Zoo de Salvador participa de programas de conservação e reprodução de espécies ameaçadas

Zoo de Salvador participa de programas de conservação e reprodução de espécies ameaçadas

Redação Alô Alô Bahia

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Matheus Lemos/Ascom Inema

Publicado em 06/11/2026 às 13:58

Muito além de receber visitantes, o Parque Zoobotânico da Bahia, conhecido como Zoo Bahia, em Salvador, desenvolve atividades voltadas à conservação da fauna, à pesquisa científica e à proteção de espécies silvestres. Gerida pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), a instituição participa de programas de reprodução e manejo populacional, além de manter parcerias com outras organizações.

As iniciativas ganham importância diante das ameaças à biodiversidade, como destruição e fragmentação de habitats, poluição, tráfico de animais silvestres, atropelamentos e conflitos entre a fauna e as atividades humanas.

Em 2026, a atualização da Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção passou a reconhecer 1.279 espécies brasileiras nessa condição, segundo dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Desse total, 378 são peixes, 376 invertebrados, 241 aves, 123 répteis, 102 mamíferos e 59 anfíbios.

No Zoo Bahia, o trabalho inclui o manejo dos animais mantidos sob cuidados humanos e a participação em programas de conservação. Entre as ações estão projetos de conservação in situ, realizados nos ambientes naturais das espécies, além de planejamento reprodutivo, avaliações sanitárias e acompanhamento técnico.

Reprodução de harpia e conservação de onças-pintadas

Um dos exemplos de atuação do zoológico é a reprodução de uma harpia (Harpia harpyja). De acordo com a gestora do Zoo Bahia, Ana Celly Lima, a instituição foi a segunda do Brasil a obter êxito no manejo reprodutivo da espécie e na criação de um filhote.

O animal foi posteriormente transferido para outra instituição, como parte de um programa de manejo populacional, com a perspectiva de integrar um futuro pareamento reprodutivo. Segundo a gestora, a iniciativa demonstra a importância da cooperação entre instituições para a manutenção de populações de espécies que exigem cuidados especializados.

Outro caso envolve uma onça-pintada de pelagem preta, nascida no Parque e criada sob cuidados humanos. Ao atingir a idade adequada, o animal foi encaminhado ao Criadouro Conservacionista Onça Pintada, no Paraná, para uma tentativa de reprodução com uma fêmea.

“A proposta era contribuir para um programa de conservação, com a possibilidade de que futuras gerações participassem de iniciativas de soltura. Embora o pareamento não tenha apresentado o resultado esperado, o animal permanece na instituição de destino, onde representa um banco genético”, explicou Ana Celly.

Transferência de animais entre zoológicos

O manejo populacional também envolve a transferência de animais entre instituições, considerando critérios técnicos e genéticos. Em maio de 2026, uma fêmea de mico-leão-de-cara-dourada foi transferida do Zoo Bahia para o Zoológico Municipal de Curitiba.

A ação integrou um programa de conservação desenvolvido em parceria com o ICMBio e a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB). A transferência levou em consideração aspectos genéticos e familiares, com o objetivo de favorecer a diversidade genética da população da espécie mantida sob cuidados humanos.

Em junho de 2026, o Zoo Bahia também recebeu três lobos-guará provenientes de um criadouro conservacionista de Minas Gerais. A chegada dos animais está relacionada ao Programa de Manejo Populacional da espécie, que reúne instituições em uma estratégia conjunta de conservação.

Segundo a gestora, animais nascidos em zoológicos podem futuramente participar de programas de reintrodução na natureza, desde que atendam aos critérios técnicos necessários. O processo exige preparação específica, que inclui reabilitação, enriquecimento ambiental e treinamento.

“É preciso desenvolver um trabalho de reabilitação, enriquecimento e treinamento, preparando os indivíduos para os desafios da vida na natureza”, destacou Ana Celly.

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