Clubes brasileiros divulgaram na noite desta quinta-feira (17) um manifesto em defesa das bets reguladas, após o avanço no governo federal de discussões sobre uma Medida Provisória que pode proibir cassinos on-line. As equipes alertam que a perda de receita das operadoras pode reduzir investimentos em patrocínios e atingir diferentes áreas do futebol.
A proposta ainda não tem texto final divulgado. Segundo a Reuters, fontes do governo afirmam que a medida em discussão preservaria as apostas esportivas e os contratos de patrocínio com clubes e competições. Os jogos de cassino representam cerca de 75% da receita das operadoras, segundo a Associação Nacional de Jogos e Loterias. Com uma eventual proibição, os clubes temem que a queda no faturamento das empresas reduza também os investimentos em patrocínios e publicidade no futebol.
O temor levou dirigentes a se articularem nesta quinta. Atualmente, 13 clubes da Série A têm casas de apostas como patrocinadoras master, e representantes do futebol estimam em aproximadamente R$ 1 bilhão o impacto sobre essa fonte de receita em um cenário de forte retração do setor. Os clubes também mencionam possíveis reflexos sobre publicidade nos estádios, direitos de transmissão e premiações.
No manifesto, as entidades reconhecem os problemas sociais associados às apostas, principalmente entre pessoas vulneráveis, mas defendem fiscalização, prevenção e mecanismos de proteção em vez de uma mudança abrupta no mercado autorizado. O documento sustenta que clubes menores, divisões de acesso, categorias de base e o futebol feminino também recebem recursos do setor e encerra a manifestação com a frase: “O futebol é quem acaba.”
Do lado do governo, o debate é motivado por preocupações com endividamento, dependência e os efeitos dos jogos sobre a renda das famílias. Há, porém, versões diferentes sobre o estágio da proposta: enquanto o ge informou que um texto estava pronto e havia expectativa de publicação nos próximos dias, fontes ouvidas pela Folha afirmaram que ainda não existia decisão definitiva nem prazo, e a Reuters relatou que ministros continuavam discutindo o formato da medida.