Alô Alô Política


23 Jun 2022

O day after de Geraldo Jr., o risco de suspensão do VLT e a sofrência do governador

Fim das mordomias
Não é apenas o governador Rui Costa que sofre com a proximidade do fim do mandato e a perda das muitas regalias. O atual presidente da Câmara de Vereadores, GeraldoJúnior (MDB), é outro que vai sofrer para “desmamar” do poder. Ele até tentou, num ato de desespero, estender ilegalmente o seu mandato na presidência da Casa. Mas, até o fim do ano, a justiça irá derrubar a reeleição e no começo de 2023 ele terá de voltar a planície política. “Nunca um presidente da Câmara Municipal de Salvador teve tantas mordomias. Ele deve sentir calafrios só de imaginar perder isso tudo”, observa um antigo funcionário da Casa. Segundo este funcionário, Geraldo Júnior tem um cerimonial de dar inveja a muitos chefes de Estado. “Ele tem escolta, assistência militar, batedores. É, vai ser difícil perder essa mordomia toda”, conclui.
 
Plano B
Mesmo favorecido por essa megaestrutura, Geraldo Júnior penou para reeleger-se vereador no último mandato. Teve pouco mais de 12 mil votos. Sabendo que teria dificuldades em eleger-se deputado federal, ele aceitou o convite de candidato a vice-governador na chapa do PT baiano. Agora, preocupado com o day after a eleição e a grande possibilidade de derrota, Geraldo Júnior começou a sondar antigos aliados sobre uma tentativa de reconciliação.  “Ele pensa que somos bobos, quer ficar bem com todo mundo”, relata um petista incomodado.
 
Semancol
Por esse e outros motivos, a lua-de-mel entre Geraldo Júnior e o PT está chegando ao final. O jeito expansivo e animado do vereador até agradou no começo. Hoje, porém, pelas costas o candidato a vice-governador é apontado como uma figura cansativa, que sempre conta as mesmas piadas. “Os trejeitos dele já perderam a graça. Tá faltando semancol”, reclama um deputado da base petista.
 
Com o pires na mão I
Técnicos e auditores que acompanham as tratativas para as obras do VLT do Subúrbio sinalizam para o risco de haver uma suspensão do contrato. O sinal amarelo veio depois deles terem sido informados que a empresa responsável pelo modal não conseguiu viabilizar empréstimo em bancos nacionais e internacionais. Sem a salvaguarda financeira para execução da obra, a propaganda do VLT, que deveria substituir o lendário trem do subúrbio, vai ficando apenas como mais uma promessa de governo do PT, assim como o Centro de Convenções, a ponte Salvador-Itaparica…
 
Com o pires na mão II
Quem também está com o pires na mão é o governador Rui Costa, que precisa injetar R$ 100 milhões nas obras da nova rodoviária, em Águas Claras. A autorização do empréstimo milionário, a seis meses do final do governo, depende da Assembleia Legislativa da Bahia, onde nem os governistas dão sinal de adesão. A oposição, por sua vez, já afirmou que não há possibilidade de fazer acordo para votação. O entendimento na Casa é que o governo tem feito tudo na “correria”, sem o mínimo de previsibilidade, organização e zelo com os recursos públicos.
 
Novo recorde de Rui
Durante os governos de Rui e Wagner, a Bahia conquistou títulos nada agradáveis: liderança de homicídios e desemprego, última lugar em educação e maior número de analfabetos e pessoas extremamente pobres do país. Agora, na crise dos combustíveis, Rui deu ao estado mais uma liderança indigesta: a gasolina mais cara do Brasil. Nas últimas semanas, as pesquisas da ANP têm apontado o preço médio do combustível vendido na Bahia como o maior entre os estados. Que fase...
 
Tá na sofrência I
A corriqueira irritação do governador Rui Costa (PT) tem agora um novo alvo: a debandada de prefeitos do PSD para apoio a ACM Neto na disputa pelo governo do estado, fato que tem tirado o sono do cacique petista. Ele tem dito que, de todas as dissidências, as do PSD são as que mais incomodam devido ao fato de o partido ter sido o mais privilegiado no seu governo, com obras e recursos, e mesmo assim prefeitos estão pulando do barco. O governador já disse que espera um esforço para conter a debandada do partido, comandado pelo senador Otto Alencar. Mas será que Rui tem essa coragem de falar com Otto?
 
Porteira aberta
A mais nova portabilidade foi o prefeito de Ponto Novo, Thiago Gilleno (PSD), que anunciou ontem seu apoio a ACM Neto durante evento no município. O ex-prefeito de Salvador foi até a cidade para formalizar a aliança.
 
Tá na sofrência II
O governador Rui Costa (PT) demonstrou recentemente certa irritação ao se queixar com um aliado próximo do fogo amigo contra ele em sua própria base. Na conversa, Rui acusou parlamentares petistas de traição e disse ser culpa deles os ataques desferidos ao governador. Contou ainda que tem sido injustiçado com o tratamento arredio de alguns deputados, que fazem críticas à falta de articulação dele.
 
Até tu, Brutus?
A chateação do governador tem um motivo. Chegou aos ouvidos dele que um de seus mais próximos aliados andou falando que Rui errou na articulação política, e não só em 2022. Numa roda de conversa, o figurão, que o governador diz ser de sua confiança, teria dito que Rui cometeu demasiados erros no processo de sua sucessão e no trato com políticos. Para o petista, segundo a fonte da coluna, a crítica foi encarada como uma traição profunda.
 
Passe de mágica
Os valores empenhados pela Bahiatursa em contratos para custeio dos festejos juninos deste ano impressionam. É que os valores já somam mais que o dobro de todo o orçamento anual da Superintendência. Técnicos que acompanham as publicações dos contratos estão espantados com o montante, e ao mesmo tempo curiosos para saber qual será o passe de mágica do governo na hora de fechar as contas. O retrospecto mostra que não é raro jogar para o exercício posterior os pagamentos que ficarem pendentes.
 
Foto: Divulgação.
 
 

17 Jun 2022

O legado indigesto de Rui, o estresse do governador com a debandada e o jabuti da ponte

O Legado
Chegando no semestre final do seu mandato, o governador Rui Costa (PT) tem se mostrado cada vez mais preocupado com o seu legado. Afinal, depois de 8 anos, como ele irá passar para os livros de história? Se depender de dados objetivos, Rui não vai deixar saudades. A Bahia hoje ocupa o último lugar na educação do país, lidera em analfabetismo e é campeã em desemprego e homicídios. Esse vai ser o legado de Rui registrado para sempre nos livros de história.
 
Triste fim
Quem conhece o governador de perto diz que ele sofre ao ver a avaliação pessoal minguar a cada nova pesquisa de opinião. Principalmente no interior do estado. Rui esperava terminar o mandato com grande prestígio até para poder se proteger dos inimigos, muitos do próprio PT, que adquiriu nos últimos 8 anos. Ao que parece terá um triste fim: sem partido, sem mandato e sem amigos.
 
Dor de cotovelo
Ainda sobre Rui Costa, as más línguas contam que ele se compara o tempo todo com o ex-prefeito ACM Neto, que encerrou o mandato com mais de 80% de aprovação e elegeu o sucessor com a maior votação entres as capitais brasileiras. “Isso dói na alma do governador. E é um dos motivos dele atacar ACM Neto com tanta frequência e virulência. Sofre de uma dor de cotovelo profunda”, explica um deputado da base governista.
 
Massacre
Foi num desses arroubos que, ao ser entrevistado pela rádio Metrópoles essa semana, Rui disse que ACM Neto não havia feito nada pela capital baiana. O ataque do governador foi postado nas redes sociais de vários veículos de imprensa. O que se viu foi um verdadeiro massacre do político petista nos comentários dos seguidores. “Fez muito mais que você, senhor governador”, disse um seguidor. “Você ao invés de atacar faça o seu papel”, criticou outro. “Você, Rui, acabou com o ensino, acabou com o comércio, estourou todos os índices negativos de segurança”, destacou mais um leitor. “O desespero bateu e deu até amnésia no homem”, concluiu. Ao todo foram quase 2 mil comentários indignados com a declaração de Rui Costa.
 
 
O jabuti da ponte
A ponte Salvador-Itaparica ainda não saiu do papel, mas já tem um jabuti fazendo a travessia. Ao estilo de administração gambiarra, o governo enviou à Assembleia Legislativa uma pegadinha para redirecionar um empréstimo de 300 milhões de dólares, autorizado em 2016, ao custeio adicional da obra, que saiu da previsão inicial de R$ 5,4 bilhões para R$ 9 bilhões. A proposta chegou à Casa escondida dentro do PL 24.572/2022, que tem ementa com aparência inofensiva de tão somente alterar a estrutura de cargos em comissão na Secretaria da Fazenda (Sefaz).
 
O terror dos prefeitos
O governador Rui Costa foi informado nesta semana que uma prefeita da base governista decidiu pular do barco para apoiar ACM Neto. Irritado com a notícia, decidiu ligar para a gestora. Foram diversas chamadas não atendidas - a tal prefeita já sabia do que se tratava e não queria conversa. Após as ligações perdidas, ela atendeu ao petista, que a convidou para uma reunião na Secretaria de Relações Institucionais (Serin). Brava com a insistência reiterada, ela já chegou dizendo: “Nem sei o que estou fazendo aqui, mas vim em respeito ao senhor, que é governador”. Sem esconder a chateação, Rui perguntou se ela iria mesmo apoiar ACM Neto. Ela confirmou, e deixou o governador enfurecido.
 
Fogo amigo
Quem não tá lá com muita moral é o vereador Geraldo Júnior (MDB), pré-candidato a vice de Jerônimo. A manobra dele para tentar sua segunda reeleição como presidente da Câmara de Salvador não é unanimidade nem mesmo no grupo governista, ao qual agora ele faz parte. O presidente da Assembleia, Adolfo Menezes (PSD), por exemplo, deu nesta semana uma declaração contrária à jogada do “Líder”. “Mesmo ele sendo parceiro hoje, eu não concordo (com a reeleição de Geraldo)”, disse Adolfo em conversa com jornalistas.
 
Mais um revés
Geraldo sofreu também um revés em Camaçari. Por lá, ele tentava atrair para o grupo governista o presidente da Câmara, Júnior Borges. Mas o vereador camaçariense não só recepcionou ACM Neto, que recebeu o título de cidadão do município, como reafirmou o seu apoio ao ex-prefeito de Salvador.
 
Estresse elevado
A agressividade de Rui tem causado burburinho na Secretaria de Relações Institucionais do Estado (Serin). Fontes da coluna comentam que o secretário Luiz Caetano, a chefe de Gabinete Elisa Pellegrini e assessores da pasta têm comentado nos corredores que andam preocupados com o nível de nervosismo do chefe.
 
Por trás da raiva
A chateação do governador deve ser explicada pelas sucessivas baixas de prefeitos que vem sofrendo em sua base aliada. Somente nos últimos dias, anunciaram apoio a ACM Neto os prefeitos de Itaberaba, Ricardo Mascarenhas (PP), de Rio de Contas, Dr. Cristiano (PSB) e de São Sebastião do Passé, Nilza da Mata (PP) - esta última ainda não anunciou oficialmente, mas já comunicou a Rui que vai apoiar Neto. Sem contar o prefeito de Tremedal, Zé Bahia (Podemos), que negou que irá apoiar Jerônimo, rebatendo informações divulgadas pelo governo.
 
Surpresa
Sobre Dr. Cristiano, o apoio a Neto pegou de surpresa o núcleo duro do PT na Bahia. Cristiano estava, há cerca de 30 dias, em um PGP de Jerônimo. Nesta quinta-feira (16), não só recepcionou ACM Neto nas festividades do Santíssimo Sacramento como exaltou o ex-prefeito de Salvador.
 
Foto: divulgação.

10 Jun 2022

O fazendeiro do PT, a bronca de Wagner em Geraldo e a "transparência" nada transparente de Rui

Homem de bens
Um poderoso figurão petista tem dado o que falar nos bastidores da política baiana por ter usado um testa de ferro para comprar uma fazenda na região de Ipiaú. O pedaço de terra, um dos mais valorizados da região, foi adquirido por cifras que, dizem, superam, e muito, os dois dígitos da casa dos milhões. E o tal petista já gosta de posar de humilde em seus discursos à imprensa. O golpe tá aí, cai quem quer...
 
Gogó de ouro
E não para por aí, não, viu. Lideranças da região confidenciaram a esta coluna que o tal figurão falastrão do PT já anda de olho em outros pedaços de terra nas redondezas. Há pelo menos outras duas fazendas que ele já manifestou interesse na aquisição. O homem é mesmo pura humildade.
 
Bronca do chefe
O senador Jaques Wagner (PT) foi escalado para levar o recado da inconveniência do vereador Geraldo Júnior (MDB) na campanha petista. Segundo confidenciaram fontes à coluna, Wagner teria sido enfático: “você não pode querer aparecer mais que o candidato”. Geraldo, então, teria perguntado se a cúpula governista queria que ele deixasse de discursar ou mesmo de participar dos eventos. O senador afirmou que não, mas avisou: “você precisa ser mais discreto”. Resta saber se o “Líder” vai cumprir, né?!
 
Outro anônimo?
Pessoas ligadas a Geraldo confidenciaram a vereadores que há uma preocupação sobre como o emedebista vai fazer para ter visibilidade a partir de 30 de junho, quando termina o prazo para emissoras de rádio e de televisão transmitirem programa apresentado ou comentado por pré-candidato. Fraco nas redes sociais, o “Líder” vai ter uma perda grande a partir de julho e tem a chance de sumir do mapa.
 
Mexe com quem tá quieto
Geraldo Júnior (MDB) está causando um mal-estar entre deputados do PT por invadir bases petistas consideradas “intocáveis”. Durante eventos do governo no interior, dos quais tem participado, o “Líder” está indo para cima de lideranças ligadas a nomes do PT, utilizando “ferramentas nada republicanas” para conquistar o apoio deles para a candidatura do filho a deputado estadual. O caso foi levado ao governador Rui Costa, que, dizem, fez cara de paisagem. Mas caciques do partido já avisaram que não vai ficar por isso mesmo e prometem um contra-ataque.
 
Retroativo
Nos últimos dias o governo passou a publicar no Diário Oficial decretos de desapropriação de terrenos para construção de escolas, cujos anúncios de obra e licitação já haviam sido explorados política e eleitoralmente em agendas pelo interior semanas atrás. Na prática, o governo garantiu realizar uma obra num terreno que nem tinha ainda. Sabe lá Deus como conseguiram a proeza de formatar uma licitação. Técnicos da gestão não escondem que o desespero eleitoral dos agentes políticos tem provocado um atropelo administrativo sem precedentes.
 
Transparência tardia
Outro tipo de publicação retroativa que virou moda nos atos oficiais do Palácio de Ondina se refere ao patrocínio de festas e eventos que já aconteceram. Ou seja, a população só é avisada da gastança depois que o leite foi derramado. A cidade de Arataca, onde o prefeito ainda apoia o anônimo, recebeu incentivo de R$ 140 mil para fazer uma micareta no dia 29 de maio, mas o valor só se tornou público no Diário Oficial desta quinta-feira (9 de junho). O modus operandi de transparência tardia é o mesmo em dezenas de municípios, e já está na mira dos técnicos e auditores dos órgãos de controle.
 
Nem o Divino ajuda
Quando Jerônimo Rodrigues viu uma multidão na praça de Poções, em visita à cidade na semana passada, abriu logo o (recém-adquirido) sorriso. Testemunhas que estavam por lá relataram que o petista se animou todo, esperando ‘aquela’ recepção. Mas, que nada: minutos depois, ficou claro o que as pessoas realmente esperavam: era a tradicional chegada das bandeiras à Praça do Divino, belíssima cerimônia que todos os anos abre a Festa do Divino, e que voltou a ocorrer em 2022, após a pandemia, na Terra do Divino. Pelo visto, a alcunha de Anônimo Rodrigues pegou mesmo, e nem o Divino ajuda.
 
A moquequinha
Numa foto, tirada de cima de um prédio na Praça do Divino e que circula nas redes sociais, dá pra ver a ‘moquequinha’, como dizem, que de fato acompanhou o pré-candidato do PT. Segundo as lideranças de Poções, teve pré-candidato a deputado estadual que visitou a cidade na abertura da Festa do Divino e arrastou mais gente. A mesma ‘moquequinha’ foi vista no café da manhã promovido pelos petistas no Clube Recreativo de Poções - a maioria dos presentes era de funcionários da prefeitura, dizem lideranças locais. Os fotógrafos tiveram trabalho: valeu até ‘pongar’ na procissão que tradicionalmente sai da Praça do Divino para dizer que era adesão à caminhada. Ficou feio.
 
Cadê o dinheiro do ICMS?
O governador Rui Costa disse nesta semana que não pode tirar o dinheiro da saúde, da segurança e da educação para baixar o ICMS, mas o que não se sabe é para onde esses recursos estão indo. Na educação, a rede estadual tem os piores índices do Brasil e ainda sofre com o sucateamento de escolas na capital e no interior. Na segurança, nem se fala... são viaturas velhas, falta de efetivo, delegacias fechadas, profissionais desvalorizados. Na saúde,a fila da regulação que atormenta a população do interior, além da falta de hospitais regionais em diversos pontos. E aí, governador, cadê o dinheiro do ICMS?
 
Só ele que tá certo
Em outros estados, inclusive do Nordeste, governadores reduziram o tributo do combustível para o transporte público, menos Rui. Será que o petista baiano está dizendo que os outros governadores não estão preocupados com saúde, segurança e educação?
 
Sem clima
Deputados governistas já admitem internamente que não há clima para votação de matérias do Executivo que estão se amontoando na Assembleia Legislativa. Na última quarta, por exemplo, apenas 19 marcaram presença e a sessão, em modelo híbrido, sequer foi aberta. Um parlamentar que chegou ao plenário quando havia apenas 13 nomes inscritos no painel brincou com o número tímido: "eita 13 azarado", exclamou e saiu aos risos. No final das contas era preciso quórum de 21 deputados para abertura dos trabalhos.
 
Procura-se
Por falar em transporte público, causou estranheza o silêncio ensurdecedor dos aliados de Rui com o aumento da tarifa dos ônibus metropolitanos, o maior dos últimos dez anos: 11,85%. Para se ter uma ideia, a passagem aumentou em até 1 real por trecho. Se fosse só isso, até ok, mas o sistema sofre com o sucateamento de veículos, que estão caindo aos pedaços, além das dificuldades causadas pelo aumento do diesel, que já levou ao fim de operação de algumas empresas, como BTU e VSA.
 
Chuva de críticas
O governador Rui Costa já tem sentido na pele o derretimento de sua popularidade, fato apontado em pesquisas recentes. Durante o seu último "papo correria, o que não faltou foi gente criticando e cobrando do governador ações para seus respectivos municípios. Falta de professor, problemas com atendimento hospitalar e onda de violência foram algumas das questões apontadas por internautas que acompanharam a live. Talvez isso ajude a explicar o mau humor do governador nas últimas semanas. É, Rui, tá complicado mesmo!
 
Foto: divulgação/reprodução.

3 Jun 2022

Clima de velório na passagem de Rui pelo Oeste, novo capítulo dos Respiradores e o "Anônimo”

Clima de velório
Foi em clima de velório que o governador Rui Costa (PT) participou da Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães, na última quarta-feira (1º). Além de completamente esvaziada, a passagem de Rui tinha “zero animação e empolgação” dos poucos presentes. Pelas imagens que circulam nas redes sociais, há quem tenha contado oito pessoas ao lado do petista, outros chegaram a dez durante a caminhada dele pelo espaço. No ato político, os participantes couberam, com folga, debaixo dum toldo. Os bolsonaristas, claro, não perderam a oportunidade e já soltaram vídeos que comparam o ato do presidente Jair Bolsonaro.

 
Colhe o que planta
E olhe que o governador até se esforçou, usando um chapéu de produtor rural, mas a verdade é que o Oeste da Bahia anda insatisfeito com os governos petistas já há algum tempo pela falta de atenção e apoio para a produção. Entre as queixas estão a ausência de assistência técnica aos produtores e de investimentos em infraestrutura, além da extinção da EBDA e do sucateamento da Adab. Como disse um observador da política após a passagem do governador pela região: Rui foi um bom produtor, está colhendo agora o que plantou.
 
Cadê o dinheiro?

Pra variar um pouco, o governador Rui Costa sofreu nesta semana uma nova derrota no caso dos Respiradores. O Ministério Público do Rio Grande do Norte decidiu arquivar uma representação do petista contra o deputado potiguar Kelps Lima, presidente da CPI da Covid, que terminou com o indiciamento de Rui e do ex-secretário e braço direito do governador Bruno Dauster, entre outros. Kelps havia dito que o dinheiro dos respiradores foi roubado, o que motivou Rui a mover a representação.
 
Alma lavada
O deputado potiguar não perdeu a oportunidade e botou a boca do trombone contra o governador baiano. Não só reafirmou que o dinheiro “foi roubado, foi na gestão de Rui Costa e ele é investigado” como também defendeu que os bens do governador da Bahia sejam penhorados para que os R$ 48 milhões, até hoje sumidos, sejam devolvidos aos estados nordestinos. “Rui Costa, faça o certo, devolva o dinheiro, peça desculpas ao povo do Nordeste e responda na Justiça pelos maus atos da sua gestão”, declarou Kelps. A pergunta que não quer calar continua sendo: cadê o dinheiro, Rui?
 
Fogo amigo
No meio político da Bahia, entre governistas e oposicionistas, Jerônimo Rodrigues vem sendo chamado de “Anônimo Rodrigues”. A alcunha tem irritado não só o pré-candidato petista quanto o governador Rui Costa, que já anda com o humor para lá de ruim.
 
Quem é esse da foto?
Por falar em anônimo, parte de um material gráfico feito por um pré-candidato a deputado estadual, incluindo santinhos e adesivos lado a lado com o petista, precisou ser refeito porque não continha o nome de Jerônimo. Em várias cidades por onde passaram, o parlamentar e sua equipe eram surpreendidos com a pergunta: “quem é esse da foto?”
 
Climão e desembarque
Muitos deputados da base estão às voltas com o governador Rui Costa porque ainda encontram dificuldade em intermediar agendas de prefeitos na Governadoria. Nos últimos dias a coisa degringolou de vez depois que um deputado descobriu que um dos seus prefeitos seria recebido por Rui pelas mãos de terceiros. Ele correu para a Governadoria, deu flagrante na turma e provocou um climão. O episódio causou revolta entre governistas, que, em retaliação, já começam a falar nos bastidores em desembarcar de vez da combalida aventura eleitoral do anônimo.
 
Desolador I
O resultado de uma pesquisa interna encomendada pelo PT em uma das poucas cidades vermelhas da Bahia acendeu sinal de preocupação com os rumos da campanha. Esperava-se desempenho relativamente confortável, sobretudo por causa da vinculação de Jerônimo a Lula, mas o que se viu foi desolador. A vantagem de ACM Neto, 40 pontos à frente, criou um problema sem precedentes para os petistas locais, que, por sua vez, reclamam da falta de coordenação estadual.
 
Desolador II
Outra pesquisa, feita numa cidade da região Sisaleira, tradicional reduto petista, deixou a cúpula governista ainda mais perplexa. Por lá, Neto aparece também com ampla vantagem sobre Jerônimo, que tem no município o apoio de um importante ex-prefeito e liderança regional. Fontes com trânsito no Palácio de Ondina revelaram que Rui mandou perguntar ao tal ex-prefeito o que está acontecendo. Aguardemos a resposta.
 
Malas prontas
Um deputado estadual governista muito influente na Assembleia Legislativa confidenciou a um colega o seu desejo de migrar para o grupo de ACM Neto. O medo do parlamentar é a perda dos seus cargos no governo e que a "máquina governista" trabalhe contra a sua reeleição. O parlamentar ouviu a revelação com surpresa. “De todos os aliados do PT, era um dos que eu achava que nunca mudariam de lado”, contou à coluna, sob anonimato.
 
Fila do Planserv
Não satisfeito com a fila da regulação, o governador Rui Costa agora decidiu sucatear de vez o Planserv e criar uma nova fila do desespero. Crescem exponencialmente as queixas de usuários do plano de saúde dos servidores de que não conseguem ter acesso a serviços ou precisam esperar muito tempo para realizar procedimentos. As queixas em relação à queda da qualidade do plano não são de hoje, mas aumentaram muito nos últimos meses e já preocupam o governo.

Foto: divulgação. 
 
 

27 May 2022

Os dias contados de Mandarino, o chilique de Rui e o desastre da sabatina de Jerônimo

Dias contados

Rui Costa finalmente tomou a decisão de demitir o secretário de Segurança Pública, Ricardo Mandarino, mas vai esperar a poeira baixar um pouco.  Não quer que pareça que tomou a decisão pressionado pelos adversários ou pela imprensa. Enquanto protela o anúncio, já começa o zum-zum-zum de que um jovem advogado de Salvador é o mais contado para assumir o cargo.
 
Calma Rui

À medida que o fim de mandato se aproxima, o governador Rui Costa vai ficando cada vez mais nervoso. Ontem, em Feira de Santana, ele perdeu a cabeça e ameaçou a imprensa. Reagiu em tom autoritário quando foi questionado sobre a fila da regulação no município baiano. Rui foi perguntado sobre um dado da Secretaria Municipal da Saúde, que aponta 163 mortes de pessoas que aguardavam uma vaga na rede estadual. Ele negou que pessoas morram na fila e disse que vai acionar judicialmente quem disser o contrário.  Na declaração dada à imprensa, chamou atenção o tom agressivo do governador. Vai resolver o problema da regulação no grito, Rui?
 
Acabou a simpatia

O chilique em Feira parece ser apenas o começo. Durou pouco a simpatia forçada do governador Rui Costa (PT), que, conforme relatou a coluna no mês passado, resolveu vestir o manto da humildade e da cortesia no trato com aliados. Contudo, um mês depois, o governador voltou ao seu normal: não atende aliados, bate a porta na cara de prefeitos e trata parlamentares com desprezo. Nos eventos do interior, contam deputados, Rui voltou a dar patadas e distribuir grosseria entre todos.
 
Sozinho

Lideranças petistas revelaram a coluna que o medo de Rui é ficar sozinho. Sem mandato, sem Palácio de Ondina, sem amigos e, principalmente, sem foro privilegiado. “Ele sabe que vamos perder e a vitória vai ser debitada na conta dele”, afirmou um cardeal petista.

Muleta

O candidato do PT, Jerônimo Rodrigues, apresentou-se bastante nervoso a sabatina feita hoje pelo jornal Folha de S. Paulo e transmitida ao vivo pelo portal UOL. Disse que é um desrespeito dos adversários dizer que ele é um candidato que precisa de uma muleta política para seguir na disputa ao Palácio de Ondina. A ironia, no entanto, é que Jerônimo passou quase todo tempo falando de Lula e Rui. “De 10 palavras que ele diz, 11 são Lula e Rui”, brincou um observador cena política local.
 
Ato Falho

Durante a sabatina, Jerônimo teve de indicar um defeito de Rui Costa. Disse que não existe defeito e no afã de agradar o padrinho político falou que Rui e Wagner não fizeram mais por conta da falta de apoio do governo federal. Ué, Jaques Wagner governou o estado quando Lula era presidente! Essa ninguém entendeu.
 
ICMS

E o preço dos combustíveis? Rui se negou a baixar o ICMS na Bahia, um dos mais altos do país. Somente na gasolina, a alíquota do imposto é 28%. Mas essa semana, o governador petista sofreu uma derrota na Câmara dos Deputados, que aprovou uma medida para reduzir o ICMS dos combustíveis e energia.  Pelo novo projeto, o teto será de 17% e Rui reagiu furioso com essa possível perda de arrecadação. Detalhe: o estado arrecadou no ano passado quase R$ 2 bilhões a mais em relação a 2020 com combustíveis. No caso do diesel, que impacta no transporte público, o preço praticamente dobrou em um ano. E sabe quem paga a conta enquanto Rui enche os cofres? Pois é, o povo.
 
Bomba relógio I

O governo do estado tem uma verdadeira bomba relógio nas mãos: o transporte metropolitano. O setor passa por uma crise tremenda em duas frentes principais: a insatisfação dos trabalhadores, que querem reajuste salarial, e a dificuldade financeira enfrentada pelas empresas. Fontes do governo dizem que não há uma solução para o problema no curto prazo e que o sistema pode parar a qualquer momento.
 
Bomba relógio II

Outra bomba relógio é o Planserv. Nas últimas semanas, cresceram muito as queixas dos servidores com os serviços do plano de saúde. Com descontos cada vez maiores em folha e serviços cada vez mais limitados e mais difíceis de serem acessados, grupos de servidores já se organizam para protestar contra o governo, que também não tem uma solução. Há alas do funcionalismo público que já falam até em mobilizações para protestar contra o governo.
 
Pirraça

Um dos momentos mais aguardados da agenda de ACM Neto em Jequié nesta sexta-feira é o tal do "vídeo da pirraça". O registro se tornou praticamente parte obrigatória nos eventos de Neto pelo interior e ganhou esse nome porque contraria as declarações de governistas de que os atos de pré-campanha do ex-prefeito de Salvador ficariam esvaziados. Jequié vai repetir a "pirraça" dos eventos lotados de Neto que foram registrados em Campo Formoso, Macaúbas, Itapetinga, Brumado... Com o agravante de ser a terra da primeira-dama Aline Peixoto.
 
O vazio de Brumado

Por falar em Brumado, o governador Rui Costa passou por lá esta semana e teve espaço tamanho G para circular pelas ruas, porque o povo não apareceu. Nas imagens reais, sem os truques de edição, até o ato oficial com o prefeito teve pouco prestígio. Se bobear, o quórum do palanque foi maior que o da plateia.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

Foto: divulgação.
 
 

20 May 2022

O “rabo preso” de Rui com Mandarino, a despedida do governador, os barrados no baile e mais

Quem souber morre

A pergunta que não quer calar no meio político essa semana é só uma: por que o secretário da Segurança Pública não é demitido? Além de uma das piores crises de violência já enfrentada nos governos petistas, ainda há as declarações do secretário, que normalmente mais atrapalham do que ajudam o governo. Será que, como disse um deputado, Rui tem mesmo “rabo preso” com o secretário?
 
Será?

Teorias conspiratórias que rondam o Palácio de Ondina entenderam a fala de Mandarino, ao defender os amigos que fumam maconha, como um recado ou uma alusão à empresa Hempcare, que está no centro do escândalo dos respiradores. A Hempcare, especializada em produtos de maconha, foi contratada pelo Consórcio Nordeste, liderado por Rui à época do escândalo, para a aquisição de respiradores.
 
Café frio

Os presidentes norte-americanos têm por costume ironizar o seu final de mandato. Bill Clinton, por exemplo, gravou um vídeo lavando a própria limousine nos últimos dias de Casa Branca. Será que o governador Rui Costa vai ter essa presença de espírito na despedida do cargo? Bom humor e leveza d’alma fazem bem à saúde. #ficaadica
 
Maré vazante

A verdade é que a maré está vazando para Rui Costa. Desse jeito não tem bom humor certo, nem vídeo engraçadinho. Policiais assassinados, revolta dos delegados, restaurantes invadidos, escolas fechadas devido à violência, novos levantamentos colocando a Bahia na liderança dos rankings de homicídios e desemprego em 2022… parece que nada dá certo para o governador. Quem conhece o mar sabe que maré vazante não é brincadeira.
 
Inferno astral

Os dias complicados do governador já vêm, na verdade, de algum tempo, e a prova disso é o caso dos respiradores, que continua tirando o sono de Rui. Além disso, as pesquisas mais recentes mostram que a avaliação dele tem caído, sobretudo no interior, onde o PT sempre se achou mais forte.
 
Barrados no baile


Tem gerado burburinho no meio político os não convidados para o casamento do presidenciável do PT. Entre os senadores, só Wagner foi convidado, e os pessedistas Otto Alencar (lulista ferrenho, pelo menos no discurso) e Angelo Coronel não foram. E quem também ficou de fora foi Jerônimo. Mas também o próprio Lula chamou o pré-candidato petista de desconhecido quando veio à Bahia em março. O ex-presidente só deve ter chamado os conhecidos. Que maldade!
 
De camarote

Por falar em evento de gala, quem assiste de camarote ao ocaso de Rui é o seu padrinho político, o senador Jaques Wagner. Aliados próximos contam que Wagner procura manter as aparências, mas ainda não engoliu o fato de Rui tê-lo traído ao tentar forçar a candidatura ao Senado. O Galego tratou de dar o troco: “Até o marqueteiro de Jerônimo ele levou para fazer a campanha de Lula, deixando o candidato de Rui sem equipe de comunicação”, conta um cardeal petista.
 
Sem ‘Semancol’

Quem pega estrada na Bahia já se deparou com a nova propaganda promovida pelo governo do estado: falar do que a gestão do PT considera ‘recordes’. Mas parece que “esqueceram” de mencionar os recordes que afetam a vida dos baianos diariamente, na educação, saúde, segurança pública e na área social.
 
Aos números

E, já que o governo esqueceu de dizer, vamos contar aqui os recordes da Bahia que nenhum estado gostaria de sustentar: campeão de assassinatos no Brasil, maior taxa de analfabetismo, pior nota do IDEB no ensino médio, maior número de pessoas extremamente pobres e, para completar, a maior taxa de desemprego do país. Com o PT na Bahia, é recorde atrás de recorde! Pena que, para os baianos, não há nada a comemorar ou se orgulhar.
 
“Sincericídio”

Nesta semana, chamou a atenção uma entrevista de Wagner em que ele diz ter avisado a Rui que Jerônimo Rodrigues, pré-candidato do PT ao governo, deveria ter ido para a Casa Civil e não para Educação (a pior do Brasil). A fala foi interpretada na base como mais um “eu avisei” de Wagner e que o senador está preparando o discurso para, em caso de derrota de Jerônimo, jogar no colo de Rui o fracasso da empreitada petista.
 
Números do espanto

Uma pesquisa feita num reduto petista do Recôncavo da Bahia deixou espantado o núcleo duro do governo no Estado. Enquanto integrantes do PT esperavam larga vantagem de Jerônimo Rodrigues, o resultado do levantamento deu ACM Neto na frente, e inclusive com relativa vantagem. Passaram os últimos dias tentando entender como é possível.
 
Obra tamanho G

Viralizou nas redes sociais as imagens de um desabamento de paredes e da cobertura de um colégio estadual em obras no município de Queimadas. Detalhe: o acidente aconteceu enquanto funcionários trabalhavam nas intervenções, realizadas pelo governo do estado. Felizmente, ninguém se feriu. Os vídeos feitos pelos trabalhadores circularam no meio político e, os mais ácidos, chamaram a intervenção no colégio de “obra tamanho G, de gambiarra”. Bom, errado não tá!
 
Se a moda pega...

Assustou a cúpula governista o caso do prefeito de Santaluz, Dr. Arismário (Avante), que anunciou apoio a ACM Neto poucos dias após ser seduzido por promessas e dizer que iria seguir com Jerônimo. De acordo com um deputado ouvido pela coluna, integrantes do governo consideraram o caso uma surpresa e revelaram o temor de que mais prefeitos tomem a decisão. “O governo espera isso mais para a frente, quando não puder mais celebrar convênio, mas agora já foi totalmente inesperado”, revelou.

Foto: Divulgação. 

13 May 2022

O abuso de poder de Rui, as ameaças do governo contra aliados e o fantasma da insegurança

Ressaca junina

O Palácio de Ondina já está comprando milhares de comprimidos de Engov para combater a ressaca junina. É que depois do São João, os governos estaduais estão proibidos de liberar recursos para as prefeituras e fazer publicidade. Pelo jeito, o governador Rui Costa (PT) vai ter de pular fogueira, mas só depois do São João.
 
Abuso de poder

Em toda assinatura de convênio, Rui leva seu pré-candidato ao governo, Jerônimo Rodrigues (PT), para ficar do lado e aparecer na foto. Isso virou uma rotina. Membros da Justiça Eleitoral já estão de olho.
 
Cannabis

O caso Hempcare continua a rondar o Palácio de Ondina. A qualquer momento novas informações devem se tornar públicas, atingindo em cheio o centro de poder baiano.
 
Monitoramento pesado

O Palácio de Ondina tem marcado sob pressão os “aliados”. Quem assina convênio é obrigado a publicar, em sua rede social, a foto com o governador e o candidato do PT. E não para por aí. Um prefeito do interior recebeu uma ligação exasperada por ter curtido uma foto de ACM Neto (União Brasil) e Cacá Leão (PP) publicada no Instagram do pré-candidato a senador.
 
Farol baixo

Um cardeal petista apareceu de farol baixo em uma reunião essa semana. “Nunca vi ele tão cabisbaixo”, confidenciou um dos presentes ao encontro. E atribuiu o desânimo do figurão a pesquisas de opinião internas que mostram o candidato petista baiano numericamente empatado com o candidato bolsonarista.
 
No grito

Após perceber cada vez mais sua base de prefeitos ruir, o governador Rui Costa (PT) decidiu intensificar sua pressão aos gestores municipais com ameaças. A ordem do governador é que obras já prontas em municípios só sejam inauguradas se o prefeito aderir à pré-candidatura de Jerônimo Rodrigues (PT). Há casos em que as intervenções já foram concluídas há semanas, mas só podem ser entregues sob esta condição.
 
Ameaça velada

Uma nota disparada ontem pela secretária da Saúde do Estado, Adélia Pinheiro, de que tem interesse em assumir a gestão do Hospital Regional de Itaberaba foi encarada como uma ameaça do governo sobre o prefeito Ricardo Mascarenhas (PP), que reagiu. Em entrevista, o prefeito disse que não vai aceitar “chantagem” e fez críticas à secretária: “É uma das grandes piadas que ouvi nos últimos anos”. Disse que não vai aceitar “que ninguém coloque uma faca no meu pescoço para decidir quem vou apoiar” e ainda afirmou que “agora querem botar o hospital como instrumento político”.
 
Chantagem

Como se não bastasse ir na contramão de diversos estados que reduziram o ICMS do diesel para o transporte público, o governador Rui Costa agora partiu para a chantagem contra a Prefeitura de Salvador. O governo quer que a prefeitura faça um "realinhamento" de 81 linhas para conceder a redução do tributo. Na prática, Rui quer que o município corte as linhas de ônibus que concorrem com o metrô, para reduzir o déficit do sistema. O problema é que uma retirada de linhas vai representar um enorme prejuízo para a população, que passará a ter menos ônibus nas ruas.
 
Concorrência

Além disso, integrantes da gestão municipal apontam que o próprio governo descumpriu o contrato do programa quando não retirou os ônibus metropolitanos de circulação em Salvador. E o pior: o não cumprimento da medida tira em média 18 mil passageiros do metrô por dia. Outro dado interessante: mais de 80% dos usuários do metrô são integrados a partir dos ônibus da capital. A redução do ICMS foi adotada por diversos estados para justamente não penalizar o usuário do transporte público. Enquanto isso, quem paga a conta é o cidadão.
 
Banho de água fria

Após ser barrado pela Justiça Eleitoral de 2018, o ex-prefeito de Juazeiro Isaac Carvalho (PT) sofreu uma nova derrota nesta semana. Além de ser condenado a devolver mais de R$ 243 mil aos cofres públicos, ele teve seus direitos políticos suspensos por cinco anos, o que inviabiliza a candidatura dele a deputado estadual. Em 2018, ele chegou a concorrer a deputado federal, mas teve o registro de candidatura negado.
 
Ninguém viu

Chamou a atenção no meio político da Bahia o sumiço do secretário de Segurança Pública do Estado, Ricardo Mandarino, em meio a mais uma semana repleta de casos de violência. Nos bastidores, fontes com trânsito no Palácio de Ondina dizem que partiu do próprio governador Rui Costa (PT) a ordem para que Mandarino ficasse calado. Observadores políticos apontam que há em curso uma tentativa de ‘fritar’ Mandarino, como diz o jargão político.
 
Solitários

Deputados da base do governador estão vivendo uma espécie de cada um por si e Rui por ninguém. Nas sessões da Alba, a maioria nem dá mais as caras. Na última quarta, por exemplo, o líder do bloco governista, deputado Rosemberg Pinto (PT), estava como um lobo solitário na abertura dos trabalhos.  A conta gotas, alguns governistas mais xiitas foram surgindo no plenário na tentativa de defender o governo sobre a onda de violência que tomou o estado. Mas tudo o que se viu e ouviu foi: “a culpa é de Bolsonaro”. Ficou risível.
 
Foto: Divulgação. 

6 May 2022

Suspeitas de licitação direcionada na Ceasa, a pesquisa flopada e os ataques de fúria de Rui

Quase nos acréscimos
O governo do estado decidiu suspender a licitação para concessão da gestão da Central de Abastecimento (Ceasa-Salvador) aos 45 minutos do segundo tempo, quando já ia declarar o vencedor. O motivo é simples: o governo não gostou do fim e resolveu mudar o meio. Fontes da coluna confirmam que o edital será alterado, tirando os atacadistas da disputa. A suspeita é que as mudanças serão feitas para direcionar o resultado da concessão.
 
Manda quem pode
As mudanças teriam sido feitas após reunião do governador Rui Costa com lideranças e técnicos do governo. A motivação das alterações seria para agradar a um figurão com grande influência no governo do estado e beneficiar, também, seu irmão deputado. “Fiquei surpreso com o cancelamento desse edital que a Bahia tanto espera, para modernização deste equipamento importante para o nosso estado. Aí mudam, impondo limitações que só podem ser para direcionar o vencedor”, disse um deputado à coluna.
 
Banho de água fria
A tão esperada, pelo grupo governista, pesquisa do instituto Opnus caiu como um banho de água fria entre os aliados do PT no estado. Os números apontaram ACM Neto (União Brasil) com larga vantagem sobre Jerônimo Rodrigues (PT), que inclusive aparece empatado tecnicamente com João Roma (PL). O baque foi ainda maior para os petistas, dizem parlamentares da base. "Veja que eles capricharam na metodologia para que Jerônimo crescesse, mas não ocorreu", revelou um deles.
 
Censura?
Quem não gostou nada do resultado foi o governador Rui Costa (PT). O petista teria ficado tão chateado que, de acordo com fontes da coluna, não queria que o levantamento fosse divulgado pela rádio Salvador FM, que contratou a pesquisa - a rádio é do ex-deputado Marcos Medrado, integrante do grupo petista. Bom, o governador pode até negar, mas o fato é que a pesquisa seria divulgada na terça-feira (3), conforme consta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas só saiu na quarta-feira (4).
 
Rui zangado
Visivelmente irritado por conta das críticas que tem recebido na educação, o governador Rui Costa (PT) elevou o tom nesta semana e disse "respeitem a escola pública, filhinhos de papai", em discurso inflamado. A realidade, governador, está aí para provar o contrário. Quem não tem respeitado a escola pública é justamente o governo de Rui, que sucateou as escolas, fechou unidades, não investiu na valorização dos professores e, de quebra, deixou a Bahia com o título amargo de pior ensino médio do país. Se Rui destinasse todo esse vigor com o qual critica os adversários para melhorar a educação, quem sabe a situação para as crianças e jovens da Bahia estivesse melhor.
 
Causa e consequência
A consequência do abandono da área se reflete nos indicadores. A Bahia figura na última posição no ensino médio, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Além disso, o estado não conseguiu alcançar nenhuma das metas definidas no Ideb para os anos finais do ensino fundamental e médio durante os governos de Rui Costa. O governador já culpou os prefeitos e o governo federal. Vamos aguardar quem serão os novos culpados do tribunal de Rui.
 
Vai entender…
O escolhido para disputar o governo do estado pelo PT foi justamente o ex-secretário da Educação Jerônimo Rodrigues, que ficou à frente da pasta de 2019 a 2022. Não à toa tem sido chamado de "pior secretário da educação do Brasil".
 
Pinóquio

Como se não bastasse ferir todas as leis possíveis para se reeleger presidente da Câmara de Salvador, o vereador Geraldo Júnior (MDB) resolveu agora disseminar fake news. Pessoas ligadas a ele saíram espalhando que o Supremo Tribunal Federal (STF) negou a ação ajuizada pelo União Brasil contra a eleição, o que não é verdade. Aliás, a decisão do ministro Kassio Nunes Marques é contrária ao vereador, ao determinar o rito de urgência para que a medida seja analisada pelo plenário do STF, onde Geraldo deve ser derrotado. Além disso, determina que o emedebista apresente informações. Geraldo já foi até notificado.
 
Presidente andarilho
Enquanto Geraldo viaja em campanha, a Câmara ficou abandonada, dizem vereadores. Nesta semana, 20 vereadores governistas foram ao plenário do Legislativo para a sessão, convocada pelo próprio presidente, mas encontraram as portas fechadas. Fizeram, então, uma sessão simbólica na antessala. No dia seguinte, como se não bastasse o absurdo, a antessala foi fechada. O comentário é unânime: Geraldo age como déspota. E pior: com as bênçãos da oposição que se acha guardiã da democracia. Como diz o ditado baiano: me deixe, viu, seu Valera!
 
Menino birrento
Ainda sobre Geraldo, integrantes da cúpula governista já estão começando a se irritar com o ego do vereador nas comitivas pelo interior. Deputados dizem que Geraldo faz questão de ser o centro das atenções, o que tem incomodado, inclusive, o pré-candidato Jerônimo Rodrigues. Contam que Geraldo quer se meter em tudo, desde a ordem dos discursos até a agenda da campanha. E quando não fazem o que ele quer, continuam, o vereador faz birra.
 
Asas cortadas
Nunca se ouviu falar em coordenador de campanha de candidato a vice-governador. Mas era assim que o vereador Henrique Carballal (PDT) se autointitulava. O fato causava desconforto no meio petista com o comportamento, digamos, muito expansivo da equipe de Geraldo Júnior, tanto que Carballal foi convidado a se retirar e foi devolvido para a Câmera de Vereadores.
 
Foto: Divulgação.

29 Apr 2022

Rui Costa e o Planet Hemp, o fantasma da CPI dos Respiradores e a porteira aberta do PT

Planet Hemp
Pelo visto, o governador Rui Costa (PT) não era fã da banda Planet Hemp, grupo de rap rock do Rio de Janeiro que fez muito sucesso entre os anos 90 e o início dos anos 2000. A banda tinha nos vocais o cantor Marcelo D2, grande defensor da legalização da maconha. Na tradução livre, a palavra hemp significa justamente maconha em inglês. Pois bem, não é que o governador disse em depoimento à Polícia Federal no caso dos Respiradores que contratou a empresa Hempcare por não ter "pleno domínio da língua inglesa"?! A declaração do petista foi divulgada pela revista Veja, que teve acesso a trechos do depoimento, e teve uma repercussão nacional, com críticas de todos os lados. Para os bolsonaristas, então, foi prato cheio. Os seguidores do presidente Jair Bolsonaro, antagonista do PT na polarização nacional, inundaram as redes sociais com cards, textos e piadas para todos os gostos.
 
Enrolation

Nos bastidores, deputados classificaram a declaração de Rui como desastrosa, mas não perderam a piada. Um deles disse que a fala era uma tentativa de "enrolation" do governador petista para se livrar das investigações. Outro, disse que Rui podia até não dominar o inglês, mas parecia falar muito bem o mandarim - uma das principais variações da língua chinesa - dada a sua relação próxima com o país asiático - vide a ponte Salvador-Itaparica e o VLT do Subúrbio.
 
Bola fora

Mas, para além das piadas, houve também quem tratasse o tema com a seriedade que ele merece. Parlamentares governistas dizem que a declaração de Rui é quase um "atestado de incompetência" e que reforça a tese de que a operação para a compra dos respiradores foi uma fraude - lembrando que os equipamentos nunca foram entregues, enquanto os quase R$ 50 milhões foram pagos antecipadamente pelo Consórcio Nordeste, presidido no período por Rui.
 
Momento oportuno
Neste cenário, a oposição aproveitou a deixa da operação da Polícia Federal contra o ex-secretário Bruno Dauster e o empresário Cleber Isaac nesta semana e conseguiu as 21 assinaturas necessárias para pedir a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) para investigar o caso. A bancada vinha tentando desde dezembro as assinaturas. Agora, cabe ao presidente Adolfo Menezes (PSD), apoiador ferrenho do governador, permitir ou não a abertura da CPI. Fato é que líderes da oposição já avisaram que, se Adolfo negar, pretendem ir à Justiça e contam com o precedente da CPI da Covid no Senado, que só foi aberta após decisão favorável do Supremo Tribunal Federal (STF). Confidenciaram ainda que pretendem tocar os trabalhos de forma técnica. Inclusive, pretendem se municiar de todos os dados e fatos para evitar acusações de "politização" da CPI.
 
Desgaste
Na outra ponta, deputados do governo não esconderam a preocupação com o caso. Dizem que, dado o grau de envolvimento de Dauster e Rui (além de pessoas ligadas ao Palácio de Ondina) no caso, é inevitável que haja um desgaste para o grupo. Quem conversou com o líder do governo na Alba, deputado Rosemberg Pinto (PT), no dia que a oposição entregou o pedido disse que o petista estava quase "soltando fogo pelas ventas" de tão irritado. Andou até distribuindo patadas a jornalistas. Dizem as más línguas que aprendeu com Rui. Que maldade.
 
Trabalho adiantado
Líderes do bloco oposicionista dizem que já vão iniciar os trabalhos "com meio caminho andado" graças ao "relatório robusto" elaborado pela CPI da Assembleia do Rio Grande do Norte, que foi finalizada em dezembro passado. Por lá, Rui e Dauster estão entre os indiciados. Deputados dizem que o relatório aponta fatos gravíssimos contra o governo baiano e, com uma CPI no estado, a investigação pode ser aprofudada com a coleta de mais depoimentos e informações que envolvem o governador, o ex-secretário e outros integrantes da Bahia. As investigações apontam que estão na Bahia os "cabeças" da operação.
 
Banho de água fria
As recentes pesquisas de intenção de votos para o Governo da Bahia divulgadas pelos institutos Paraná e Seculus devastaram a empolgação da militância petista. Além de os números do candidato do PT, Jerônimo Rodrigues, estarem ainda muito baixos, a pontuação alcançada por ACM Neto demonstra não apenas uma consolidação da liderança como que não houve queda mesmo diante dos ataques promovidos nas últimas semanas.
 
Porteira aberta I
Caciques da política baiana ficaram de queixo caído com o anúncio do apoio do prefeito e vice de São Francisco do Conde, Antônio Calmon (PP) e Nem do Caípe (PT), à pré-candidatura de ACM Neto ao governo do estado. Calmon já era até esperado, mas Nem foi surpresa, uma vez que não apenas é filiado ao PT como é muito ligado aos deputados petistas Rosemberg Pinto e Jorge Solla. Para muitos, foi mais recado de que os ventos sopram cada vez mais favoráveis a Neto.
 
Porteira aberta II
E Nem do Caípe não parece ser um único. Nas próximas semanas, de acordo com uma liderança com muito trânsito no grupo de Neto, a tendência é que o movimento de mudança de lado se intensifique, tanto com a consolidação da liderança do ex-prefeito de Salvador apontada nas pesquisas quanto pela própria insatisfação da população com questões relacionadas aos governos do PT, especialmente na educação e segurança pública.
 
Bomba relógio
Por falar em segurança pública, o tema tem causado "profunda preocupação" na cúpula do governo devido à escalada da violência nas últimas semanas no estado, tanto na capital quanto no interior. Os casos estão tirando o sono do governador, garantem fontes com trânsito no Palácio de Ondina, principalmente porque "dá brecha" para o discurso da oposição de que a área vive um caos. Além disso, o petista não esconde mais de ninguém sua insatisfação contra o secretário da Segurança Pública, Ricardo Mandarino, de quem Rui nunca foi muito fã. Aliados próximos ao governador dizem que a principal queixa de Rui é que Mandarino não consegue nem reduzir os indicadores nem dar uma resposta rápida aos casos mais midiáticos, o que causa desgaste ao governo.
 
Tudo nosso, nada deles
Para além da insatisfação dentro de seu próprio partido, outra situação que o governador precisa lidar é com a queixa cada vez mais recorrente de deputados de partidos aliados ao PT que não estão na federação (que tem ainda PCdoB e PV). Segundo os parlamentares, a máquina governista só está trabalhando para eleger deputados estaduais e federais da federação, deixando os demais a ver navios.
 
Voo solo
Justamente por isso que muitos destes deputados resolveram ignorar o candidato do PT ao governo, Jerônimo Rodrigues (PT), para se dedicarem às próprias candidaturas. Tanto é que são poucos os que estão nas redes sociais declarando apoio público e fazendo campanha por Jerônimo. Como diz o ditado: farinha pouca, meu pirão primeiro.
 
Na mira
Auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE) já estão de olho nos convênios que o governo tem assinado com prefeituras. Na semana passada, a coluna chamou atenção para o tema. Especialistas em contas dizem que são muitas as suspeitas de irregularidades, entre elas que parte dos recursos está sendo paga sem qualquer controle, sem contar que chama a atenção os elevados valores em ano eleitoral - de dezembro para cá, já foram mais de R$ 400 milhões. Na Alba, deputados já sondam a possibilidade de uma CPI para investigar o caso, que pode terminar em denúncia de abuso de poder político e econômico por parte do governo.
 
Fantasma
Um fantasma tem pairado sobre Jerônimo nesta semana: o movimento por aumento salarial dos professores das universidades estaduais. A categoria já vem, nos últimos anos, se queixando da falta de valorização e de estrutura nas instituições de ensino superior do estado e, nesta semana, fizeram uma mobilização que é encarada como pré-greve. Em 2019, quando Jerônimo já era secretário da Educação, representantes das universidades acusaram o governo de contingenciamento de recursos das instituições, o que ganhou repercussão nacional. Se houver agora uma paralisação da categoria, é um banho de água fria para Jerônimo.
 
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22 Apr 2022

A farra dos convênios em ano eleitoral, as pedaladas de Rui e o all in de Geraldo Júnior

Milagres de ano eleitoral
Dizem que ano eleitoral faz milagre, e a Bahia tem sido palco de um dos grandes. O protagonista é o governador Rui Costa (PT) que, graças ao milagreiro ano eleitoral, mudou da água para o vinho e fez "brotar" recursos dos cofres do Estado para convênios com municípios. Após passar sete anos maltratando os prefeitos, que sempre encontraram as portas da Governadoria fechadas, o governador decidiu acarinhar os gestores municipais. Para o São João, o governo anunciou investimento de R$ 10 milhões para os municípios. O valor é quase 60% maior do que a quantia destinada em 2019, ano da última festa junina antes da pandemia da Covid-19. Naquele ano, foram R$ 6,3 milhões para prefeituras realizarem seus festejos.
 
Ouro de tolo
Em convênios gerais com prefeituras, somente de janeiro ao último dia 19 de abril deste ano, já foram mais de R$ 244 milhões em recursos, segundo levantamento obtido pela coluna. Só a título de comparação: em 2018, quando o governador Rui Costa disputou e venceu a reeleição, foram mais de R$ 180 milhões em convênios. Agora, ainda no mês de abril, o valor acordado pelo governo já superou, e muito, este número. Para comparar: em 2017, foram menos de R$ 30 milhões em convênios com prefeituras. Importante lembrar que estas obras sequer foram licitadas e provavelmente só poderão ser executadas em 2023.
 
Pedalada fiscal
O movimento do governo para atrair apoios em troca de convênios começou, na verdade, no final do ano passado. No mês de dezembro, foram mais de 70 convênios firmados com prefeituras, sendo que muitos deles foram publicados no dia 31. Parlamentares que estão analisando estes números apontam que a medida não passa de uma pedalada fiscal do governador. Isso porque estes convênios são pagos em média entre oito e doze meses - ou seja, dinheiro na conta dos municípios só em 2023. Justamente por isso o elevado volume de recursos em Despesa de Exercícios Anteriores (DEA) do ano passado chamou a atenção e já está no radar do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
 
Alerta calote
Entretanto, fica o alerta para os prefeitos: o governo tem a fama de não pagar totalmente os convênios. Estimativa feita por especialistas em contas do estado apontam que, em média, menos de 50% do valor é pago às prefeituras durante as gestões de Rui. Em muitos casos, o governo chega a não pagar nada. Prefeitos mais experientes já estão fazendo esse alerta e avisando inclusive a secretários de Rui e a seus deputados.
 
Cadê a ajuda?
Enquanto isso, prefeitos de cidades que sofreram com as chuvas ainda esperam uma ajuda mais efetiva do governo. A grande insatisfação é que, em ano eleitoral, o governador, que sempre se queixou da falta de dinheiro, resolveu abrir os cofres em troca de apoio para seu candidato e "esqueceu" dos problemas do Estado, muitos deles urgentes, como aqueles motivados pelas enxurradas, principalmente nas regiões Sul e Extremo Sul.
 
Rasteira
O apoio do prefeito de Jequié, Zé Cocá, à pré-candidatura de ACM Neto está dando o que falar. Aliados admitem que o movimento deixou Rui Costa transtornado. O governador do PT trabalhou pessoalmente para que Zé traísse João Leão e seguisse na base petista, mas as investidas foram frustradas. Tido como um dos principais nomes do PP baiano, Zé Cocá tem sofrido ataques ferrenhos dos apoiadores de Rui.
 
Apoios perdidos
Rui avaliou o movimento de Zé Cocá como uma afronta pessoal, e avisou que não vai deixar barato. Mas a verdade é que o prefeito de Jequié não foi o único que debandou para a base de ACM Neto. Esta semana, duas importantes lideranças também oficializaram o apoio ao pré-candidato do União Brasil: os prefeitos Dr. Pitágoras, de Candeias, e Carroça, de Rio Real.
 
Sem acordo
Na última semana, um prefeito do PP de uma pequena cidade da Bahia foi chamado por Rui para uma conversa na Governadoria. Recebido com muita pompa, conta um interlocutor com acesso ao Palácio de Ondina, o prefeito recebeu do petista uma proposta de convênio de R$ 5 milhões. O gestor municipal prontamente aceitou e disse que já tinha obras esperando os recursos. Rui, contudo, alertou que o dinheiro só seria pago em caso de apoio ao candidato do PT ao governo, Jerônimo Rodrigues. O prefeito, então, recuou e disse que já tinha um acordo selado para apoiar ACM Neto. Quem presenciou o encontro contou que o governador ficou abismado com a recusa. "Fez cara de poucos amigos", relatou uma fonte. "Em oito anos de governo Rui, o prefeito nunca viu tanto dinheiro oferecido para sua cidade", continuou.
 
Vai vestir vermelho?
Tem causado estranheza entre bolsonaristas na Bahia a postura do vereador Alexandre Aleluia (PL), que posa de seguidor do presidente Jair Bolsonaro (PL), mas se aliou ao presidente da Câmara, Geraldo Júnior (MDB), hoje pré-candidato a vice na chapa do PT, partido antagônico ao grupo do capitão. Além de ter se aliado, Aleluia tem defendido as movimentações nada republicanas de Geraldo, o que gerou desconfiança e burburinho no meio bolsonarista. Já há quem questione se Aleluia trabalha nos bastidores para ajudar a chapa do PT. O movimento do vereador tem gerado críticas de seguidores do capitão e, pelo que dizem bolsonaristas, Aleluia está perdendo apoio na ala mais ideológica da direita.
 
All in
Sempre bem-humorado, Geraldo Júnior tem causado estranheza entre os aliados. Na última semana, ele estava nervoso e bastante irritado. Quem o conhece, aponta que a tentativa de um "all in" (tudo ou nada no pôquer) político está deixando o “líder” carrancudo. E se der errado?
 
Futuro nebuloso
Com as pesquisas de opinião cada vez menos otimistas para a chapa do PT, Geraldo tem visto uma perspectiva nada favorável após as eleições, dizem interlocutores, principalmente porque o presidente da Câmara ficou com a fama de traíra e sem viabilidade política. Acreditam ainda que é questão de tempo para que a "manobra" para ser reeleito presidente da Câmara seja derrubada na justiça.
 
Desespero
Nesta semana, as novas manobras feitas por Geraldo foram interpretadas como "um grau de desespero muito grande" entre vereadores da Casa. Além de abrir "na tora" a sessão no Legislativo, mesmo sem quórum, ele ainda cortou a fala de vereadores e apagou a luz enquanto havia gente no Plenário. Sem contar na nomeação de presidentes das comissões, o que foi uma afronta ao Regimento e à Lei Orgânica. E tudo feito às claras, sem nem esconder.
 
Base unida
Os movimentos considerados desesperados de Geraldo não foram suficientes para desarticular a base do prefeito Bruno Reis na Câmara. A foto com a grande maioria dos representantes em frente ao Ministério Público foi uma prova da união.
 
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