As mudanças recentes no calendário vacinal dos Estados Unidos, durante o governo de Donald Trump, acenderam um alerta entre especialistas sobre o avanço do sarampo nas Américas. O país já confirmou mais de 4,4 mil casos neste ano, com três mortes.
Entre os infectados, 98% não estavam totalmente vacinados, segundo os dados apresentados no levantamento.
Para o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, o cenário americano representa um risco para todo o continente. Ele critica os discursos antivacinação e destaca que a queda na confiança nos imunizantes pode favorecer a disseminação da doença.
“O governo americano, além de chancelar discursos negacionistas, tem um secretário de Saúde, que é o equivalente ao nosso ministro, declaradamente antivacina”, destaca.
“Espero que o mundo não olhe isso como exemplo. Eles estão colhendo frutos. A vacina contra o sarampo é uma vacina de bloqueio. Quem se vacina não pega nem transmite. O descontrole de casos lá [nos EUA] está muito relacionado a esse discurso crescente negacionista”, complementa o diretor do PNI.
No Brasil, foram registrados 61 casos neste ano, a maioria de origem importada. Como não há transmissão sustentada desde 2024, o país mantém a certificação de área livre do sarampo.
Nos Estados Unidos, o governo reduziu de 17 para 11 o número de imunizantes recomendados para todas as crianças e determinou mudanças na recomendação da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
Para o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, as medidas não têm respaldo científico e podem comprometer a confiança da população nas vacinas.
“Isso leva a uma grande confusão na população, porque a Academia Americana de Pediatria continua recomendando as vacinas exatamente como eram antes, e, por outro lado, tem um órgão governamental fazendo uma série de mudanças. E a confiança é fundamental para a gente ter sucesso na vacinação”, avalia o diretor da SBIm.