Baiano Christian Cravo prepara livro com ensaios sobre impactos humanos no planeta

Baiano Christian Cravo prepara livro com ensaios sobre impactos humanos no planeta

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

José Mion/Alô Alô Bahia

Christian Cravo/Reprodução Piauí

Publicado em 08/05/2026 às 15:13 / Leia em 3 minutos

O fotógrafo baiano Christian Cravo transformou a fronteira entre os Estados Unidos e o México em cenário do mais novo ensaio da série “Paisagens Antrópicas”, projeto que reúne registros de ambientes naturais e urbanos marcados pela ação humana.

Com pouco mais de 3 mil quilômetros de extensão, a fronteira entre os dois países mistura trechos sem barreiras físicas e áreas protegidas por grandes estruturas de aço, cercas e arames farpados. O local é monitorado por guardas, câmeras, sensores e drones, em um cenário que se tornou símbolo da política anti-imigração do presidente Donald Trump.

Muro invade o mar na Praia de Tijuana, no México | Foto: Christian Cravo

As fotografias foram feitas em setembro de 2025 e integram o 11º ensaio da série criada por Cravo. O projeto começou em 2015, após o rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, controlada pelas mineradoras Vale e BHP. Desde então, o fotógrafo registrou diferentes cenários degradados ao redor do mundo, incluindo um lixão clandestino de roupas no deserto do Atacama, no Chile; um depósito de sucatas eletrônicas em Acra, capital de Gana; e um cemitério de navios cargueiros em Chittagong, em Bangladesh.

“Enquanto desenvolvia a série, concluí que não deveria mostrar apenas as paisagens destruídas por diferentes formas de poluição, mas também alguns fenômenos sociais relacionados à crise ambiental”, afirmou Christian Cravo, em entrevista à revista Piauí. Segundo ele, a ideia de documentar o muro surgiu a partir da relação entre migração, xenofobia e impactos ambientais. “Muitos pesquisadores consideram que o aumento do fluxo migratório e da xenofobia deriva, em parte, dos problemas gerados pelo descaso com a natureza”, disse.

Calexico, na Califórnia | Foto: Christian Cravo

Natural de Salvador, o fotógrafo afirma que busca encontrar beleza estética mesmo ao retratar cenários de destruição. “Imagens mal resolvidas esteticamente não atraem o olhar de ninguém e, por isso, não provocam reflexões”, declarou.

Para produzir os ensaios, Cravo utiliza drones e uma câmera Canon de 50 megapixels. O projeto é financiado por um mecenas que prefere não ser identificado. “Se as coisas andarem bem, ‘Paisagens Antrópicas’ vai virar livro em 2028”, antecipou o artista.

Em El Centro, na Califórnia | Foto: Christian Cravo

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