Ser pai já não depende de um único caminho. Se antes a paternidade parecia limitada por modelos tradicionais de família ou por barreiras biológicas, hoje ela pode nascer de diferentes trajetórias, todas guiadas pelo mesmo desejo de cuidar, educar e amar. Nesse cenário, os avanços da medicina reprodutiva têm permitido que projetos de vida se tornem realidade para homens que sonham em construir uma família.
Foi esse o caminho percorrido por Ruan Gomes e Rafael Moreira, que estão juntos há quase dez anos. O desejo de ter um filho sempre fez parte da relação, iniciada ainda nos tempos de faculdade, quando Ruan cursava Engenharia Civil e Rafael, Biologia — curso que mais tarde trocou pela Odontologia.
“Sempre tive vontade de ser pai. O Rafael era mais ponderado e dizia que primeiro precisávamos conquistar nosso espaço profissional. Mas a paternidade sempre esteve nos nossos planos”, conta Ruan.
Quando a carreira de Rafael se estabilizou, o casal decidiu que havia chegado o momento de transformar o sonho em realidade. Eles iniciaram o tratamento no IVI Salvador, acompanhados pelo especialista em reprodução humana Agnaldo Viana.

Medicina reprodutiva amplia caminhos para a paternidade e ajuda casal baiano a realizar sonho de ter a primeira filha
Segundo o médico, a reprodução assistida evoluiu para acompanhar as transformações da sociedade e hoje atende perfis cada vez mais diversos. “Mais do que tratar a infertilidade, nosso papel é ajudar pessoas a concretizarem um projeto de vida. Cada vez mais homens procuram orientação para entender as possibilidades oferecidas pela medicina reprodutiva e planejar a paternidade”, afirma.
No caso de Ruan e Rafael, o tratamento envolveu fertilização in vitro (FIV), doação de óvulos e gestação por substituição — técnica onde uma mulher gera em seu útero um bebê que pertence a outra pessoa ou casal —, seguindo as normas do Conselho Federal de Medicina. Dos oito óvulos fecundados, seis evoluíram para blastocistos e três apresentaram resultado genético adequado. Um dos embriões foi transferido com sucesso.
“O resultado positivo foi um misto de alívio e felicidade, daqueles que dão vontade de chorar”, lembra Ruan.
Hoje, o casal vive a 12ª semana de gestação da primeira filha, Clarissa, nome escolhido ainda durante a gravidez. À espera do primeiro Dia dos Pais como pais, eles afirmam que a experiência reforçou a certeza de que existem diferentes formas de construir uma família.
“Ser pai, para a gente, é ser amor, porto seguro, amigo e companheiro”, resume Ruan. Aos homens que compartilham o mesmo sonho, ele deixa uma mensagem: “Não desistam. Se esse desejo existe dentro de você, confie. Não há motivo para pensar que você não merece ser pai.”
Para Agnaldo Viana, histórias como essa mostram que a reprodução assistida deixou de ser apenas uma resposta para a infertilidade e passou a representar uma aliada de diferentes projetos familiares. “Quando falamos em reprodução assistida, estamos falando de pessoas, histórias e sonhos. Independentemente da configuração familiar, o desejo de cuidar, amar e construir vínculos é o que define a paternidade”, conclui.

Agnaldo Viana