“A nossa ideologia é cuidar de pessoas”, afirmou a pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Margareth Dalcolmo, ao receber nesta sexta-feira (13) a medalha de mérito Oswaldo Cruz. A honraria é concedida pela Presidência da República a personalidades e iniciativas que contribuíram para o bem-estar e a saúde física e mental da população brasileira.
Dalcolmo se tornou uma das principais vozes de orientação científica durante a pandemia de covid-19. Desde o início da emergência sanitária, a pesquisadora da Fiocruz fez alertas públicos sobre a gravidade da doença, defendeu medidas de isolamento social e reforçou a importância da vacinação.
Ao comentar a homenagem, a cientista lembrou que o decreto de pandemia feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) completou seis anos na última quarta-feira (11).
“Neste dia, eu gravei um pequeno e modesto vídeo anunciando que seria uma tragédia que se abateria sobre o Brasil e infelizmente era verdade. Nós fizemos o primeiro alerta”, disse.
Dalcolmo também recordou as dificuldades de enfrentar discursos negacionistas durante o período mais crítico da crise sanitária.
“Deu muito mais trabalho desconstruir a retórica nociva ao povo brasileiro do que informar sobre os progressos que nós conseguimos fazer. Nós fizemos isso porque é nossa obrigação, porque é isso que nós sabemos fazer. Esse é o meu compromisso de todo dia”, afirmou.
A concessão oficial da medalha ocorreu em setembro de 2024, mas a pesquisadora não pôde participar da cerimônia em Brasília. Por isso, recebeu a condecoração das mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a inauguração do novo setor de trauma do Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
A apresentação da medalha foi feita pela ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, colega de Dalcolmo na Fiocruz e que presidiu a instituição durante a pandemia. Segundo ela, a atuação da pesquisadora continuou mesmo após o fim da emergência sanitária.
“Além de todo o trabalho durante a pandemia, de informar as pessoas, de ser um alento na sua comunicação e orientar as famílias, Margareth colaborou conosco no Ministério e segue contribuindo para que o Brasil volte a ser referência mundial em vacinação”, afirmou.