A vitória da australiana Joanna Wietrzyk, de 24 anos, na competição da Hyrox em Pequim, na China, terminou envolvida em uma forte polêmica. A atleta completou o percurso em 1 hora, 1 minuto e 23 segundos, mas sofreu uma crise de incontinência fecal durante a prova e continuou competindo enquanto fezes escorriam pelas pernas. O episódio foi registrado em vídeos e fotografias que rapidamente circularam pelas redes sociais.
A permanência de Joanna na competição provocou críticas principalmente por causa dos equipamentos compartilhados entre os participantes. Internautas questionaram a possibilidade de contaminação de itens utilizados na prova, como remos e kettlebells, e defenderam que a atleta deveria ter sido retirada da disputa.
“Corridas de corredores são uma coisa. Mas ter diarreia durante uma competição indoor e continuar correndo e espalhando a infecção por todo lado é vil e egoísta”, escreveu um usuário no X. Outro afirmou: “Isso não é coragem, é repugnante. Você está arruinando o ambiente para todos”. Um terceiro defendeu a desclassificação: “Isso deveria resultar em um fim imediato para o competidor, porque o risco para a saúde pública é mais importante do que a medalha. O Hyrox tem muitos pontos de contato e superfícies compartilhadas para permitir que isso continue”.
Mesmo diante da repercussão negativa, Joanna comemorou o resultado nas redes sociais. “Ou vai com tudo, ou vai para casa, como dizem… uma vitória é uma vitória”, publicou a australiana no Instagram. A mensagem, porém, foi apagada pouco depois diante do grande volume de comentários críticos.
Segundo o jornal South China Morning Post, a equipe responsável pelo evento isolou rapidamente as áreas afetadas, realizou a desinfecção ao longo do dia, retirou os equipamentos contaminados e substituiu o carpete após o encerramento da competição.
A Hyrox também se pronunciou nas redes sociais sobre o episódio e afirmou que enfrenta “situações cada vez mais complexas” durante suas provas. “Pedimos aos nossos atletas que se esforcem ao máximo. Por vezes, eles vão além do que até nós pensávamos ser possível. Essa coragem, resiliência e recusa em desistir são precisamente o que torna os atletas de elite tão extraordinários. Nosso papel é fornecer a eles a estrutura e os limites adequados para poderem competir, ter um bom desempenho e se expressar da melhor maneira possível”, afirmou a organização.
Na segunda-feira, 14 de setembro, o cofundador da Hyrox, Moritz Fuerste, reconheceu que houve uma falha na condução do caso e pediu desculpas. “Peço desculpas a todos os afetados direta ou indiretamente, bem como a todos que sentiram que não lidamos com a situação da maneira correta.”
Fuerste acrescentou que a empresa “começou a aprimorar os processos dos eventos e a implementar mudanças imediatas no regulamento”. Segundo ele, “a partir deste momento, novas regras e procedimentos estão em vigor para evitar que situações como essa voltem a acontecer”.