Em alta na Netflix, filme tenta recuperar o suspense erótico dos anos 1990 com uma trama de paixão e consequências

Em alta na Netflix, filme tenta recuperar o suspense erótico dos anos 1990 com uma trama de paixão e consequências

Redação Alô Alô Bahia

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Divulgação / Netflix

Publicado em 31/07/2026 às 18:08 / Leia em 4 minutos

Disponível na Netflix, Desejo é um suspense erótico produzido entre México e Espanha, dirigido por Teresa Simone e estrelado por Ludwika Paleta, Óscar Casas e José María Yazpik. O filme aposta em relações proibidas, conflitos familiares e personagens moralmente questionáveis, mas sua atmosfera provocadora nem sempre encontra a tensão prometida pela premissa.

Lucero, vivida por Ludwika Paleta, é uma advogada bem-sucedida que mantém uma vida confortável ao lado do marido e dos filhos. A estabilidade começa a se desfazer quando Matías, um jovem treinador de natação interpretado por Óscar Casas, passa a frequentar a casa da família e desperta nela uma atração capaz de comprometer sua carreira, seu casamento e a relação com as pessoas mais próximas.

O roteiro de Giulia Cardamone e Vanessa Miklos tenta discutir o desejo feminino para além da culpa, mostrando uma mulher madura insatisfeita com a rotina e com o papel que construiu para si. A ideia oferece espaço para uma personagem complexa, dividida entre impulso, responsabilidade e necessidade de controle, mas o desenvolvimento frequentemente substitui conflitos emocionais por situações previsíveis.

Conforme a trama avança, Desejo abandona parte do drama íntimo para incorporar ameaças, disputas de poder e elementos de investigação. Essa mudança acelera o ritmo, porém também deixa a narrativa mais artificial, com diálogos excessivamente explicativos e decisões tomadas principalmente para conduzir o próximo acontecimento. Em vez de aumentar gradualmente a tensão, o filme acumula complicações sem dar profundidade suficiente às consequências.

Teresa Simone trabalha com ambientes elegantes, piscinas, residências amplas e espaços urbanos da Cidade do México para reforçar o contraste entre aparência e desordem emocional. A fotografia de Marc Bellver cria uma imagem polida, enquanto a montagem de Ana Laura Castro mantém os 98 minutos em movimento. Ainda assim, enquadramentos insistentes e uma trilha que tenta antecipar o perigo tornam a direção mais enfática do que realmente sensual ou inquietante.

Ludwika Paleta oferece a interpretação mais consistente do elenco, equilibrando vulnerabilidade, arrogância e desespero sem transformar Lucero em uma figura facilmente justificável. Óscar Casas cumpre a função sedutora de Matías, embora o roteiro limite sua personalidade, enquanto José María Yazpik transmite rigidez e ressentimento como Fernando. Pilar Pascual também ganha espaço ao representar uma juventude impulsiva que funciona como reflexo e ameaça para a protagonista.

O filme recupera a tradição de suspenses eróticos como Atração Fatal e Instinto Selvagem, nos quais relações extraconjugais conduzem personagens a territórios perigosos. A diferença está na falta de ambiguidade e no tratamento mais comportado do erotismo. Desejo deseja provocar como os títulos dos anos 1980 e 1990, mas segue a fórmula contemporânea de produções de streaming que privilegiam reviravoltas rápidas e conflitos facilmente reconhecíveis.

Desejo pode funcionar para quem procura um suspense adulto curto, com romance proibido, ambiente sofisticado e uma protagonista cercada por escolhas ruins. O filme também deve interessar aos fãs de Ludwika Paleta e Óscar Casas, especialmente pela presença dos dois em uma produção que mistura melodrama familiar, erotismo moderado e elementos policiais.

O sucesso na Netflix se explica por uma premissa direta e por uma combinação de temas que costuma despertar curiosidade, mas o resultado é menos ousado do que sua apresentação sugere. Sustentado por Ludwika Paleta e por uma produção visualmente competente, Desejo entretém como suspense ligeiro, embora sua dependência de clichês impeça que a atração inicial se transforme em um conflito realmente perturbador.

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