Direita reage a áudios entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro; partido pede cassação

Direita reage a áudios entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro; partido pede cassação

Redação Alô Alô Bahia

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Pedro Kirilos/Estadão

Publicado em 14/05/2026 às 09:03 / Leia em 4 minutos

O vazamento de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro provocou reações entre nomes da direita e ampliou a pressão sobre o pré-candidato do PL. A conversa, revelada pelo site Intercept, mostra Flávio pedindo recursos para concluir um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, que também se coloca como presidenciável, criticou duramente o adversário. “Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.

Outro nome da direita na corrida presidencial, o governador de Goiás Ronaldo Caiado, cobrou explicações públicas sobre a relação entre o senador e o dono do Banco Master. “O senador Flávio Bolsonaro deve responder aos questionamentos sobre o financiamento do filme e as relações com o dono do Master. Tudo que envolve Master e cifras milionárias precisa ser tratado com total transparência com a população. O Brasil vive um momento em que a sociedade exige clareza nas relações entre agentes públicos, empresas e interesses privados”, declarou.

O partido Missão anunciou que irá acionar a Justiça Eleitoral e também protocolar um pedido de cassação no Conselho de Ética do Senado. Na representação enviada ao Ministério Público Eleitoral, segundo o jornal O Globo, a legenda pede apuração sobre o suposto “uso de dinheiro sujo em um filme que seria lançado em período eleitoral (11 de setembro) para promover o candidato e sua família”. Segundo o partido, Flávio Bolsonaro não tem “condição moral de permanecer no Senado ou de ser candidato a Presidente do Brasil”.

O deputado federal Kim Kataguiri também comentou o caso nas redes sociais. Já o presidenciável do Missão, Renan Santos, afirmou que “onde há escândalo de corrupção, há Flávio Bolsonaro”. Ele ainda relacionou o caso do Banco Master a outros nomes da política nacional, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Zema e o ministro do STF Alexandre de Moraes. “Sobrou eu, sobrou o Zema. O Zema, que recebeu doações do pai do Daniel Vorcaro, o senhor Henrique Vorcaro, no seu partido. E o Zema ainda vai ter que explicar os benefícios que a empresa do Vorcaro em Minas Gerais teve na Operação Rejeito”, disse Renan.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, evitou comentar o episódio. Nas redes sociais, aliados do bolsonarismo saíram em defesa de Flávio. O empresário e blogueiro Paulo Figueiredo classificou o episódio como “um problema de imagem, de narrativa”. Já o advogado e ex-chefe da Secretaria de Comunicação do governo Bolsonaro, Fabio Wajngarten, afirmou que “todo frenesi durará poucos minutos”.

Em nota divulgada nesta quarta-feira (13), Flávio Bolsonaro confirmou a troca de mensagens com Vorcaro, mas afirmou que a relação era estritamente privada. “No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, declarou.

O senador afirmou ainda que conheceu Vorcaro apenas em 2024, quando o governo Bolsonaro já havia terminado, e disse que à época “não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”. Ele voltou a defender a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.

“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro”, afirmou Flávio.

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