Uma reportagem do Globo Rural foi o ponto de partida para que o agrônomo Aderbal Castro e o filho, Tarcísio Machado, decidissem investir em uma cultura ainda pouco explorada no Brasil: a baunilha. O negócio começou em 2016, em Itapetinga, no interior da Bahia, e deu origem à Vanilla Brasil, que faturou R$ 8,1 milhões em 2025 e projeta alcançar R$ 16 milhões neste ano.
As informações são da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios.
Na época, Aderbal se preparava para se aposentar da carreira de professor universitário e buscava uma atividade capaz de gerar renda em uma pequena propriedade. Tarcísio, recém-formado em Administração, trabalhava no mercado financeiro. Pai e filho avaliaram alternativas como cacau e criação de camarão até descobrirem o potencial da baunilha.
A cultura exigia uma área relativamente pequena e investimento inicial compatível com o projeto, mas havia um desafio: o retorno demoraria anos.

Pai e filho apostam no cultivo de baunilha na Bahia e criam negócio que faturou R$ 8,1 milhões em um ano
Primeira colheita levou quatro anos
As primeiras mudas foram compradas pela internet em 2016, mas muitas morreram antes de florescer. A empresa precisou remontar as estufas em outro local e a primeira colheita comercial só aconteceu em 2020, quatro anos depois do início do cultivo.
Durante esse período, para manter o negócio funcionando, Tarcísio passou a importar favas de Madagascar e revendê-las no Brasil. Ele ainda conciliou a empresa com o trabalho no mercado financeiro durante os primeiros dois anos.
Atualmente, pai e filho dividem as funções. Aderbal é responsável pela fazenda e pelo desenvolvimento de produtos, enquanto Tarcísio cuida da área comercial, incluindo o escritório em São Paulo e a fábrica instalada em Montes Claros, Minas Gerais.

Pai e filho apostam no cultivo de baunilha na Bahia e criam negócio que faturou R$ 8,1 milhões em um ano
Produção exige polinização manual
O cultivo da baunilha envolve um processo trabalhoso. As flores da orquídea Vanilla permanecem abertas por apenas algumas horas e precisam ser polinizadas manualmente nesse intervalo.
Na época de maior floração, a equipe da fazenda, normalmente formada por sete funcionários, chega a cerca de 30 pessoas durante aproximadamente um mês. Da polinização à colheita das favas são necessários nove meses.
Depois de colhidas individualmente, as favas ainda passam por cerca de cinco meses de cura e secagem em estufas com temperatura controlada. O processo foi desenvolvido em parceria com o Senai Cimatec e é nessa etapa que a baunilha adquire seu aroma característico.
A produção também vem crescendo. A empresa colheu 700 quilos há dois anos e 1,5 tonelada no ano passado. Para 2026, a expectativa é chegar a 45 mil plantas e dobrar a produção atual.

Pai e filho apostam no cultivo de baunilha na Bahia e criam negócio que faturou R$ 8,1 milhões em um ano
Empresa mira mercado internacional
O portfólio da Vanilla Brasil inclui favas, extrato, pasta, pó, caviar de baunilha e açúcar aromatizado. O extrato é atualmente o produto mais vendido, seguido pela pasta.
A companhia também iniciou uma operação direta em marketplaces e já abriu uma subsidiária nos Estados Unidos, onde pretende começar a comercializar os produtos. Amostras também foram enviadas ao Japão após o interesse de uma importadora.
A meta da empresa é alcançar US$ 10 milhões em faturamento nos Estados Unidos até 2027 e chegar a uma receita global de R$ 25 milhões no mesmo ano.