‘Pior que morrer’: Zélia Duncan relembra medo de perder a voz após diagnóstico de câncer

‘Pior que morrer’: Zélia Duncan relembra medo de perder a voz após diagnóstico de câncer

Redação Alô Alô Bahia

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Redação Alô Alô Bahia

O GLOBO

Publicado em 27/08/2026 às 09:37

A cantora Zélia Duncan viveu meses de angústia ao descobrir um câncer de tireoide em 2017. O pânico de perder a voz, sua principal ferramenta de trabalho, foi o maior desafio daquele período. O impacto dessa fase está registrado em seu disco mais recente, “Agudo Grave”, especialmente na faixa “Voz”, que faz referência à cicatriz deixada pela cirurgia.

Em entrevista ao videocast “Conversa vai, conversa vem”, do jornal O GLOBO, a artista de 59 anos detalhou o baque do diagnóstico. Como não era um caso de urgência, Zélia adiou a cirurgia por três meses para concluir sua agenda, transformando cada apresentação em um verdadeiro suplício emocional.

“No camarim, eu morria de chorar. Um dia, minha fonoaudióloga me olhou e falou: ‘Para de se despedir’. Era isso que eu estava fazendo emocionalmente”, relembrou. O medo do silêncio definitivo era a pior parte: “Tive medo… Pensar em perder meu instrumento era pior do que morrer”.

O temor continuou no pós-operatório. Ao acordar da cirurgia, o médico pediu que ela dissesse algo. Apavorada, a cantora conseguiu balbuciar apenas um “Um, dois, três, testando”. Felizmente, seu timbre característico não sofreu alterações.

Apesar da voz intacta, o retorno aos palcos exigiu um doloroso esforço de readaptação técnica. O primeiro show pós-recuperação foi ao lado do violoncelista Jaques Morelenbaum, um formato intimista que funcionava como uma “lente de aumento” sobre a sua performance.

“Cantar sempre foi a coisa mais natural do mundo para mim e o que me deixava magoada era o fato de ter que pensar antes de cantar… onde teria que respirar. Tive que me adaptar e assim fui me recuperando”, explicou a cantora.

Hoje, curada e segura no palco, Zélia confessa que a experiência deixou a sensação de “gato escaldado”. O trabalho no álbum mais recente serviu justamente para entender o que foi recuperado e celebrar quem é a “nova Zélia pra cantar”.

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