Salvador ganhou uma iniciativa voltada à formação de profissionais especializados na conservação e restauração de imóveis históricos. Instalada na Casa das Sete Mortes, na Rua do Passo, no Pelourinho, a Escola de Ofícios Tradicionais oferece cursos gratuitos que unem preservação do patrimônio e qualificação para o mercado de trabalho.
A primeira turma já está em atividade e participa do curso de pintura tradicional com pigmentos naturais. As aulas começaram em setembro e seguem até 17 de dezembro.
A formação é destinada a pessoas alfabetizadas a partir dos 18 anos e não exige experiência anterior. Moradores do Centro Histórico têm prioridade, mas pessoas de outras regiões também podem participar.
A proposta da escola é recuperar e transmitir conhecimentos tradicionais utilizados na construção civil e que são fundamentais para intervenções em imóveis de valor histórico e arquitetônico.
“São aprendizados que geralmente são ensinados de pai para filho ou em canteiros de obras, de forma mais informal e menos institucionalizada. Então, é importante que a gente tenha uma escola que ofereça a formação nesse ofício para garantir a sua existência”, explica a conservadora de bens culturais e professora Luana Santos.
Além da preservação dessas técnicas, a iniciativa busca formar mão de obra especializada para atender à demanda por profissionais capazes de trabalhar na recuperação dos imóveis históricos de Salvador.
A expectativa é ampliar gradualmente a programação, com cursos de alvenaria, argamassas, carpintaria e ferraria, além de manter diferentes capacitações funcionando simultaneamente.

Novas oportunidades
A possibilidade de atuar no segmento de restauro levou Josemar Amorim, de 56 anos, que trabalha há 12 anos na construção civil, a procurar a formação.
“Quando eu vi ‘restauração’, fiquei muito interessado, porque é uma área muito complicada e eu nunca tinha encontrado essa oportunidade”, contou. Após o curso, ele pretende seguir trabalhando no segmento, principalmente em serviços externos e com madeira.
Já Rosy da Conceição, de 72 anos, que atua há mais de cinco anos como técnica em restauração de bens móveis e patrimoniais, buscou a escola para ampliar seus conhecimentos.
“Todos os dias, a gente que trabalha com restauro está aprendendo técnicas novas. É muito importante que o profissional que queira se qualificar busque e entenda esse mercado de restauro e como ele funciona”, afirmou.
As inscrições para a primeira turma já foram encerradas. A previsão é que novos cursos sejam abertos à medida que as atividades da Escola de Ofícios Tradicionais forem ampliadas.