A desistência do plano de entregar parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados não encerrou a crise na Fifa. A Uefa passou a buscar apoio de outras confederações e integrantes do Conselho da entidade para ampliar a pressão sobre Gianni Infantino e discutir uma mudança no comando.
Uma das possibilidades em análise é convocar uma reunião extraordinária do Conselho da Fifa. Pelas regras da entidade, o pedido precisa do apoio de 19 dos 37 integrantes. O movimento já reuniria mais de dez membros, mas dependerá da adesão de dirigentes asiáticos, já que Europa e América do Norte somam 14 representantes.
A resistência ganhou força depois que a Uefa e a Concacaf declararam ter perdido a confiança no presidente. O projeto previa a criação de uma empresa avaliada em US$ 20 bilhões para administrar competições da Fifa, com 20% de participação destinada a investidores privados. A proposta avançou sem consulta aos principais órgãos da entidade e acabou retirada diante da ameaça de boicote aos torneios.
O episódio também provocou um racha no grupo próximo ao dirigente. Carlos Cordeiro deixou o cargo de conselheiro e afirmou que não poderia apoiar a venda de uma participação na Copa. Kevin Lamour, diretor de operações da Fifa e antigo aliado de Infantino, classificou a iniciativa como um projeto conduzido por uma única pessoa e criticou a falta de transparência interna.
Infantino ainda conta com o apoio das confederações africana e sul-americana, além de federações como as de Catar e Marrocos. A Uefa, porém, pretende convencer dirigentes a retirar as cartas de apoio já entregues à candidatura do suíço e trabalha para encontrar um adversário na eleição de 2027. O prazo para o registro de concorrentes termina em 18 de novembro.