GQ Brasil destaca chefs ligados à Bahia entre os jovens mais promissores da gastronomia brasileira

GQ Brasil destaca chefs ligados à Bahia entre os jovens mais promissores da gastronomia brasileira

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

José Mion/Alô Alô Bahia

Enzo Ângelo e Market Group

Publicado em 14/05/2026 às 09:57 / Leia em 3 minutos

A revista GQ Brasil destacou dois chefs ligados à Bahia na lista “Os onze jovens chefs mais promissores da gastronomia brasileira”, seleção que reúne profissionais de até 35 anos em ascensão no cenário gastronômico nacional. Entre nomes de diferentes regiões do país, aparecem o baiano João Diamante e Kaywa Hilton, que escolheu Salvador como casa e já incorporou até o sotaque baiano ao dia a dia.

Nascido em Salvador e criado no Complexo do Andaraí, no Rio de Janeiro, João Diamante, de 34 anos, teve uma trajetória marcada pela superação. “Hoje, tenho o privilégio de não mais sobreviver, consigo viver”, afirmou à publicação. O chef relembrou que começou a trabalhar ainda na infância como entregador, piscineiro e ajudante de pedreiro, antes de ingressar na Marinha e descobrir a cozinha profissional.

João Diamante | Foto: Market Group

Depois de entrar na faculdade de gastronomia com auxílio do Fies, João foi selecionado para estagiar com o renomado chef Alain Ducasse no restaurante Le Jules Verne, na Torre Eiffel, em Paris. “Para uma criança de favela, trabalhar na Torre Eiffel é um sonho distante. Mas sempre fui corajoso”, contou. “Eu mal falava português, imagina outra língua”, lembra.

No Brasil, criou em 2016 o projeto Diamantes na Cozinha, voltado à capacitação de pessoas em situação de vulnerabilidade social e que, segundo a GQ, já impactou 6 mil famílias. A iniciativa lhe rendeu o prêmio Champions of Change, do The World’s 50 Best Restaurants, em 2024. Atualmente, João assina o menu do restaurante Dois de Fevereiro, na Pequena África, região portuária do Rio, com foco em gastronomia afro-brasileira. Consultor, palestrante e apresentador de TV, ele também atua no combate ao racismo. “Você pode ser bilionário, mas, se for preto, vai sofrer racismo. Até hoje sofro”, revela.

Kaywa Hilton | Foto: Enzo Ângelo

Já Kaywa Hilton, de 35 anos, nasceu em Minas Gerais, é filho de mãe francesa e pai baiano e se mudou para a Bahia aos 5 anos. Hoje radicado em Salvador, o chef costuma definir sua formação como uma mistura “entre a moqueca e o camembert”. Após uma adolescência turbulenta, quando chegou a ser expulso de três escolas e repetiu de ano, mudou-se para a França aos 17 anos, onde iniciou a carreira em bistrôs até chegar a cozinhas estreladas como Le Pré Catelan, Alain Ducasse au Plaza Athénée e La Grande Cascade.

Depois de experiências no Rio de Janeiro e no Uruguai, retornou à Bahia e abriu, em 2020, o restaurante Boia, em Salvador, após participar do reality “Mestre do Sabor”. À GQ, destacou a valorização dos pescados locais como uma das marcas de seu trabalho. “Percebi que os restaurantes daqui serviam os mesmos peixes, como robalo, badejo e pescada-amarela, mas nossa costa é muito rica”, afirmou. O chef passou então a trabalhar diretamente com pescadores para utilizar espécies como xaréu, guaricema e sororoca.

Em 2024, Kaywa inaugurou o Maré, na Praia do Forte. “A base dos dois é matéria-prima local, com ênfase no mar. Comida boa é comida fresca”, disse o chef, que afirma utilizar cerca de 800 quilos de peixe por mês. Entre os projetos futuros, ele revelou o desejo de abrir uma padaria e “um boteco para tomar cerveja e ouvir samba”.

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