitoral.

Descaminhos da Bahiatursa II
Mas o que chama a atenção mesmo é que muitos contratos foram firmados com empresas cuja atividade fim são tudo, menos eventos. É o caso da MF Serviços de Apoio Administrativo e da Fenix GRS Coleta de Resíduos. Não custa lembrar que antes de desembarcar na campanha de Jerônimo, Diogo Medrado empenhou contratos para festas de São João que passaram de R$ 100 milhões, valor quatro vezes maior do que tinha em caixa. Para piorar, na última semana o governo publicou uma errata alterando valores para o dobro do previsto.

Estranho no ninho
Tomaram conta de grupos de WhatsApp bolsonaristas vídeos e textos que colocam em dúvida a lealdade do deputado João Roma (PL) ao presidente Jair Bolsonaro. Lembram do histórico de densidade de Roma, inclusive quando, por muitas vezes, fez críticas ao presidente, e comparam o ex-ministro com outros nomes que abandonaram o presidente, como a deputada Joice Hasselmann. Se soma a isso as queixas de candidatos do PL, que reclamam da priorização dos aliados mais próximos de Roma na distribuição de recursos do partido.

Jogo combinado I
A insatisfação dos bolsonaristas cresceu após o debate da TV Bahia na última terça-feira, quando ficou claro o ‘jogo de comadres’ entre Roma e Jerônimo. Um candidato, fã de primeira hora do presidente, não escondeu sua irritação com o desempenho de Roma, que elegeu ACM Neto como seu principal alvo e não atacou Jerônimo, e não poupou críticas ao ex-ministro. “Não falou dos respiradores, não falou da Fonte Nova, não falou do apartamento de Rui. Foi pra lá pra que? Pra brincar de amigo de esquerdista?”, bradou, com um amigo. 

Jogo combinado II
Seguidores influentes do presidente na Bahia, inclusive, culpam Roma pelo fraco desempenho de Bolsonaro nas pesquisas no estado. Dizem que o presidente vai sair da eleição menor do que entrou na Bahia, porque Roma, além de não defender Bolsonaro e atacar o PT, “resolveu se aliar ao inimigo”.

23 Sep 2022

Ao estilo ‘tanto faz’, Lula diz que vai conversar com todos os governadores eleitos, independente do partido

O tanto faz de Lula
A entrevista do ex-presidente Lula ao apresentador Ratinho no SBT, nesta quinta-feira (22), caiu como uma bomba na principal estratégia da campanha de Jerônimo Rodrigues (PT) ao governo da Bahia. Ao estilo "tanto faz", o ex-presidente disse que, se for eleito, vai chamar para conversar todos os governadores, independente do partido, já na primeira semana de janeiro. Na fala, Lula foi enfático: “Ninguém sabe conversar com governadores como eu. Eu converso com todo mundo, não quero saber de que partido a pessoa é”. A declaração deixou ainda mais desanimados petistas baianos, que apostam todas as fichas na boa avaliação do ex-presidente no estado.

 
Sem concorrência
Lembram da empresa de milhões que publicamos na semana passada? Só para relembrar: essa corporação, do ramo de eventos, faturou somente esse ano mais de R$ 14 milhões do governo, tendo por trás um importante figurão aliado ao PT. O valor é 1.900% maior do que a empresa faturou no ano anterior. Pois bem, pasmem: 90% dos contratos dela com o governo são por dispensa - ou seja, não teve concorrência. Depois da publicação da semana passada, integrantes dos órgãos de controle já começaram a investigar a relação da empresa com o tal figurão e a legalidade dos contratos firmados por ela.
 
Cortes milionários
O governador Rui Costa (PT) e seu ex-secretário da Educação, Jerônimo Rodrigues (PT), hoje candidato ao governo, adoram criticar o contingenciamento de recursos do governo federal com as universidades, mas não conseguem explicar por quê eles fizeram o mesmo na Bahia. Entre 2019, quando Jerônimo assumiu a pasta, e 2021, os cortes feitos pelo governo no orçamento das instituições estaduais de ensino superior foram, no total, de R$ 548,5 milhões, de acordo com números levantados pela coluna junto ao Relatório de Execução Orçamentária da Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz). Somente em 2021, a contenção de recursos foi da ordem de R$ 261,8 milhões. Em 2019, o contingenciamento foi de R$ 90,5 milhões e, no ano seguinte, de R$ 196 milhões.
 
Abandono
A situação fez com que as universidades estaduais enfrentassem diversos problemas nos últimos anos, inclusive comprometendo o funcionamento básico de alguns campi. Em 2019, professores fizeram uma greve para protestar contra o abandono das instituições e, agora, estão novamente mobilizados para pedir melhorias e não descartam um novo movimento grevista. O coordenador do Fórum das Associações Docentes das Universidades Estaduais, Alexandre Galvão, não poupou críticas a Rui: “Estamos chegando ao final do governo Rui Costa e eu diria que ele termina o seu governo de forma melancólica com o ensino superior estadual. Foi um governo que não disse ao que veio para as universidades estaduais”.
 
O golpe de Rui nos professores
Professores da rede estadual ficaram na bronca com o governador Rui Costa (PT) e com a bancada de deputados governistas que insistiram em não pagar o valor devido dos precatórios do Fundef corrigido com juros. O projeto que foi aprovado na Assembleia, na última quarta-feira, implica numa perda de cerca de R$ 1 bilhão para os trabalhadores. Para a categoria, o resultado do plenário foi um duro golpe, especialmente porque o candidato de Rui Costa para sucessão estadual é um professor - o que escancara uma contradição entre o discurso e a prática.
 
Fuga à esquerda
A pressa do governo em aprovar os precatórios na Assembleia pode não surtir o efeito eleitoral esperado. Ao final da votação, diversos professores não escondiam o descontentamento com a falta de diálogo do governo. Cientes do desgaste que estava em jogo, pouquíssimos governistas foram ao plenário, com o álibi de agendas de campanha pelo interior. Quem puxou a fila dos virtuais foi o líder de governo Rosemberg Pinto (PT), que já havia sido alvo de reclamação semanas atrás e, estrategicamente, não deu as caras. A oposição chegou a apresentar uma emenda para garantir o pagamento integral dos precatórios, mas a tropa de choque do governo entrou em cena para reter os recursos de ordem federal nos cofres do Estado.
 
Tapando buracos
Enquanto os professores faziam périplo debaixo de sol e chuva para ter sua fatia de direito dos precatórios, o governador Rui Costa direcionava uma parte dos valores para cobrir custos de obras que foram iniciadas com viés meramente eleitoral, mesmo sem ter orçamento garantido. Assim que o dinheiro da União ficou disponível, Rui mandou alterar a fonte de receita de 55 contratos, que estavam pendurados no tesouro do Estado. A mudança foi publicada no Diário Oficial do dia 13, portanto, oito dias antes de haver definição na Assembleia sobre qual seria o montante dos professores.
 
Aliança rachada
A situação preocupa o núcleo da campanha de Jerônimo Rodrigues (PT), uma vez que a categoria dos professores, da educação básica e do ensino superior, sempre foi adepta das candidaturas petistas. Se soma a isso a insatisfação dos servidores públicos do estado, que ficaram sete anos sem reajuste no governo Rui Costa e, além disso, reclamam do sucateamento do Planserv. Uma fonte governista garante que a relação estremecida com estas categorias representa um grande baque para o desempenho do ex-secretário da Educação.
 
Sem prestígio
Pelas bandas bolsonaristas, os seguidores do presidente estão enfurecidos com o ex-ministro João Roma (PL). As recentes notícias de um possível pacto de Roma com o senador Jaques Wagner (PT), que recentemente se encontraram, irritou ainda mais os apoiadores de Bolsonaro. É tanto que, num evento de campanha em Itabuna nesta quinta-feira (22), somente os candidatos mais próximos de Roma participaram. Nem mesmo os postulantes da região foram prestigiar o evento, segundo integrantes do PL. Dizem eles que o baixo desempenho de Bolsonaro na Bahia é culpa do ex-ministro.
 
Gastança nas alturas I
Técnicos e auditores que monitoram as contas do governo acenderam o alerta para o uso desenfreado e indiscriminado de recursos não previstos no orçamento deste ano, mas que aparecem em volumes estratosféricos às vésperas das eleições. A Conder, por exemplo, já gastou quase 10 vezes mais do que tinha em caixa no início do ano. A conta da Companhia ultrapassa a casa dos R$ 2 bilhões, contra o orçamento inicial de R$ 263 milhões previsto na Lei Orçamentária Anual. Fontes da coluna nos órgãos de controle confidenciaram que o caso pode ser enquadrado, inclusive, como crime eleitoral por abuso de poder econômico.
 
Gastança nas alturas II
Quem também está gastando dinheiro como se não houvesse amanhã é a Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia (Bahiatursa), que inflou seu orçamento de R$ 23 milhões para R$ 111 milhões até então. A pasta era controlada por Diego Medrado, hoje coordenador da campanha de Jerônimo Rodrigues. Na mesma linha está a Superintendência de Desportos do Estado da Bahia (Sudesb) - controlada pelo PCdoB -, que triplicou seu poder de fogo excepcionalmente neste ano eleitoral: elevou o orçamento de R$ 55 milhões para R$ 165 milhões. Os dados do portal da Transparência mostram que nos anos anteriores, quando não houve disputa eleitoral, os valores aplicados nessas respectivas áreas representaram a metade do que Rui Costa gastou de janeiro a setembro de 2022.
 
Rui perseguidor I
O mais novo caso de perseguição do governador Rui Costa enfureceu policiais em todo o estado. Após o petista mandar exonerar o diretor do Colégio da PM de Jequié por ter ido a um evento de ACM Neto, policiais passaram a compartilhar em grupos de WhatsApp mensagens de repúdio contra a medida de Rui e recordam ainda casos recentes, como a exoneração do comandante da PM e de um delegado em Morro do Chapéu por serem eles próximos à prefeita Juliana Araújo, desafeto declarado do governador.
 
Rui perseguidor II
Por falar em Morro do Chapéu, o governador atacou de novo contra a cidade. Na semana passada, o governo mandou fechar a sede do SineBahia no município sob alegação de problemas estruturais no prédio onde funcionava o órgão. Só que aliados da prefeita garantem que a medida foi mais uma ação para perseguir Juliana. A questão é que a medida prejudica, na verdade, a população, pois Morro tem se tornado um polo de produção de energia eólica, com investimento altos e geração de empregos, e o SineBahia cumpria o papel de intermediar o contato com a mão de obra. É um fato: Rui mirou na prefeita e acertou no povo.

Foto: Reprodução/ Ricardo Stuckert/ redes sociais. 

16 Sep 2022

A empresa de milhões, a mudança de cor de deputados da base do PT e a farsa eleitoral de Jerônimo

Empresa de milhões
Uma empresa de eventos que presta serviços para o governo do estado vem chamando a atenção pela ascensão meteórica - e milionária - que teve em 2022. A corporação, que recebeu entre 2018 e 2021 R$ 2,7 milhões do governo para prestação de serviços, já faturou R$ 14,6 milhões somente em 2022. Em relação ao ano passado, quando a empresa recebeu R$ 730 mil do governo, o aumento é de, pasmem, 1.900%. Nos bastidores, se comenta que a empresa tem por trás um importante figurão do governo, que inclusive atua na coordenação de campanha de Jerônimo Rodrigues (PT), e que também tem moral demais com o governador Rui Costa (PT).
 
Coincidência? 
O curioso é que a tal empresa recebeu recursos para a realização de eventos nos mesmos locais e datas de atos de pré-campanha de Jerônimo Rodrigues. Exemplo: uma das ações realizadas ocorreu em Itabuna, entre os dias 4 e 8 de junho, com custo de R$ 559,4 mil, valor pago pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), conforme consta no portal da transparência do governo. No mesmo dia 4, acontecia em Itabuna um evento político do grupo petista, inclusive com a presença do governador Rui Costa. Muita coincidência…
 
Conveniência
Tem causado estranheza a falta de questionamento de deputados da base petista em torno da autodeclaração racial de integrantes do seu próprio grupo político. Talvez estes parlamentares ainda não saibam, mas a coluna vem aqui para revelar alguns nomes que se declaram pardos na Justiça Eleitoral: Geraldo Júnior (MDB), Alice Portugal (PCdoB), Waldenor Pereira (PT), Lídice da Mata (PSB) e Daniel Almeida (PcdoB). Além, é claro, do governador Rui Costa, que em 2018 também se autodeclarou pardo. Com a palavra, os deputados petistas...
 
Mudança de cor I
Sobre a deputada federal Alice Portugal, chama ainda mais a atenção o fato de ela ter mudado sua autodeclaração em relação à eleição passada. Em 2018, a parlamentar comunista se autodeclarou branca, mas em 2022 mudou para parda. No caminho inverso, os deputados federais do PT Afonso Florence e Jorge Solla mudaram, entre as duas eleições, suas autodeclarações. Em 2018, se diziam pardos, mas agora se declararam brancos. 
 
Mudança de cor II
A mudança mais brusca foi do deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), líder do governo Rui Costa na Assembleia Legislativa. Em 2018, o petista se autodeclarou branco, enquanto agora em 2022 mudou para preto.
 
Sem argumento
Vai sabatina, vem sabatina e Jerônimo Rodrigues não consegue explicar o péssimo desempenho da Bahia na educação durante os governos do PT. Secretário da pasta por três anos durante o segundo governo de Rui, ele tem adotado duas linhas discursivas: foge do tema como o diabo foge da cruz e culpa os prefeitos da Bahia e o governo federal. O fato é que até agora o ex-secretário não sabe dizer porque a Bahia tem a pior educação do Brasil - fato que deu a ele a alcunha de pior secretário da educação do país. 
 
Farsa eleitoral
A candidatura de Jerônimo Rodrigues (PT) está com cara de uma verdadeira farsa eleitoral. Uma das provas veio nesta semana com uma foto postada nas redes sociais do petista em que metade do rosto dele é coberta com uma faixa da face do ex-presidente Lula. Somado a isso, vem a propaganda eleitoral do ex-secretário da Educação, em que ele não aparece e se resume a atacar ACM Neto e mostrar vídeos de apoiadores do petista, entre eles o ex-presidente. A estratégia, que não tem nenhum pudor, parece induzir o eleitorado a votar em Lula para governador e para presidente, enquanto Jerônimo segue completamente escondido e escanteado em sua própria campanha. 
 
Bico fechado
A explicação para o sumiço de Jerônimo de sua própria propaganda é uma só: o candidato do PT não empolga em seus discursos, tem dificuldade para se expressar e, além de tudo, não consegue construir argumentos para defender o governo nem para apresentar sua plataforma de campanha. 
 
Mero repassador
Deputados estaduais de oposição têm advertido que o governo do Estado é mero repassador dos recursos vindos da União para o pagamento dos precatórios aos professores e, portanto, não pode suprimir qualquer parte do valor nem tão pouco fazer descontos no abono. Os parlamentares ressaltam que o dinheiro é federal e deve cair nas mãos dos trabalhadores integralmente conforme decisão do STF. Os professores, por sua vez, não escondem a desconfiança sobre a gestão do governo estadual na partilha do montante - o que tem sido o motivo de sucessivos protestos e paralisações. 
 
 
Quem souber morre
No meio político nas últimas semanas, só se fala no apartamento que o governador Rui Costa comprou no bairro da Graça. A mansão, adquirida pela bagatela de R$ 2,5 milhões, deixou boquiabertos até mesmo caciques da base governista, que lembram o discurso de Rui contra o patrimônio de adversários. “E agora ele vai morar num dos metros quadrados mais caros de Salvador. É no mínimo curioso”, lembra o parlamentar da base aliada. Entre eles, a pergunta que não quer calar é: “de onde veio o dinheiro?”. 
 
Cofre aberto
Tem chamado a atenção de integrantes do Ministério Público estadual e do Tribunal de Contas os gastos volumosos da Bahiatursa em 2022. Somente este ano, a superintendência já desembolsou R$ 99,5 milhões, maior valor desde o início do governo Rui Costa, em 2015. Em relação ao ano passado, o crescimento é de 73,2%. Em 2015, no primeiro ano da gestão de Rui, o gasto do órgão foi de R$ 14,2 milhões. E olhem que o dinheiro aplicado no São João de 2022 ainda nem foi todo lançado na transparência. As suspeitas de irregularidades são muitas, principalmente pelo fato de diversas contratações estarem sendo feitas por dispensa. 
 
#tbt da gastança na Bahiatursa
Inclusive, já chama atenção há bastante tempo a espécie de cheque em branco que a Bahiatursa tem em mãos para pagamento de festas e projetos pelo interior do Estado. O orçamento minúsculo de R$ 23 milhões ao ano se agigantou neste ano eleitoral, tendo espaço inclusive para o reconhecimento de débitos antigos, como os R$ 250 mil referentes a um projeto que aconteceu em 2019 em Luís Eduardo Magalhães, quando a cidade era gerida por um aliado de Rui. O registro publicado no Diário Oficial esta semana vem sendo chamado de #tbt da gastança.

9 Sep 2022

MP estuda iniciar investigação sobre compra de mansão de Rui Costa em Salvador

MP em Alerta
O Ministério Público da Bahia estuda abrir procedimento para apurar a compra pelo governador Rui Costa (PT) de um apartamento na Mansão Bahiano de Tênis. O que mais chamou atenção dos procuradores foi o valor de compra do imóvel pago pelo governador e esposa. A escritura comprova que em 05/05/22 o casal pagou R$ 2,5 milhões pelo apartamento. Só que uma simples pesquisa no Google mostra que nessa época imóveis similares eram negociados no prédio por até R$ 3,5 milhões. O petista conseguiu um descontão. O MP quer saber o motivo.
 
Sumido 1
Rui Costa parou de gabar-se ser o único capaz de levantar Jerônimo Rodrigues (PT) nas pesquisas de intenção de voto. Meses atrás, em uma reunião no Palácio de Ondina, ele chegou a disparar: “Vocês tão pensando que Lula vai decidir a eleição na Bahia. Quem vai decidir aqui sou eu”. Só que agora, com duas semanas de horário eleitoral, o governador petista vem gradativamente sumindo dos programas do ex-secretário da educação.
 
Sumido 2
Quem continua sumido do próprio programa é Jerônimo Rodrigues. Mesmo com a justiça eleitoral tendo o obrigando a aparecer nas suas próprias inserções de TV, Jerônimo continua sem aparecer. No programa temático de saúde, por exemplo, ele só aparece no trecho final. E mesmo assim numa fala de apenas 15 segundos. Ou seja, 7% do tempo total do programa.
 
Nova Rodoviária inflada
O custo do sistema viário da nova Rodoviária na região de Águas Claras subiu vertiginosamente em R$ 36 milhões, mas a obra está longe de se tornar realidade, como prometia o governador Rui Costa (PT). O primeiro contrato foi assinado em fevereiro deste ano com o Consórcio Viário Águas Claras, formado pelas empresas KPE Performance em Engenharia S.A e TPF Engenharia LTDA, e previa orçamento de R$ 96 milhões. Menos de seis meses depois o contrato foi desfeito, mas ainda assim o estado teve que pagar R$ 2 milhões. A segunda colocada na licitação entrou no jogo para pegar o remanescente da obra e deixou a conta ainda mais salgada. Formado pelas empresas Engetec Construções e Montagens S/A e SIAN Engenharia [antiga Andrade Mendonça], o Consórcio ENGETEC SIAN vai receber R$ 129 milhões, conforme publicado em Diário Oficial no último dia 3.
 
Topa tudo pela obra
Além da dor de cabeça para explicar as cifras infladas subitamente, Rui Costa resmunga também porque o prazo para que as novas empresas concluam o serviço é de 360 dias, o que inviabiliza seu uso eleitoral para tentar impulsionar a combalida campanha de Jerônimo Rodrigues. E mais ainda, quando finalmente for entregue Rui estará fora do Palácio de Ondina. Interlocutores do governo dizem, porém, que o governador está inclinado a atropelar o ritmo das coisas e fazer uma inauguração parcial, de fachada, ainda este ano para ter a obra no seu “curriculum vitae” a partir de 2023, quando não mais terá função pública.
 
Rui com o pires na mão
Outra coisa que chama a atenção e é motivo de observações de técnicos do governo se refere à fonte de receita para cobrir o orçamento elástico que o sistema viário passou a requerer. Em abril, depois que já havia assinado contrato, Rui ficou com o pires na mão pedindo autorização da Assembleia Legislativa para tomar empréstimo de R$ 100 milhões na Caixa Econômica. A autorização não veio e a matéria sequer foi levada a plenário. Três meses depois, em 28 de julho, Rui Costa recuou e pediu a retirada da matéria. Os gastos em curso estão na conta da Conder, cujo orçamento ganhou dimensões faraônicas para abarcar todas as aventuras eleitorais que o governador passou a fazer, a despeito de sacrificar a Lei de Responsabilidade Fiscal e incorrer até em pedalada fiscal.
 
Bombardeio de crítica
O governador Rui Costa provocou a ira dos profissionais da área da enfermagem nesta semana após se considerar favorável à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu o piso da categoria. Nas redes sociais, trabalhadores protestaram contra a declaração do petista e, até nas ruas, manifestações foram realizadas, com críticas ao posicionamento de Rui. Nos bastidores, parlamentares da base petistas dizem que a fala do governador, além de ruim para o próprio chefe do Executivo, foi ruim também para os candidatos a deputado ligados à categoria, que passaram a ser cobrados pela declaração.
 
Zangado
Pegou muito mal para Jerônimo Rodrigues o comportamento irritado durante entrevista na rádio Sociedade nesta quinta-feira (8). Além de tentar fugir da pergunta feita pela jornalista sobre os péssimos índices da educação da Bahia, o petista ficou visivelmente alterado, elevou o tom de voz e interrompeu por diversas vezes a entrevistadora, que acusou o candidato de estar sendo grosseiro. No final, após se irritar com a pergunta, ainda disse “respeitar muito bem as mulheres” e recebeu da jornalista a resposta: “não foi o que pareceu agora, mas sinta-se à vontade”. E para piorar o caso, Jerônimo ainda disse que não iria aceitar “ser pressionado dessa forma”. Resumo da ópera: desrespeita a jornalista e ainda se faz de vítima. Me deixe, viu!
 
Calado é um poeta I
Não bastasse a grosseria com a apresentadora da rádio Sociedade, o candidato do PT Jerônimo Rodrigues fez trágicas confissões sobre a educação da Bahia durante a sabatina. Depois de muito gaguejo para fugir da pergunta sobre a Bahia ter a pior educação do Brasil no Ideb, Jerônimo sucumbiu. Primeiro disse que o indicador foi criado corajosamente nos governos nacionais do PT “mesmo sabendo que o Brasil inteiro padecia” na Educação. E depois não teve vergonha em dizer o que parecia tentar esconder no início da entrevista. “A nota maior de Ideb no Brasil não chega a 7, nós temos 3.2”. Nas redes sociais, um apoiador do petista não perdoou a mancada: “calado é um poeta”.
 
Calado é um poeta II
O novo ataque de fúria de Rui Costa contra ACM Neto nesta semana rendeu ao governador, na sua própria base, uma comparação com o presidente Jair Bolsonaro (PL). Parlamentares dizem que Rui se contradiz quando critica Bolsonaro por “incentivar o ódio”, mas acaba fazendo o mesmo com ataques pessoais e agressivos contra um adversário, incluindo até o nome de familiares. Além disso, continuam, o petista já criou a mania de disseminar fake news contra Neto e rivais políticos.
 
Foto: Divulgação.

2 Sep 2022

O sumiço de Jerônimo na TV, o saco cheio de Rui com Geraldo e o contraste dos vices

Procura-se um candidato
Após a decisão judicial que obriga Jerônimo Rodrigues a aparecer em sua própria propaganda na TV, a expectativa é que agora, enfim, o petista deixe o anonimato e participe de seus programas eleitorais. A coligação 'Pra Mudar na Bahia' entrou com uma representação e o TRE concedeu uma liminar para determinar que o candidato do PT apareça mais no seu tempo, já que a grande parte dos 3 minutos e 39 segundos é ocupada por apoiadores. Em um dos programas, ele fala por apenas 12 segundos e, noutro, participa em 24 segundos. Em algumas inserções em rádio e TV, o ex-secretário da Educação sequer fala. Uma coisa é fato: a insegurança é tanta que Jerônimo parece se esquivar dos programas e inserções. Precisou, então, a coligação adversária ir à Justiça para que o candidato petista cumpra a lei e bote a cara na telinha.
 
O que diz a lei
A legislação eleitoral prevê que os apoiadores devem ocupar no máximo 25% do tempo da propaganda eleitoral dos candidatos. O restante deve ser obrigatoriamente de aparições do postulante ou de ações relacionadas a ele. Com Jerônimo, tem sido o oposto, o que rendeu alfinetadas de adversários. O deputado federal Paulo Azi (União Brasil) não perdeu a oportunidade e ironizou: “Precisou a Justiça Eleitoral obrigar ele a aparecer, porque no programa só quem participa são os apoiadores. Está se escorando nos padrinhos”.
 
Estratégia avestruz
Por trás do “sumiço” de Jerônimo do seu próprio programa eleitoral está o fato de o candidato petista não decolar. Tanto é que a propaganda passa a impressão de não ser dele e, para observadores da política, parece fazer oposição ao próprio governo, falando dos problemas do Brasil, mas sem tocar nas questões fundamentais do estado.
 
Saco cheio
Fontes com trânsito no Palácio de Ondina revelaram que dois fatores principais foram responsáveis pela retirada de Geraldo Júnior (MDB) das agendas de interior de Jerônimo: o mau humor do governador Rui Costa e a inconveniência do candidato a vice. Relatam que a postura expansiva de Geraldo começou a causar incômodo em Rui, e o desconforto foi potencializado com a maior participação do governador na campanha. Além do excesso de brincadeiras, o emedebista passou a fazer discursos cada vez mais longos, tirando a paciência de Rui. O estopim foi num evento em que Geraldo dançou, com seus passinhos peculiares, na frente do governador. Foi o fim da picada.
 
Alívio
Mas a saída do postulante a vice da campanha no interior não provocou desconforto na base. Ao contrário, deputados e candidatos têm relatado alívio com a saída de Geraldo dos eventos. Para eles, o emedebista quer apenas eleger o filho e, “sem nenhum pudor”, estava invadindo bases de parlamentares petistas, o que gerou diversas queixas, que foram levadas a Rui. A situação é agravada pela observação de aliados de que, com sua saída do interior, Geraldo jogou a toalha de vez da disputa pelo governo e passou a se dedicar integralmente à eleição do filho, tarefa considerada complicada por caciques governistas.
 
O contraste dos vices
Enquanto Geraldo é escanteado na campanha petista, a candidata a vice na chapa de ACM Neto, Ana Coelho, tem participado ativamente da campanha. Num evento de Neto no interior em que a chapa se dividiu e ela participou de outra agenda, a ausência dela foi sentida e as pessoas pediam a presença da vice, que tem ocupado cada vez mais uma posição de destaque.
 
Território perdido
A cúpula do PT baiano já jogou a toalha para qualquer possibilidade de crescimento do candidato a governador Jerônimo Rodrigues nas regiões Oeste e Extremo Sul da Bahia. Com a consolidação do favoritismo de ACM Neto e a falta de progresso do ex-secretário da Educação nas duas localidades, caciques do partido admitem que a situação dificilmente será revertida e, com isso, não devem mais priorizar atos de campanha nas regiões. Nas pesquisas internas, o desempenho de Jerônimo em ambas as localidades é abaixo da média - que, diga-se de passagem, já é baixa. No Extremo Sul, garantem integrantes da base, é ainda pior.
 
TCE na cola
O TCE colocou o time em campo para auditar os convênios assinados pelo governo do estado e pode colocar luz sobre um show de horrores que a bancada de oposição na Assembleia já havia denunciado. A série de assinaturas teve claramente o viés eleitoral, mas mesmo assim não conseguiu segurar o tanto de prefeitos que se esperava. O que o governo conseguiu mesmo foi chamar a atenção dos auditores pela discrepância entre valores aplicados em 2021 e o primeiro semestre de 2022. Em todo o ano passado, a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) executou obras cujos investimentos somam R$ 655 milhões, mas o montante subiu para R$ 1,3 bilhão apenas entre janeiro e julho deste ano.
 
A ordem dos tratores altera o viaduto
Quem quiser saber como o governo do estado está executando o orçamento público que puxe uma cadeira, sente e aguarde com paciência. Explica-se: é que muitos atos, contratos e convênios só aparecem no Diário Oficial depois de dias, semanas e até meses depois de terem sido firmados. Ou seja, a publicidade do que o governo faz ou pretende fazer só ocorre depois que a iniciativa já foi feita. É o caso de débitos da Bahiatursa que somam mais de R$ 1 milhão referentes a projetos realizados em abril e junho, segundo constam na edição do Diário desta terça (30).
 
O homem evaporou
Observadores da política baiana avaliam que a candidatura de João Roma (PL) ao governo está se diluindo. Na propaganda eleitoral de rádio e TV, o ex-ministro tem apenas três inserções por dia em meio às 140 que são veiculadas diariamente nos meios de comunicação. Junte-se a isso o fato de o deputado bolsonarista não ter nenhuma sustentação política, o que faz com que os eventos dele contem sempre com uma "moquequinha", a maioria formada por pessoas da própria campanha.
 
Barco à deriva
Para completar o cenário, até mesmo o bolsonarismo raiz que o apoiava já começa a desistir de Roma, fato que é observado pelo desempenho dele em pesquisas quantitativas e qualitativas. Mesmo com um leve crescimento do presidente Jair Bolsonaro no estado, o ex-ministro não acompanha e, pelo contrário, tem registrado queda. A candidatura de Roma está, de fato, evaporando.
 
Quem te viu, quem te vê
Causou estranheza entre deputados da oposição a postura do presidente da Assembleia Legislativa, Adolfo Menezes (PSD), que gravou uma inserção na propaganda eleitoral com críticas a ACM Neto. A participação de Adolfo foi seguida por deputados do PT, que mantiveram a linha crítica. Contudo, parlamentares oposicionistas lembram que, quando precisou de apoio para se eleger presidente do Legislativo, o pessedista contou com o apoio de toda a bancada.
 
Foto: Divulgação.

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