Conheça Caíque Copque, ator baiano que está no elenco de filme premiado no Festival de Locarno

Conheça Caíque Copque, ator baiano que está no elenco de filme premiado no Festival de Locarno

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

José Mion/Alô Alô Bahia

Reprodução/Redes Sociais

Publicado em 17/08/2026 às 12:17

Nascido e criado em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, o ator baiano Caíque Santos Copque vive um momento especial na carreira. Aos 31 anos, ele integra o elenco de “A Margem do Rio”, longa dos diretores Matheus Farias e Enock Carvalho que acaba de ser premiado no Festival de Locarno, na Suíça. O filme recebeu o Prêmio Especial do Júri e ainda levou um prêmio de 30 mil francos suíços.

No longa, Caíque interpreta Izaquiel, um auxiliar de serviços gerais que se aventura pelas noites do manguezal em busca de encontros secretos. A rotina do personagem muda quando ele conhece Jeremias, um pescador enigmático interpretado por Ítalo Martins. A partir daí, os dois embarcam em uma jornada pelas profundezas do mangue e de si mesmos, enquanto uma ameaça externa espalha violência pela região.

Caíque chegou ao filme através de um processo seletivo nacional. “Não foi um convite, foi uma seleção. Eu fui sendo selecionado para as próximas etapas, até que finalmente chegou esse ‘sim’, esse tão poderoso ‘sim'”, celebra, em entrevista ao Alô Alô Bahia.

Caique Copque e Ítalo Martins | Foto: Victor Jucá/Divulgação

A participação em “A Margem do Rio” se soma a outro trabalho importante do ator no cinema, o filme “Mapas”, dirigido por Rafael Lobo. Os dois longas estrearam neste ano, em diferentes festivais. “Tenho vivido esse ano coisas muito bonitas que o audiovisual tem proporcionado, tanto com o filme ‘A Margem do Rio’ como ‘Mapas’ também. Os dois estrearam esse ano, um em Locarno, outro no Cine PE. Tem sido muito bonito e refletir sobre isso também tem me trazido bons sentimentos, boas sensações. Eu espero que seja o começo de muita coisa, de muita gente ainda que eu possa encontrar, de muito personagem que eu possa viver, que eu possa emprestar muito o meu corpo para essas histórias”, diz.

Apesar dele falar em “começo”, a relação de Caíque com a arte começou muito antes de chegar às telas. Nascido em 14 de março de 1995, ele conta que o pai sempre percebeu sua sensibilidade em relação à vida. Na infância, gostava de dançar e chegou a comentar com o pai que gostaria de fazer aulas, mas as circunstâncias não permitiram. O primeiro contato mais estruturado com as artes veio por meio das artes marciais, quando começou a praticar karatê na Cidade do Saber, em Camaçari.

Foi ali também que surgiu a oportunidade de conhecer o teatro. “Menos de um ano depois, eu comecei a conhecer o pessoal que fazia teatro, uma amiga muito próxima minha, Mikaelle Moreira, já fazia teatro na Cidade do Saber e eu fui assistir um espetáculo que ela fazia, um personagem incrível, e eu fiquei encantado com aquilo. Eu pensei, ‘poxa, acho que também pode ser um lugar legal para estar, para conhecer pessoas'”, lembra.

A partir dali, Caíque passou a fazer cursos e a se aprofundar na atuação. Para ele, o teatro se tornou uma experiência contínua de descoberta. “Tem sido sempre uma descoberta do outro e de mim também”, reflete o ator, que considera Camaçari parte inseparável de sua identidade, mesmo depois da mudança para São Paulo.

“Camaçari me afeta de modo geral. Eu nasci nessa cidade, eu cresci nessas ruas, eu conheço as pessoas daí, me apaixonei por pessoas daí, meus familiares moram aí, então não tem como desassociar a cidade em que eu nasci e cresci de quem eu sou hoje. Eu acho que isso não acontece, isso eu vou carregar até quando eu tiver 100 anos”, afirma.

Morando atualmente na capital paulista, ele chama atenção para questões como sotaque e preconceito regional. “Acredito que o recorte de ser baiano e estar morando em São Paulo atualmente talvez possa deixar com que as coisas fiquem um pouco mais difíceis por conta do próprio preconceito que existe dentro do país que a gente não pode negar”.

Caique ao lado dos diretores Matheus Farias e Enock Carvalho e do produtor Maurício Macêdo | Foto: Divulgação

Para o ator, a diversidade de sotaques brasileiros deveria ser vista como uma riqueza, e não como algo a ser apagado. “Existem questões sobre sotaques, né, que a gente deve ter um pseudo sotaque neutro. E a gente pensa o Brasil nesse tamanho, como é que a gente pode neutralizar um sotaque sendo um Brasil tão grande, tão diverso, com tanta possibilidade de fala, tanta possibilidade de interpretação em fonética dentro da própria palavra?”, questiona.

Ainda assim, Caíque afirma que sua identidade baiana permanece presente. “A minha baianidade vai estar sempre comigo e graças a Deus. E eu ouvi recentemente em uma matéria que saiu na TV Bahia o apresentador me chamando de baianíssimo. Eu achei isso lindo, então, sempre serei baianíssimo, independente de onde eu esteja. A cultura que me formou estará sempre atrelada a mim, porque ela me forma”, reflete.

Essa ligação com a Bahia também passa pelas contradições que ele enxerga no estado. “A Bahia tem dessa beleza que ao mesmo tempo te balança, ao mesmo tempo tem a realidade que é muito agressiva. É gritante perceber as diferenças sociais e financeiras que existem nesse estado tão bonito, tão rico, mas ao mesmo tempo com tanta gente que passa ainda dificuldade”, lamenta.

Camaçari, nesse contexto, aparece como sua principal referência afetiva e artística. A casa dos avós é lembrada como espaço de refúgio, enquanto Salinas, na Ilha de Itaparica, guarda memórias da infância com os pais e avós. A própria Cidade do Saber ocupa um lugar importante nessa trajetória, por ter sido um polo cultural de destaque na cidade e na região.

“Vim desse lugar, que de 2007 até 2013 pulsava muita energia artística, fez eu direcionar todo o meu potencial enquanto jovem, pra querer entender que era isso que eu queria fazer como profissão”, lembra. “Camaçari sempre será o meu lugar de inspiração, o meu lugar de refúgio. Tudo isso me inspira, tudo isso está vivo em mim”, celebra.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia