Funcionários retirados dos quartos antes dos jogos, atletas impedidos de viajar e brindes cancelados revelam a dimensão dos cortes adotados pelo Portland Trail Blazers desde que o bilionário Tom Dundon comprou a franquia, em março, por US$ 4,25 bilhões.
Em uma das viagens, integrantes da comissão e de áreas administrativas tiveram de fazer o check-out do hotel até 12h30 para evitar a cobrança de uma taxa adicional. Como o ônibus para a arena sairia apenas horas depois, parte do grupo precisou esperar no saguão. Uma massagista também teve um quarto negado, embora o espaço fosse utilizado no tratamento dos jogadores antes da partida.
A redução de despesas chegou ao elenco durante os playoffs. Caleb Love, Chris Youngblood e Jayson Kent, que possuíam contratos bidirecionais, não acompanharam a equipe nos jogos disputados em San Antonio. A decisão evitou custos com hospedagem e alimentação. O fotógrafo oficial e o repórter responsável pelo conteúdo digital também deixaram de participar de viagens.
Os torcedores sentiram os efeitos no Moda Center. A tradicional distribuição de camisetas nas arquibancadas foi cancelada no terceiro jogo da série eliminatória, mesmo com o clube disputando os playoffs pela primeira vez em cinco anos. A contenção avançou posteriormente sobre a estrutura administrativa, com cerca de 70 demissões e uma reformulação que atingiu narradores, comentaristas e profissionais das transmissões.
As medidas aumentaram o desgaste da nova gestão enquanto Portland negocia a reforma do Moda Center, estimada em US$ 600 milhões. Sem um acordo de longo prazo entre a franquia e a prefeitura, os cortes passaram a alimentar também o receio de que o time deixe a cidade após o fim do vínculo atual com a arena.