A campeã olímpica Ana Marcela Cunha voltou a fazer história na natação em águas abertas. Nesta quarta-feira (22), a baiana de 34 anos completou a tradicional travessia do Canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França, em 8 horas e 25 minutos, estabelecendo o novo recorde sul-americano da prova, considerando as categorias masculina e feminina.
Com o resultado, Ana Marcela superou a antiga melhor marca brasileira, de 9 horas e 40 minutos, registrada por Ana do Amaral Mesquita. O recorde mundial pertence ao alemão Andreas Waschburger, que concluiu o percurso em 6 horas, 45 minutos e 25 segundos.
Sonho de infância
Dona de uma carreira consagrada, com 16 medalhas em Campeonatos Mundiais e ouro na maratona aquática dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, Ana Marcela escolheu a travessia do Canal da Mancha como um dos principais desafios após a participação nos Jogos de Paris 2024.
Considerada uma das provas mais difíceis da natação em águas abertas, a travessia exige preparo físico e mental para enfrentar correntes marítimas, mudanças de maré, águas geladas, tráfego intenso de embarcações e condições climáticas imprevisíveis.
Natural de Salvador, a atleta revelou que completar o percurso também representava a realização de um sonho cultivado desde a infância, quando começou a nadar no mar, aos oito anos.
Preparação
Para realizar a travessia sem utilizar roupa de neoprene, Ana Marcela ganhou peso como estratégia para aumentar a proteção térmica contra a água fria. A preparação também incluiu o uso de lanolina para ajudar a conservar o calor corporal e um treinamento de 12 horas ininterruptas em águas abertas, com trechos realizados durante a noite para simular as condições da prova.
A conquista teve ainda um significado especial para a atleta, que dedicou o feito à memória de Renata Agondi, nadadora brasileira que morreu em 1988 durante uma tentativa de completar a travessia do Canal da Mancha.
Próximo desafio
Após alcançar mais um marco na carreira, Ana Marcela Cunha já mira o próximo ciclo olímpico. A baiana voltará a concentrar seus esforços nas provas de 10 quilômetros em águas abertas, dando início à preparação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Sobre uma possível aposentadoria, a campeã olímpica afirmou que ainda não pensa em encerrar a trajetória no esporte.
“Não tenho um ponto final. Quero deixar que o tempo me mostre. Enquanto eu estiver feliz, não tem por que parar.”

Foto: Jonne Roriz/COB