O diretor-geral da Air France para a América do Sul, Manuel Flahault, explicou nesta quinta-feira (14) os motivos que levaram à interrupção temporária dos voos diretos entre Salvador e Paris (CDG) no início de 2026. A declaração foi feita durante entrevista coletiva com participação do Alo Alo Bahia.
Segundo o executivo, a suspensão das operações entre 9 de março e 25 de abril deste ano foi resultado de uma combinação de fatores operacionais e de mercado, especialmente ligados à sazonalidade da demanda.
“O que aconteceu foi uma mistura de fatores. Não é uma decisão fácil, pois traz muitas dificuldades. Temos a questão da sazonalidade, com alguns meses com baixa demanda tanto de Salvador para a Europa quanto Europa-Salvador, e temos que nos adaptar a isso. Além disso, temos a disponibilidade de aeronaves. Estamos operando no máximo, com todas as aeronaves. E uma aeronave nós podemos colocar em qualquer lugar do mundo”, afirmou.
De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a procura pelo trecho Paris-Salvador apresentou queda significativa nos meses que antecederam a interrupção. Em fevereiro, a taxa média de ocupação foi de 89%, mas caiu para 60% em março e 67% em abril. Em um dos voos de março, foram registrados apenas 70 passageiros. No sentido inverso, Salvador-Paris, a demanda se manteve aquecida, com índices entre 90% e 95%.
O comportamento evidencia a característica sazonal da rota, com meses como março e abril historicamente mais fracos, em contraste com períodos de alta, como fevereiro, impulsionado pelo Carnaval e pela busca de europeus por destinos de clima mais quente.
Apesar da interrupção temporária, os voos já foram retomados desde o fim de abril. Atualmente, a rota conta com três frequências semanais entre Salvador e Paris durante o verão europeu. Na alta temporada do verão soteropolitano, a operação será ampliada para cinco voos semanais.
Flahault destacou ainda que a companhia segue apostando no mercado baiano. “Continuamos investindo em Salvador para que a demanda siga aumentando e seja suficiente, inclusive nesses períodos mais fracos”, disse.
O executivo ressaltou também o papel estratégico da capital baiana na malha da Air France. Segundo ele, 60,5% dos passageiros que embarcam em Salvador utilizam o voo como conexão para outros destinos, e não têm a França como destino final. Atualmente, a empresa opera 170 destinos em 73 países, em todos os continentes, exceto Oceania e Antártica.
Por fim, o diretor descartou, no curto prazo, a chegada da La Première, a primeira classe da Air France, a Salvador. Hoje, apenas São Paulo conta com aeronaves equipadas com o produto na América Latina. Ainda assim, segundo ele, a companhia oferece ao destino o que há de mais moderno em sua frota, com aeronaves Airbus A350-900 e Boeing 787.