Em 23 dias, Baresi foi de cirurgia no joelho à marcação de Romário na final da Copa 94

Em 23 dias, Baresi foi de cirurgia no joelho à marcação de Romário na final da Copa 94

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 31/07/2026 às 09:24 / Leia em 3 minutos
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Franco Baresi entrou no gramado do Rose Bowl, em 17 de julho de 1994, com uma missão que parecia incompatível com o que havia vivido nas semanas anteriores. Diante dele estavam Romário e Bebeto. No joelho, ainda recente, havia as marcas de uma cirurgia no menisco realizada durante a própria Copa do Mundo.

A história começou 24 dias antes da final. Na vitória da Itália por 1 a 0 sobre a Noruega, pela fase de grupos, Baresi deixou o campo lesionado. O diagnóstico indicou um problema no menisco, e o capitão italiano passou por uma artroscopia no dia seguinte. Para muitos, o Mundial havia terminado ali.

Enquanto a seleção italiana tentava sobreviver no torneio, Baresi iniciou outra competição, longe das câmeras e dos estádios. O adversário era o tempo. Ele precisava reduzir semanas de recuperação a poucos dias, controlar as dores e recuperar movimentos básicos antes de pensar novamente em enfrentar atacantes.

A Itália avançou sem o seu capitão. Eliminou a Nigéria na prorrogação, passou pela Espanha e venceu a Bulgária na semifinal. A cada classificação, a possibilidade de retorno deixava de ser apenas um desejo. Baresi intensificava os trabalhos enquanto o restante da equipe abria o caminho até Pasadena.

Quando a escalação para a final foi confirmada, ele estava de volta. Aos 34 anos, depois de quatro partidas fora e praticamente sem ritmo de jogo, Baresi assumiu o centro da defesa contra a dupla que conduzia o Brasil. Romário havia decidido jogos contra Rússia, Camarões, Suécia, Holanda e Suécia novamente. Bebeto também chegava como uma das principais armas da equipe de Carlos Alberto Parreira.

Durante 120 minutos, o zagueiro acompanhou deslocamentos, fechou espaços e orientou a defesa italiana. Não dependia de velocidade. Antecipava as jogadas, corrigia o posicionamento dos companheiros e evitava que Romário e Bebeto encontrassem liberdade dentro da área. O Brasil criou oportunidades, mas não marcou. A Itália também passou em branco, e o 0 a 0 levou a decisão para os pênaltis.

Baresi caminhou até a marca da cobrança como o primeiro jogador italiano. O capitão que havia desafiado o prazo médico, suportado a prorrogação e ajudado a conter o ataque brasileiro mandou a bola por cima do gol de Taffarel. Depois, Daniele Massaro e Roberto Baggio também falharam. O Brasil venceu por 3 a 2 e conquistou o tetracampeonato.

A imagem de Baresi chorando após a derrota tornou-se parte daquela final. A cobrança desperdiçada encerrou sua Copa, mas não diminuiu o que ele havia feito durante os 120 minutos. A atuação diante de Romário e Bebeto, somada à recuperação improvável após a cirurgia, transformou aquela partida em um dos capítulos mais marcantes de sua carreira. Mesmo sem o título, o capitão deixou o Rose Bowl ainda mais identificado com a seleção e consolidou, entre os torcedores italianos, a imagem de uma lenda que entregou tudo pela camisa da Itália.

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