A Polícia Federal (PF) localizou e apreendeu, nesse fim de semana, um jato de luxo associado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro em Assunção, capital do Paraguai.
A ofensiva integra os desdobramentos da Operação Compliance Zero e foi viabilizada com o apoio da Secretaria Nacional Antidrogas do país vizinho (SENAD/PY) e da adidância da corporação brasileira.
Após a apreensão, a aeronave foi trazida de volta ao Brasil no final da tarde de domingo (16) e ficará no pátio do Aeroporto Internacional de Brasília para o cumprimento das medidas judiciais.
O avião tem valor estimado em R$ 120 milhões (ou cerca de US$ 21 milhões, conforme levantamento anterior do g1).
Trata-se de um modelo de alto padrão, capaz de transportar até 16 passageiros e dois tripulantes, com autonomia de 12.500 km (6.750 milhas náuticas), alcance suficiente para viagens intercontinentais sem escalas.
Nos registros oficiais, o jato está em nome da Viking Participações LTDA., que figura na Receita Federal como uma das dez empresas ligadas ao ex-banqueiro.
A apreensão faz parte de um cerco internacional ao patrimônio do investigado. A corporação brasileira acionou cooperações policiais e jurídicas em pelo menos três países para rastrear bens ocultos de Vorcaro.
Além da aeronave, as autoridades já mapearam uma mansão e um iate no exterior avaliados em R$ 500 milhões, segundo informações da CNN.
Relembre a prisão de Vorcaro
Daniel Vorcaro está preso desde março deste ano, época em que a PF deflagrou a Operação Compliance Zero. O foco da força-tarefa é um vasto esquema de fraudes financeiras estruturado dentro do Banco Master.
Segundo os investigadores, o grupo criminoso produzia documentos falsos, como contratos e extratos, para inflar artificialmente o patrimônio do banco. A manobra servia para esconder a real situação financeira da instituição e enganar investidores.
As apurações da Polícia Federal se estendem por uma série de outras práticas ilícitas. Vorcaro e seus aliados são suspeitos de lavagem de dinheiro (utilizando fundos de investimento e empresas), corrupção, formação de organização criminosa e ataques hackers contra sistemas de órgãos públicos para espionar o andamento das próprias investigações.
A quadrilha também mantinha uma estrutura focada em intimidar e ameaçar jornalistas, concorrentes e ex-funcionários.
A defesa do ex-banqueiro nega todas as acusações apontadas pela polícia.
