A Uefa anunciou nesta quinta-feira (30) que suas 55 federações nacionais deixarão de disputar torneios da Fifa enquanto permanecer ativa a proposta de vender participações em uma empresa responsável pelas principais competições da entidade. A decisão foi tomada por unanimidade em uma reunião virtual de emergência.
O plano prevê a criação da Fifa Forward Enterprise, companhia avaliada em cerca de US$ 20 bilhões que administraria comercialmente a Copa do Mundo e outros eventos. A Fifa pretende vender uma fatia minoritária a investidores externos e sustenta que continuaria responsável pelas regras, pelo formato e pelas decisões esportivas.
A entidade europeia rejeitou a possibilidade de entregar parte dos torneios a grupos privados e classificou como “irresponsável e indefensável” a condução da proposta sem uma consulta ampla às confederações e federações nacionais. “A Copa do Mundo não está à venda”, afirmou a Uefa ao comunicar o boicote.
A medida será mantida até que o projeto seja totalmente cancelado e a Fifa ofereça garantias de que suas competições não serão abertas novamente à participação privada. A ruptura ameaça esvaziar torneios mundiais, já que seleções como Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Itália e Portugal estão entre as filiadas à Uefa.
O primeiro impacto pode ocorrer em setembro, na Copa do Mundo Feminina Sub-20, na Polônia. Entre as seleções principais, o impasse alcançaria em outubro os playoffs europeus das Eliminatórias para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil, colocando em risco a presença de algumas das principais equipes do continente.