Lázaro Ramos decidiu recorrer à experiência de nomes que já passaram pelo circuito internacional do cinema para preparar a campanha de “Feito Pipa”, escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2027. Durante a première do filme no Festival do Rio, na última terça-feira, no Centro Cultural FGV, em Botafogo, o ator contou que pediu ajuda a Wagner Moura para contatos e orientações em Los Angeles.
“Conversei, já pedi ajuda, já pedi telefone de gente para nos ajudar nas cerimônias lá em Los Angeles, e ele está ajudando super. Isso é muito legal”, contou Lázaro em entrevista ao jornal Extra. Amigo de longa data e compadre do ator, Wagner Moura viveu recentemente uma experiência semelhante com “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho. No início deste ano, ele ganhou o Globo de Ouro de melhor ator pelo filme e também foi indicado ao Oscar na mesma categoria. O longa concorreu ainda a melhor filme internacional, embora não tenha levado as estatuetas.
Lázaro também procurou Walter Salles, diretor de “Ainda Estou Aqui”, produção que fez história ao se tornar o primeiro longa brasileiro vencedor do Oscar, em 2025. O filme disputou outras duas categorias da Academia e rendeu a Fernanda Torres o Globo de Ouro de melhor atriz. Para Lázaro, a experiência acumulada por Salles e Wagner pode ajudar a nova produção brasileira durante a campanha. “A galera que veio antes, o Walter Salles e o Wagner, foram super acolhedores, dando conselhos, falando das coisas. Isso é muito importante porque, dessa forma, vamos fortalecendo a nossa indústria”, afirmou.
“Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton, acompanha Gugu, interpretado por Yuri Gomes, um menino queer de 12 anos apaixonado por futebol e arte. Criado pela avó Dilma, personagem de Teca Pereira, ele vive em um ambiente afetuoso e que estimula sua criatividade. A situação muda quando ela recebe o diagnóstico de Alzheimer e o garoto passa a enfrentar a possibilidade de morar com o pai, Batista, vivido por Lázaro Ramos, um homem ausente e preconceituoso.
Para Lázaro, a indicação do filme para representar o Brasil chega em um momento de grande expectativa em torno do Oscar. “O filme é representante do Brasil para tentar concorrer ao Oscar. Isso é uma responsabilidade grande porque depois de ‘O Agente Secreto’ e ‘Ainda Estou Aqui’ o Brasil está tratando o Oscar como se fosse futebol”, disse. O ator destacou ainda os temas abordados pela produção. “O filme tem vários temas, aborda o Alzheimer, uma criança queer, um pai que é incapaz de amar o filho do jeito que ele é. E ele tem um tom que conecta as pessoas a partir da emoção com temas urgentes”, afirmou.