Antes de se tornar uma das cantoras mais conhecidas do Brasil, Ivete Sangalo enfrentou um período de dificuldades financeiras e precisou ajudar a família nas despesas de casa. Aos 17 anos, ela passou a vender e entregar quentinhas pelas ruas, chegando a transportar entre 100 e 150 refeições por dia dentro de um isopor levado nos ônibus.
A lembrança foi compartilhada pela cantora durante participação no programa “Angélica Ao Vivo”. Segundo Ivete, a mãe preparava a comida enquanto ela e a irmã cuidavam das embalagens. As quentinhas eram separadas por pedaços de papelão dentro do isopor, e Ivete seguia um roteiro de ônibus para fazer as entregas. A última refeição precisava chegar ao cliente antes do meio-dia.
A situação financeira da família se agravou depois da morte do pai da cantora. Cinco meses mais tarde, um dos irmãos de Ivete também morreu, após ser atropelado. As duas perdas afetaram a família emocionalmente e vieram acompanhadas de dificuldades para manter as despesas básicas.
“Então se instaurou uma decadência emocional mesmo. E aí minha mãe deprimida, o bicho pegando, não pagava condomínio, não pagava luz, não tinha comida. O bicho começou a pegar mesmo, não tinha dinheiro para pegar o ônibus”, relembrou.
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Como a família não poderia vender a casa, seguindo uma orientação deixada pelo pai, a mãe de Ivete encontrou uma alternativa para conseguir dinheiro. Ela entregou um anel às filhas para que fosse penhorado. Com o valor obtido, compraram alimentos e começaram a preparar as refeições que seriam vendidas.
“Ela falou: ‘Vamos pra rua vender’. E nós saímos. Foi assim que isso nos construiu muito, como indivíduos fortes diante das adversidades […] Eu acreditava na construção de alguma coisa. Eu já era artista, ainda que não soubesse tanto. Eu gostava de cantar. Sentia que aquilo ali era um aprendizado de construção da pessoa que eu queria ser […] Eu dizia: ‘Bicho, nós já temos o almoço que a gente não tinha’. Então, a quentinha já gerava o nosso almoço”, contou.
A experiência também fez parte do processo de independência que Ivete levaria para o começo da carreira artística. Conforme relatou, ela precisou aprender a administrar a própria vida profissional enquanto começava a conquistar espaço como cantora.
“Quando eu me dei conta, já tinha os meus fãs, já era cantora, reconhecida. E, na verdade, eu sempre fui muito dona da minha vida. Talvez não desse o dinheiro que se espera ter, mas, quando eu tomei conta, aí foi, né?”, concluiu.