O governo da França anunciou mudanças nas regras de cobrança para estudantes estrangeiros de fora da União Europeia e provocou reação de entidades estudantis e universidades no país. A medida prevê um aumento nas anuidades cobradas no ensino superior a partir do ano letivo de 2026/27, segundo informações divulgadas pelo portal Deutsche Welle.
O programa chamado de “Escolha a França para Educação Superior”, pretende restringir um mecanismo que permitia às universidades aplicar aos estudantes não europeus os mesmos valores cobrados de cidadãos da União Europeia. Com a mudança, a possibilidade de isenções ou cobranças reduzidas deve deixar de existir. Alunos estrangeiros que ingressarem em cursos de graduação deverão pagar cerca de 2.895 euros por ano, aproximadamente R$ 15,9 mil. Já os cursos de mestrado terão anuidades em torno de 3.941 euros, cerca de R$ 21,7 mil. Os novos valores representam um aumento de até 16 vezes em relação às taxas anteriores.
A decisão desencadeou protestos de organizações estudantis, que acusam o governo de comprometer o acesso igualitário ao ensino superior. Em comunicado, entidades como a União Europeia de Estudantes e a Federação de Associações Gerais de Estudantes da França afirmaram que a proposta cria barreiras financeiras e amplia desigualdades no acesso à educação. “A proposta representa um passo alarmante no que diz respeito ao compromisso com o acesso equitativo ao ensino superior. Ao aumentar significativamente as mensalidades para estudantes de fora da UE, o governo francês corre o risco de institucionalizar um sistema em que o acesso à educação é cada vez mais determinado pela nacionalidade e pela capacidade financeira”.
Historicamente, a França mantém uma política de ensino superior mais acessível, inclusive para estrangeiros. No entanto, diante da pressão financeira enfrentada pelas universidades e da crescente concorrência internacional por estudantes, especialistas defendem que mudanças no modelo são uma medida necessária.