O maior leilão de áreas para exploração de petróleo e gás do pré-sal terminou nesta quarta-feira (7) com sete dos 13 blocos oferecidos sendo vendidos. O resultado marcou um novo recorde: foi o leilão do pré-sal com o maior número de áreas arrematadas até agora.
Realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, no Rio de Janeiro, o leilão garantiu ao governo R$ 530 milhões em bônus de assinatura — valor pago pelas empresas para ter o direito de explorar as áreas. Se todos os 13 blocos tivessem sido vendidos, a arrecadação poderia chegar a R$ 1,24 bilhão.
Ao todo, 19 empresas estavam habilitadas a participar, mas apenas seis apresentaram propostas. Entre elas, quatro eram estrangeiras. Apesar do número de interessadas, não houve disputa direta por nenhum dos blocos: em cada uma das sete áreas vendidas, apenas uma empresa ou grupo apresentou proposta.
As brasileiras Petrobras e Prio ficaram com duas áreas cada. A norueguesa Equinor também levou duas, sendo uma delas em parceria com a portuguesa Galp. As chinesas CNOOC e Sinopec ficaram com outro bloco.
Investimentos previstos
As sete áreas vendidas ficam nas bacias de Santos e Campos, na costa do Sudeste. As empresas vencedoras se comprometeram a investir, no mínimo, R$ 778,4 milhões na exploração dos blocos.
Com o resultado, a área do pré-sal explorada pelo modelo de partilha aumenta 58% e chega a 39,2 mil quilômetros quadrados, área equivalente a cerca de 90% do território do estado do Rio de Janeiro.
O modelo de partilha funciona de uma maneira diferente de um leilão tradicional. As empresas não disputam apenas pelo direito de explorar uma área: elas também precisam oferecer ao governo uma parcela do petróleo que poderá sobrar depois que forem descontados os custos da produção.
Na rodada desta quarta-feira, todos os sete blocos vendidos tiveram propostas acima do percentual mínimo estabelecido pela ANP. O chamado ágio — diferença entre a oferta vencedora e o mínimo previsto — variou de 8% a quase 495%, com média de 108,38%.
Veja quais blocos foram vendidos
Magnetita
- Vencedora: Prio
- Parcela de petróleo excedente: 32,80%
- Ágio: 132,79%
Hematita
- Vencedora: Prio
- Parcela de petróleo excedente: 7,18%
- Ágio: 315,03%
Azurita
- Vencedora: Petrobras
- Parcela de petróleo excedente: 30%
- Ágio: 139,81%
Jade
- Vencedoras: CNOOC (70%) e Sinopec (30%)
- Parcela de petróleo excedente: 18,20%
- Ágio: 65,76%
Cruzeiro do Sul
- Vencedora: Petrobras
- Parcela de petróleo excedente: 15,27%
- Ágio: 8,07%
Rubi
- Vencedora: Equinor
- Parcela de petróleo excedente: 25,02%
- Ágio: 91,72%
Rodocrosita
- Vencedoras: Equinor (70%) e Galp (30%)
- Parcela de petróleo excedente: 15,52%
- Ágio: 494,64%
Os blocos que não receberam propostas — Turmalina, Larimar, Aragonita, Opala, Granada e Cerussita — poderão voltar a ser oferecidos em uma próxima rodada.
As empresas vencedoras ainda precisam cumprir outras etapas, como apresentar documentos e pagar os bônus de assinatura. A previsão é de que os contratos sejam assinados em 26 de fevereiro de 2027.
Outro leilão acontece nesta quarta
Ainda nesta quarta-feira (7), a ANP realiza outro leilão, desta vez com áreas que ficam fora do pré-sal.
São 313 blocos de exploração, distribuídos por 22 setores, incluindo áreas terrestres e marítimas. Entre elas estão setores da Bacia do Ceará, na Margem Equatorial Brasileira, região considerada uma nova fronteira de exploração de petróleo.
Nesse modelo, chamado de concessão, vence a empresa que oferece o maior bônus de assinatura. Diferentemente do sistema de partilha, não há uma parcela de petróleo excedente a ser entregue diretamente à União.
Ao todo, 46 empresas estão habilitadas para participar do leilão da tarde.
Nos dois modelos, as empresas que produzem petróleo e gás precisam pagar royalties ao governo. Em campos de produção muito elevada, também há cobrança de participação especial.