A mansão onde Silvio Santos viveu por décadas, no bairro do Morumbi, em São Paulo, foi alvo de uma tentativa de furto na tarde deste domingo. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a Polícia Militar foi acionada depois que uma funcionária percebeu um carro desconhecido estacionado em frente ao imóvel e informou que três homens haviam entrado na residência. O episódio voltou a colocar em evidência um dos endereços mais conhecidos ligados à trajetória do apresentador, morto em agosto de 2024, aos 93 anos.
O imóvel já havia entrado para a história por causa do sequestro de Patrícia Abravanel, em 2001. A filha de Silvio Santos foi mantida em cativeiro durante uma semana e acabou libertada após o pagamento de um resgate de R$ 500 mil. Dois integrantes da quadrilha, Marcelo Batista Santos e Esdras Dutra Pinto, foram presos, enquanto Fernando Dutra Pinto, irmão de Esdras, conseguiu fugir com o dinheiro ao lado da namorada, conhecida como Jenifer. Localizado posteriormente em um hotel, ele voltou a escapar e matou dois policiais durante a fuga.
Dias depois, em 30 de agosto de 2001, Fernando invadiu a casa de Silvio Santos e manteve o apresentador refém por cerca de sete horas. Durante a negociação, exigiu um helicóptero para escapar e recusou acordo com a polícia. Mais tarde, permitiu a saída de Íris Abravanel, das filhas do casal e dos funcionários da residência, permanecendo apenas com Silvio. A crise terminou quando o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, garantiu sua integridade física, levando o sequestrador a se entregar.
Após a prisão, Fernando permaneceu isolado por questões de segurança, recebendo alimentação de fora e sem contato com outros detentos. Em dezembro daquele ano, porém, foi transferido para o convívio com a população carcerária do CDP Belém 2. Segundo o relato do caso, ele foi espancado por agentes penitenciários depois de questionar a forma como presos eram tratados durante uma revista motivada pela descoberta de um plano de fuga. A agressão teria provocado um ferimento nas costas, por onde uma bactéria entrou, causando uma infecção generalizada que levou à sua morte semanas depois.
O caso teve desdobramentos na Justiça. Em 2011, os acusados, entre eles carcereiros e o médico que atendeu Fernando, foram absolvidos em primeira instância das acusações de tortura. Três anos depois, após recurso do Ministério Público, todos acabaram condenados em segunda instância e perderam os cargos. Um dos agentes, Mateus Messias da Silva, chegou a ser preso e atualmente cumpre pena em regime aberto. Paralelamente, os pais de Fernando moveram uma ação contra o Estado por suposta negligência no atendimento ao filho. Eles obtiveram decisão favorável por danos morais, mas o pagamento da indenização ainda não foi concluído. Como a mãe morreu, os beneficiários previstos são o pai e os irmãos de Fernando.
Avaliada em cerca de R$ 15 milhões, a residência tem aproximadamente 2 mil metros quadrados e reúne piscina, sauna, academia e ambientes decorados com referências francesas, espelhos italianos e tapetes orientais. Um dos cômodos que mais despertou curiosidade do público foi um quarto repleto de bonecas, mostrado em um vídeo antigo gravado ao lado do cabeleireiro Robson Jassa, amigo de Silvio Santos. Em 2025, a casa também virou assunto após um vídeo nas redes sociais afirmar que o imóvel estaria abandonado. Na ocasião, o SBT negou a informação.