Alô Alô Política


8 Apr 2022

A insurreição contra Rui e Wagner, a "simpatia" do governador e o voto pulverizado dos bolsonaristas

Insurreição dos companheiros

Um grupo de deputados estaduais e federais de PT e PCdoB prepara uma insurreição contra o governador Rui Costa (PT) e o senador Jaques Wagner (PT) devido aos espaços no governo entregues ao MDB, que recentemente desembarcou no grupo petista no estado. Os parlamentares estão insatisfeitos com as nomeações feitas pelos caciques petistas, principalmente em relação ao comando da Secretaria de Recursos Hídricos, pasta considerada estratégica para as bases no interior do estado. Eles queriam que os "cargos mais encorpados" deixados pelo PP, que migrou para o grupo do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), fossem repartidos entre os aliados mais próximos ao PT. A queixa já foi levada a Rui e Wagner, que tentaram, sem sucesso, acalmar os ânimos dos companheiros. 

Ao pé do ouvido

Nesta semana, três deputados deste grupo de insatisfeitos foram flagrados por colegas parlamentares em uma conversa nos corredores da Assembleia Legislativa. Um deles é federal, enquanto os outros dois são estaduais. "Chegaram por último, não trouxeram nenhum deputado, a maioria dos prefeitos apoia Neto, e ainda sentam na janela", reclamou um deles. Os parlamentares ainda disseram que pretendem intensificar as articulações para conquistar mais espaços deixados pelo PP e evitar que o MDB "abocanhe" mais cargos. Eles ainda acreditam que o sentimento de insatisfação no PT e PCdoB é majoritário devido à situação. 

Rui, o Simpático
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Depois de oito anos sendo acusado de maus tratos pelos aliados, eis que o governador Rui Costa agora resolveu vestir o manto da simpatia e da humildade. Nos palanques pela Bahia afora, tem dito que os "prefeitos não querem mais receber grito e pontapé na canela de governador". Quando ele termina o discurso, muitos deputados se entreolham e cochicham: "Ele não deve ter espelho em casa". Seria cômico se não fosse trágico. 

Da água para o vinho

Por falar nisso, prefeitos do interior estão procurando seus deputados para revelar, com perplexidade, que estão sendo chamados para conversas com o governador ou algum de seus auxiliares mais próximos. A papo é sempre o mesmo: governo promete milhões em recursos via convênios em troca de apoio para o candidato ao governo do PT, Jerônimo Rodrigues, nas eleições deste ano. Até mesmo prefeitos da oposição, que sempre tiveram as portas fechadas na Governadoria, estão sendo chamados. Sedentos por recursos, os prefeitos até aceitam os recursos. A questão agora é saber se vão apoiar Jerônimo. O jeito é esperar agosto para ver.

Voto pulverizado

Entre bolsonaristas, caciques da política baiana acreditam que haverá uma pulverização dos votos para deputado federal da base mais fiel ao presidente Jair Bolsonaro. Em 2018, esta fatia do eleitorado votou majoritariamente na deputada Dayane Pimentel, que acabou rompendo com o grupo do presidente. Há ao menos cinco nomes para a disputa e caciques apostam que no máximo um deles conquista a vaga para o Congresso. 

E a rabada?

Já no MDB, parlamentares têm comentado que não estão vendo a famosa "rabada" - aqueles candidatos com menor potencial eleitoral, mas que ajudam a chegar no quociente necessário para a eleição de deputados. Embora o partido tenha levado nomes com musculatura para a disputa pela Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados, faltam candidatos mais competitivos. 

Conto do vigário

Nos corredores da Assembleia Legislativa, deputados ouvidos pela analisaram a janela partidária e disseram que alguns candidatos de partidos médios e pequenos podem ter caído no "conto do vigário". Isso porque muitos partidos estão fazendo contas "muito acima da realidade" para atrair nomes para suas legendas. Pelas contas, se todos forem eleitos, o Legislativo estadual vai precisar de pelo menos umas dez vagas a mais para deputados. 

Renovação forçada

A Assembleia Legislativa deve ter uma renovação forçada de ao menos 11 deputados. Levantamento feito pela coluna mostra que, deste total, seis devem disputar uma vaga na Câmara dos Deputados e cinco não devem de disputar a reeleição. Para federal, irão os deputados Capitão Alden, Dal, Diego Coronel, Leo Prates, Talita Oliveira e Tum. 

Susto

Provocou um rebuliço no PV baiano o burburinho de que o partido iria sair da federação com o PT. Considerada uma espécie de coligação, a federação é a esperança dos verdes para manterem suas cadeiras de deputados. Ao que tudo indica, tudo não passou de especulação. Mas, como diz o ditado, onde há fumaça, há fogo. 

Mudanças

Com o aumento da bancada de oposição na Assembleia, que chegou a 27 deputados, as comissões da Casa terá muitas mudanças. As conversas já começaram e o grupo oposicionista deve ganhar novas cadeiras e, quem sabe, o comando de mais colegiados do Legislativo.

Fotos: Divulgação. Siga o insta @sitealoalobahia

1 Apr 2022

Lula descontente com aliança PT-MDB, a insatisfação da base petista e os barrados no evento do ex-presidente

Persona non grata
A militância mais à esquerda do grupo petista não gostou nada da escolha de Geraldo Júnior para a vice de Jerônimo Rodrigues, que será candidato ao governo do PT. Esta ala, formada não só por integrantes do PT, defendia a escolha de um nome "mais ligado ao perfil do ex-presidente Lula", em especial uma mulher. As favoritas eram a deputada federal Lídice da Mata (PSB) e a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB). E dizem também que Geraldo está mais de olho em seus projetos pessoais do que os do grupo. "Prevaleceu o pragmatismo de Wagner", frisa um deputado da base.
 
Bronca do chefe
Por falar em Lula, que esteve ontem em Salvador para lançar a chapa do grupo, o ex-presidente também não gostou da aliança com o MDB. Segundo fontes da coluna, o manda-chuva petista teme que o acordo seja um "tiro no pé" e que cause desgaste junto à militância e prejudique sua votação na Bahia.
 
Barrados no baile
No evento com Lula, diga-se de passagem, políticos aliados reclamaram da desorganização. Quem estava lá flagrou diversos políticos que não conseguiram entrar no espaço do evento, que acabou com muitos "puxa-sacos" levados por deputados. Entre os que não conseguiram entrar estavam o prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), e o deputado federal Bacelar (PV). Se conseguiram entrar depois, não se sabe, mas estavam com cara de poucos amigos.
 
Cheque em branco
Em seu discurso, o próprio Lula admitiu que não conhece "o tal de Jerônimo". A fala causou desconforto entre os presentes, que se entreolharam quando o cacique petista falou. "Se depender da minha vontade, de algum voto que eu tenha na Bahia, esse tal de Jerônimo, que eu ainda nem conheço bem, e se lançará candidato, será o próximo governador da Bahia", disse Lula. Bom, aí fica a pergunta: se nem Lula conhece, imagine o povo?!
 
Deixa o povo falar
Quem esteve no evento flagrou conversas em paralelo entre prefeitos. O papo era o seguinte: todos diziam que votariam e pediriam voto para Lula para presidente, mas quando o assunto era a disputa pelo governo do estado, desconversavam e falavam sobre as eleições para Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Detalhe: o evento era para lançar a chapa governista à sucessão. Silêncio muito sugestivo.
 
Euforia, mas nem tanto
A ida do MDB para a base até animou os principais líderes da base governista, mas, na prática, aliados avaliam que o único ganho é o tempo de televisão. O partido não leva deputados nem prefeitos, já que os principais gestores municipais da legenda já avisaram que ficarão no grupo de ACM Neto.
 
Farinha pouca…
E já tem liderança partidária da base governista reclamando do tratamento prioritário dado ao MDB em detrimento das demais legendas. Um deputado da base diz que o movimento para "vitaminar" o partido dos Vieira Lima, articulado por Wagner, "não é razoável" quando há "partidos aliados históricos" com dificuldade para montar suas chapas proporcionais. Um deles é o PSB, que, além de ter problemas para formar seu grupo para deputado federal, deve também perder deputados estaduais com mandato para outras legendas.
 
Embarrigada
E Wagner que acusou o PDT de estar sendo "embarrigado" agora decidiu ele mesmo "embarrigar" o MDB. O processo, no entanto, tem sido visto com desconfiança dentro da legenda. Isso porque os nomes que estão indo para o partido são, na verdade, muito ligados a outras lideranças do grupo, como os ex-prefeitos de Ribeira do Pombal Ricardo Maia e de Santo Antônio de Jesus Rogério Andrade, ambos com ligação forte com o senador Otto Alencar. Já se comenta que alguns destes que estão indo para o MDB só querem ser eleitos e depois pulam fora do partido.
 
Rainha da Inglaterra
Enquanto o senador Jaques Wagner assumiu de vez o comando da base política do PT, como "fundador do grupo", como ele mesmo diz, o governador Rui Costa ficou em segundo plano e tem sido chamado de "Rainha da Inglaterra" na própria base. Isso porque além das decisões políticas, Wagner tem também feito interferências no governo, indicando mudanças nas secretarias para agradar os novos aliados. Antes, dizem governistas, isso seria inconcebível para Rui.
 
Na boca do povo
Em Morro do Chapéu, um movimento inusitado tem tomado conta da cidade. A prefeita Juliana Araújo tem sido cotada por aliados de ACM Neto para integrar a chapa como candidata a vice-governadora. Diante disso, moradores do município criaram uma mobilização nas redes sociais chamada "#FicaJuju", em referência ao apelido da prefeita. Aliados de Juliana dizem que ela tem sido parada na rua por pessoas para perguntar se as conversas são mesmo verdade ou especulação.
 
Foto: Reprodução/Redes sociais/@beatrizdepaula_

25 Mar 2022

O repasse recorde do governo para a Fonte Nova, a ira de Rui com Leão e o custo da votação da Embasa

Arena dos bilhões
Os alarmantes gastos do governo do estado com a Arena Fonte Nova trouxeram mais uma surpresa nada agradável no ano passado: o valor repassado ao empreendimento dobrou e bateu um recorde. Em 2021, o governo pagou R$ 361,1 milhões à arena, valor que representa 107% a mais do que a quantia de 2020 - R$ 174 milhões. Este foi o maior volume de recursos encaminhados pelo governo à Fonte Nova em apenas um ano desde 2013. Os dados são da própria Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz). Ao final do contrato de parceria público privada (PPP), previsto para 2028, o governo terá repassado à Fonte Nova em torno de R$ 2,2 bilhões (sem correção). O valor é mais que o triplo do previsto inicialmente na construção do empreendimento, de R$ 689 milhões.
 
Informação desencontrada
Chama a atenção que o próprio Executivo informou no ano passado que repassaria anualmente R$ 256,89 milhões, conforme nova pactuação feita com a arena. Entretanto, o valor pago em 2021 foi 40% maior do que o anunciado. Para variar, não houve qualquer explicação do governo para o "bônus" pago em 2021. Informações obtidas pela coluna dão conta de que o caso tem chamado a atenção de auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que, inclusive, já alertou ao governo em anos anteriores sobre irregularidades no contrato com a arena.
 
Rui arara

As recentes declarações do vice-governador João Leão (PP) sobre a turbulência na base petista no estado estão provocando a mais profunda ira do governador Rui Costa (PT). De acordo com parlamentares, em conversas com pessoas próximas, Rui tem soltado cobras e lagartos contra Leão. Eles revelam que o principal foco de chateação do governador é quanto às declarações do cacique do PP sobre os bastidores do grupo, entre elas as falas de Leão de que "o casamento de Rui com Wagner está em crise", o que eles negam, e que "toda a Bahia sabe que Rui queria ser candidato a senador".
 
Estratégia furada
Enquanto isso, o governador tenta colar a alcunha de traidor em Leão pelo fato de o vice-governador ter migrado para o grupo da oposição. Entretanto, as investidas de Rui esbarram em declarações do senador Jaques Wagner (PT), que confirmam a quebra de acordo com Leão e o PP. O senador disse, em suas redes sociais, que "Rui entendeu a importância de ficar na cadeira até o final", confirmando a pretensão de Rui disputar o Senado, como Leão tem dito. Além disso, o próprio Wagner falou de acordo para apoio ao senador Otto Alencar (PSD) para o governo, abrindo espaço para Rui concorrer à Casa Alta do Congresso e deixar o governo para Leão, inclusive no épico vídeo em que o petista pede desculpas a "Leãozinho". É, Rui, essa vai ser difícil colar...
 
Oba oba
A pesquisa 'mandrake' divulgada esta semana pelo instituto Opinus até animou os petistas e seus aliados mais radicais, mas não mudou em nada o desânimo dos demais integrantes do grupo governistas. Numa análise, um cacique diz que "não faz sentido" o pré-candidato do PT, Jerônimo Rodrigues, aparecer com um percentual tão alto sendo muito desconhecido no estado. "Muitos prefeitos nem conhecem Jerônimo, imagine a população em geral", diz, sob anonimato.
 
Quem é?
Fontes do Palácio de Ondina revelaram, inclusive, que o desconhecimento das pessoas sobre Jerônimo tem surpreendido a cúpula governista. Um político que esteve em uma das agendas no interior disse que até mesmo militantes petistas fervorosos ainda não conhecem o secretário da Educação de Rui. O governador, inclusive, tem procurado carregar seu candidato em todas as agendas que faz pela Bahia.
 
Respiro
A base governista na Assembleia Legislativa conseguiu, enfim, aprovar um dos projetos relacionados à Embasa que estavam empacados há algumas semanas. No grupo, o sentimento é que foi uma "demonstração de força" da base após a saída dos deputados do PP, terceira maior bancada do Legislativo. Entretanto, a "vitória" teve um custo muito alto. Segundo deputados, a aprovação só saiu porque os articuladores do governo tiveram que prometer mundos e fundos (obras e emendas) para garantir o quórum e o voto favorável dos parlamentares. A dúvida é saber se o acordo será cumprido.
 
O custo
E as promessas ficaram ainda mais caras para a próxima semana, quando pode ser apreciado a outra proposta da Embasa, a que prevê a adequação da empresa baiana ao marco legal. Na prática, abre as portas para a privatização da empresa. Parlamentares mais à esquerda não querem votar a favor da proposta justamente pela possibilidade de privatização, enquanto outros temem desgaste com os trabalhadores. "Rui vai ter que abrir os cofres", disse um parlamentar nos corredores do Legislativo.
 
Quem fala o que quer...
Uma crítica do deputado Jacó (PT) a pastores evangélicos irritou parlamentares e prefeitos religiosos e azedou ainda mais a ligação deles com o governo do estado. Jacó falava sobre o caso dos pastores na liberação de verbas do Ministério da Educação e fez uma crítica generalizada. O vídeo viralizou e deixou os evangélicos bastante irritados.
 
...Ouve o que não quer
O deputado Pastor Ubaldino pediu a palavra e largou um verdadeiro sermão a Jacó, que abaixou a cabeça e nada disse. Para deputados da base, enquanto o ex-presidente Lula tenta se aproximar do público evangélico, seus aliados petistas fazem o contrário. "Há muitos evangélicos na base. A fala de Jacó prejudica ainda mais a relação com o PT", disse um deputado.
 
Sem descanso
E continua a marcação cerrada do governador Rui Costa sobre o ex-prefeito ACM Neto. O novo caso vem da região Sul do estado. Em visita à região em julho do ano passado, Neto criticou as condições de trecho da BA-120 que liga Gandu a Ibirataia e até gravou um vídeo para mostrar as crateras na estrada, que está abandonada há anos. O que fez Rui? Pressionado pelos prefeitos, anunciou o edital em outubro e, nesta semana, assinou a ordem de serviço para as obras de recuperação da BA-120.
 
Casa nova
Após anunciar a saída do PL, o deputado federal Zé Rocha deve mesmo se filiar ao União Brasil. A confirmação deve ocorrer no próximo sábado, em Coribe, onde o filho dele, Manuel Rocha, pré-candidato a deputado estadual, vai se filiar ao partido, em ato com a presença do pré-candidato a governador ACM Neto. O evento deve marcar também a filiação do prefeito de Coribe, Murillo Ferreira Viana, ao União Brasil.
 
Foto: Divulgação. 

18 Mar 2022

A pesquisa Mandrake, o café frio na Governadoria, Otto desanimado e Leão revigorado

Pesquisa Turbinada
Um alto figurão do Palácio de Ondina tem constrangido veículos de comunicação da capital com uma demanda inusitada. O “pedido” é que contratem um instituto desconhecido para publicar pesquisas de opinião de voto turbinando o candidato do PT, Jerônimo Rodrigues. Alguns veículos, mesmo com medo de represálias, negaram. Argumentaram que seria melhor esperar o candidato ficar mais conhecido para depois fazer a pesquisa. “Em qualquer instituto sério, Jerônimo não pode aparecer com mais de 3% de intenção de votos. Quase ninguém ouviu falar dele na Bahia”, revela uma fonte sob pedido de anonimato.
 
Desânimo
Pessoas próximas ao senador Otto Alencar (PSD) revelaram que o cacique anda bastante desanimado em meio ao tsunami ocorrido na base do PT na Bahia nas últimas semanas, que resultou inclusive no desembarque do PP. Lideranças que estiveram com o senador recentemente contaram que ele está “flagrantemente cabisbaixo” e tem andado econômico nas palavras.
 
O motivo
O desânimo, dizem integrantes do PSD, ocorre em função do desmonte da base, resultando na saída do PP. O senador também estaria insatisfeito com a condução do processo de escolha do candidato a governador pelo PT. A avaliação no PSD é que Jerônimo não é um nome forte e, mesmo contando com o “up” de Lula, pode até se tornar um candidato viável, mas não competitivo.
 
Revigorado
Por outro lado, tem surpreendido a animação do vice-governador João Leão (PP) após migrar para o grupo de ACM Neto e anunciar que vai disputar o Senado. Integrantes do PP dizem que, depois de receber o aviso de que não iria assumir o governo, Leão ficou muito abatido. Mas a nova empreitada política deu uma sobrevida ao vice, que voltou a contar piadas e, nas conversas com aliados próximos, tem demonstrado motivação para ser eleito senador. "Otto que se cuide", disse um pepista que esteve ontem no anúncio da aliança entre União Brasil e PP.
 
Satisfação
Na coletiva de imprensa, os deputados estaduais e federais e prefeitos do PP não esconderam a satisfação com a formalização da aliança com o grupo de ACM Neto. Alguns deles, principalmente os federais, já vinham defendendo a mudança há tempos. Os estaduais tinham mais resistência devido aos cargos, mas também andavam insatisfeitos e reclamavam constantemente do desprestígio do PP na base governista. Entre os prefeitos, marcaram presença Zé Cocá (Jequié), Dr. Pitágoras (Candeias) e Marcelo Pedreira (Governador Mangabeira).
 
 Ingratidão?
Saiu pela culatra o tiro dado por Rui Costa (PT) ao sugerir ingratidão do vice-governador João Leão (PP), que decidiu marchar com o grupo de ACM Neto e ser candidato a senador. “O povo vai julgar o que é gratidão e o que é ingratidão. O povo vai julgar quem mudou a camisa do time aos 45 minutos do segundo tempo e quem não mudou”, afirmou o governador. A declaração foi encarada como “rancorosa e desmedida”. Além disso, parlamentares disseram que é mais uma “estratégia tabajara” de Rui para jogar no colo de Leão a culpa pelos erros políticos do próprio governador. “O PT que fez o acordo e não cumpriu”, disse um parlamentar.
 
Café frio
A contagem regressiva para o fim do governo de Rui Costa já começou, e até o café já começa a ser servido frio na Governadoria. Assessores já não obedecem como antigamente e antigos aliados ameaçam se rebelar. A canção entoada pelas bandas do CAB é 'nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia'.
 
Subiu pra cabeça
Depois de implodir o arco de alianças do PT e se afastar do senador Jaques Wagner, o governador Rui Costa parece ter sido picado pela mosca da soberba. Em entrevista à imprensa ontem, ele disse que o secretário da Educação Jerônimo Rodrigues, escolhido do PT para a disputa pelo governo, é o novo Rui, como ele próprio, o governador, fosse sinônimo de algo celestial. Calma lá, Rui!
 
Crise dos vermelhos
Na base aliada ao PT, a ala mais radical à esquerda, inclusive dentro do próprio partido de Rui e Wagner, não está nada satisfeita com a escolha de Jerônimo Rodrigues. A questão, dizem parlamentares, é que Rui Costa se tornou uma “pessoa completamente desprestigiada” no arco de alianças, principalmente neste grupo mais à esquerda, e o secretário da Educação é muito ligado ao governador. “A verdade é que ninguém quer um novo Rui, e Jerônimo já mostrou que tem um perfil parecido no trato com os aliados”, contou um deputado.
 
Desespero no varejo
Após o desmonte da base aliada, o governador Rui Costa tem tentado correr atrás do prejuízo e busca aliados que hoje estão com ACM Neto. Fontes ouvidas pela coluna revelaram que “estão oferecendo tudo e mais um pouco”. Contudo, as propostas têm sido recusadas e são consideradas “atos desesperados” do governador. Os espaços antes ocupados pelo PP já estão na mesa, mas parecem não despertar o interesse dos caciques.
 
Forçando a barra
Rui tem também, contam deputados, tentado mudar o trato com prefeitos. Em conversas com gestores municipais, o governador “tem feito um esforço” para ser minimamente simpático e até ouvir os pleitos dos aliados. “O problema é que foram sete anos de desprestígio. Rui ia nas cidades e mal falava com o prefeito, pior ainda se fosse da oposição. Às vezes, nem mesmo nós deputados da base éramos chamados quando ele ia aos municípios”, disse um parlamentar. “Agora, porque está em ano eleitoral, ele tenta se aproximar”, criticou.
 
Cadê Wagner?
Tem causado estranheza o silêncio do senador Jaques Wagner após o rompimento de João Leão com o grupo governista. Na base petista, deputados dizem que Wagner “soltou a bomba e deixou a explosão nas mãos de Rui Costa”. Explicando: foi Wagner quem anunciou, na rádio Metrópole, que Rui não seria candidato a senador e, consequentemente, Leão não assumiria o governo. Este foi considerado o estopim do rompimento.
 
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11 Mar 2022

O jogo da discórdia do BBB dos aliados do PT, a jogada de Wagner contra Rui e o teto de vidro de Caetano

Big Brother Bahia
A escolha da chapa do governo para a disputa eleitoral deste ano está gerando mais conflitos do que o BBB. A oposição no estado já deu ao imbróglio o apelido de Big Brother Bahia. São altas doses diárias de lavação de roupa suja em público. Somente nesta semana integrantes do grupo aliado ao PT no estado protagonizaram embates de fazer inveja ao reality show da TV Globo. Vamos às cenas.
 
Jogo da Discórdia 1ª edição
Primeiro, o senador Jaques Wagner (PT) surpreendeu a todos, em uma entrevista à rádio Metrópole, ao afirmar que o senador Otto Alencar (PSD), até então favorito para ocupar a cabeça da chapa, não era candidato ao governo. De quebra, ainda disse que o governador Rui Costa (PT) ficaria no cargo até o fim, frustrando o desejo do chefe do Executivo baiano de disputar o Senado e a expectativa do vice-governador João Leão (PP) de assumir o governo.
 
Jogo da Discórdia 2ª edição
Rui deu troco e, em entrevista coletiva no mesmo dia, reagiu e, ao ser questionado sobre as declarações do senador do PT, mandou os repórteres perguntarem a Wagner. Leão, por sua vez, soltou nota praticamente se dizendo traído. O vice acusou Wagner de descumprir "alinhamentos construídos" e falou sobre possibilidade de rompimento com o grupo governista. A cena seguinte foi com Wagner pedindo “desculpas a Leãozinho” em vídeo ao BNews. E agora, qual o próximo capítulo?
 
A escolha
Um cacique da política baiana avalia que, com a jogada, Wagner escolheu entre o PSD e o PP, que protagonizavam um conflito cada vez mais aberto por espaços no governo. "Wagner sabia que dificilmente iria manter os dois, e escolheu abrir mão do PP", analisou.
 
Gota d'água
Entre pepistas, o sentimento é de indignação. O sentimento majoritário do partido, dizem fontes da coluna, é mesmo de rompimento com o grupo governista. Até mesmo deputados estaduais pepistas que eram resistentes à ideia passaram a defender o desembarque. Um prefeito muito ligado ao grupo governista chegou a confidenciar seu desapontamento com o tratamento ao partido. "Leão nunca deu prova de deslealdade nem fez ameaça, e foi tratado assim", lamentou.
 
Cada um por si
Já na base do governo, o sentimento é de cada um por si. Integrantes de partidos da base dizem que as articulações conduzidas por Wagner e Rui "abandonaram" os partidos e "deixaram aliados históricos à míngua". Parlamentares dizem que, agora, a preocupação dos partidos é trabalhar para eleger suas respectivas bancadas. A majoritária, garantem, ficou em segundo plano.
 
Mais boicote
A prova da "insatisfação máxima" na Assembleia Legislativa, como definiu um deputado governista, veio nesta semana durante a sessão para votar projetos relacionados à Embasa. Na terça, a liderança do governo até tentou, mas os parlamentares governistas não deram quórum sequer nas comissões, o que inviabilizou a votação. Na quarta, foi feita nova tentativa, sem sucesso. Até mesmo deputados do PT faltaram. "E o pior é que já não podem nem contar com os deputados do PP", avaliou um integrante da bancada da situação.
 
Meu passado me condena
Dos três nomes cogitados pelo PT para disputar o governo, o secretário de Relações Institucionais, Luiz Caetano (PT), é considerado o menos provável por interlocutores da base. Embora seja o favorito de Wagner, caciques ouvidos pela coluna consideram que Caetano dificilmente conseguirá fugir das condenações do período em que foi prefeito de Camaçari. Enquanto petistas dizem que podem usar o discurso de "perseguição política", assim como usam com o ex-presidente Lula, deputados da base acreditam que Caetano dificilmente estará elegível na eleição pelo fato de suas contas de 2012 terem sido reprovadas pelo TCM.
 
Tic tac
Para parlamentares ouvidos pela coluna, é questão de tempo para que as contas sejam enviadas para a Câmara de Camaçari, hoje de ampla maioria contra o petista. Caso as contas sejam rejeitadas, Caetano volta a ficar inelegível. No meio político, a expectativa é que as contas sejam enviadas ao Legislativo de Camaçari ainda no primeiro semestre deste ano.
 
Mudo ativado
Enquanto isso, tem causado estranheza o silêncio ensurdecedor do senador Otto Alencar diante dos conflitos na base governista. Até mesmo o senador Angelo Coronel (PSD), famoso no meio político por ser falastrão, se calou. O que será que estão pensando?
 
Mudança à vista
Fontes do Palácio de Ondina dizem que os dias de Adélia Pinheiro na Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) estão contados. Elas dizem que Adélia foi escolhida pelo governador Rui Costa para "acalmar os ânimos" de partidos que estavam de olho no posto, que estava vago desde a saída de Fábio Vilas-Boas e era ocupado interinamente por Tereza Paim. Agora, uma nova mudança na pasta já está sendo preparada.
 

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Fotos: Divulgação. Montagem: Alô Alô Política.

4 Mar 2022

Guerra fria entre Otto e Leão, fogo amigo contra Rui e a preocupação de deputados do PT

Tsunami na base
A desistência oficial do senador Jaques Wagner (PT) da disputa pelo governo do estado desencadeou aquela que é considerada uma das maiores crises da base petista no estado - senão a maior. Em poucos dias, teve de tudo: as mais diversas alas do PT não têm consenso sobre o quê fazer, o senador Otto Alencar (PSD) - que já havia dito a aliados que toparia a empreitada de substituir Wagner - prefere a reeleição para o Senado, caciques de partidos da base ficaram enfurecidos por serem excluídos dos debates e, por fim, o governador Rui Costa (PT), que quer ser candidato a senador, enfrenta uma forte resistência dentro do seu próprio partido.
 
Fogo amigo
Para quem espera que a eleição de Rui está garantida, parlamentares confidenciaram à coluna que não é bem assim. Eles dizem que lideranças do PT já avisaram que estão dispostas a dificultar o caminho de Rui para o Congresso e garantem que as principais lideranças do partido, principalmente os "petistas raiz", não vão se empenhar na eleição do governador para o Senado.
 
Bola pra frente
Com Wagner fora da disputa, Otto é a bola da vez. Partidos da base avaliam que o senador pessedista conquistou certo destaque na CPI da Covid e, com o apoio de Lula (PT), se torna o nome mais viável do grupo. Pessoas próximas ao senador revelaram que Otto, embora continue negando publicamente entrar na disputa, já aceitou e, inclusive, está "mexendo os pauzinhos" para dar corpo à campanha. Ele ainda teria dito que espera "participação ativa" de Lula em sua empreitada.
 
Guerra fria I
Não é novidade para ninguém que a relação entre o senador Otto Alencar e o vice-governador João Leão (PP) não é das melhores, para ser eufêmico. Contudo, com a iminência de Leão assumir o governo, já que Rui deve renunciar para disputar o Senado, há na base um temor de que seja desencadeado um conflito sem precedentes na base.
 
Guerra fria II
Fontes ouvidas pela coluna fazem um paralelo da relação de Otto e Leão com a guerra da Rússia e a Ucrânia. Assim como nos dois países, os dois caciques vivem uma "guerra fria" nos últimos anos em função da disputa por espaços no governo. Na guerra na Europa, a possível entrada da Ucrânia na Otan foi um estopim para o ataque da Rússia ao país vizinho. Por aqui, a ida de Leão para o comando do governo pode dar início ao conflito.
 
Guerra fria III
Tanto é que o senador ainda resiste à ideia de Leão assumir o Palácio de Ondina. Caciques da base dizem que o Otto teria sugerido que Leão disputasse o governo, enquanto ele buscaria sua reeleição no Senado. A ideia desagrada tanto a Rui, que está intransigente e não abre mão da vaga de senador na chapa, quanto a Leão, que sonha em ser governador, nem que seja por nove meses.
 
Governo Leão
No meio político, o governo de João Leão é uma realidade. Integrantes da base avaliam que poucas serão as mudanças nos cargos do Executivo. "O desenho dos partidos nas secretarias deve continuar o mesmo. Leão não vai querer briga e não pretende mexer em nada no primeiro e segundo escalão", revela um parlamentar ouvido pela coluna.
 
Novo líder
Contudo, algumas mudanças devem acontecer. Uma delas é na liderança do governo na Assembleia Legislativa. Fontes da coluna confidenciaram que, no governo Leão, o líder no Legislativo deve ser o deputado Eduardo Salles (PP), que já lidera a bancada do partido. Ele deve suceder Rosemberg Pinto (PT), líder ao longo do segundo mandato de Rui e que, dizem parlamentares, nunca foi unanimidade na base.
 
Força da máquina
Se, por um lado, Leão não tem pretensão de mexer nos cargos do governo, por outro vai buscar o fortalecimento das bancadas do PP na Assembleia e na Câmara dos Deputados. Com Leão no comando, a expectativa é que as bases pepistas sejam beneficiadas com obras, o que muito agrada aos deputados do partido.
 
Vermelho de preocupação
O recuo de Wagner deixou deputados petistas receosos. A avaliação interna no PT é que o partido pode perder duas cadeiras na Câmara dos Deputados e até quatro na Assembleia Legislativa. A conta deles é que, além do crescimento que a oposição terá, o partido vai sofrer "uma perda significativa" de votos de legenda por não estar na cabeça da chapa.
 
Mais recuo
Neste cenário, de acordo com parlamentares da base, dois deputados estaduais do PT estão reavaliando se vão disputar a reeleição nas eleições deste ano. E, internamente, outros nomes que entrariam na disputa para Câmara e Assembleia também estão analisando o cenário e já cogitam não concorrer.
 
Dança das cadeiras
A janela partidária foi aberta nesta quinta-feira (3) e promete ser bem movimentada na política baiana. Na Assembleia Legislativa, a mudança de legenda de 12 deputados já é dada como certa. PP e PDT devem movimentar metade destas trocas. O PP vai perder três nomes (Dal, Robinho e Junior Muniz), mesmo número do PDT (Samuel Junior, Euclides Fernandes e Roberto Carlos).

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Foto: Mateus Pereira/mphoto. 

25 Feb 2022

Otto candidato ao governo, Rui ao Senado e a insatisfação geral no PT

O aceite
Após uma semana de muita tensão na base petista na Bahia, o martelo foi batido: o senador Otto Alencar (PSD) será mesmo candidato ao governo pelo grupo governista no estado. O "aceite" de Otto foi encarado na base governista como o único caminho para o cacique do PSD. "Não tinha o que fazer. Vice ele não seria jamais nem lançaria candidatura avulsa ao Senado", declarou um influente político do estado. Explicando: o senador Jaques Wagner (PT) sinalizou o desejo de não ser candidato, enquanto o governador Rui Costa (PT) pressionou para disputar o Senado. Só restou a Otto a cabeça da chapa ou a vice. Mas e agora: "tudo certo na Bahia" na base petista? A resposta, dizem pessoas influentes da base, é não.
 
Otimismo e queixas
O aceite de Otto veio após reuniões com integrantes da base e do PSD no estado. Wagner também comunicou a petistas que ficaria de fora e iria focar na campanha do ex-presidente Lula. No PSD, o clima é de otimismo, já que o partido tem boas chances de ampliar sua bancada na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
 
O culpado
No PT, ao contrário, o clima é de insatisfação, principalmente contra Rui. Para integrantes da cúpula do partido, a desistência de Wagner é culpa de Rui, que teria tensionado para disputar o Senado e forçado que o senador petista abrisse caminho para a candidatura de Otto ao governo. Além disso, acreditam que podem perder cadeiras nos Legislativos estadual e federal pelo fato de o PT não estar na cabeça da chapa.
 
O início do fim
Integrantes da base governista garantem que os conflitos ocorridos na última semana vão deixar marcas irreversíveis. Dizem, ainda, que este é o início do fim da base petista. "Essa história de unidade da base é uma grande falácia. A verdade é que há tensões entre políticos e partidos impossíveis de serem resolvidas", conclui um deles, sob anonimato.
 
Sondagens
Ao longo da última semana, após Rui tensionar para disputar o Senado e Wagner dizer que não queria ser candidato, aliados muito próximos a Otto começaram a sondar deputados e caciques partidários da base e também da oposição sobre a possível candidatura. Perguntam o que pensam sobre o nome do senador e se o apoiariam na corrida eleitoral, inclusive já pensando na construção de palanques para Otto nos seus municípios.
 
Leão faminto
Pessoas próximas ao senador dizem que o temor do cacique é com o governo do vice João Leão (PP), que herdaria o comando do Palácio de Ondina com a renúncia de Rui para disputar o Senado. O receio do PSD é que Leão, como chefe maior do governo, meta as garras nos espaços hoje comandados pelo partido. A própria Secretaria de Infraestrutura é muito cobiçada por integrantes do PP. A tendência é que as duas siglas acirrem - ainda mais - a disputa por espaços na gestão estadual.
 
O fim da picada
A aliados próximos, Otto não escondeu sua insatisfação com a declaração do deputado estadual Robinson Almeida (PT), sugerindo que o senador fosse candidato a vice na chapa com Wagner ao governo e Rui ao Senado. Otto considerou a proposta "ofensiva e desrespeitosa" por "desconsiderar completamente" a importância do PSD na aliança liderada pelo PT.
 
O mandante
Integrantes da cúpula do PSD acreditam que a declaração de Robinson teria sido ordenada por Wagner, de quem o deputado é muito próximo. Robinson, inclusive, foi secretário de Comunicação na gestão de Wagner. A avaliação dos pessedistas é que a cúpula do PT tentou criar um clima para que Otto fosse vice.
 
Conclusão
No final das contas, foi feita a vontade do ex-presidente Lula, que em Brasília vinha afirmando que desejava Otto na cabeça da chapa. Wagner, que era pressionado por familiares para não concorrer ao governo, também já não escondia seu desejo de não disputar o Palácio de Ondina. E Rui, também pressionado por pessoas próximas, queria a vaga do Senado na chapa.
 
Insatisfação
Com a definição da chapa encaminhada, a base governista  tem agora outro desafio: a organização das chapas proporcionais, num cenário de novidade, sem coligações. Há na base um clima de insatisfação diante da indefinição da majoritária, que afeta a formação proporcional. Inclusive, lideranças reclamam também que nem Rui nem Wagner estão liderando estas articulações de formação das chapas. Há deputados que esperam a orientação dos líderes para definirem seus destinos partidários. "Rui só pensa no Senado e Wagner, em Lula. A base ficou sem coordenação. Tomara que Otto assuma essa parte", diz um deputado.
 
Vira-casaca
Um deputado estadual que vivia defendendo Rui Costa em todos os cantos agora foi flagrado soltando cobras e lagartos contra o governador. Traíra e desagregador foram os termos publicáveis utilizados por ele, garantem parlamentares que ouviram as queixas do aliado.
 
Olho aberto
Nos corredores da Assembleia Legislativa, deputados do governo já sondam integrantes da oposição sobre as condições de eleição no grupo oposicionista. Um deles queria saber a expectativa de bancada do União Brasil, partido do pré-candidato ACM Neto. Será que quer migrar?
 
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Foto: Divulgação.

18 Feb 2022

A manobra de Rui, indefinição entre Wagner e Otto e Leão contando os segundos para assumir o governo

Bolsa de apostas
Otto Alencar (PSD) ou Jaques Wagner (PT)? Quem será o candidato do grupo? As bolsas de apostas ferveram na política baiana essa semana, com especulações para todos os gostos. Observadores mais experientes afirmam que nem mesmo os protagonistas têm certeza de quem será o escolhido da ala governista. A única certeza, garantem fontes da base petista, é que o governador Rui Costa (PT) será candidato ao Senado.
 
Arrogância
Diferente de Wagner, Rui nunca foi considerado um articulador político hábil. Muito pelo contrário. Agora começa a ser visto também como arrogante. Nas movimentações mais recentes, ele tem oferecido a 1ª Suplência ao Senado para quem o apoiar. Nas contas do governador, ele será eleito, Lula também e o convidará para ser ministro. Quem topar a suplência vira “automaticamente” senador. Quem ouviu a proposta ficou na dúvida: falta de humildade ou otimismo exagerado?
 
Traidor
Rui, por sinal, está sendo chamado de traidor nas rodas petistas. O governador é tido como o grande articulador da manobra política, que substituiria Wagner por Otto na cabeça da chapa. “Ele não seria nada sem Wagner. Isso é uma traição a quem lhe deu tudo”, desabafa um petista histórico ao destacar que o governador rompeu o compromisso de ficar no Palácio de Ondina até o final do mandato.
 
Boca aberta
A proposta de Rui, dizem parlamentares, pegou de surpresa até mesmo os mais simpáticos ao governador (ainda que estes sejam bem poucos). Ele teria revelado o desejo de ser candidato a senador em uma reunião antes do encontro com Lula, deixando os participantes boquiabertos, revelam. Contudo, as fontes da coluna dizem que a vontade de Rui é antiga e já vinha sendo incentivada há algum tempo por pessoas próximas.
 
Vazamento em Ondina
A reunião entre Lula, Wagner, Rui e Otto vinha sendo mantida em segredo. O próprio governador, porém, ordenou a sua assessoria que vazasse a informação para a imprensa. Incomodados com a divulgação, muitos deputados da base foram a público defender a permanência de Wagner na cabeça da chapa.
 
Fadiga de Material
A manobra de Rui foi vista com bons olhos pelo próprio Lula. O ex-presidente já vem falando há muito tempo que prefere Otto na cabeça da chapa na Bahia. Numa conversa com o governador do Maranhão, Flávio Dino, Lula disse que com Otto ele teria um palanque político mais amplo no estado. E concluiu que acha arriscado manter o PT para o governo por conta do desgaste natural de quem está há 16 anos no poder.
 
Especulação
No meio político houve a especulação de que o apoio a Otto seria uma troca e com isso o PSD nacional apoiaria Lula já no primeiro turno. Quem conhece Kassab, no entanto, não embarca nesta tese. No fundo, no fundo, o cacique do PSD quer ser vice de Lula, algo hoje inviável com a chegada de Geraldo Alckmin. Kassab agora tenta atrair o governador gaúcho, Eduardo Leite, mas o objetivo maior é ganhar tempo para se cacifar no jogo nacional.
 
Sem preferência
Ao ser perguntado quem prefere enfrentar em outubro, ACM Neto tem dito que não escolhe adversário. “Temos de estar preparados para enfrentar qualquer um”, disse. A ordem é continuar trabalhando e esquecer os adversários.
 
De camarote
Na semana passada, adiantamos que o ex-prefeito de Salvador vai observar as movimentações dos adversários para só depois definir a sua chapa. Ontem, Rui Costa disse que a definição dos governistas acontece só em 13 de março. Ao que tudo indica, ACM Neto continuará observando de camarote, sem pressa.
 
Contando os segundos
Pelas bandas do PP, o governo nas mãos de João Leão já é considerado uma realidade. Na semana passada, a coluna já havia informado que um influente integrante da cúpula pepista avisou que o vice se tornaria governador. O cenário não só tem se confirmado como já está em estágio avançado para se concretizar. Fontes da cúpula do partido, inclusive, ressaltaram que o governo de Leão é um pré-requisito para que o PP permaneça na base governista.
 
Hora do jogo
Nos bastidores, o vice-governador João Leão já negocia cargos e secretarias. Parlamentares ouvidos pela coluna dizem que Leão já tem conversado com aliados mais próximos sobre a composição de seu governo. O diálogo visa ainda atrair para o PP deputados já com mandato e candidatos fortes para a disputa proporcional. Integrantes da sigla avaliam que, com Leão no governo, além de evitar a fuga de parlamentares, o partido pode conseguir formar uma chapa forte para eleger bancadas fortes. “Leão já avisou que quer movimentar a janela partidária”, revelou, sob anonimato, um pepista.
 
Sobrevivência
A não candidatura de Rui ao Senado é avaliada por fontes do Palácio de Ondina como uma possível morte política do governador. Eles dizem que Rui nunca foi bem quisto pela base, muito menos no PT, e, com isso, ficaria ainda mais isolado no grupo petista. “A candidatura ao Senado é uma forma de sobrevivência política para Rui, que colecionou muito mais desafetos do que aliados”, afirma um deles.
 
Áudio da discórdia
Em um áudio atribuído a Otto, o senador e principal cacique do PSD no estado faz críticas ao vice-governador. “Isso é João Leão plantando notícia para assumir o governo no lugar de Rui”, diz o áudio. Otto negou, mas quem conhece o senador jura de pés juntos que o conteúdo é verdadeiro.
 
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11 Feb 2022

O acordo para João Leão ser governador, as possíveis baixas no PP e mais

Negócio fechado?
Um influente integrante da cúpula do PP da Bahia avisou que o vice-governador João Leão será governador da Bahia. Segundo ele, há um acordo para que o governador Rui Costa (PT) deixe o cargo em abril para que Leão comande o Estado por nove meses, trato que, inclusive, teria sido avalizado pela primeira-dama Aline Peixoto. O pepista disse ainda que essa é a única hipótese de o partido manter o apoio ao PT na Bahia. Com isso, conta a fonte do PP, Rui seria candidato ao Senado e Otto Alencar, postulante a vice-governador na chapa que deve ser encabeçada por Jaques Wagner (PT). A pergunta que não quer calar é: será que combinaram com os russos?
 
Entraves
O tal acordo coloca em rota de colisão interesses da base petista. Integrantes do partido de Rui e Wagner não querem entregar o governo a Leão por temerem o uso da máquina em benefício de candidatos do PP. O mesmo temor domina o PSD de Otto, que não está nada interessado em ser candidato a vice e quer disputar a reeleição no Senado.
 
Alerta
Enquanto isso, integrantes da cúpula do PP na Bahia têm manifestado uma preocupação com uma, cada vez mais, crescente possibilidade de debandada do partido diante da indefinição de João Leão em relação à eleição do 2022. O sinal de alerta já estava ligado, mas ganhou proporção maior diante do anúncio da saída do deputado estadual Junior Muniz. Segundo apurou a coluna, os parlamentares estão aflitos com a possibilidade de o PP ficar à míngua. 
 
De olho no cenário I
Neste cenário, a bancada do PP na Assembleia Legislativa, que já foi de nove deputados, pode ser reduzida a apenas três na corrida eleitoral deste ano. Além de Muniz, Dal e Robinho já estão praticamente fora do partido, embora ainda não tenham oficializado o desembarque. Luiz Augusto, Aderbal Caldas e Jurandy Oliveira não devem concorrer à reeleição. Jurandy deve lançar o filho, Marcelo Oliveira, mas por outro partido. Niltinho tem conversado com colegas e dito que, se não tiver condições de reeleição no PP, vai buscar outro partido. Sobram Antônio Henrique Jr., Eduardo Salles e Nelson Leal, hoje licenciado para ocupar o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico.
 
De olho no cenário II
Entre os deputados federais, dos quatro integrantes da bancada do PP, dois devem sair: Claudio Cajado e Mario Negromonte Jr. Negromonte, embora esteja sendo cortejado por partidos governistas, tem conversas bem avançadas com a oposição no estado.
 
Banho de água fria
A prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho (PT), já estava pronta para levantar voo e tentar voltar para Brasília nas eleições deste ano, mas teve as asinhas cortas pelo PT. A prefeita pretendia disputar uma vaga de deputada federal, mas foi avisada por dirigentes petistas que ela não poderia concorrer e que deveria ajudar os companheiros.
 
Efeito contrário I
O tiro dado pelo governador Rui Costa (PT) na semana passada sobre o caso dos respiradores saiu pela culatra. O governo anunciou a devolução de recursos pagos antecipadamente pela aquisição de equipamentos junto a uma empresa norte-americana na tentativa de amenizar o caso relacionado à Hempcare. Contudo, o efeito foi contrário e o anúncio foi um prato cheio para a oposição e até mesmo os bolsonaristas relembrarem o caso dos R$ 49 milhões pagos por meio do Consórcio Nordeste. As redes sociais bombaram com o assunto!
 
Efeito contrário II
Um deputado confidenciou à coluna que a volta do assunto ao debate público movimentou o processo que investiga o caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O anúncio do governo, se comenta nos bastidores, seria inclusive para antecipar possíveis novos movimentos no processo, que atinge em cheio integrantes do governo baiano. O governador Rui Costa (PT), vale lembrar, foi indiciado pela CPI realizada pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte para apurar o caso.
 
Vice-versa
A coluna publicou na semana passada que o senador Jaques Wagner (PT) anda reclamando da "ingratidão" do governador Rui Costa (PT). Pois o governador também está “P da vida” com o correligionário e, a aliados próximos, se queixa dos movimentos recentes de Wagner. Na visão de Rui, o senador tem cometido erros graves na condução do processo pré-eleitoral e, ainda, tenta fazer interferências no governo, o que, para o governador, é inaceitável, revelam interlocutores.
 
Freio
Recentemente, segundo fontes do Palácio de Ondina, Wagner teria tentado meter o bedelho na Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), o que para Rui seria inadmissível. Tanto é que a nomeação da nova secretária, Adélia Pinheiro, seria uma reação de Rui às investidas de Wagner, que pretendia usar a estrutura da pasta para negociações políticas.
 
O bom filho...
Candidato a vice-prefeito de Lauro de Freitas em 2020, Mateus Reis deixou o Cidadania e voltou ao PSDB para ser candidato a deputado federal. Contudo, Mateus está de olho mesmo é na disputa pela prefeitura em 2024 e tem dito aos quatro cantos que, desta vez, não vai abrir mão de ser cabeça de chapa.
 
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4 Feb 2022

Wagner usa Isidório como isca, as queixas de ingratidão de Rui Costa e o discurso do governador

Moeda de troca
O senador Jaques Wagner (PT) tem utilizado o deputado federal Pastor Sargento Isidório como moeda de troca para atrair partidos para o lado governista. Pelo que se comenta nos bastidores, o cacique petista já prometeu a filiação do icônico deputado para quatro partidos diferentes: Avante (ao qual Isidório está hoje filiado), Solidariedade, MDB e PDT. Como Isidório costuma ser puxador de votos (foi disparado o mais votado em 2018), Wagner vê no parlamentar um atrativo para conquistar apoio. O risco é agradar a um partido e desagradar a três.
 
Ingratidão
O senador Jaques Wagner tem reclamado cada vez mais da frieza do governador Rui Costa (PT). A pessoas próximas, Wagner diz que o governador pouco tem se empenhado na campanha. A falta de aval político de Rui enfraquece as negociações que Wagner vem tentando conduzir, segundo aliados do senador. Muitos desconfiam que Rui não vai cumprir as promessas do aliado - até porque, garantem, há precedentes para isso. O mal-estar entre os dois cresce a cada dia. Ingrato é uma palavra muito ouvida por interlocutores de Wagner sobre Rui.
 
Janeiro de que ano?
Depois que o ex-prefeito de Salvador ACM Neto lançou sua pré-candidatura a governador, Jaques Wagner fez chacota e disse que não valia de nada, pois candidatura tem de ser com "chapa completa, de martelo batido". O senador petista prometeu para janeiro a chapa completa, mas já entrou o mês de fevereiro e até agora nem sinal dos nomes que vão para a disputa do lado governista. Nos bastidores, corre a informação de que a briga entre os aliados só faz azedar o clima. O senador Otto Alencar (PSD) e o vice-governador João Leão (PP) pressionam cada vez mais pela vaga do Senado. Otto quer ir para a reeleição, mas Leão também está de olho no posto, já que não pode concorrer novamente a vice-governador. As apostas são que o imbróglio não seja resolvido antes de abril.
 
De camarote
Por outro lado, ACM Neto diz que quem tem de ter pressa para anunciar chapa é o governo. O ex-prefeito da capital tem comentado com aliados que a oposição vai continuar com toda a cautela do mundo, aguardando as definições do PT. Só depois vai se movimentar para valer. A ordem, dizem fontes próximas a Neto, é assistir de camarote a briga dos adversários.
 
Vira-casaca
A mensagem do governador Rui Costa (PT) na reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa causou surpresas e reações negativas, tanto de oposicionistas quanto de governistas. Numa primeira análise, parlamentares que ouviram atentamente o discurso se surpreenderam com as “tentativas de aproximação de Rui com Lula e o PT”. Eles dizem que, em 2018, Rui tentou de todas as formas se distanciar do PT e de Lula, que na época estava preso. Além disso, chegou a defender que o PT deveria “virar a página” do impeachment da ex-presidente Dilma. No discurso desta semana, chamou o processo de golpe. Quem te viu, quem te vê, Rui!
 
Medo do desemprego?
A análise posterior é que Rui, com a liderança folgada de Lula nas pesquisas, tenta fazer a média com o petista de olho em um eventual governo do ex-presidente a partir do próximo ano. “No auge do antipetismo, Rui, estrategicamente, se distanciou das pautas petistas e do próprio Lula, mas agora tem tentado voltar. E a mensagem deixou isso claro”, analisa um cacique da base.
 
Problemas crônicos
A insatisfação ficou por conta dos temas que são considerados os principais pontos frágeis do governo: educação e segurança. Um deputado aliado ao PT diz que a base é cobrada por melhorias nas duas áreas. “Os deputados são cobrados por lideranças, prefeitos, vereadores, que pedem por exemplo mais viaturas, mais contingente policial, reabertura de delegacias, reforma de escolas. Mas, nos últimos anos, muito pouco foi atendido, o que causa insatisfação”, revelou.
 
Na conta de quem?
Na educação, outro integrante da base diz que prefeitos ajudam a manter o funcionamento de escolas estaduais, bancando inclusive o transporte escolar, que muitas vezes não tem ajuda do governo. “O governo já atrasou por meses o repasse do transporte escolar. Há casos de prefeitos que ajudam até na manutenção das escolas estaduais. Agora Rui fala de novas obras, sendo que deixou a rede escolar abandonada desde que chegou ao governo”, reclamou, sob anonimato, outro parlamentar.
 
Combustível para a oposição
Publicamente, a oposição rasgou o verbo contra Rui e chamou de “obras eleitoreiras” as intervenções anunciadas pelo governador em sua mensagem ao Legislativo. A bancada oposicionista, inclusive, decidiu não participar da sessão presencial em protesto contra Rui, que, segundo o líder Sandro Régis, tem repetido promessas e desrespeitado o Parlamento.
 
Na base da força
O secretário estadual de Relações Institucionais, Luiz Caetano (PT), tem sido alvo de críticas por suas práticas “nada republicanas”, como disse um prefeito ouvido pela coluna. A questão é que, desde a chegada de Caetano ao governo, as coerções do governo contra prefeitos foram potencializadas. “Agora eles estão pressionando os prefeitos por apoio com ameaças, dizendo que vão fazer cortes e nem conversam com quem é oposição. É uma perseguição absurda”, disse o prefeito, sob anonimato. “Teve prefeito da oposição que foi pedir ajuda para manter um hospital municipal e ouviu do governo que, se não tinha dinheiro para manter, que fechasse a unidade”, contou um deputado oposicionista.
 
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