O longa francês “Nino de Sexta a Segunda”, dirigido por Pauline Loquès e estrelado por Théodore Pellerin, chegou aos cinemas de Salvador nesta quinta-feira (14), com distribuição da Filmes do Estação, cercado por uma recepção crítica amplamente positiva no circuito internacional. O filme está em cartaz no Cine Daten Paseo, no Itaigara.
Exibido pela primeira vez na Semana da Crítica do Festival de Cannes de 2025, o filme rapidamente se destacou entre os títulos mais comentados da mostra. Na ocasião, Pellerin recebeu o prêmio Louis Roederer Foundation Rising Star, destacando o impacto de sua atuação, considerada por muitos como o principal eixo emocional da narrativa.
A trama acompanha um jovem que, ao receber um diagnóstico de câncer, tem três dias antes do início do tratamento. Nesse intervalo, de sexta a segunda-feira, os médicos lhe atribuem duas tarefas fundamentais que o levam a atravessar Paris e a se reconectar com pessoas, memórias e consigo mesmo. A estrutura, concentrada nesse curto período, transforma o filme em um retrato sensível de um momento suspenso entre o choque e a assimilação.
Um dos pontos mais elogiáveis é justamente essa abordagem. Em vez de recorrer ao melodrama, o longa aposta em uma narrativa delicada, construída a partir de gestos cotidianos e encontros aparentemente simples. O resultado é um filme que trata de temas densos com leveza e humanidade, privilegiando nuances emocionais e silêncios.

Outro ponto amplamente elogiado é a atuação de Pellerin, contida e profundamente naturalista. Sua interpretação sustenta a jornada do protagonista sem recorrer a exageros, transmitindo fragilidade, confusão e uma busca silenciosa por sentido diante da situação inesperada. O desempenho rendeu ao artista o prêmio de Melhor Ator Revelação no Prêmio César, o principal do cinema francês.
O reconhecimento ao filme se estendeu também à direção. Pauline Loquès venceu o César de Melhor Primeiro Filme, dividido com a produtora Sandra Da Fonseca. Ao todo, “Nino” recebeu quatro indicações ao 51º Prêmio César.
O tom contemplativo é um dos elementos mais marcantes do filme. Mais do que acompanhar uma história tradicional, a narrativa se concentra em sensações e estados emocionais, explorando o intervalo entre o diagnóstico e o tratamento como um espaço de reflexão sobre identidade, vínculos e finitude.
A estrutura é bastante discreta, sem grandes reviravoltas ou clímax tradicionais, funcionando mais como um retrato íntimo do protagonista do que como uma narrativa convencional. Ainda assim, o filme passa rápido, dado que a escolha da direção é coerente com a proposta do filme.
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