Morre a artista plástica japonesa Yayoi Kusama, aos 97 anos

Morre a artista plástica japonesa Yayoi Kusama, aos 97 anos

Redação Alô Alô Bahia

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Luana Veiga

AFP

Publicado em 27/08/2026 às 08:33

Considerada uma das figuras mais importantes e reconhecidas da arte contemporânea, a japonesa Yayoi Kusama faleceu no último dia 14 de agosto, aos 97 anos. A morte foi comunicada oficialmente pelo museu e pela fundação responsáveis pela obra da artista na quarta-feira (26). A causa da morte não foi divulgada. Segundo a entidade, Kusama continuou trabalhando e pintando até os últimos dias de vida.

Nascida em 22 de março de 1929, em Matsumoto, no Japão, Yayoi Kusama começou a desenhar ainda criança e construiu uma carreira de mais de sete décadas marcada por bolinhas, padrões repetitivos, abóboras, espelhos e instalações imersivas. Os pontos e as redes que posteriormente se tornariam marcas de sua produção estavam relacionados, segundo relatos da própria artista, a experiências visuais e alucinações que tinha desde a infância.

Ao longo da carreira, Kusama transformou essas experiências em uma linguagem artística única. Sua produção transitou por diferentes fases e linguagens, incluindo pintura, escultura, instalações e performances, com influências do surrealismo, minimalismo e modernismo.

Yayoi Kusama e as famosas bolinhas

As bolinhas, ou polka dots, se tornaram uma das características mais reconhecíveis da obra de Yayoi Kusama. A repetição dos pontos aparece em pinturas, esculturas, objetos, ambientes e instalações, muitas vezes criando a sensação de que as formas continuam indefinidamente.

Além das bolinhas, outros elementos se tornaram símbolos de sua carreira, como abóboras, redes, alimentos, formas fálicas, luzes e espelhos.

Entre suas obras mais famosas estão as Infinity Mirror Rooms, instalações que utilizam espelhos, luzes e outros elementos para criar a sensação de um espaço infinito. As experiências imersivas ajudaram a aproximar a produção de Kusama de um público ainda maior em diferentes partes do mundo.

Yayoi Kusama no Instituto Inhotim

No Brasil, a obra de Yayoi Kusama pode ser visitada no Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais. O espaço reúne trabalhos como “Narcissus Garden” (1966/2009), instalação composta por esferas de aço inoxidável de diferentes dimensões, além de “I’m Here, But Nothing” (2000) e “Aftermath of Obliteration of Eternity” (2009).

Carreira de Yayoi Kusama em Nova York

No fim dos anos 1950, Kusama deixou o Japão e se mudou para Nova York, onde encontrou uma cena artística em efervescência. A mudança aconteceu após uma troca de cartas com a artista americana Georgia O’Keeffe, a quem Kusama havia pedido orientação para seguir carreira artística.

Em Nova York, ela passou a explorar diferentes formas de expressão e conviveu com importantes nomes da arte contemporânea. Seu trabalho ganhou destaque por romper com formatos tradicionais e incorporar instalações, performances e happenings.

Durante os anos 1960, Kusama também passou a realizar performances que utilizavam o próprio corpo e elementos como os pontos que já apareciam em suas pinturas. A artista construiu, assim, uma produção que dialogava com diferentes movimentos e linguagens da arte contemporânea.

Retorno ao Japão e produção artística

Yayoi Kusama retornou ao Japão na década de 1970. Posteriormente, decidiu viver voluntariamente em uma instituição psiquiátrica em Tóquio. A escolha não interrompeu sua carreira: ela passou a trabalhar em um ateliê localizado próximo à instituição e manteve uma rotina de produção artística.

A artista também se dedicou à literatura e publicou romances e livros de poesia, muitos deles com características surrealistas.

Em 1993, Kusama representou o Japão na Bienal de Veneza, consolidando ainda mais sua projeção internacional.

 

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