Conheça obra de arte do MAM Bahia que funciona como uma tradicional ‘venda’ do interior

Conheça obra de arte do MAM Bahia que funciona como uma tradicional ‘venda’ do interior

Redação Alô Alô Bahia

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Kirk Moreno para o Alô Alô Bahia

Kirk Moreno / Alô Alô Bahia

Publicado em 31/08/2026 às 15:11

Escondida sob uma escada próxima ao casarão principal do Solar do Unhão, em Salvador, uma instalação chama a atenção de quem circula pelo Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA). Com aparência de um pequeno estabelecimento comercial, o espaço funciona, de fato, como uma tradicional venda do interior.

Intitulada “Vendo a Venda”, a obra é da artista visual, professora e pesquisadora Iêda Oliveira e propõe uma experiência que mistura arte, memória e convivência. Quem chega ao local encontra cachaças, sucos, quitutes e outros produtos oferecidos por valores simbólicos.

A instalação é da artista visual, professora e pesquisadora Ieda Oliveira.

A própria artista prepara o que é servido, de acordo com a disponibilidade e a inspiração do dia. Por isso, não há um cardápio fixo: podem aparecer cuscuz de tapioca, bolinho de aipim, empanadas, caldos e outras preparações.

As cachaças também são produzidas por Iêda e ganham combinações com diferentes ervas e ingredientes, como capim-santo, milome, pau-tenente, gengibre, anis, cravo, canela, erva-cidreira, erva-doce e alecrim. Sucos de diferentes sabores completam a experiência.

A instalação “Vendo a Venda” foi criada e inaugurada em 2009, no próprio Museu de Arte Moderna da Bahia, onde ganhou sua primeira versão. Em 2025, a obra foi levada ao Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC-BA) em celebração aos 30 anos de trajetória artística de Iêda Oliveira. No início de 2026, a instalação retornou ao MAM Bahia, desta vez com curadoria de Raimundo Mundim, onde permanece em funcionamento.

Ieda é baiana e tem quase três décadas de trajetória, participando de importantes eventos e exposições no Brasil e no exterior.

Memórias do interior da Bahia

A inspiração para “Vendo a Venda” surgiu das lembranças da infância da artista em Varzedo, no Recôncavo Baiano, onde seu pai mantinha um estabelecimento semelhante.

“A venda é uma aproximação com as minhas experiências em Varzedo, que foi onde eu cresci. Meu pai tinha uma venda, então eu cresci dentro dessa estética da venda e participava desse convívio com as pessoas que iam na venda comprar”, conta.

Além da comida e das bebidas, a instalação pode ganhar música ao vivo. Em alguns momentos, Iêda deixa o balcão para cantar músicas que fazem parte de sua memória afetiva, com repertório que passa pelo universo da chamada música brega.

Para a artista, a interação com os visitantes é parte fundamental da própria obra.

“É um trabalho onde o artista e o público se encontram. Na medida em que eu venho aqui para trocar uma ideia com quem entra, a gente está desenvolvendo muitas coisas: amizade, experiência, compartilhando conhecimento. É uma obra que permite memórias”, explica.

As cachaças são preparadas pela própria artista, com diferentes combinações de ervas e ingredientes.

Quando visitar

O espaço é aberto pela própria Iêda, que costuma receber o público de quinta a domingo, geralmente das 15h30 às 18h. Em algumas semanas, a instalação também funciona às quartas-feiras. De setembro até novembro, a programação passará a acontecer às quartas, quintas, sábados e domingos, no mesmo horário. Em dias de apresentações de jazz no MAM, o funcionamento pode ser estendido.

Com quase três décadas de trajetória, Iêda Oliveira já participou de exposições e eventos no Brasil e no exterior, incluindo as bienais de São Paulo, Mercosul e Luanda. Em “Vendo a Venda”, ela prefere não restringir o trabalho a uma única linguagem.

“Hoje em dia, categorizar isso aqui como uma linguagem seria até inadequado, porque várias linguagens estão imersas nessa instalação”, afirma.

O espaço é aberto pela própria artista, que costuma estar no local de quinta-feira a domingo.

 

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