Por que chove mais em Salvador entre abril e junho? Meteorologistas explicam fenômeno

Por que chove mais em Salvador entre abril e junho? Meteorologistas explicam fenômeno

Redação Alô Alô Bahia

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Jefferson Peixoto

Publicado em 25/04/2026 às 11:03 / Leia em 3 minutos

Com a chegada do outono, moradores de Salvador passam a conviver com um aumento significativo no volume de chuvas. O fenômeno, longe de ser pontual, segue um padrão climático já conhecido, que transforma esse período no mais crítico do ano em termos de precipitação.

Somente em abril, a cidade já contabilizou quase 300 mm de chuva. Na última semana, em razão da atuação de uma frente fria, bairros como Rio Vermelho e Barris registraram média de 156 mm em 96 horas. Já as menores médias foram observadas em Pirajá e Marechal Rondon, com cerca de 143 mm.

De acordo com o meteorologista e coordenador do Centro de Monitoramento de Alerta e Alarme da Defesa Civil de Salvador (Cemadec), Gabriel Pugliese, o período mais chuvoso da capital baiana ocorre historicamente entre abril (285 mm), maio (300 mm) e junho (238 mm), conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia, com base nas normas climatológicas dos últimos 30 anos. “Esse padrão evidencia uma concentração clara de precipitação no outono, tornando esse o período mais crítico do ano do ponto de vista hidrometeorológico”, explicou.

Segundo Pugliese, o aumento das chuvas é resultado da atuação combinada de diferentes sistemas meteorológicos típicos do litoral nordestino. “Destacam-se as frentes frias que avançam até a região, cavados, áreas de baixa pressão e as ondas de leste, que têm papel relevante na geração de chuvas persistentes na faixa costeira. Soma-se a isso a atuação constante de ventos úmidos provenientes do Oceano Atlântico, que mantêm elevados os níveis de umidade na atmosfera”, detalhou.

O meteorologista da Codesal, Giuliano Carlos, ressalta que, nos últimos anos, os dados indicam mudanças nesse padrão tradicional. “Observa-se um aumento na ocorrência de eventos de chuva fora do período típico, com episódios intensos e concentrados também em outras épocas do ano. Esse comportamento pode estar associado às mudanças climáticas e às anomalias na temperatura da superfície do Atlântico, que alteram a dinâmica atmosférica e favorecem eventos extremos”, pontuou.

Apesar disso, a expectativa para os próximos três meses é de chuvas dentro das médias climatológicas. Diante desse cenário, a Defesa Civil de Salvador tem ampliado e fortalecido sua atuação preventiva. As ações incluem monitoramento contínuo das condições meteorológicas, acompanhamento em tempo real por meio de imagens de satélite e radar, além da operação de uma rede integrada de estações pluviométricas, meteorológicas, hidrológicas e geotécnicas distribuídas em pontos estratégicos da cidade.

O objetivo é transformar um comportamento climático já conhecido em ações antecipadas, reduzindo riscos e aumentando a capacidade de resposta do município diante de eventos cada vez mais intensos. O monitoramento contínuo de áreas críticas de alagamento também permite a identificação antecipada de intervenções necessárias, como limpeza de canais, demolições e instalação de lonas de proteção. As análises do Cemadec, aliadas às avaliações em campo, são fundamentais para a emissão de alertas e execução do Protocolo de Proteção e Defesa Civil.

Plantão – A Codesal mantém atendimento 24 horas pelo telefone gratuito 199. O órgão também oferece serviço de alertas via SMS. Para receber as mensagens, basta enviar o CEP da residência para o número 40199. O serviço é gratuito.

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