O Globo de Ouro anunciou novas regras para o uso de inteligência artificial nas produções que disputarão a premiação a partir da próxima temporada. Segundo as diretrizes divulgadas na última quinta-feira (7), filmes e séries que utilizarem ferramentas de IA generativa poderão concorrer normalmente, desde que informem de forma transparente como a tecnologia foi aplicada durante o processo de criação.
Nas categorias de atuação, a organização definiu que as performances precisam ser “primariamente derivadas do trabalho do artista creditado”. Assim, atores seguirão elegíveis mesmo com uso parcial de IA, desde que a interpretação permaneça “essencialmente humana”.
O regulamento, porém, veta atuações “substancialmente geradas ou criadas por inteligência artificial”. A premiação também proibiu o uso não autorizado de réplicas digitais, clonagem de voz e dados biométricos de artistas. Segundo o Globo de Ouro, o conceito de “substancialmente gerada” se refere a casos em que a inteligência artificial substitui ou controla elementos centrais da atuação, como expressões, movimentos e entrega vocal.
A decisão coloca a premiação em uma posição diferente da adotada recentemente pelo Oscar, que anunciou diversas mudanças, incluindo relacionadas ao uso de inteligência artificial. No início de maio, a Academia endureceu as regras para proteger atores e roteiristas diante do avanço da IA em Hollywood, determinando que apenas atuações comprovadamente humanas e roteiros escritos por pessoas possam disputar as categorias de atuação e roteiro.
As mudanças acontecem após anos de reformulação interna do Globo de Ouro, que enfrentou uma crise em 2021 após denúncias sobre falta de diversidade na antiga Hollywood Foreign Press Association. O episódio levou à reestruturação da entidade e à ampliação do quadro de votantes. A próxima edição da premiação será realizada em 10 de janeiro de 2027, com transmissão pela CBS e pela Paramount+. As indicações serão anunciadas em 7 de dezembro deste ano.