A Meta, dona do Instagram e do Facebook, fechou um acordo com estados e territórios dos Estados Unidos para encerrar um processo que acusava as plataformas de terem sido desenvolvidas para estimular o uso excessivo por crianças e adolescentes.
O acordo pode chegar a US$ 17,1 bilhões (cerca de R$ 87,5 bilhões) e prevê mudanças que podem alterar a forma como os jovens utilizam as redes sociais. Entre elas estão limites de tempo, restrições durante a madrugada, silêncio nas notificações e o fim da rolagem infinita.
A proposta ainda precisa ser aprovada pela Justiça americana.
Uma das mudanças que mais chama atenção é justamente o recurso que permite ao usuário continuar deslizando o feed sem chegar a um ponto final. Pelo acordo, a Meta terá de interromper a rolagem infinita para adolescentes. A medida faz parte de um conjunto de alterações pensadas para reduzir o tempo de permanência nas plataformas.
O Instagram e o Facebook também deverão adotar limite diário de duas horas de uso para menores de idade. Outra mudança prevista é a restrição de acesso às plataformas entre meia-noite e 6h para adolescentes. As notificações também deverão ser silenciadas durante parte da noite, entre 22h e 7h. A intenção é evitar que alertas e outras ferramentas das redes sociais interrompam o sono.
A Meta ainda terá de reforçar mecanismos de verificação de idade e controle parental. O acordo prevê mudanças em recursos associados à comparação social entre adolescentes. Entre eles estão filtros de beleza e a exibição da quantidade de curtidas.
A empresa também deverá ampliar medidas de proteção para usuários mais jovens, em um momento em que redes sociais vêm sendo alvo de uma série de ações judiciais nos Estados Unidos.
Do valor total previsto no acordo, aproximadamente US$ 12 bilhões serão pagos inicialmente pela Meta. Os US$ 5 bilhões restantes dependem de outros acordos envolvendo empresas como TikTok, Snapchat e YouTube.
A ação foi conduzida por procuradores de 47 estados e territórios americanos, que acusaram a companhia de violar leis de proteção ao consumidor e regras relacionadas à privacidade.
A Meta, por sua vez, negou as acusações e criticou anteriormente o valor que poderia ser cobrado caso o processo chegasse ao fim.
O acordo representa mais um capítulo da pressão sobre as grandes plataformas para modificar mecanismos considerados potencialmente prejudiciais à saúde e ao bem-estar de crianças e adolescentes.