Salvador guarda um patrimônio que vai além de igrejas, casarões e monumentos. O acervo protegido da cidade inclui painéis de Carybé, sítios históricos, terreiros e manifestações populares, como o samba junino, a Festa de Yemanjá, a capoeira e o ofício das baianas de acarajé.
Nesta segunda-feira (17), quando é celebrado o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, alguns desses bens ajudam a contar diferentes capítulos da história e da formação cultural da capital baiana.
No Porto da Barra, aos pés do Forte São Diogo, está o Marco Comemorativo da Fundação da Cidade, uma coluna de pedra de lioz com seis metros de altura que marca o local associado à chegada dos primeiros portugueses a Salvador. O monumento foi tombado pela Prefeitura em 2020.
No mesmo processo foram protegidos 19 painéis de Carybé espalhados por espaços públicos e privados da cidade. Entre eles está “A Colonização do Brasil”, obra de 13 metros em concreto armado instalada na fachada do Edifício Bráulio Xavier, entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile.
Outros trabalhos do artista integram o conjunto, como “Orixás”, no Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no Terreiro de Jesus, e “Panorama de Salvador”, na Escola Classe II, no Pero Vaz.

De Carybé à Pedra de Xangô: conheça patrimônios históricos e culturais de Salvador
Pedra de Xangô
Outro patrimônio material da cidade é a Pedra de Xangô, em Cajazeiras. Com oito metros de altura, o monumento natural é considerado um local sagrado para as religiões de matriz africana e integra uma área reconhecida como sítio histórico do antigo Quilombo Buraco do Tatu.
Segundo a Fundação Gregório de Mattos (FGM), a região também foi espaço de vivência de povos indígenas tupinambás e, posteriormente, local de passagem e refúgio de negros que fugiam da escravidão.
A lista de patrimônios materiais protegidos pelo município inclui ainda a Estátua de Jesus (O Salvador) e o morro que lhe serve de suporte, a Igreja da Ascensão do Senhor, o Terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe e o Terreiro Ilê Axé Kalè Bokùn.
Patrimônio também está nas tradições
A proteção cultural de Salvador também alcança manifestações, celebrações e saberes transmitidos entre gerações.
Entre os patrimônios imateriais está o samba junino, movimento surgido na periferia de Salvador na década de 1970 e relacionado às tradições dos terreiros de candomblé e às celebrações juninas.
Também fazem parte desse patrimônio a Festa de Yemanjá do Rio Vermelho, o Ofício dos Mestres Carpinteiros Navais, o Ofício das Baianas de Acarajé e a capoeira.
Salvador promove Jornada do Patrimônio Cultural
Para marcar a data, a Fundação Gregório de Mattos realiza, a partir de quinta-feira (20), a VII Jornada do Patrimônio Cultural de Salvador, com o tema “Patrimonializar para quê e para quem?”.
Serão três dias de debates, vivências e manifestações culturais, com discussões sobre preservação, políticas de fomento e educação patrimonial. As inscrições são gratuitas e seguem até quarta-feira (19).
Entre os desafios para a conservação do patrimônio da cidade, a FGM aponta vandalismo, ação do tempo, condições climáticas, necessidade de manutenção e conciliação entre preservação histórica e crescimento urbano.
Confira parte do patrimônio histórico e cultural de Salvador:
Materiais: Pedra de Xangô e sítio histórico do antigo Quilombo Buraco do Tatu; Estátua de Jesus (O Salvador); Marco de Fundação da Cidade; Igreja da Ascensão do Senhor; 19 painéis de Carybé; Terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe; e Terreiro Ilê Axé Kalè Bokùn.
Imateriais: Samba Junino; Festa de Yemanjá do Rio Vermelho; Ofício dos Mestres Carpinteiros Navais; Ofício das Baianas de Acarajé; e capoeira.