Usuários do Instagram passaram a enfrentar uma mudança importante nas mensagens diretas da plataforma. A partir desta sexta-feira (8), a rede social deixou de oferecer a criptografia de ponta a ponta nas DMs, recurso considerado um dos principais mecanismos de privacidade digital.
Na prática, isso significa que a Meta, empresa dona do Instagram, poderá acessar conteúdos trocados nas conversas, incluindo textos, fotos, vídeos e mensagens de voz.
A criptografia de ponta a ponta impedia que terceiros, incluindo a própria plataforma, tivessem acesso às mensagens enviadas entre usuários. O sistema é utilizado em aplicativos como WhatsApp e é apontado por especialistas como a forma mais segura de comunicação online.
A mudança representa uma reviravolta na posição da Meta. Em 2019, a empresa chegou a afirmar que “o futuro é privado” ao anunciar planos de expandir a criptografia para Facebook e Instagram.
Agora, o Instagram passa a operar apenas com criptografia padrão, modelo em que o provedor do serviço consegue acessar dados e conteúdos caso necessário.
A decisão dividiu opiniões. Organizações de proteção à infância comemoraram a mudança e argumentam que a criptografia dificultava investigações de crimes e casos de abuso infantil. Já especialistas em privacidade e direitos digitais classificaram a medida como um retrocesso.
Segundo a especialista em cibersegurança Victoria Baines, a alteração também levanta discussões sobre o uso comercial de dados dos usuários. “As plataformas de redes sociais monetizam nossas comunicações, publicações, curtidas e mensagens para direcionar publicidade segmentada”, afirmou.
A Meta informou que a decisão foi tomada após baixa adesão ao recurso de criptografia no Instagram. Especialistas, porém, apontam que ferramentas opcionais costumam ser pouco utilizadas justamente por exigirem ativação manual dos usuários.