Cientistas encontram alternativa ao sal comum que pode evitar milhões de mortes ao ano

Cientistas encontram alternativa ao sal comum que pode evitar milhões de mortes ao ano

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Reprodução

Publicado em 06/11/2026 às 12:34

A substituição do sal de cozinha tradicional por uma versão enriquecida com potássio pode evitar quase 3 milhões de mortes e até 10 milhões de novos casos de doenças cardiovasculares e renais por ano em todo o mundo. A estimativa é de pesquisadores do Instituto George para a Saúde Global, que avaliaram os possíveis efeitos da adoção desse produto em diferentes cenários de consumo.

A proposta busca reduzir dois fatores associados à pressão alta: o consumo elevado de sódio e a ingestão insuficiente de potássio. A hipertensão, por sua vez, aumenta o risco de problemas graves, como acidente vascular cerebral (AVC), infarto e doenças renais. Segundo Bruce Neal, professor associado sênior do instituto, a substituição do sal convencional poderia atuar simultaneamente nesses dois fatores alimentares. “A mudança para o sal enriquecido com potássio resolve esses dois problemas alimentares simultaneamente, com benefícios substanciais para a saúde”, afirmou.

O produto é feito a partir da substituição de uma parte do cloreto de sódio, principal componente do sal tradicional, por cloreto de potássio. A versão enriquecida mantém aparência e sabor semelhantes aos do sal comum e pode ser utilizada no preparo dos alimentos da mesma maneira.

Para calcular os possíveis benefícios da mudança, os pesquisadores analisaram diferentes hipóteses de adoção do produto. O cenário mais amplo considerou a substituição do sal utilizado nas residências, nos alimentos industrializados e nos restaurantes. Nesse caso, a estimativa foi de 2,96 milhões de mortes evitadas e até 10 milhões de novos casos de doenças cardiovasculares e hepáticas prevenidos anualmente.

Os pesquisadores também avaliaram os efeitos da mudança entre pessoas que já possuem diagnóstico de hipertensão. Nesse grupo, a adoção do sal enriquecido com potássio poderia evitar até 600 mil mortes e 1,7 milhão de novos diagnósticos por ano.

O estudo aponta o Brasil entre os dez países que mais poderiam se beneficiar da substituição do sal tradicional. Considerando a adoção da medida, a estimativa é de mais de 150 mil mortes evitadas e aproximadamente 500 mil casos de doenças prevenidos anualmente no país.

Para Bruce Neal, embora uma substituição em escala mundial ainda represente um desafio, os resultados oferecem argumentos para que governos avaliem a adoção da alternativa. Segundo o pesquisador, a medida também poderia gerar economias significativas nos gastos anuais com saúde.

O professor destaca que o consumo excessivo de sódio e a baixa ingestão de potássio estão entre os fatores alimentares associados à hipertensão. “O consumo excessivo de sódio e a ingestão insuficiente de potássio são causas bem estabelecidas de hipertensão arterial, um importante fator de risco para doenças graves como AVC, infarto e doenças renais”, explicou.

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