Com produção 100% baiana, nova série fala da cultura de terreiro: “A gente ainda não vê esses espaços como fonte de conhecimento”

Com produção 100% baiana, nova série fala da cultura de terreiro: “A gente ainda não vê esses espaços como fonte de conhecimento”

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

João Bertonie

Divulgação / Hans Herold

Publicado em 31/07/2026 às 19:15 / Leia em 2 minutos

Você já parou para pensar sobre como os terreiros de religiões de matriz africana são importantes fomentadores da cultura e do conhecimento popular? É com essa diretriz que a série “Àgbára Dúdú – Narrativas Negras”, que estrou nesta semana no Canal Futura, conduz seus episódios. Trata-se de uma produção completamente baiana, com o interesse de retratar o universo afrorreligioso a partir de um novo prisma.

“Eu era ainda adolescente quando percebi que as mães de santo conheciam tantos remédios naturais, ervas importantes, formas criativas de resolver problemas”, revelou Silvana Moura, diretora e idealizadora do projeto. Foi dela a iniciativa de entrevistar líderes de terreiro inicialmente em Salvador, mas logo se expandindo para outros territórios onde a cultura afrobrasileira está presente, como Maranhão, Pernambuco, Rio de Janeiro e Sergipe. 

“A gente ainda não vê os terreiros como espaços que são fonte de conhecimento, de troca, de cultura”, completa.

A série, que está já na sua segunda temporada, tem 13 episódios, cada um centrado num líder de terreiro, a exemplo de Pai Reginaldo Flores (Salvador), Mãe Beata de Yemanjá (Salvador/Rio de Janeiro), Dona Valdelice (Chapada Diamantina), dentre outros.

Silvana começou a se interessar pela cultura afro quando viu o Badauê, histórico afoxé fundado no Engenho Velho de Brotas, desfilar na avenida pela primeira vez. Apesar de ter sido criada no Garcia, ela nunca tinha tido contato com o Carnaval desde então. Ao avistar “os moços lindos do Badauê”, ela se deu conta, pela primeira vez, da força da criação artística de origem negra — cujas origens remetem à matriz afrorreligiosa.

“Eu fazia balé clássico, bem aquela coisa de menina de classe média. Tinha um desconhecimento total dessa Bahia negra. A partir daí fui atrás de Mestre King, dos grandes nomes da dança afro, e mergulhei na cultura negra produzida aqui no estado”, relembrou.

A primeira temporada da série foi ao ar em 2020. O Canal Futura vai exibir, a cada quarta-feira, um novo episódio da segunda temporada.

“Não é uma série religiosa, é um mergulho antropológico, cultural, sobre como essas comunidades vivem, como produzem, como elas se relacionam com sua comunidade, e como pensam questões contemporâneas importantes”, afirma Silvana.

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