Baiana radicada em Lisboa, a escritora baiana Van Amorim prepara para apresentar seu mais novo livro na capital baiana. O lançamento de “O Código da Sabedoria” na cidade integra uma agenda internacional da autora, que apresentará outros projetos de sua autoria em uma turnê que passará por 18 países. O evento acontece no próximo dia 9 de maio, às 18h, na Livraria LDM do Shopping Bela Vista.
Em sua nova obra, Van Amorim trata de um misterioso sequestro que mexe com a vida de um garoto periférico que sonhava ser um autor de muito sucesso. Em meio ao caos da vida conturbada que o cercava, em uma manhã Dark Costello e seus amigos, Fin e Cassie, foram colher frutas próximo a uma fazenda na região metropolitana da capital baiana e lá se depararam com três perigosos bandidos, em um crime que chocou a população local e despertou o interesse da polícia para as buscas e investigações. A história trata ainda de um um determinado código que Dark foi destinado a desvendar. Ele se depara com um misterioso amuleto e, ao possuí-lo, acaba criando o código da sabedoria.
“Não é todo dia que temos um livro de uma mulher trans, preta, autista e periférica, que se passa em Águas Claras/Cajazeiras, baseado em fatos reais e com vários personagens vivos lançado em Salvador. Temos que nos reunir para celebrar”, pontua a escritora. “É a primeira vez que a minha família vai me assistir da plateia. A minha mãe é uma personagem negra, mãe de quatro filhos, solteira e doméstica. Ela é a protagonista da história e estará lá. O evento ter caído nas vésperas do Dia das Mães foi uma coincidência muito boa para dedicar o evento para ela”, celebra, animada.
A história ficcional traz elementos reais, já que a própria escritora foi vítima de um sequestro semelhante ao descrito no livro em sua infância. “Falar sobre o sequestro nesse livro foi libertador. Mas não que eu não tenha seguido em frente sem sequelas. As memórias estão aqui, vivas e pulsantes dentro de mim. Não foi fácil ter que reviver tudo de novo, tendo eu mesma que escrever cada palavra. Era como se eu mesma estivesse apertando o gatilho várias vezes contra mim. A literatura foi a minha própria cura. A maneira mais linda e honesta que encontrei de seguir em frente”, destaca.