Da vida real para a ficção: filha de Regina Casé estreia como atriz em filme sobre surdez

Da vida real para a ficção: filha de Regina Casé estreia como atriz em filme sobre surdez

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Heider Sacramento

Helena Barreto

Publicado em 17/09/2026 às 11:54

O filme “90 Decibéis” chega à TV Globo no dia 28 de setembro com uma história que coloca a surdez no centro da narrativa e marca a estreia de Benedita Casé Zerbini como atriz. Surda oralizada, ela interpreta Ana, uma advogada bem-sucedida que descobre que a perda auditiva que vinha percebendo irá evoluir até a surdez profunda.

Na trama, Ana é mãe de Theo, de sete anos, e vê sua rotina mudar completamente depois de receber o diagnóstico de uma doença degenerativa. Com a progressão da perda auditiva, ela precisa aprender a lidar com os aparelhos, rever sua relação com o próprio corpo e reconstruir a identidade que tinha criado para si.

A transformação também chega à vida profissional. Depois de perder o emprego, Ana enfrenta situações de capacitismo no mercado de trabalho até encontrar uma oportunidade em um ambiente acessível. É nesse novo espaço que ela conhece outras pessoas com deficiência, cria vínculos, vive um novo amor e começa a descobrir possibilidades para sua vida.

Um dos diferenciais da produção está justamente na representatividade: cerca de 70% do elenco é formado por pessoas com deficiência. O filme ainda reúne nomes como Maurício Destri, Stefano Carta, Pedro Neschling, Bukassa Kabengele, Andrea Neves e Haonê Thinar.

A própria história de “90 Decibéis” nasceu de uma experiência pessoal. A roteirista Julia Spadaccini foi diagnosticada na vida adulta com perda auditiva bilateral neurossensorial progressiva, assim como acontece com a personagem principal. “O filme conta a história da Ana, que é uma personagem fictícia. Mas a gente tem pontos em comum, porque o que uma mãe surda vive, várias outras também vivem.”

Para Benedita, a produção também ajuda a ampliar o debate sobre deficiências que nem sempre são percebidas de imediato. “Já passou da hora da gente falar da luta anticapacitista no audiovisual também”, afirma a atriz.

Com direção de Fellipe Barbosa, roteiro de Julia Spadaccini e produção de Mauricio Quaresma, o longa já passou por festivais no Brasil e no exterior antes de chegar à televisão. A produção foi exibida no Festival do Cinema Brasileiro de Paris e no Festival do Rio, além de ter sido finalista do New York Festivals TV & Films Awards 2026.

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