Malba, em Buenos Aires, dobrará área expositiva e ganhará 1.230 obras

Malba, em Buenos Aires, dobrará área expositiva e ganhará 1.230 obras

Redação Alô Alô Bahia

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Gabriel Moura

Divulgação

Publicado em 07/10/2026 às 19:06

O Malba, Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, anunciou um projeto de expansão que vai dobrar suas áreas expositivas. A iniciativa foi apresentada durante as comemorações dos 25 anos da instituição, criada pelo empresário e colecionador argentino Eduardo Costantini em setembro de 2001. A previsão é que as novas alas sejam inauguradas entre o fim de 2029 e o início de 2030.

A ampliação será feita no subsolo da Plaza República del Perú, localizada em frente ao museu, e deverá acrescentar salas para exposições temporárias, auditório, espaços multiuso, praça-pátio externa, oficinas, áreas de armazenamento e escritórios. O projeto é assinado pelo Frida Escobedo Studio, escritório com sedes em Nova York e no México. Atualmente, a empresa participa da renovação do Centre Pompidou, em Paris, da Ala de Arte Moderna e Contemporânea do Metropolitan Museum of Art, em Nova York, e do projeto de um novo complexo para a sede do Ministério das Relações Exteriores do Catar.

Segundo Frida Escobedo, a proposta busca aproximar o museu da cidade sem reduzir a área aberta da praça. O edifício atual será conectado aos novos ambientes subterrâneos, que também terão espaços destinados a cinema, literatura, educação e eventos. Alguns dos auditórios e ambientes multiuso poderão funcionar de forma independente das demais áreas do Malba. A obra será viabilizada por um acordo que concede à instituição o uso da Plaza Perú por 30 anos.

Perspectiva arquitetônica da praça e da fachada no projeto de expansão do museu MALBA, assinado por Frida Escobedo

O projeto de ampliação vinha sendo planejado há mais de uma década. Em 2011, uma proposta previa acrescentar cerca de 3.840 metros quadrados aos 7.455 metros quadrados existentes, e a intervenção recebeu autorização no ano seguinte. Desde então, o museu passou por apenas uma reforma, realizada no térreo em 2017. Agora, além dos novos espaços, o Malba também terá um reforço significativo em seu acervo.

Ao todo, 1.232 obras de 117 artistas latino-americanos foram doadas à instituição e passarão a integrar a coleção. As peças pertencem à Coleção Daros Latinamerica, adquirida por Costantini em janeiro de 2026. Criada em 2000 e sediada na Suíça, a coleção reúne trabalhos de diferentes mídias e gêneros produzidos principalmente entre as décadas de 1950 e 2010. Entre os artistas estão Lygia Clark, Hélio Oiticica, Vik Muniz, Julio Le Parc, Alfredo Jaar, Mira Schendel, Ana Mendieta, Ernesto Neto, Leandro Erlich e Doris Salcedo. O museu também receberá outras 17 obras da coleção pessoal de Costantini, com trabalhos de artistas como Frida Kahlo, Diego Rivera, Victor Brecheret, Maria Martins e Vicente do Rego Monteiro.

Entre as obras que chegam ao Malba estão “Diego y yo” (1949), de Frida Kahlo, “Baile en Tehuantepec” (1928), de Diego Rivera, além de trabalhos de Leonora Carrington. A contribuição brasileira inclui as esculturas “Pudor” (1922) e “Tocadora de banjo” (1925), de Victor Brecheret, “Cobra grande” (1943), de Maria Martins, e “O urso” (1925), de Vicente do Rego Monteiro. Com as novas incorporações, o acervo do museu, que começou em 2001 com 223 obras doadas por Costantini, chegará a cerca de três mil peças. Entre os trabalhos já pertencentes à coleção estão “Abaporu” (1928), de Tarsila do Amaral, “Metaesquema” (1958), de Hélio Oiticica, “La mañana verde” (1943), de Wifredo Lam, e “Autorretrato con chango y loro” (1942), de Frida Kahlo.

Vista aérea do projeto de ampliação do Malba, ilustrando sua integração urbana, em especial à Plaza República del Perú, que foi reformulada

Para garantir a continuidade financeira da instituição, Costantini também anunciou a criação do Malba Art Trust, fundo que terá capital inicial de US$ 50 milhões, equivalente a mais de R$ 256 milhões. De acordo com o museu, o fundador atualmente contribui com entre US$ 3 milhões e US$ 4 milhões por ano, cerca de R$ 15 milhões a R$ 20 milhões, para cobrir o déficit da instituição.

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