O ganho mensal de cerca de R$ 5 mil pode ser suficiente para colocar um brasileiro na seleta fatia dos 10% mais ricos do país. A informação faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua divulgada nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados mais recentes sobre o rendimento nacional revelam que o topo da pirâmide financeira começa com valores muito menores do que parte da população imagina diante do alto custo de vida nas grandes metrópoles.
O levantamento ajuda a dimensionar como a riqueza está distribuída e concentrada no país. O rendimento médio mensal por pessoa nos domicílios brasileiros foi de R$ 2.264 durante o ano de 2025. De acordo com o instituo, o Brasil registrou o valor recorde de R$ 3.367 no rendimento individual, mas observou uma leve alta da concentração de renda nas faixas superiores. Os números demonstram que os 10% mais ricos tiveram um crescimento financeiro acima da média nacional no período.
A base da pirâmide reflete o contraste econômico do país com os 5% mais pobres sobrevivendo com um rendimento médio de apenas R$ 166 por pessoa. O índice sobe para R$ 374 na faixa seguinte e aponta que os 20% mais pobres da nação vivem com menos de R$ 600 mensais.
A pesquisa utiliza o cálculo da mediana para revelar que exatamente metade da população sobreviveu com menos de R$ 1.311 por mês em 2025, valor bem abaixo da média nacional que acaba sendo puxada para cima pelos ganhos da elite financeira.
Apesar da disparidade, as estatísticas indicam uma melhora importante entre as camadas populares nos últimos anos. A renda dos 10% mais pobres cresceu 78,7% entre os anos de 2019 e 2025. A faixa seguinte, formada pela população entre os 10% e 20% de menor poder aquisitivo, registrou uma alta de 42,4%. O avanço justifica a manutenção dos indicadores de desigualdade abaixo dos níveis observados antes da pandemia, mesmo com a escalada recente dos rendimentos entre os milionários.
O recorte das faixas de elite aponta que os 10% mais ricos do Brasil registraram um rendimento médio de R$ 3.590 por pessoa em 2025. O cenário indica que um trabalhador assalariado com salário em torno de R$ 5 mil já integra esse grupo em casas com poucos moradores.
As diferenças internas no topo são expressivas, com o rendimento de R$ 5.519 entre os 5% mais ricos, R$ 9.648 na fatia entre 96% e 99%, e um salto enorme para R$ 24.973 mensais por pessoa na parcela que representa apenas o 1% mais rico da nação.
A aceleração da renda no topo registrou um crescimento de 8,7% no último ano e superou a média nacional de 6,9%. A região Centro-Oeste apresentou o maior rendimento por pessoa com forte impulsionamento do Distrito Federal através dos ganhos de empregadores e trabalhadores do setor público.
O instituto destaca que o mercado de trabalho mais qualificado, a alta de 11,8% nos lucros com aluguéis e a rentabilidade de aplicações financeiras favoreceram as classes mais abastadas.
A divisão do bolo financeiro evidencia a permanência da elevada desigualdade social. A fatia dos 10% mais ricos concentrou 40,3% de toda a renda recebida pelas famílias brasileiras em 2025. O volume supera o montante destinado aos 70% com menores rendimentos, que ficaram juntos com apenas 32,8% do total.
O abismo econômico também revela que a elite nacional recebeu em média 13,8 vezes mais recursos do que os 40% mais pobres, em um índice superior à marca de 13,2 vezes registrada no ano anterior. A base extrema formada pelos 10% mais vulneráveis deteve apenas 1,2% de toda a riqueza nacional.