Mais de cinco décadas depois de ser encontrada abandonada dentro de um carrinho de compras em um shopping de Ohio, nos Estados Unidos, Pearl Marshall finalmente descobriu a identidade de seus pais biológicos. A história da americana, conhecida na época como “Bebê Westgate”, ganhou um novo capítulo após uma longa investigação que reuniu documentos oficiais, testes genéticos e a ajuda de pesquisadores.
Pearl tinha apenas algumas horas de vida quando foi encontrada, em agosto de 1972, por duas amigas que deixavam um cinema em Fairview Park. Ao perceberem que um saco de papel dentro de um carrinho de compras se mexia, Darlene Gilleland e Rita Marshall decidiram verificar o conteúdo e encontraram a recém-nascida, limpa, vestida e enrolada em um cobertor. A polícia foi acionada, a bebê recebeu atendimento médico e, menos de quatro meses depois, foi adotada. Durante décadas, porém, permaneceu sem respostas sobre sua origem, já que sua adoção ocorreu em processo fechado.
A situação começou a mudar em 2015, quando o estado de Ohio passou a permitir que muitos adotados tivessem acesso aos próprios registros de nascimento. Pearl iniciou uma busca que se intensificou em 2023, após conseguir sua certidão de nascimento. Embora o documento não revelasse os nomes dos pais biológicos, ele indicava um detalhe incomum: o local de nascimento registrado era o próprio shopping Westgate. Com a ajuda do marido, Jack Marshall, ela localizou reportagens da época e confirmou que era a bebê encontrada no estacionamento. Depois, contou com o apoio da historiadora Chris Gerrett, que identificou as mulheres responsáveis pelo resgate e ajudou a reunir novas pistas.
A investigação prosseguiu com testes de DNA. Pearl conseguiu localizar primeiro o pai biológico, que afirmou não saber quem era a mãe da criança. Posteriormente, com auxílio da equipe do podcast investigativo *The Fronczak Files*, também encontrou a mãe biológica. O reencontro aconteceu durante um almoço realizado em junho. “Nenhuma de nós fazia ideia do que dizer”, contou Pearl. Ela afirmou que nunca guardou ressentimento pela decisão tomada décadas antes. “Provavelmente foi a melhor coisa que já fiz por outra pessoa. Eu não achava que ela precisava de perdão, mas ela precisava… e ainda está lidando com isso”, declarou.
Segundo o relato, a mãe biológica tinha 22 anos e era solteira quando deu à luz. Durante a gestação, costumava cantar canções de ninar para a filha e, após deixá-la no carrinho de compras, permaneceu circulando de carro pelo local até ter certeza de que a bebê havia sido encontrada. Mais tarde, chegou a trabalhar no mesmo centro comercial e estacionava diariamente na vaga onde havia deixado a criança. “O que ela fez por mim foi algo bom. Ela sabia que não poderia ficar comigo, por mais que quisesse”, afirmou Pearl.
Hoje com 53 anos, professora de música em Salem, no estado da Virgínia, Pearl também conheceu um meio-irmão por parte de mãe e uma meia-irmã por parte de pai, que, assim como ela, trabalha com música. Ainda assimilando as descobertas, ela resume o momento como uma mistura de emoções. “Ainda estou processando tudo isso. Há muitas emoções, e elas surgem em momentos diferentes. Claro que estou feliz. Estou encantada por conhecer meus pais biológicos. Tive muita sorte de tê-los vivos”, concluiu.