A Manus IA, agente autônomo criado por uma empresa de origem chinesa hoje sediada em Singapura, teve sua venda para a Meta bloqueada pela China nesta semana. O caso ganhou força porque Pequim enquadrou a negociação como risco de segurança nacional em meio à disputa tecnológica com os Estados Unidos.
Segundo Reuters, Associated Press e Bloomberg, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China determinou que as partes revertam a aquisição, avaliada em mais de US$ 2 bilhões. A Meta já havia avançado na compra da startup, mas agora terá de desfazer a operação e restaurar ativos ligados à companhia, incluindo tecnologia e dados eventualmente transferidos.
A decisão chama atenção porque a Manus opera fora da China, mas mantém raízes tecnológicas e humanas no país. Para Pequim, essa origem basta para submeter a empresa ao mecanismo de revisão de investimento estrangeiro, usado quando há suspeita de transferência de tecnologia estratégica. Na prática, o governo chinês sinaliza que startups de inteligência artificial fundadas por chineses podem continuar sob seu radar mesmo depois de mudarem de sede.
A Manus ficou conhecida por desenvolver um agente de IA capaz de executar tarefas complexas com pouca intervenção humana, como pesquisa de mercado, programação e organização de relatórios. Esse tipo de ferramenta é visto como uma das frentes mais disputadas da inteligência artificial, porque pode ser integrado a assistentes digitais, plataformas corporativas e produtos de consumo em grande escala.
O bloqueio também amplia a tensão entre Washington e Pequim no setor de tecnologia. A medida ocorre em um momento de maior controle sobre chips, dados, investimentos e exportação de conhecimento ligado à IA. Para investidores e empresas globais, o recado é direto: negócios envolvendo tecnologia chinesa sensível podem ser revistos mesmo quando estruturados fora do território chinês.