Do porto de Santos a Rosário, a trajetória brasileira da família de Messi

Do porto de Santos a Rosário, a trajetória brasileira da família de Messi

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Redação Alô Alô Bahia

Digital Art

Publicado em 25/07/2026 às 08:45 / Leia em 3 minutos

Antes da família Cuccittini construir sua vida em Rosário, uma viagem de navio, o trabalho nas lavouras de café e uma mudança de sobrenome deixaram um capítulo pouco conhecido no Brasil. A ascendência brasileira de Messi passa por Arderigo Coccettini, bisavô materno do jogador, nascido em Ribeirão Preto em 27 de janeiro de 1904.

A história começa cinco anos antes, do outro lado do Atlântico. Em 1899, Raniero Coccettini deixou San Severino Marche, na Itália, acompanhado da mulher, Rosa Ricchezza, e de dois filhos. Como milhares de europeus daquele período, a família procurava uma nova vida na América e embarcou no navio Washington, que atracou no porto de Santos em 20 de setembro.

Dos corredores da hospedaria de imigrantes, os Coccettini seguiram para o interior paulista. Raniero, registrado como agricultor, passou a trabalhar em uma fazenda de Martinho Prado Júnior, um dos principais produtores de café da região de Rincão. Foi nesse cenário, em meio à expansão cafeeira que atraía trabalhadores estrangeiros para São Paulo, que nasceram mais dois filhos do casal: Ermínia, em 1900, e Arderigo, quatro anos depois.

Arderigo permaneceu pouco tempo no país, mas carregou para sempre as marcas burocráticas daquela passagem. Nos documentos brasileiros, seu primeiro nome virou Federico. O sobrenome Coccettini também atravessou um processo comum entre famílias imigrantes e passou a ser registrado como Cuccittini, exatamente a forma que décadas mais tarde apareceria no nome completo de Lionel Andrés Messi Cuccittini.

“O Arderigo, no Brasil, vira Federico. E o Coccettini muda para Cuccittini. O Federico é o bisavô do Messi”, explicou o pesquisador italiano Fiorenzo Santini, responsável por reconstruir a trajetória familiar. A alteração não foi apenas um detalhe de cartório. Ela criou a pista que permitiu ligar o maior jogador argentino de sua geração a uma criança nascida no interior de São Paulo no início do século XX.

Em 1905, quando Federico tinha cerca de um ano, os Coccettini deixaram o Brasil e se instalaram na região de Rosário, na Argentina. A partir dali, a árvore genealógica avançou por três gerações: Federico teve Antônio Cuccittini, que se tornou pai de Celia María Cuccittini, mãe de Messi. Em 24 de junho de 1987, Lionel nasceu na mesma região onde seus antepassados haviam recomeçado a vida depois da passagem por São Paulo.

Durante muito tempo, esse trecho da história permaneceu escondido em certidões, listas de passageiros e registros de imigração. Santini começou a investigar a família entre 2019 e 2022, depois de perceber que o sobrenome Cuccittini não aparecia nos arquivos italianos mais antigos. Documentos cedidos por um parente de Celia ajudaram a preencher as lacunas e revelaram que a grafia conhecida pelos argentinos havia surgido durante os anos brasileiros da família.

O desembarque da família no porto de Santos cria um paralelo curioso com a história do futebol. Décadas depois, seria dali que Pelé surgiria para conquistar o mundo. Os Coccettini seguiram para o interior e, pouco tempo depois, deixaram o Brasil, mas fica a provocação: caso tivessem permanecido na cidade, Messi talvez tivesse crescido como herdeiro do Rei, e não sob o peso de suceder Maradona na Argentina. E a história do futebol seria bem diferente…

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia