O eBay e três ex-executivos concordaram em pagar cerca de US$ 56 milhões (aproximadamente R$ 310 milhões) para encerrar uma ação judicial movida por um casal de jornalistas dos Estados Unidos que foi alvo de uma campanha de assédio organizada por ex-funcionários da companhia. As informações são da CNN Brasil.
O acordo põe fim a um processo iniciado em 2021 por Ina e David Steiner, responsáveis pelo site especializado em comércio eletrônico EcommerceBytes, conhecido por publicar reportagens críticas sobre o eBay, principalmente em relação a mudanças nas políticas, decisões da direção e estratégias que afetavam vendedores da plataforma.
Segundo a ação, a campanha de intimidação começou em 2019 com o objetivo de silenciar o casal. O eBay é um dos maiores marketplaces do mundo, reunindo milhões de vendedores e compradores de produtos novos e usados em mais de 190 mercados.
Entre os episódios relatados estão o envio de baratas e aranhas vivas, uma coroa de flores fúnebres, uma máscara de porco ensanguentada e mensagens ameaçadoras. Ex-funcionários também monitoraram a rotina dos jornalistas e tentaram instalar um rastreador GPS no carro deles, de acordo com promotores federais.
Pelos termos do acordo, o eBay desembolsará US$ 46,15 milhões, enquanto o ex-presidente-executivo Devin Wenig contribuirá com US$ 2 milhões. Outros dois ex-dirigentes pagarão US$ 500 mil e US$ 50 mil, respectivamente. O entendimento também prevê doações a entidades voltadas à defesa da liberdade de expressão e uma declaração pública da empresa reconhecendo a gravidade do caso.
Em nota, o eBay voltou a pedir desculpas aos Steiners e afirmou que a conduta dos envolvidos foi “errada e repreensível”, ressaltando que o episódio não representa a cultura da empresa. Sete ex-funcionários já haviam se declarado culpados ou sido condenados por participação no esquema de perseguição.
Em publicação no EcommerceBytes, Ina e David Steiner afirmaram que o acordo representa mais do que uma compensação financeira. Segundo eles, o objetivo sempre foi responsabilizar a empresa e seus ex-executivos pela campanha de perseguição e enviar um recado de que grandes corporações não podem intimidar jornalistas e críticos sem consequências. O casal também agradeceu o apoio recebido ao longo dos mais de seis anos de disputa judicial e disse esperar que o caso ajude a evitar abusos semelhantes no futuro.
“Este caso sempre foi mais do que obter uma compensação financeira. Tratava-se de responsabilização, transparência e da proteção dos direitos fundamentais”, afirmou o advogado Christopher Murphy, que representa o casal.