Pão de queijo x pão delícia: na Bahia, o clássico mineiro ganha um concorrente de peso

Pão de queijo x pão delícia: na Bahia, o clássico mineiro ganha um concorrente de peso

Redação Alô Alô Bahia

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Heider Sacramento

Reprodução

Publicado em 17/08/2026 às 11:23

Hoje é Dia do Pão de Queijo e, na Bahia, a data ganha uma disputa particular. De um lado, o quitute mineiro que conquistou o Brasil. Do outro, o pão delícia, presença quase obrigatória nas festas baianas. Parecidos no tamanho e no lugar que ocupam no coração de quem ama um bom salgado, os dois têm histórias e receitas bem diferentes.

O pão de queijo tem uma trajetória ligada a Minas Gerais desde o século XVIII. A receita foi se formando a partir do uso do polvilho, derivado da mandioca, em um período em que a farinha de trigo era mais difícil de encontrar. O queijo produzido nas fazendas mineiras acabou entrando na preparação e ajudou a criar o quitute que conhecemos hoje.

Na receita, a diferença aparece logo de cara. O pão de queijo tem o polvilho como base e o queijo incorporado à massa. Já o pão delícia é feito com farinha de trigo e ficou conhecido na Bahia pela massa extremamente macia e leve. Pode aparecer simples, recheado ou com a tradicional cobertura de manteiga e queijo.

Na hora de preparar, a diferença também aparece. O pão de queijo normalmente é feito com o polvilho escaldado com leite, água ou óleo, antes de receber ovos, queijo e outros ingredientes. Depois, a massa é modelada em pequenas porções e assada até crescer e ganhar aquela casquinha por fora e textura elástica por dentro.

O pão delícia segue outro caminho. A massa leva farinha de trigo, fermento e ingredientes que ajudam a deixá-la mais leve e macia. Depois de sovada e fermentada, é dividida em pequenos pães, que vão ao forno e costumam receber manteiga e queijo na finalização. Um tem a textura mais firme e elástica; o outro aposta na maciez e no miolo fofinho.

E se Minas tem uma história consolidada para seu quitute, a Bahia tem diferentes versões para explicar como nasceu o pão delícia. Uma delas conta que a receita surgiu a partir de um improviso doméstico em Salvador. Outra trajetória que ganhou espaço é a de Laila Eliazigi Abboud, cuja família atribui a ela a criação e popularização de uma das versões do pãozinho.

Elíbia Portela também é um nome importante nessa história. Há décadas dedicada à panificação, ela já explicou que não reivindica a criação dos primeiros pães de aniversário, mas desenvolveu novas massas e maneiras de preparar o quitute. Essa variedade de versões ajuda a explicar por que a origem do pão delícia continua rendendo histórias.

Na prática, porém, existe uma diferença que o baiano conhece muito bem. O pão de queijo ganhou o país e virou companhia clássica para o café. O pão delícia ganhou as festas. Casamentos, aniversários, formaturas, batizados e outros eventos na Bahia dificilmente passam sem uma bandeja deles.

No alcance nacional, o pão de queijo leva vantagem. Na memória afetiva das celebrações baianas, o jogo muda completamente.

Minas tem seu clássico. A Bahia também. E, quando a disputa acontece em uma festa por aqui, o pão delícia joga em casa.

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