A idolatria em torno de Ayrton Senna no Brasil foi tema de uma conversa entre Fernando Alonso e Max Verstappen durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (5), em Interlagos. Questionados sobre a popularidade do tricampeão mundial em comparação com Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet, os dois pilotos destacaram a personalidade do brasileiro e sua capacidade de criar uma ligação especial com os torcedores.
Bicampeão mundial, Alonso afirmou que o reconhecimento internacional do automobilismo brasileiro não se limita a Senna. O espanhol também lembrou a importância de Fittipaldi, cujo recorde de piloto mais jovem a conquistar um primeiro título na Fórmula 1 foi superado por ele próprio em 2005. Segundo o espanhol, o nome do bicampeão brasileiro continua bastante conhecido em seu país. “Emerson é bastante popular porque costumávamos dizer, quando alguém chegava muito rápido a algum lugar: ‘Para onde você está indo, Fittipaldi?’. É como se perguntássemos: ‘Por que você está indo tão rápido?'”, contou.
Ao comparar os três campeões brasileiros, Alonso apontou uma característica que, na sua avaliação, diferenciava Senna dos demais: o carisma. Para o espanhol, o tricampeão, que conquistou seus títulos em 1988, 1990 e 1991, tinha uma conexão espontânea com o público, algo que não dependia de esforço ou estratégias para conquistar admiradores. “O Ayrton tinha mais carisma, mais personalidade. Talvez tivesse algo diferente dos outros campeões. Não apenas as vitórias em corridas, porque talvez fossem todas elas, sabe? O Nelson, tricampeão mundial e tudo mais, mas o Ayrton tinha uma conexão maior com as pessoas”, afirmou.
Alonso acrescentou que essa proximidade era resultado da própria maneira de ser do piloto brasileiro. “Você pode tentar o quanto quiser se conectar com as pessoas, e às vezes não consegue porque não é natural, não é você mesmo. Você se esforça demais para se conectar, e acho que Ayrton não precisava disso. Então, provavelmente essa é a diferença”, completou.
Verstappen também destacou as diferenças entre as personalidades dos três brasileiros e lembrou que a identificação de Senna com São Paulo ajuda a explicar a dimensão da homenagem recebida em Interlagos. “Sim, os três têm personalidades muito diferentes, na minha opinião. Todos os três conquistaram muito no esporte. Agora, naturalmente, o Ayrton também é paulista, então é normal que o apoio seja um pouco maior por aqui”, declarou.
O tetracampeão mundial também falou sobre sua própria relação com a popularidade e a maneira como encara a carreira. Segundo ele, conquistar vitórias continua sendo sua principal prioridade, enquanto a identificação com os torcedores é uma consequência positiva, mas não um objetivo profissional. “Vou ser sincero, eu também não me importo muito porque gosto de vencer. Estou aqui para vencer. Esse é o meu sonho desde criança. Se eu olhar para trás na minha carreira, o que me importa? É vencer o máximo de corridas possível, não criar uma conexão com todo mundo”, afirmou.
Ao comentar o legado de Senna, Verstappen também mencionou a morte do brasileiro em 1994 como um dos fatores que contribuíram para a dimensão de sua memória no país. O piloto holandês classificou a perda como triste, mas ressaltou a importância do reconhecimento construído em torno do tricampeão. “Acho muito bonito e especial como as pessoas se lembram dele e o quanto ele significou para o povo brasileiro. Mas acho que, ao mesmo tempo, o Brasil teve tantos grandes pilotos. Então é bom homenagear a todos, respeitar a todos e olhar para trás com orgulho por terem conquistado tanto para o esporte”, disse.
Verstappen encerrou destacando a influência de Senna, Fittipaldi e Piquet sobre as gerações seguintes do automobilismo. Para ele, os três campeões brasileiros ajudaram a inspirar novos talentos e continuam sendo referências para quem sonha em chegar à Fórmula 1. “Eles inspiraram tantos futuros pilotos, jovens pilotos, e ainda inspiram até hoje. É ótimo ver que tivemos e que com certeza ainda teremos mais lendas do esporte”, concluiu.