Nova mistura de 32% de etanol na gasolina entra em vigor neste sábado (1º); veja impactos nos motores

Nova mistura de 32% de etanol na gasolina entra em vigor neste sábado (1º); veja impactos nos motores

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Redação Alô Alô Bahia

Agência Brasil

Publicado em 31/07/2026 às 10:11 / Leia em 3 minutos

A partir deste sábado (1º), a gasolina comercializada nos postos de todo o Brasil passará a contar com uma nova formulação, elevando a mistura de etanol dos atuais 30% para 32%.

A resolução, anunciada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) no dia 14 de julho, estabelece que a mudança vigore por 180 dias, com possibilidade de uma única prorrogação pelo mesmo período.

O CNPE justificou a medida como uma resposta à volatilidade do mercado internacional de petróleo e combustíveis. A decisão foi impulsionada pela escalada da guerra no Oriente Médio, que provocou uma alta global nos custos dos combustíveis fósseis.

A alteração conta com o respaldo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). A entidade garante que as usinas brasileiras possuem capacidade estrutural para suprir essa demanda extra e destaca que a nova proporção reduzirá a necessidade de importação de gasolina, além de impulsionar o consumo de combustível renovável produzido internamente.

O CNPE também negou que o aumento do teor de etanol traga prejuízos à frota automotiva.

Apesar do otimismo do setor sucroenergético, a mudança gerou forte oposição. No fim de julho, o Ministério Público Federal (MPF) protocolou uma ação civil pública exigindo a suspensão imediata da nova mistura. O órgão sustenta que faltam testes conclusivos sobre o caso e aponta que os impactos ambientais não foram avaliados de forma adequada.

O setor produtivo também expressou ressalvas. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já havia se posicionado cobrando a realização de estudos técnicos mais aprofundados antes que a medida entrasse em vigor.

Riscos mecânicos para veículos

Para especialistas e engenheiros da área, o principal gargalo técnico da medida é a compatibilidade de materiais.

A preocupação recai principalmente sobre os veículos mais antigos ou os modelos importados, que foram originalmente projetados para rodar exclusivamente com gasolina ou com índices muito menores de etanol, não possuindo a calibração específica para a mistura de 32%.

O etanol adicionado na refinaria é do tipo anidro (que passa por desidratação). No entanto, o combustível possui a característica de absorver a umidade presente no ambiente, o que pode carrear água diretamente para o interior do motor.

Essa umidade afeta peças metálicas que não foram projetadas para trabalhar nesse ambiente e a combinação entre água e etanol aumenta a condutividade elétrica no sistema, cenário ideal para a ocorrência de corrosão eletroquímica.

A longo prazo, a falta de adaptação pode resultar em aumento do consumo de combustível, desgaste prematuro e oxidação de peças vitais.

Segundo as análises técnicas, a nova concentração exigiria testes detalhados de resistência em todos os componentes que entram em contato com o combustível, incluindo:

  • Tanque e boia;
  • Bomba de combustível;
  • Linhas de combustível (sejam plásticas ou metálicas);
  • Bicos injetores;
  • Câmara de combustão;
  • Pistões;
  • Sistemas de vedação.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia